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setembro 30, 2005
Nós na Rede
Grupo de apoio Nós na Rede:
Boa tarde. Meu nome é Luiza e eu escrevi um post sobre aborto. É importante dizer que o conteúdo dele é inédito até para o meu analista. Mais gente falou sobre. Elas podem ser encontradas aqui.
Minha opinião sobre aborto? Bem, digamos que a essência é a mesma, mas os argumentos mudaram consideravelmente.
Antes:
É egoísmo obrigar a vir ao mundo uma criança que não será querida. E ela sabe disso, ah, se sabe, antes mesmo de nascer. Pra que? Pra ter mais um sem ter o que comer, onde estudar, onde trabalhar? Pra criar mais uma família desestruturada onde só há desentendimento e frustração? Pra mais uma criança abandonada na rua? Não, meu amigo, se você não vai dar uma boa estrutura familiar (e refiro-me a questões financeiras e afetivas) não me faça essa sacanagem com um inocente, porque de gente problemática o mundo já está cheio.
Depois:
Menstruação atrasa. Teste da farmácia dá positivo.Putaqueopariu, não dá pra confiar em camisinha. Por que diabos eu fui parar de tomar a merda da pílula? Nessa hora eu não pensei na vida que daria pra criança, pensei na minha. Na faculdade e no curso técnico por terminar, no estágio, em tudo o que eu ainda queria fazer, nos projetos de sair da casa dos meus pais, de passar uns anos trabalhando fora, de juntar uma grana e me perder no mundo sem dar sinal de vida pra ninguém, de ter casa própria...
Depois pensei na minha mãe, na decepção que ela teria, nos sonhos todos que meu pai coruja tinha feito para a única filha dele, no que eu diria, e se diria, pro ex (sim, porque Murphy rege a minha vida e o namorico de pouco mais de um mês tinha recém terminado). Pensei em pedir abrigo pra pseudo-tia que mora em outro estado, ter a criança e entregá-la a uma instituição, mas mamãe trabalhava com serviço social e eu já conhecia histórias escabrosas suficientes sobre esses lugares. Pensei em virar mãe e entrei em pânico só de pensar na possibilidade de acabar odiando a criança e culpando-a por todas as minhas frustrações. Pensei que naquela altura eu era o orgulho da família, a neta exemplar que trabalhava sem parar e nunca tinha tirado uma nota baixa na vida, e na cara com que iria olhar para o clã no almoço de domingo. Pensei na minha mísera fonte de renda e na mesada que ainda recebia, nos anos de economia de papai para que pudesse se aposentar e morar na praia e se teria coragem de pedir que abrisse mão deles.
Pensei em aborto. Em tomar remédio pra úlcera e provocar emorragia. Pra garantir, também pensei em agulha de tricô vagina adentro. Foda-se o que acontece depois, o importante é que sai. Pensei em procurar uma clínica, mas como é que eu encontraria algo do tipo se não podia contar pra ninguém? Sim, porque eu estava planejando um crime, não podia comprometer as pessoas em quem confiava obrigando-as a serem cúmplices. Isso fora a consciência me chamando de assassina.
Passei noites sem dormir e quando finalmente conseguia pregar os olhos tinha pesadelos com choro de criança. Eu não podia ter um filho. Não daquele jeito. Eu sonhava, e ainda sonho, em casar e ter filhos. E se desse tudo errado e eu ficasse estéril? E se meus pais tivessem que assistir ao enterro da própria filha depois de um médico desconhecido dizer que ela sofreu complicações decorrentes de um aborto mal feito?
Alguns dias depois o raciocínio lógico consegui se sobrepor ao conflito entre culpa e desespero e fiz exame de sangue. Negativo.
