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setembro 26, 2006

A beleza oculta e a que dói de ver

Meu amigo Carlos, um paulista que nunca tinha visitado Porto Alegre, veio trabalhar aqui por alguns dias. Foi difícil conciliar nossos horários. Porém, lá por quinta-feira, ele me telefonou para dizer que passaria também o fim-de-semana na cidade, que desejava combinar um encontro e que eu teria de explicar-lhe umas coisinhas sobre a cidade. Marcamos para conversar na sexta-feira à noite, no Bar do Beto lotado, em meio ao maior barulho.

- Milton, me diz porque eu andei por todo o lado desta cidade e não vi o rio. Esta porra é um porto ou não?
- Olha, comecemos do começo, bem do começo. Parece que não somos banhados por um rio e sim por uma lagoa.
- ?!
- Pois é, na minha época de estudante, diziam que o Guaíba era um estuário, que é um tipo de foz mais larga que o normal. Mas agora virou lagoa... É que aqui deságuam vários rios que vão dar na Lagoa dos Patos...
- Não entendi nada, mas me diz porque eu não vi o rio.
- Não o procuraste direito.
- Mas eu andei pelo centro, pelo tal Mercado Público que devia estar na frente do porto e não vi nada.
- É que houve uma enchente em 1941 que inundou o centro da cidade, então construíram um enorme muro para evitar uma nova enchente, só que ela nunca ocorreu e, bem, ficamos com uma muralha que nos impede de ver do rio. Para vê-lo tem que entrar por uns portões. Dá para ver o muro do Mercado Público.
- Acho que vi. Mas como é que foi inundar a cidade se a água vai para uma lagoa que deságua no mar?
- Não sei, talvez os ventos tenham represado as águas por aqui.
- Pode ser. E achas normal que alguém construa um muro bem na frente daquele que seria o cartão postal da cidade?
- Não, é totalmente anormal. Temos uma relação difícil com o rio.
- Lagoa.
- Sim, lagoa. Tens que ir mais longe para vê-lo, ou vê-la, desculpe.
- E o porto?
- Fica escondido atrás do muro.
- E por que o estádio Beira-rio tem este nome se fica ao lado de uma lagoa?
- Não sei. Provavelmente por ignorância e porque todo mundo chama o Guaíba de rio.
- E por que a rua principal do centro chama-se Rua da Praia, se não tem praia?
(risadas)
- É que havia antes, mas aí poluíram tanto que hoje só dá para olhar. É "imprópria para banhos".
- Olhar? Com o muro na frente?
- É, é difícil de olhar, tem que caminhar um pouco.
- E as pessoas tinham que contornar o muro para tomar banho?
- Antes do muro não, né? Só depois. Mas no final da Rua da Praia não há muro.
- Ah.
- E por que todo mundo chama de Rua da Praia se o nome é Rua dos Andradas?
- Antigamente, há uns 50 anos, era Rua da Praia.
- Mas ninguém diz Andradas?
- Não, ninguém. Sabes que o nome da Av. Beira-rio é Av. Edvaldo Pereira Paiva?
- É?
- E que a Rua da Ladeira chama-se Gen. Câmara?
- Hmmm. Subi a ladeira. Há boas livrarias ali.
- E que o Estádio Olímpico, do Grêmio, tem este nome devido aos Jogos Olímpicos de Porto Alegre?
- Que nunca aconteceram!
(risadas)
- E o rio, a lagoa, é bonitinha?
- Sim, muito. Tem um desenho de ilhas bem aqui na frente que é muito interessante.
- Só que não se vê.
- Sim, não se vê.
- Vocês são uns neuróticos.

Naquele momento, passou uma morena com um rosto lindo, equipada de seios pairantes que adejavam levemente sob o impulso de pernas bem torneadas, talvez um pouquinho magras. Meu amigo quedou-se mesmerizado.

- De onde saiu esta maravilha, Milton? Me explica isto! Estou estupefato. A passagem desta mulher, a beleza dela, doeu em mim. A beleza dói. Sempre. Ainda mais quando é excessiva assim. É injusto. É injusto para quem apenas vê sem tocá-la..

