Só baba
Algumas figurinhas mau humoradas e pregoeiras do caos e do insucesso poderiam criticar o fato de a preparação da trupe canarinha para a próxima Copa não envolver nenhum embate amistoso com alguma potência considerável do ludopédio. Será que não estamos adotando uma estratégia errada e covarde?
Enquanto a maioria dos outros selecionados que disputam o mundial estão testando suas forças e fazendo seus últimos ajustes em confrontos entre si, a Seleção do Brasil enfrenta coisas como o time júnior do Fluminense e o glorioso F.C. Lucerna (aquele mesmo, onde jogaram o lendário Heinz e o ligeiro Kurt, nos anos 50).
Uéu, veja você, o Brasil é favorito a levar esse título em qualquer obscuro rincão da Terra. Igual Collor em 89, que não aparecia em nenhum debate porque era favorito disparado nas pesquisas, estratégia repetida mais tarde por Paulo Maluf e Fernando Henrique Cardoso em outras eleições onde estavam na mesma confortável situação. O favorito dar as caras a bater é temerário, é um risco à toa.
A Alemanha, por exemplo, foi meter-se a besta e jogar com a Itália às vésperas da Copa e levou uma sapecada de 4 que instalou uma crise mais barulhenta que o rock industrial local.
Na Copa de 90, aquela que a gente gostaria de esquecer, o jump the shark da Seleção de Lazaroni foi a disputa de um jogo preparatório contra um time que eu não lembraria o nome nem sob indução hipnótica. Perdemos e desde então o angú desandou e deu no que deu. Nas Copas seguintes o Brasil só jogou com babas muito babadas, como Honduras, Islândia e, agora, F.C. Lucerna.
Covarde é, mas canja de galinha e cautela não fazem mal a ninguém. Só pra mim, já que eu sou vegetariano. Mas isso não vem ao caso.