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outubro 18, 2005

Dedicatória

Se a nós fosse dado o poder de adivinhar o futuro tudo teria sido diferente. A ti que tanto me deste e em cujas mãos eu entreguei minha vida. Se um dia leres estas linhas saibas que foste tudo para mim. A ti eu entreguei o meu amor maior. Hoje és como a estrela cadente que brilhou muito no céu e de repente se apagou e sumiu. De ti nada mais sei. De tuas feições não me recordo mais. Nossos caminhos não se cruzarão jamais. Restam lembranças como este livro, testemunho de um tempo que foi feliz e que não tornará jamais.

Porto Alegre, 3 de agosto de 1984
Olvani da Silva Cabral

Eis a primeira coisa que li ao abrir a lembrança que papai me trouxe de terras catarinenses. O livro: Germinal, de Émile Zola, editado em 1979 (ele adora sustentar meu vício em livros de sebo) leitura pesada, trata dos trabalhadores de minas do século XIX.

Com obra duplamente trágica nas mãos comecei a pensar no Olvani. A caligrafia me é familiar. Repare como a maior parte das pessoas entre 65 e 80 anos tem um modo de escrever muito parecido. Concluí que não se tratava de um moleque escrevendo bilhete suicida à la Werther. Mais detalhes: ele escreve a lápis e não identifica o destinatário.

Que teria acontecido a Olvani? Que história de amor foi essa? O que o teria levado a escrever tal coisa? (Acaba de me ocorrer, será que Olvani é mesmo um homem como pensei a princípio?) Será que o livro chegou às mãos do destinatário? Será que ele leu a dedicatória? O que aconteceu depois? Que caminho percorreu até chegar a um sebo em Florianópolis em outubro de 2005 para ser comprado pelo meu pai?

Não consegui começar a ler o livro. Cada vez que vou abri-lo penso numa nova possibilidade para Olvani. Zola que me desculpe, mas o meu exemplar de Germinal tem uma história muito mais interessante.

Posted by luizab at outubro 18, 2005 1:36 AM

Comments

POis eu acho que Olvani é nome de mulher. Aliás, o texto parece ser típico de mulher. Como disseste, homens na faixa dos 65 pra mais, em geral, não tinham o hábito de fazer esse tipo de dedicatória. As mulheres sim. De qualquer forma, como diz a Leila, dá uma bela história, heheh bjs

Posted by: afonso at outubro 20, 2005 9:16 AM

Luiza... como compro muito mais livros em sebos do que em livrarias, já passei por situação semelhante mais de uma vez. Faça como sugeriu a Leila... quem sabe o Olvani não lhe rende uma ótima história ainda? :)
Beijos.

Posted by: Patrícia Köhler at outubro 19, 2005 6:09 PM

Eu compro muitos livros em sebo. Os sebos são uma paixão. A história de cada livro, dos motivos pelos quais seus donos os vendem em sebos, por quantas mãos passaram, enfim.
Dedicatórias ou somente os nomes, com aquela caligrafia antiga, em anos em que eu nem era nascida. Nem minha mãe!
É, eu entendo o teu post.
Um bom abraço.

Posted by: Simone at outubro 18, 2005 3:01 PM

Eu compro muitos livros em sebo. Os sebos são uma paixão. A história de cada livro, dos motivos pelos quais seus donos os vendem em sebos, por quantas mãos passaram, enfim.
Dedicatórias ou somente os nomes, com aquela caligrafia antiga, em anos em que eu nem era nascida. Nem minha mãe!
É, eu entendo o teu post.
Um bom abraço.

Posted by: Simone at outubro 18, 2005 3:00 PM

Sem dúvida, é uma pessoa mais velha escrevendo sobre um amor perdido e inesquecível. Luiza, é um bom ponto de partida para se escrever um romance.

Se você está mesmo curiosa, poderia procurar o nome de Olvani nos registros de Porto Alegre... Ou então nas páginas amarelas, no Google...

Posted by: Leila at outubro 18, 2005 2:00 PM

Adorei ... fiquei ate com vontade de conhecer este exemplar ... tão peculiar ;)

Posted by: Alisson at outubro 18, 2005 8:46 AM