Saldo final:
Não sei dizer quanto tempo isso levou. Poucos dias com certeza, decididamente os piores de toda a minha vida. Este depoimento levou dois dias pra ser escrito, pois em determinados momentos a vista embaçava demais, em outros a emoção tomava conta e eu ficava impossibilitada de escrever frases com começo, meio e fim ou qualquer coisa que fizesse sentido. E isso porque eu não fiz um aborto. Mas faria e provavelmente até o último minuto não saberia se aquela era a decisão certa. Pense agora em quem chegou às vias de fato.
Voltando ao assunto principal, que diferença faz a descriminalização? A diferença de poder dividir a angústia, de ter apoio psicológico, de poder conversar sobre isso e tomar atitudes mais conscientes. Diferença de entrar num hospital, submeter-se a um procedimento acompanhada por uma equipe de confiança e ter a quem recorrer caso algo saia errado. Crime ou não, mulheres desesperadas continuarão fazendo abortos. Que pelo menos sobrevivam a eles, e com a menor quantidade de seqüelas possível.
Acréscimo feito às 18:00
Women on Waves é uma organização holandesa que utiliza um navio para realizar abortos em mulheres cujos países proíbem ou dificultam a prática. De tempos em tempos ele atraca e são feitas gratuitamente palestras sobre métodos anticoncepcionais e planejamento familiar além de distribuição de camisinhas e pílulas do dia seguinte. Vale visitar o site.
Posted by luizab at 2:18 AM | Comments (8)
setembro 27, 2005
Pieguices sobre amizade
Hoje almocei com Spleen e seus peitos novos. Ainda está naquela fase pós-operatória em que tem que tomar um monte de cuidados, mas o período tiranossauro (de braços curtinhos, já que só pode mexer do cotovelo pra baixo) já passou. Complicada essa coisa de silicone. Seus peitos passam a ser de domínio público, pelo menos por um tempo. Todo mundo quer saber, quer ver, quer pegar, quer cutucar.
Mas não era sobre isso que eu ia escrever. Onde eu estava? Ah, sim, no almoço. Meus encontros com Spleen são quase sempre assim:
- Na hora do almoço porque nossas agendas nunca foram com a cara uma da outra. E marcados em cima da hora, claro.
- Ela reclama da vida. Eu reclamo da humanidade.
- Alguém cita o Homer Simpson. Ela: “Rosquinha!” Eu: “Gira cadeirinha, gira cadeirinha...”
- Eu digo que ela é implicante. Ela diz que eu sou esnobe.
- Eu arrumo uma desculpa qualquer pra chamá-la de patricinha. Ela fica brava.
- Falamos mal de homens em geral.
- Falamos mal de homens específicos.
- Discutimos projetos futuros: o apartamento dela ou a minha fuga pra alguma parte do mundo.
- Fazemos listas de filmes/peças/livros/discos que a gente precisa porque precisa ver/ler/ouvir.
- Planejamos algo para o fim de semana que quase nunca se concretiza (exceção: sinuca com cerveja).
- Ela resmunga. Eu faço uma piada cretina.
- Eu tomo expresso. Ela toma capuccino sem creme.
- Falamos sobre os respectivos cursos/namorados/empregos/blogs e adjacências.
- Prometemos que vamos parar de fumar/beber/procrastinar/paquerar/falar mal de homens. - Ela conta sobre o chefe doidão dela. Eu lembro de quando ela se apaixonou pelo meu chefe doidão.
- Alguém tem uma idéia genial para salvar o mundo das cáries.
Spleen é minha amiga comparsa desde o tempo em que ela era só a Dai.
Posted by luizab at 1:45 AM | Comments (3)
setembro 25, 2005
A humanidade é uma merda
Vou me internar no PopCap que pelo menos ele não me rouba.
Posted by luizab at 12:27 AM | Comments (2)
setembro 23, 2005
Ah, o Google...
A maior vantagem de um contador (gracias, Tiagón) é saber como as pessoas chegam no seu blog. Divertidas mesmo são as buscas que elas fazem. Além das óbvias palavras chave “psicopata” e “coerência”, neguinho já chegou aqui pesquisando pela dieta do Dr. Atkins e até pela garota mais feia do mundo.