Ficou alguns segundos recuperando-se.

- E as mulheres, também são neuróticas?

setembro 19, 2006

Kyoto (1)

Fiquei quase transtornado – essa é a palavra – quando soube que o restaurante Kyoto iria fechar no sábado.

A cidade parecia se aprofundar nas traições que vinha a me fazer, ultimamente, e creio que eu não esperava ver o velho Kyoto entre as casas fechadas, as livrarias substituídas por lojas e lanchonetes vulgares, os cinemas reduzidos à promoção de repolho & quiabo, nos supermercados ocupando as antigas salas.

Estou mais vulnerável, com a idade. Uma mudança, uma alteração da paisagem, uma falta que busca o meu olhar como uma falha nos dentes da frente, torna-se uma ofensa dirigida a mim, feita para me ferir (ou, no mínimo, desconcertar), enquanto novas caras são indiferentes aos novos lugares que espalham a grosseria da cidade atual como marinheiros espalhavam a peste branca (ou negra?) nas cidades portuárias do extremo Oriente.

O Kyoto. O Kyoto não devia fechar as suas falsas portas – ou portais – do Oriente menos oriental que você possa imaginar, com a decoração de cactos incongruentes e paisagens de Veneza ao lado de algumas estampas japonesas de duvidoso gosto artístico, mostrando montanhas nevadas e macacos pacientes.

Tenho que ter calma – o Kyoto vai fechar – e fica muito difícil explicar que o Kyoto é (ou era) de propriedade de um minhoto muito quieto (o poeta Tomás Seixas foi quem amalgamou as palavras, sem nada ter a ver – exceto com a sua admiração das coisas japonesas), o qual mantinha um retrato de Pierre Loti mal parecido com ele, justo acima do caixa com todas as nossas dívidas nunca cobradas pelo próprio Kyoto, que era nipônico só na disposição de esperar pelo pagamento dos “penduras” que talvez tenham determinado o fim do Kyoto, a remoção do retrato de Loti (presente de Seixas) que tomava banho com as gueixas da verdadeira Kyoto, após viver muito bem entre as turcas proibidas de Constantinopla. Tudo conversa de Seixas, que já morreu.

Não sei o que seria do poeta – que passava as tardes no Kyoto e era amigo íntimo do cônsul Tadashi (de uma Casa Nobre de Tóquio) e do cônsul de Portugal, o bom Fernandes, aparentado com espanhóis, muito infiel a Salazar e a Franco, agora se pode dizer essas coisas, quando até o Kyoto vai deixar de existir como o poeta não existe mais, com as suas íntimas amizades com cônsules que foram embora e talvez também não mais existam nas vilas e cidades de nascmento, parecendo que suas passagens foram projetadas – como um filme – nos fundos de um sobrado do qual se viajava de um quintal do Recife para o Japão de Tadashi, a China do Mandarim de Eça, a Turquia de Loti saudoso dos terraços sobre o Bósforo...

Tadashi sabia fazer mágicas e recebia cartas do cineasta Kurosawa. Quando Trono manchado de sangue foi exibido na cidade – florestas cinzentas de árvores e flechas avançando sobre o sono –, ele mostrou o maço de cartas para nós todos, no Kyoto onde não era tratado como um cônsul, a seu pedido. A bela caligrafia do cineasta de Os sete samurais cobria páginas e mais páginas de delicado papel de arroz, e todos contemplamos aquelas notícias transmitidas como se fossem poemas de garças subindo para a face maquilada da lua num puteiro de Osaka. Tomás achava que as putas de Osaka condescendiam no sexo anal muito mais que nas outras desconhecidas cidades japonesas, sem ter nenhuma boa razão para concluir que era assim em Osaka ou em Tóquio ou até mesmo na Kyoto que então merecia todo o respeito dos freqüentadores de um restaurante tão longe da cidade-templo como as garças incapazes de fazer piscar a lua vaga do futuro.

