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agosto 30, 2005

A epopéia do cartão

Daí eu tive que abrir conta em outro banco pra receber meu salário – A propósito trouxe o primeiro contra-cheque pra casa ontem. Luizo-pai quase chorou de emoção porque a filhinha dele trabalha desde sempre, mas nunca teve carteira assinada. – e não havia opção quanto a cartão de crédito. Eles mandam e pronto. Na hora já soube que aquilo ia me dar dor de cabeça, mas o que eu podia fazer? Não uso cartão de crédito por uma questão de princípios. Se me estrepo só com o raio do cheque especial, imagina com essa versão plástica de autorização pra fazer dívida?

Pois bem, hoje chego em casa mais cedo e sobre o teclado encontro um envelope do banco. Luizo-pai avisa-me que teve que assinar para receber e já sinto um frio na barriga. Era ele. E a desgraça veio em dobro: um em meu nome, outro no da minha santa mãezinha.

Primeira atitude: ler a cartinha que veio junto. Vantagens, prazos, blá blá blá e nada de cancelamento. Segunda atitude: ligar pro tele-banco. Fico nervosa só de imaginar a atendente tentando me convencer a ficar com a coisinha. Não. Ela me diz que seu sistema está fora do ar e que eu deveria ligar uma hora mais tarde. Pergunto se ela pode ao menos me dar alguma instrução sobre cancelamento de cartões de crédito. Ela diz que sem o sistema não pode fazer absolutamente nada. Tá bom.

Uma hora mais tarde ligo de novo. Novamente a sessão “para isso, disque 1. Para aquilo disque 2”.

Disca

Disca

Disca

Espera
Alguém atende.

- Boa noite. Eu acabei de receber um cartão de crédito e gostaria de cancelá-lo.

Segue-se discurso do rapaz sobre como eu não preciso fazer absolutamente nada, nem desbloquear o cartão, nem pagar a fatura da anuidade que chagará na minha casa, que dentro de alguns meses (!!!) ele será cancelado automaticamente por desinteresse.

Neste momento eu gelei. Fatura?! O guri realmente não entende que eu tenho tanto medo de conta quanto de barata. Explico que não quero que a tal fatura chegue perto de mim. Vai que ela morde?

Atendente transfere a ligação.

Espera

Alguém atende. Repito a solicitação.

Atendente transfere a ligação de novo.

Espera

Espera

Espera

Alguém atende e novamente repito a solicitação. (Com quantos já falei até agora?)

Segue-se discurso de oito minutos e meio sobre como eu não preciso fazer nada e blá blá blá e se um dia eu quiser o cartão de novo meu cadastro já estará lá e blá blá blá...

- Moço, esse cadastro foi feito a contragosto e eu gostaria que ele fosse cancelado, que a tal fatura nem chegasse na minha casa e que não me fossem oferecidos mais cartões de crédito de espécie alguma. (A saber: eu ainda estava usando um tom impressionantemente calmo e educado. Acho que vou virar monja)

Atendente me pede pra aguardar

Espera

Espera
- Senhora Luiza, seu cadastro foi excluído.
- Muito obrigada. Tenha uma boa noite.

Da próxima vez vou dizer que estou com o nome no Serviço de Proteção ao Crédito.

***

Agora sério

Eu não posso ser uma pessoa feliz sem um discman novo.
Alguém quer comprar um usado? Exerce brilhantemente a função de peso para papel.

Posted by luizab at 11:48 PM | Comments (6)

agosto 29, 2005

Sunday Bloody Sunday

Uma da manhã de domingo pra segunda. Até pode ser hora de chegar em casa, de ir pro computador com resto de maquiagem na cara, de constatar que o cabelo está horrendo de feio e marcado de tanto ficar preso, porém pessoas normais teriam justificativas bem mais divertidas pra isso.

