A Vida com Parreira
A seleção voltou a jogar para o gasto. Os problemas do primeiro jogo se repetiram, com o agravante da defesa ter falhado algumas vezes -principalmente com nossos velhos conhecidos Lúcio e Dida. Quem fez uma atuação quase perfeita foi Zé Roberto, mas... Viram? É complicado analisar a seleção como um conjunto, como um time. O pessoal da frente, com a exceção de Kaká, parece querer salvar sua pele resolvendo as partidas em jogadas individuais. Salvar do quê? Nós nem acendemos as fogueiras ainda!
O maior representante dos individualistas, Ronaldo Nazário, parece preocupar-se apenas com sua recuperação a fim de estabelecer novos recordes. Para Ronaldo, Ronaldo é um problema pessoal: ele quer voltar a jogar bem para ser o maior goleador das Copas - afinal, faltam apenas três gols e ele já tem 29 anos! Para a seleção, Ronaldo deveria ser um problema da equipe a qual diz pertencer. A comissão técnica está correta ao aplicar-se desesperadamente no tratamento físico-psicológico de todos seus atletas, incluído Ronaldo. O que não tem explicação é o fato de que esta recuperação incluir sua participação em jogos oficiais vistos por bilhões de pessoas. Em vez de recuperá-lo fora do campo, estão tentando fazer isto dentro de uma Copa do Mundo, a qual, penso, seria um lugar para jogadores em melhores condições. Robinho, Juninho Paulista ou Fred, por exemplo. Quando ele erra em bola na área australiana fico inexplicavelmente com pena dele, mas quando ele fica repetidamente (dããããã...) em impedimento ou quando desperdiça contra-ataques, fico absolutamente furibundo.
Ou seja, afora os problemas táticos advindos da escalação do Ronalducho - notaram como o nosso meio-de-campo respirou aliviado com a saída de Ronaldo, um dos postes de frente, e com a colocação de Robinho, que entrou trocando passes, buscando a bola e fazendo finalmente a necessária troca de bolas rápida a fim de penetrar na defesa australiana? - há o fato de ele estar convicto de que, mesmo gordão, vai repentimente arrancar irrefreável e vertiginosamente na direção do gol adversário... Em meus sonhos, faço isto muitas vezes.
Acho que Parreira TEM que alterar nomes. Alterando o de Ronaldo Nazário por Robinho, já mudará a forma de atacar, de dois fixos na frente para um fixo e outro movediço. Seria um up-grade. Vejo cada vez mais longe a entrada de Juninho Pernambucano, minha opção preferida, na posição de Ronaldo.
Nossa sorte é esta chavezinha baba em que caímos.
Comments
sua mae e boa
Posted by: jean | junho 26, 2006 11:37 AM
o brasil ganhou de 3 X 0
do japao uhuuuuuu bem feito pro japao hahahahaha
Posted by: carol | junho 23, 2006 03:53 PM
Milton, ontem, quando Ronaldo, com aquele estado atlético horrível, deu aquela "furada" chutando ar pra todo lado, eu me irritei. Parreira vai "acabar" com a carreira do cara! Está na hora, todos os santos, de tirar o cara. Não sabemos jogar com dois centroavantes estáticos, comprometemos a marcação - o primeiro combate - sobrecarregamos o meio e a defesa e só ganhamos pela individualidade. Todo mundo vê. Menos Parreira! Vem muita lágrima nas oitavas, pode escrever. E aí será tarde demais...
Posted by: Ery Roberto | junho 19, 2006 03:54 PM
Juninho, no lugar de Ronaldo, é minha primeira opção, também, Milton. Ou, se Parreira prefere, Robinho e Adriano.
Posted by: Márcia | junho 19, 2006 08:11 AM
Milton, concordo contigo. Só tenho curiosidade de ver uma vez pelo menos o Ronaldo jogando com o Robinho. Apesar de o Ronaldo estar gordo e apático, ainda acho que pior do que isso é deixar o Adriano e ele batendo cabeça dentro de campo. O Adriano não existe quando o Ronaldo tá no jogo.
Posted by: Malagueta | junho 18, 2006 11:01 PM
Perfeito, Milton. As tuas palavras são o fiel retrato da seleção brasileira. Acho que temos jogadores tão bons, como Kaká e Gaúcho, que se entendem mesmo sem estarem devidamente entrosados, viabilizando, assim, a possível conquista da Copa. Contudo, com Ronaldo e Adriano em campo, dois centroavantes pesados e trombadores, venho perdendo a empolgação. Antevejo um embate temeroso contra Gana nas oitavas. Bah!
No mais, gostaria de chamar a atenção para o fato de que Espanha e Argentina, autoras das duas maiores goleadas até o momento, começam a marcação pelo seu jogador mais avançado. No Brasil, os avantes e Gaúcho não marcam, os laterias tentam mas não sabem. Sobra pra a dupla de zaga, Emerson e Zé, não por acaso, o melhor em campo hoje.
Posted by: Daniel Chiodelli | junho 18, 2006 10:53 PM
Espero que no jogo com o Japão o Parreira ouse mais, já que a classificação está garantida. Hoje foi mesmo painful to watch.
Posted by: Leila | junho 18, 2006 09:48 PM