Só pra atazanar
Eu acho que wunderblog é coisa de adolescente revoltadinho, independente da idade.
Pronto, pronto. Agora que eles já ficaram felizes em serem citados podem começar a xingar aí embaixo, que isso aqui anda muito calmo.
Por falar em adolescente
Que bom que a Avril Lavigne vai ficar no concorrente e não lá no Hotel California. Imagina eu tendo que segurar menininhas histéricas correndo pelo lobby? Tá bom, vai, até que seria engraçado...
And now for something completely different
Some things in life are bad, they can really make you mad
Other things just make you swear and curse
When you're chewing on life's gristle, don't grumble, give a whistle
And this'll help things turn out for the best
And always look on the bright side of life,
Whew whew, whew whew, whew whew, whew whew
Always look on the light side of life
Whew whew, whew whew, whew whew, whew whew
If life seems jolly rotten
There's something you've forgotten
And that’s to laugh and smile and dance and sing
When you're feeling in the dumps
Don’t be silly chumps
Just purse your lips and whistle, thats the thing
And always look on the bright side of life
Whew whew, whew whew, whew whew, whew whew
Always look on the right side of life
Whew whew, whew whew, whew whew, whew whew
For life is quite absurd
And that's the final word
You must always face the curtain with a bow
Forget about your sin
Give the audience a grin
Enjoy it, its your last chance anyhow
So always look on the bright side of death
Whew whew, whew whew, whew whew, whew whew
Just before you draw your terminal breath
Whew whew, whew whew, whew whew, whew whew
Life’s a piece of shit when you look at it
Life’s a laugh and death’s a joke it’s true
You see, it’s all a show
Keep on laughing as you go
Just remember that the last laugh is on you
[And always look on the bright side of life
Whew whew, whew whew, whew whew, whew whew
Always look on the right side of life
Whew whew, whew whew, whew whew, whew whew]
Come on, boys, cheer up
Worse things happen at sea, you know
What you got to loose, you come from nothing, you go back to nothing
What you lost? nothing
Cheer up you old buggar
(...)
Posted by luizab at 4:13 PM | Comments (1)
setembro 20, 2005
Era uma vez uma garota que detestava óculos
A razão para eu ter voltado ao oftalmologista não é nobre. Enjoei dos meus óculos. Há um ano e meio atrás quando ele me receitou lentes novas eu simplesmente ignorei o fato. Agora resolvi correr atrás. Provavelmente tudo o que gastei com remédios pra dor de cabeça durante esse período daria pra pagar metade da armação, mas isso não vem ao caso. O importante é que fui e ele me deu uma receita igualzinha a de 2004, olha que interessante. Não sem uma pequena sessão de tortura antes.
Parte 1: A cadeira inquisitorial
O doutor de sobrenome polonês (ou ucraniano, sei lá) impronunciável coloca o enorme aparelho que parece ter saído do Laranja Mecânica na minha cara. Começam então as perguntas confusas, uma atrás da outra. “Consegue enxergar assim? E agora melhorou? E agora? E agora? Qual está melhor, esta ou esta? Outra vez, qual das duas está melhor?” Tudo num intervalo menor do que três minutos. Alguém consegue raciocinar de maneira coerente assim? E ele não enxerga o que eu enxergo. Entendam, não tenho nada contra oftalmologistas, mas não posso confiar no diagnóstico dado por uma pessoa desqualificada feito eu.
Parte 2: O colírio maldito
Doutor pinga gotinhas extremamente ardidas nos meus olhos. Levo uns dez segundos pra consegui abri-los novamente e mais uns dez pra desembaçar levemente o mundo, só o suficiente pra poder distinguir o que é mesa do que é cadeira do que é estante. Feito isso encaixo-me nos apoios para queixo e testa enquanto o doutor diz “Não pisque e não olhe para a luz. Olhe somente para mim” Há dois problemas aqui. O primeiro é a parte do não fazer. Teste pra você, pessoa aí sentada olhando pro monitor: não pense no macaco azul. Viu! Segundo problema: a tal da luzinha azul está chegando perto, mais perto, mais perto, posso senti-la encostando, ai que nervoso!