***

O que fazer num dia de pouco movimento? Ora, bolas, especular sobre a vida sexual dos outros! O que dizer, por exemplo, de um cidadão que termina sua noite de núpcias visivelmente irritado? Eu acho que algo não funcionou e não foi o ar condicionado do apartamento... Mas bizarro mesmo é o velhinho que recebe visitas realmente longas de moças suspeitas. Farei um bolão pra tentar descobrir quantas pílulas azuis a criatura engole.

***

Só pra constar, eu tenho medo de crianças poliglotas.

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E por que a gente consegue entender espanhol mesmo sem saber dizer nem buenas tardes e nuestros hermanos não captam picas de português? Portunhol, no entanto, é mais eficiente do que parece.

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Meu nome consta na lista do curso de auto-aplicação de massa corrida. Teria sido uma indireta?

***

É fato, eu sempre esqueço de tirar o piercing. Só lembro quando alguém que não deveria o vê, então me escondo, tiro e coloco-o no bolso do uniforme. Pois bem, hoje ele ficou no bolso que foi pra lavanderia. Saco.

***

Deprimente é ser cantada por velhos babões e ainda ter que dar risadinha.

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E o dólar que se lasque. Hoje eu ganhei gorjeta em euro!

Posted by luizab at 1:07 AM | Comments (5)

Momento de histeria

All I really want...

É alguém que ligue às duas da manhã de um dia de semana só pra dizer que me ama.

Posted by luizab at 1:05 AM | Comments (1)

agosto 27, 2005

Medo

Por favor, alguém me diga que o Telecine NÃO tem uma sessão com legendas em miguxês.

Posted by luizab at 1:36 PM | Comments (4)

A primeira vez a gente nunca acerta

A primeira vez é aquela que doeu tanto que você jurou nunca mais fazer sexo novamente. Ou aquela em que você gozou em menos de três minutos e não sabia onde enfiar a cara. Qualquer que seja o caso, você estava de meias.

Isso nos leva a...

Sobre as meias

Meia é um troço broxante. Todo o resto da roupa, mais precisamente o processo de tirá-la, permite um charme, uma brincadeirinha, mas meia... Num momento ela está ali, no outro não pode mais estar. Simples assim. Coisa ridícula é alguém pelado de meias.
[Pausa pra você imaginar a cena e dar umas risadas]

E por que raios ela se chama meia? Metade de que? E a meia-calça (empata-foda dos empata-fodas)? No fim das contas cobre mais do que a calça, então por que a meia é ela? Quem define o comprimento de meias 3/4 e 7/8? A Ana Hickmann?

Posted by luizab at 1:03 AM | Comments (5)

agosto 24, 2005

Diálogo da semana

- O que é mesmo que você faz lá no seu trabalho, meu anjo?
- Tá vendo aquele bibelô na sua estante, vó?
- Sim.
- Aquele sou eu.


***


Com exceção de pais e avós nenhum outro ser no mundo está autorizado a usar a expressão “meu anjo”. Pensa que alguém liga pra isso? Claro que não!

Top 5 tipos de pessoas que falam “meu anjo”

1. Velhos babões para menininhas
2. Conquistadores de meia tigela
3. Gente que está a tanto tempo casada que esqueceu o nome do cônjuge
4. Gente apaixonada (e cafona)
5. Cabeleireiros

Posted by luizab at 1:50 AM | Comments (11)

agosto 18, 2005

Sobre o direito de mudar de idéia

Estréio na Verbeat com uma republicação. Foi o segundo ou terceiro post que escrevi na vida e que só meia dúzia de gatos pingados leram (desculpas antecipadas a eles).
Puxe uma cadeira e fique à vontade. Cerveja no freezer.


Sobre o direito de mudar de idéia
Ou Em defesa da árvore torta.


Coisas que eu queria ser quando era pequena

(ou criança, considerando que 1,60m não é exatamente grande)
1.Dentista
2.Arquiteta
3.Piloto de Fórmula 1
4.Bailarina
5.Cientista maluca


O ser humano por natureza não sabe o que quer.
Retificando. O ser humano sabe o que quer: comer, dormir, reproduzir, não necessariamente nessa ordem. Fora isso o ser humano não sabe o que quer. Exemplo? Tente pedir uma pizza. Sozinho você já vai ter dificuldade. Agora pense que é pouco provável que você peça uma pizza sozinho, o que torna a tarefa ainda mais difícil.