Estou extremamente nervoso com todas essas recordações. Tenho receio de contar sobre o cônsul Fernandes, porque aqui ele se envolveu com uma mulher casada – nos anos em que isso significava tiros – e a presenteou com uma pistola, numa caixa verde de bombons. Meses depois, Fernandes explicou que quisera se matar, após ouvir uma audição de pianista russo Sergei Dorenski (de passagem pelo Recife), era um domingo e, nos domingos, pianos são mais tristes, e ele não seguiu para o Kyoto, não buscou os amigos, resolveu se matar. Prossigo com o resto dessa história quando me acalmar.

Limiares

Di-lo noite fora
Como se fosse candeia de azeite
Iluminada pelas tendas nómadas do mercado,
Quando, no Rossio de S. Brás,
Se levantou
Uma poeira
Avermelhada
De águas muito abertas
E se fez vida.

No princípio, Évora era uma colina nua e depurada. No topo luzia uma anta colossal e ainda não existiam deuses omnipresentes e únicos que conduzissem a humanidade a flagelações forçadas.

Depois, a cidade foi-se edificando, pedra sobre pedra, peça de granito a peça de granito, e a colina original, cheia de árvores em forma de mão invertida, foi-se ofuscando e acamando em sucessivas alvenarias que, no seu manto sigiloso, restabeleciam a forma da anta ancestral.

A pouco e pouco, a cidade foi germinando e, no seu abismo inefável, acabou por desvelar-se o seu próprio centro do mundo, a sua alma.

Para Évora, o presente ainda hoje é a sombra do caos, pois é justamente o presente aquilo que mais atenta à sua quietude, agindo como uma flor do mal que subtrai à imaginação toda a montagem perdida dos inícios.

Talvez por isso Évora se pareça com um tear adormecido, com um filme em suspenso ou com um leme do tempo sem viagem.

Ou talvez por isso Évora se pareça com uma cascata cristalizada e incompreensível, porque nascida de uma presença excessiva: a da sua velha colina, essa doce guardadora de estrelas.

setembro 12, 2006

Vontade de emigrar

Relapso. Podem chamar-me relapso e, querendo, atirar-me também umas quantas caneladas. Eu mereço. Tenho deixado vago o espaço que o Porto devia ocupar nas Cidades Crónicas. "Vago" até é uma palavra bonita e, de certa forma, descreve bem o que foi o Porto em Agosto: uma cidade vaga, vazia, quase evanescente, sem trânsito e sem pessoas nas ruas. Nem sei se uma cidade ainda.

O meu espaço nas Cidades Crónicas ficou, portanto, vago. Agora que o Setembro chegou e, com ele, a enchente dos carros em tudo quanto é lugar para estacionar, tento o vagaroso regresso à vida real. Mas ainda não retomei a vontade de escrever sobre o Porto. Até aqui ainda tinha uma boa desculpa, o sol, o calor, a cidade vaga e sem gente, logo sem histórias e sem motivo para uma crónica decente.

Pretendia argumentar que o calor continua e, se calhar, é uma desculpa tão boa como outra qualquer. Mas a verdade é que o Porto me tem aborrecido tremendamente e que quase não passa um dia sem que me imagine a viver noutra cidade qualquer, em Londres ou no Rio de Janeiro, na Praia ou em Luanda, em Belo Horizonte ou em Comala.

O Porto amofina-me porque está sol e as praias da cidade estão impróprias para banhos e contaminadas as suas areias. Tenho vontade de emigrar daqui porque, se me disponho a fazer alguns quilómetros para encontrar a uma praia minimamente decente, é quase certo que, à chegada, encontrarei um areal varrido pelo impiedoso vento Norte e que, por isso, regressarei a casa mais cedo, irritado. Iracundo até.