Terminada a consulta, passeio na ótica que era, afinal, o objetivo da coisa. Os objetivos específicos são a) encontrar algo que não me deixem com cara de professora primária. Essa tarefa é deveras complicada visto que óculos tem o poder de fazer isso com a mais não-professorinha das pessoas, imagina comigo que já vim com essa cara original de fábrica. E b) fazê-los caberem no orçamento.
Parte 3: fugindo da cara de professorinha
Como já disse, ela é original de fábrica e óculos além de não fazerem milagre agravam a situação. Confesso que já pensei em usar lentes de contato pra tentar escapar do karma. Desisti assim que lembrei do período de adaptação de Luiza-mãe às lentes: algumas semanas andando de olhos quase fechados e cabeça levantada pra tentar enxergar o que estava acima da linha dos joelhos. Pouco tempo depois voltou aos óculos. Lembrei também das lentes do Alisson e da agonia que elas me causam. São menores que a íris e você consegue perceber que elas estão ali o tempo todo, mesmo que não queira. Um passo para a luzinha azul, ui! Encontrei uma que parecia boa. De metal só a parte que fica sobre o nariz e as hastes, tudo parafusado diretamente na lente que não era muito grande, um conjunto bonito e praticamente imperceptível. Com o tal do anti-reflexo, então, de longe não vão nem notar que eu uso óculos!
Parte 4: o bolso
Cruzo os dedos e olho pra etiqueta. R$120,00. Sim! Missão cumprida! A mocinha pega a receita e começa a olhar para uma tabela e fazer contas enquanto me explica que as lentes orgânicas, mais comuns, não podem ser utilizadas nesse tipo de armação pois são mais frágeis e costumam quebrar (lembre-se que a coisa vai ser parafusada direto nela). Usa-se lentes policarbonadas (sabe-se lá o que significa isso) que são mais resistentes e tem garantia contra quebra. Isso tudo por R$150,00 (!). Pausa. Desde os onze anos eu uso essas tralhas e nunca vi lente sair mais caro que armação. Encarnei Luizo-pai, o terror dos vendedores, e comecei a pechinchar. E se não for anti-reflexo? E se for lente normal ao invés da poli-sei-lá-o-que? No fim das contas acabei convencida de que precisava das lentes com garantia dado o uso que faço das pobres (quem mandou ser estabanada? Sentar em óculos é fichinha perto do que os meus já passaram) e que o anti-reflexo era necessário pra evitar que crianças me chamem de tia. Ainda assim consegui cinco por cento. Só na armação.
Parte final: entre mortos e feridos salvaram-se todos
Dentro de poucos dias serei a feliz proprietária de um novíssimo óculos. Na primeira semana acharei-o bonitinho e até pensarei que fico charmosa com ele. Na segunda, voltarei a detestá-lo, esquecerei o dito em todo canto e todos viverão felizes para sempre.
Posted by luizab at 11:35 PM | Comments (5)
setembro 18, 2005
Baú de memórias musicaleatório
Media player no shuffle. Agora toca Tonight tonight do Smashing Pumpkins. Sabe como algumas músicas te fazem sentir bem inexplicavelmente? Calça de moletom, meias, cabelo bagunçado, óculos velhos (preciso trocá-los), pernas cruzadas sobre a cadeira. Melancolia engraçada. É, eu me sinto bem.
Never there - Cake
Ontem dancei essa música. Se tem coisa que não suporto é homem que sai à noite pra pegar mulher. Gosto de dar risada com meus amigos e dançar até as solas dos pés não agüentarem. Sou extremamente antipática com qualquer ser que utilize cantadas baratas e costumeiramente nem olho pra cara deles. Pois não é que ontem saí direto do trabalho sem me arrumar nem nada, completamente tosca, feliz e faceira me acabando na pista e aproxima-se alguém com neurônios suficientes pra não causar ojeriza na primeira frase? Não vai ligar. Saco.