A questão é que pessoas teimam em viver em sociedade, o que complica tudo! Porque aí não basta agradar a si mesmo e pronto. Você tem que agradar os outros também, senão eles te enchem o saco. Logo você faz coisas que não quer para que outras pessoas não façam o que você não quer.

Complicado? De jeito nenhum. Já tentou pedir pizza de calabresa numa turma de vegetarianos? Não, é claro que não. Porque por mais que seja meio a meio e que ninguém vá ficar com fome se não comer uma das partes da tal pizza, na melhor das hipóteses vão te olhar com uma cara de “Pai, perdoai. Ele não sabe o que faz”. Na pior, vão te acusar de assassino. Você decididamente não quer que eles façam isso, então pede quatro queijos. “Droga! Eu gosto de calabresa!”

Se você estiver sozinho pode pedir até alho e óleo, ou crocante (aquela coisa que vem com batata palha, aka atentado gastronômico). Quem se importa? É você quem vai comer, mesmo. Agora, é bem provável que fique em dúvida entre portuguesa, lombo com catupiry ou qualquer outra com bacon, por mais que goste de calabresa.

Tá vendo? Seres humanos não sabem o que querem. E não há mal nenhum nisso. Ou melhor, não haveria. Porque a dúvida da pizza até que é fácil de ser resolvida, você sempre pode pedir um sabor diferente na semana seguinte, mas e as outras? “Será que eu caso ou me mando pra Europa?” “Será que eu gosto de homem ou de mulher?” “Será que eu quero ser engenheiro ou cirurgião plástico?” “Será que se eu escolher agora vou poder mudar de idéia depois?” Não. Porque se você mudar de idéia vai ter um monte de gente pegando no seu pé.

Olha só a sacanagem: uma pobre criatura entre 16 e 18 anos, praticamente desprovida de razão dados os hormônios que tomam conta não só do seu corpo, mas também da sua mente, é obrigada a escolher o que vai fazer pelo resto da vida. Algum tempo depois essa criatura descobre que não era aquilo que ela queria. E aí, o que é que faz? Estranho pessoas que pedem divórcio terem um chilique quando os filhos abandonam a faculdade.

Não bastasse um pobre coitado ter que descobrir do que gosta, tem que arranjar algo que dê dinheiro. E não venha com essa de que dinheiro é o de menos porque todo mundo sabe que não é. Ou existe alguém que não precise morar, comer, vestir? Se não por si, pelos parentes que, preocupados, não vão largar do pé do dito-cujo. Quando não são os parentes são os vizinhos, os amigos, a sociedade, o Papa, a Rede Globo, o presidente, o raio-que-o-parta. Logo ele vai passar a fazer o que os outros esperam que ele faça só porque não suporta a aporrinhação. Ou vai aturá-la pro resto da vida.

Kant disse uma vez que uma árvore não pode ficar isolada para se desenvolver bem*. Ela precisa da proximidade de outras. Sabe por quê? Porque muitas árvores juntas necessitam criar raízes mais profundas para poderem extrair nutrientes do solo. Também precisam crescer mais e de maneira retilínea, pois se a sua copa ficar abaixo das outras não conseguirá tomar sol e pode acabar morrendo. Assim uma árvore isolada cresce pouco, desordenadamente e com raízes pouco profundas, enquanto várias juntas tornam-se fortes e exuberantes. Mas a que custo? Competição constante e padronização? Desculpa aí, seu Kant, mas duvido que a árvore torta precise de analista.


* KANT, Immanuel. Idéia de uma história universal de um ponto de vista cosmopolita. In GARDINER, Patrick. Teorias da História.

Posted by luizab at 12:44 AM | Comments (5)