A ciência positiva
Depois de muito ler e falar acerca da Copa, do futebol praticado pelas selecções e das selecções que ainda não jogaram, reconheço que, em comparação com o futebol, a literatura é uma ciência positiva.
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Depois de muito ler e falar acerca da Copa, do futebol praticado pelas selecções e das selecções que ainda não jogaram, reconheço que, em comparação com o futebol, a literatura é uma ciência positiva.
Comments
Hahahahahahahahahahaha.
Posted by: Marcus | junho 14, 2006 02:07 PM
Ah! Agora eu entendi do que trata este tópico. Se o cara caiu em si, quer dizer que ele se jogou. Logo, não foi pênalti. Amarelo nele.
Posted by: Daniel Chiodelli | junho 12, 2006 10:44 PM
OK, Paulo, eu acreditava já ter entendido. E até tinha!
Apenas dou-me a liberdade - mais provocativa e anárquica do que qualquer outra coisa - de recuar uma posição e não reconhecer, por exemplo, "ele caiu em si" como metáfora. Este exemplo ("ele caiu em si") é muito óbvio, porém nem todas as metáforas são entendidas como algo fora de seu âmbito semântico. Tudo depende do grau de burrice e de vivência do leitor, assim como a interpretação de certos lances dependem da forma como Galvão Bueno - aquela besta - acordou. Mas aí voltamos... Não, não voltamos. Chega!
Abraço.
Posted by: Milton Ribeiro | junho 12, 2006 03:11 PM
Bom, Milton, vamos a ver se me faço entender desta vez.
Não se trata de recusar as diferentes interpretações que o texto tem, mas num jogo de futebol, ver o jogo é mais do que mera interpretação: é ver outra coisa, a possibilidade de se ver jogos diferentes. Dou outro exemplo. Num mesmo lance, há quem veja penalty e quem não veja penalty, quem veja impedimento e quem não veja impedimento (parte de um jogo, portanto); mas num livro, quando dois leitores se confrontam com uma metáfora ambos vêem que se trata de uma metáfora, independente do valor que lhe dão. Ninguém duvida que "o homem caíu em si" se trata de uma metáfora. Mas num impedimento ou num penalty cada um vê o que pode ou o que quer.
Posted by: Paulo José Miranda | junho 12, 2006 02:04 PM
Brilhante, Paulo!
Posted by: Marco Aurelio Brasil | junho 12, 2006 01:55 PM
Eu realmente estava deslocado, vendo o problema de outra perspectiva. Não que eu ache que Extinção não tenha mais de uma leitura possível ou que Inter x Fluminense não tenha apenas minha leitura colorada e, portanto, indiscutível, superior, etc.
Posted by: Milton Ribeiro | junho 12, 2006 01:09 PM
Caro Idelber, muito obrigado pela sua simpatia!
Milton, estás ligeiramente deslocado em relação ao problema. Não se trata do ponto de vista dos envolvidos no jogo, mas daqueles que o observam, que o lêem. Três pessoas a verem um jogo, podem ter, não três interpretações diferentes, mas ver literalmente três jogos diferentes. Três pessoas a lerem um livro têm três interpretações diferentes, mas não lêem três livros diferentes. A subjectividade (por conseguinte, o ponto de vista do sujeito e não do objecto) é total ou quase total no futebol. Na literatura não é assim. Quando eu e tu lemos Extinção de Thomas Bernhard não lemos dois livros diferentes. Quando eu e tu vemos o Fluminense-Internacional vemos dois jogos diferentes.
Posted by: Paulo José Miranda | junho 12, 2006 12:19 PM
Fantástico, grande aforismo!
Posted by: Idelber | junho 12, 2006 11:34 AM
Será que a escalação que Scolari utilizou ontem - assim como as que Abel usa sempre - não apontam que certos técnicos vêem o futebol como ciência positiva? Ou aquilo é filosofia mesmo?
Sei lá.
Posted by: Milton Ribeiro | junho 12, 2006 11:24 AM
Hahahaha, sem dúvida.
Posted by: Milton Ribeiro | junho 12, 2006 11:07 AM
Ciência exacta, menz!
Posted by: George Cassiel | junho 12, 2006 10:42 AM