Like a prayer - Madonna (versão remix)
No meio de mais de mil músicas devo me envergonhar de umas tantas. Essa tem valor afetivo. Confesso, já fiz bico em danceteria de playboy pra tirar uns trocados. Período curto, mas ótimo financeiramente. Passava o fim de semana trabalhando, não tinha como sair, logo ganhava sem gastar. Não deu muito certo. Eu ainda era bolsista na faculdade, então nuns dias acordava às 6:30, noutros chegava em casa às 9:00. Odiava quase tudo o que tocava lá. Dessa música eu gostava porque era a entrada dos tequileiros. Me divertia vendo as menininhas de salto agulha descerem do palco improvisado completamente tontas.
Lola - Kinks
Também dá uma sensação boa como Tonight tonight, só que sem a melancolia. Sinto-me meio Mari mesmo sem saber se ela gosta de Kinks.
Come on feel the noise - Twisted Sisters
Hard rock sempre me lembra o Bugu. Uma das fotos dele no MSN é uma montagem no corpo do vocalista do Twisted Sisters. Se ele me descobre escrevendo essas coisas vai querer minha cabeça, vai dizer que estou queimando o filme dele com os fãs. Só que não é queimação de filme. Adoro o Bugu. Tenho o maior orgulho desse amigo rockstar e acho muito engraçada a mistura de admiração e cautela com que as pessoas se aproximam do cara que comia esfirra gigante comigo depois da aula. Do top 5 melhores shows da minha vida ele só não esteve em todos porque não foi pro Rio ver Eric Clapton. Em alguns até tocou. Foi comovente vê-lo quase chorar no Whitesnake.
The champion - Hammerfall
Não disse! Não disse! Esse eu vi com o Bugu. Não lembro se ele abriu. Só depois, olhando o canhoto do ingresso percebi que estava com o de número 666. Muito engraçado isso. Nesse ano vieram um monte de bandas bacanas pra terrinha e eu sempre ia aos shows com uma turma ótima. Fase boa da vida.
Boogie shoes - KC and The Sunshine Band
Música divertida. Viro personagem de filme com ela. Pode ser a Minnie Driver em Matador em conflito ou qualquer coisa com a Marisa Tomei. É água com açúcar, eu sei, mas gosto dela. Nem precisa ser protagonista, como naquele filme da Ashley Judd com o Wolverine antes dele ser o Wolverine. E com muito menos pêlos, claro. A música toca e eu me mudo pra um universo paralelo.
I’m in the mood - John Lee Hooker e Bonnie Rait
É fato: eu sou absolutamente doente por blues. Não sei se o que veio primeiro foi a paixão pela música ou o trauma de ser branquela. Esse é sério. Não gosto da minha voz esganiçada, da tez pálida que pouco bronzeia e muito fica vermelha, às vezes até sem sol. Ah, se eu fosse negra... Sempre achei-as muito mais musicais e não só pelo timbre grave. Pra me contradizer tem a Maíra, tão branquela quanto eu, que toca blues maravilhosamente. Tem bom gosto a menina, já gravei muitos CDs dela, e quando pega o violão hipnotiza quem quer que esteja em volta. Mesmo.
Posted by luizab at 10:34 PM | Comments (4)
setembro 16, 2005
Eu mereço...
Luiza-mãe pra mim a cinco minutos atrás:
- Você quase deu certo.
Posted by luizab at 12:53 PM | Comments (6)
setembro 15, 2005
Da arte de batizar um blog
Daí eu estava entediada e resolvi sair futricando blogs. No do Renato K. encontro o link para um tal de Jesus, me chicoteia! Dava pra não clicar? Cliquei. Logo na entrada o moço em questão com a maior cara de hippie e chicote em punho. Ótimo! No topo da página lê-se:
Creio na morte, única amante absolutamente fiel.
