Foi ver o fruto a desprender-se e a cair
Em sangue, enquanto ciciava
Com olhos deslumbrados
Os feitos irreais de Sertório.
E eu a vê-lo
Por trás
Com máscara de Vénus
A vaguear sob nuvens rápidas
E as penas
Do rosmaninho.
São incandescências espalhadas na obsessiva brancura da cidade, cercaduras longínquas, retábulos e soleiras onde a acção recôndita do homem e a erosão da paisagem abraçaram um devir estranho e antigo.
São trepadeiras inesperadas, muros adiados no seu hierático sigilo, vias a pulsar num granito orgânico sob frontispícios de cal, ferros forjados e rostos em laje que o aqueduto do tempo embalou.
São cisternas de prata, musgos rasteiros, crisântemos e efígies ao vento, passo ante passo, em torno da fonte henriquina da grande praça.
São dias e corpos encostados aos arcos, palmeiras que excedem o corpo de cada quintal, frontões diáfanos entre estátuas solares, pombos errantes sobre este teatro do espanto.
São varandas e jarros, cisnes e anjos a dançarem nos mosaicos entre cátedras.
São labirintos e arbustos, pavões e galgos no limiar dos lagos, arcarias árabes, canteiros e ossadas a reluzirem na efemeridade da luz.
São tijolos mouriscos, telhas retorcidas, argila botante, pendões lisonjeados pelo tempo em longos cortejos sob fogo e a escurecida memória de Évora sempre cercada por exércitos do diabo.
São estrelas e cantarias, fenos da noite e cavalos de asas brancas que escalaram a Rua do Raymundo e depois entraram no centro do sol.