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setembro 20, 2005
Era uma vez uma garota que detestava óculos
A razão para eu ter voltado ao oftalmologista não é nobre. Enjoei dos meus óculos. Há um ano e meio atrás quando ele me receitou lentes novas eu simplesmente ignorei o fato. Agora resolvi correr atrás. Provavelmente tudo o que gastei com remédios pra dor de cabeça durante esse período daria pra pagar metade da armação, mas isso não vem ao caso. O importante é que fui e ele me deu uma receita igualzinha a de 2004, olha que interessante. Não sem uma pequena sessão de tortura antes.
Parte 1: A cadeira inquisitorial
O doutor de sobrenome polonês (ou ucraniano, sei lá) impronunciável coloca o enorme aparelho que parece ter saído do Laranja Mecânica na minha cara. Começam então as perguntas confusas, uma atrás da outra. “Consegue enxergar assim? E agora melhorou? E agora? E agora? Qual está melhor, esta ou esta? Outra vez, qual das duas está melhor?” Tudo num intervalo menor do que três minutos. Alguém consegue raciocinar de maneira coerente assim? E ele não enxerga o que eu enxergo. Entendam, não tenho nada contra oftalmologistas, mas não posso confiar no diagnóstico dado por uma pessoa desqualificada feito eu.
Parte 2: O colírio maldito
Doutor pinga gotinhas extremamente ardidas nos meus olhos. Levo uns dez segundos pra consegui abri-los novamente e mais uns dez pra desembaçar levemente o mundo, só o suficiente pra poder distinguir o que é mesa do que é cadeira do que é estante. Feito isso encaixo-me nos apoios para queixo e testa enquanto o doutor diz “Não pisque e não olhe para a luz. Olhe somente para mim” Há dois problemas aqui. O primeiro é a parte do não fazer. Teste pra você, pessoa aí sentada olhando pro monitor: não pense no macaco azul. Viu! Segundo problema: a tal da luzinha azul está chegando perto, mais perto, mais perto, posso senti-la encostando, ai que nervoso!
Terminada a consulta, passeio na ótica que era, afinal, o objetivo da coisa. Os objetivos específicos são a) encontrar algo que não me deixem com cara de professora primária. Essa tarefa é deveras complicada visto que óculos tem o poder de fazer isso com a mais não-professorinha das pessoas, imagina comigo que já vim com essa cara original de fábrica. E b) fazê-los caberem no orçamento.
Parte 3: fugindo da cara de professorinha
Como já disse, ela é original de fábrica e óculos além de não fazerem milagre agravam a situação. Confesso que já pensei em usar lentes de contato pra tentar escapar do karma. Desisti assim que lembrei do período de adaptação de Luiza-mãe às lentes: algumas semanas andando de olhos quase fechados e cabeça levantada pra tentar enxergar o que estava acima da linha dos joelhos. Pouco tempo depois voltou aos óculos. Lembrei também das lentes do Alisson e da agonia que elas me causam. São menores que a íris e você consegue perceber que elas estão ali o tempo todo, mesmo que não queira. Um passo para a luzinha azul, ui! Encontrei uma que parecia boa. De metal só a parte que fica sobre o nariz e as hastes, tudo parafusado diretamente na lente que não era muito grande, um conjunto bonito e praticamente imperceptível. Com o tal do anti-reflexo, então, de longe não vão nem notar que eu uso óculos!
Parte 4: o bolso
Cruzo os dedos e olho pra etiqueta. R$120,00. Sim! Missão cumprida! A mocinha pega a receita e começa a olhar para uma tabela e fazer contas enquanto me explica que as lentes orgânicas, mais comuns, não podem ser utilizadas nesse tipo de armação pois são mais frágeis e costumam quebrar (lembre-se que a coisa vai ser parafusada direto nela). Usa-se lentes policarbonadas (sabe-se lá o que significa isso) que são mais resistentes e tem garantia contra quebra. Isso tudo por R$150,00 (!). Pausa. Desde os onze anos eu uso essas tralhas e nunca vi lente sair mais caro que armação. Encarnei Luizo-pai, o terror dos vendedores, e comecei a pechinchar. E se não for anti-reflexo? E se for lente normal ao invés da poli-sei-lá-o-que? No fim das contas acabei convencida de que precisava das lentes com garantia dado o uso que faço das pobres (quem mandou ser estabanada? Sentar em óculos é fichinha perto do que os meus já passaram) e que o anti-reflexo era necessário pra evitar que crianças me chamem de tia. Ainda assim consegui cinco por cento. Só na armação.
Parte final: entre mortos e feridos salvaram-se todos
Dentro de poucos dias serei a feliz proprietária de um novíssimo óculos. Na primeira semana acharei-o bonitinho e até pensarei que fico charmosa com ele. Na segunda, voltarei a detestá-lo, esquecerei o dito em todo canto e todos viverão felizes para sempre.
Posted by luizab at setembro 20, 2005 11:35 PM
Comments
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Posted by: Allison Trump at março 7, 2006 5:54 AM
Pode postar uma foto com óculos, garanto que não te chamarão de professora. Agora falando sério o importante é estar bem consigo mesmo, nem que seja nos estilo dos anos 80 ouvindo Madonna e vestindo moletom óculos neste contexto não representam nada. Concorda?
Posted by: AndreNunes at setembro 26, 2005 12:51 PM
Em O Grande Dragão Branco, Van Damme aprende a lutar (e servir saquê!) de olhos fechados. Ele definitivamente não ficou com cara de professor primário. É só uma sugestão...
Posted by: Marco Aurelio Brasil at setembro 22, 2005 10:19 AM
Eles me usam desde os meus três. Sinceramente? Gente que usa óculos fica mais bonito. Dá um ar que sabe das coisas. Não precisa saber...tem que aparentar que sabe.
Posted by: roger at setembro 21, 2005 11:05 PM
Putz, eu uso óculos desde os sete anos. A cada dois é esse tormento que tão bem descreveste. Cheguei a testas as malditas lentes de contato, mas tive que desistir, pois eu mesmo não consigo encostar no meu olho. Depois de um mês tentando colocá-las, sem sucesso, joguei fora e continuei com os óculos. A minha armação tb é aparafusada nas lentes e não teve nenhuma dessas frescuras aí. Acho que além da armação, a vendedora fez uma armação pra cima de ti, hehehe bjs. Ps.: se te serve de consolo, deixa que percebam que estás de óculos. Mulheres de óculos são um tesão...
Posted by: afonso at setembro 21, 2005 12:38 PM