Creio na estupidez humana, única força com que se pode contar sempre.
E creio no humor, única forma de encarar a primeira e suportar a segunda.
Bom, bom. Mas o que me ganhou mesmo foi a epopéia da carteira de habilitação e a impagável expressão “pulando e rodando como uma gazela emaconhada”.
Também achei uma coisa chamada Meu E-Bigo. Confesso que não entrei, mas o nome é ótimo, vai dizer? Ainda nas minhas bookmarks deparo-me com Garotas que dizem ni - não se iluda, o que elas escrevem não tem nada de nonsense, mas é legal – e Emesmos, tremendo coletivo cujo nome não sei se entendi. De qualquer maneira gostei muito.
A missão da semana é uma lista com nomes divertidos de blogs bacanas. Sugestões são muito bem vindas.
***
E decidi que vou colocar um contador. Não que eu queira saber quantas visitas recebe este humilde sítio (HAHAHAHAHAHAHAHAHA... pausa HAHAHAHAHAHAHAHAHA... ai ai...). É que lendo o Inagaki descobri uns meios engraçados pelos quais pessoas chegam aos blogs. Fico pensando se alguém chegou aqui fazendo uma busca estapafúrdia no Google. Até fiz umas tentativas usando o nome do blog e palavras chave, mas não teve graça. Será que vai me aparecer algo inusitado?
Posted by luizab at 12:06 AM | Comments (5)
setembro 14, 2005
Desliga tudo
Porque hoje eu quero Cabernet Sauvignon com Marlboro Lights e Miles Davis, luz de abajur, dedos frenéticos nas letrinhas tec tec tec pra depois achar uma porcaria e deletar tudo; não-linearidade; sol despontando e falta de sono; cinzeiro cheio, garrafa vazia e cabeça a mil; Jane’s addiction, cheiro de lótus e chuva lá fora; palavras, palavras e palavras desconexas; apenas duas mãos e o sentimento do mundo, cretinices aleatórias, frases feitas desfeitas e outros clichés; Singing in the rain com o Malcolm MacDowell; Non, je ne regrette rien; folhas rabiscadas com anotações caindo pelo chão; uma paixão atrás da outra, divagações, estratégias pra ganhar na Mega Sena ou me mudar pra uma ilha deserta ou as duas coisas; olhar as árvores pela janela, procurar lua atrás das nuvens; desenhos de lua; ficar acordada pensando que o mundo dorme; escrever cartas que jamais serão lidas.
Posted by luizab at 2:23 AM | Comments (5)
setembro 12, 2005
Um post que eu não queria escrever
Ia falar sobre os shows, porém acontecimentos nefastos me fazem mudar de assunto. Quem está realmente preparado para uma desgraça? A gente sabe que vai acontecer mais cedo ou mais tarde e quando o momento chega, se sente impotente e desorientado como qualquer outro ser humano.
Diz-se que desgraça sem tamanho é um pai enterrar um filho, pois é anti-natural. Pergunto então, e um filho enterrar um pai? Tal fatalidade atinge quase todo mundo, assim prega a lei da natureza. E mesmo sabendo disso quase instintivamente você consegue imaginar dor maior?
Até poucos dias a tristeza causada pela morte me parecia uma coisa meio egoísta (não no sentido pejorativo, fique bem claro). Você sofre não pela pessoa, mas pela falta que vai sentir dela. Qualquer crença (e nessas horas é à fé que se recorre) prega alguma espécie de recompensa pós-morte. Eles que se vão ficam bem, nós que ficamos suportamos toda a dor.
Neste fim de semana uma das melhores pessoas que já conheci perdeu a mãe. Sofro por ela, por vê-la sofrer, por pensar o que será da vida dela agora, quem irá na sua formatura, quem lhe fará chá quando estiver com cólica. Tenho vontade de pôr no colo e dizer que vai passar, de arrancar essa agonia de dentro dela. Não dá. Só dá pra chorar junto, pra ceder o ombro, pra ficar do lado e pra torcer muito, mas muito mesmo, pra que a dor se vá. Enterrar um pai, isso é desgraça.
Posted by luizab at 1:30 PM | Comments (4)
setembro 10, 2005
Metal Gods
Ainda não recuperada da catarse, só há três coisas a dizer:
1) Judas Priest é muito bom. Judas Priest ao vivo é um absurdo de bom.
2) Rob Halford que me perdoe, mas Coverdale é o cara.
3) Não viu? Meus pêsames.
Prometo que depois faço comentários descentes sobre o show.
P.S.: Ah! O Angra também tocou. Pensando bem, quem se importa?
P.S.2: Ô Sêo Síndico, adorei a pintura nova (vocês repararam?). Agora me ensina a postar imagem nisso aqui, plis?
Posted by luizab at 1:17 PM | Comments (4)
setembro 8, 2005
Mulher é tudo bicho frouxo, mesmo
E ontem eu acordei com o telefone às quatro da manhã. Só um toque. Identifiquei o número. Virei pro lado e voltei a dormir com um sorrisinho idiota na cara.
Posted by luizab at 1:24 AM | Comments (5)
Minutos de sabedoria de porta de banheiro
Que hoje eu resolvi bancar o Aran
Homem orgulhoso é só uma criança birrenta cabine estendida.
E esse mesmo homem com o orgulho ferido é uma criança birrenta cabine estendida a alcool num dia frio.
Posted by luizab at 12:19 AM | Comments (2)
setembro 7, 2005
As aventuras do sapo bala
Alguém aí conhece um grupo de apoio pra viciados nisso aqui?
Posted by luizab at 1:32 AM | Comments (2)
setembro 2, 2005
Receita para um cabelo bonito
Subtítulo: O que fazer quando a sua folga cai num dia de semana e todo mundo está trabalhando
Subsubtítulo: Heranças do tempo em que eu queria ser cientista maluca
Subsubsubtítulo: Como a gente fica feia pra ficar bonita
Subsubsubsubtítulo: O lado Barbie da força
Subsubsubsubsubtítulo: O ataque dos subtítulos
Tome banho. Sempre é bom.
Retire o excesso de água do cabelo com uma toalha. Desembarace-o.
Num recipiente coloque um pouco de creme hidratante para cabelo (aqueles potões da Seda são ótimos) e umas duas ou três ampolas de qualquer coisa colorida e cheirosa própria pra isso. A meleca de hoje incluiu queratina (amarela), d-pantenol (azul) e ceramidas (rosa).
Bata vigorosamente. As coisinhas de ampola quase sempre são oleosas e custam a se misturar com o creme. Pode parecer impossível, mas acredite: no fim fica homogêneo, sim, só que tem que bater muito. Às vezes fica parecido com chantilly. Não coma!
Passe a meleca no cabelo todo, menos na raiz. Massageie. Essa parte é bem legal.
O efeito da meleca é potencializado do mesmo jeito que microorganismos indesejados se multiplicam na comida: com tempo e temperatura. Só que neste caso é bom. O que fazer? Envolva a cabeça com papel alumínio. Eu ainda coloco uma daquelas touquinhas de banho ridículas e amarro tudo com um lenço bem grande. Fica parecendo a Dona Florinda, mas ninguém vai ver, então que se lasque. E a coisa esquenta mesmo! Não é recomendado o uso de cobertores ou do forno como um certo amigo sugeriu (influência do papel alumínio certamente) para este fim.
Fique assim por uns 20 minutos pelo menos. Se quiser aproveitar este momento pra usar substâncias verdes na cara ou cremes fedorentos nas canelas pra combinar, vá em frente. Se quiser tirar fotos pra deixar pela casa espantando mosca, ou mandar por email pra matar uma amiga de susto, vá em frente também. Não recomendo enviá-las a namorados, casos, disk-pizzas, pretendentes ou homens em geral, a não ser que você não se importe em ter uma vida sexual nula.
Tire tudo. Recomendo o chuveiro. Pode ser o chuveirinho também, desde que ele e você sejam mantidos dentro do box, sem essa de não querer se molhar e ficar só com a cabeça na parte molhável do banheiro. Vai por mim, nunca dá certo. Você não quer enxugar o banheiro todo depois, quer? Por mais que a preguiça seja grande, também evite a pia. Bater a cabeça na torneira não é divertido.
Pronto! Você conseguiu se ocupar por pelo menos uma hora e ainda deu uma recauchutada. Não é ótimo?
Posted by luizab at 6:45 PM | Comments (13)
setembro 1, 2005
Trilha sonora de hoje
1. Sobre o tempo – Pato Fu
2. Me chama – Marina Lima
Chove lá fora e aqui faz tanto frio...
3. It’s the end of the world as we know it – R.E.M.
Especialmente dedicada ao raio que caiu no prédio ao lado, creio eu, fazendo tremer todas as janelas e me acordando na marra às 7:26 da madrugada. And I don’t feel fine at all.
4. Rain – The Cult
5. Storm – Goodspeed you black emperor (valeu, Zé)
Especialmente boa pra cortar os pulsos, alternativa plausível depois de uma semana com o tempo desse jeito.
E como o Asterix só temo que o céu caia sobre nossas cabeças.
Alguém tem uma boa sugestão de filme? Aquele Waterworld do Kevin Costner é uma bomba!
Bônus acrescentado às 10:34 da manhã:
I don't want to stay here, I want to go back to Bahia...
Posted by luizab at 1:17 AM | Comments (5)
O lado negro da livraria
Antigamente eu não tinha problemas para emagrecer. Resolvia e fechava a boca. Duas semanas, dois quilos e eu era uma pessoa feliz. Simples assim. Só que ultimamente não tem funcionado. Fiz um comentário sobre isso com meu psiquiatra (é, eu sou uma doidinha diagnosticada) e ele perguntou se eu conhecia um livro chamado A dieta de South Beach. Nunca tinha lido mas já tinha ouvido falar. Conheço inclusive alguns casos de sucesso. Ele me explicou rapidamente a proposta (algo sobre colocar a insulina de quem come mal feito eu pra funcionar direito outra vez) e eu não achei de todo má. Espertinho ele. Sempre me receita livros e filmes, vai ver porque sabe que esses eu vou usar, mesmo.
Pois bem, no caminho para o trabalho passo em frente ao meu sebo favorito. Entro meio envergonhada e vou direto pra “minha” prateleira de filosofia. O livreiro vem oferecer seus préstimos, peço o livro pelo nome e qual não é a minha surpresa ao vê-lo procurar o dito na sessão de... auto-ajuda! Não! Não! Não! Aquilo era demais pra mim! Qual seria o próximo passo? Paulo Coelho e Zíbia Gasparetto? Pra minha sorte ele não o encontrou. Saí de lá prometendo não voltar nos próximos meses, tamanho o embaraço.
Parada pra almoçar. Mega store de shopping, por quê não? Com certeza um lugar impessoal é bem menos constrangedor. Sem perguntar nada dirijo-me à sessão de ciências da saúde, jurando que se não estivesse ali eu desistiria da busca. Estava. Logo acima da dieta do Dr. Atkins, aquele gordo que morreu de infarte. Comecei a tremer e saí de lá também. Uma hora depois volto e compro o livro. Compro também alguma coisa do Foucault pra me sentir menos lixo. Agora só falta abrir pra ler. Prometo ser forte, mas nome e data na folha de rosto, ah, isso nem pensar!
Posted by luizab at 12:57 AM | Comments (3)