Em desespero de causa, resolvi, há dias, tentar um dos jardins da cidade, aquele que outrora rodeou um palácio de cristal, sobranceiro ao Douro e onde o sol se derrama morno nas tardes quentes. Fui. Levei um livro e dispus-me a passar uma ou duas horas lendo e sentindo o sol na pele. Mas era bom demais para ser verdade. Logo um diligente segurança do parque se aproximou para me informar que não podia estar ali de tronco nu; que devia cobrir imediatamente a minha despudorada figura com a t-shirt.

Eu sorri, claro, imaginando que o meu flácido abdómen poderia escandalizar alguém, fazer parar o trânsito de aeronaves ou fulminar algum pardal. Sorri e fechei o livro. E vesti-me. E logo transpirava por todos os poros e encharcava a roupa de suor. E tive vontade de emigrar. Muita.

Multidões

Muita gente. Uma média de 50 mil pessoas por dia, no Rock in Rio em Lisboa. Segunda edição. Multidões. Em espaço aberto, sem claustrofobias.
Fobias? Como as não ter? Bibliofobias. A bibliofobia de todos os ausentes da Feira do Livro de Lisboa. Setenta e seis edições.
Um dia de Rock in Rio equivaleu a quantos de Feira do Livro?

Mas os livros não se medem aos parvos. Ou aos palmos.
Embora haja quem encomende sete metros e meio de livros de lombada azul para colocar na prateleira de casa.

Almoço às 19 horas. Acordo tarde. Dá para perceber.
Apanho um táxi. E abalo para o Rock in Rio. Sem bilhete. Oferecem-me vários na Gago Coutinho, a ampla avenida que dá acesso às bilheteiras do certame. A 20 euros. Provavelmente genuínos. Não arrisco. Recuso polidamente e compro o meu bilhete de 53 euros nas barbas de um cinquentão que mo oferecia 33 euros mais barato.

Transpiro, na subida para a entrada do recinto. Vou por ali acima como se fosse Lance Armstrong, a “comer” fugitivo atrás de fugitivo, na mítica subida de L’Alpe D’Huez. Filas reduzidas. Entro sem dificuldade. Pelas 20h30 horas estou num topo do Parque da Bela Vista. Rui Veloso entra em cena pouco depois e começa a desfiar as memórias da minha juventude. Longe vão os tempos em que vi o seu concerto no Coliseu dos Recreios, no dia do meu 25º aniversário. Ou 24º?

“Hoje toda a gente quer aparecer na TV, mesmo que não saiba fazer a ponta de um corno”. Certo, Rui. Certíssimo. E os livros aparecem na TV de raspão. O Rock in Rio é que está a dar. Principalmente na Tenda VIP, onde os mesmos que vão ao Estoril Open sem ver ténis se dão ao luxo de ir ao Rock in Rio sem conseguir ver os músicos ao vivo, instalados numa colina longe demais. Do palco. Mas aparecem na TV.

Encho a alma com o sol poente do Parque da Bela Vista. Abasteço o coração de baladas. Que nisto de baladas Rui Veloso sabe o que toca. Apesar de ter iniciado a sua actuação com o êxito “Chico Fininho”, tiro de partida para uma aventura designada por Rock Português. Ou nem isso.

Depois, Carlos Santana embarca-me numa hora de festa e alucinantes solos de guitarra. Somos todos latinos. Há cabeleiras de palhaço em muitas cabeças. Cabeleiras rosa, cor do banco Millenium BCP, patrocinador omnipresente do evento. Posso evitar as cabeleiras em cima da minha cabeça. Mas não posso evitar os jovens que me passam por cima da cabeça de dois em dois minutos, a fazer “slide”, voando no espaço, suspensos. Música? Não é muito importante ouvir a música. Importante é estar no Rock in Rio. Mesmo que não se saiba fazer a ponta de um corno.

Mesmo que se destile a bebedeira a puxar as pernas das miúdas barranco abaixo. Mesmo que se atenda o telemóvel, que se tire fotografias com o telemóvel, que se grave o rosto do ídolo, para mostrar aos amigos. O Rock in Rio tem alguma coisa a ver com música. Mas acima de tudo é um evento. E o preço a pagar é barato. São apenas 53 euros para dizer que se esteve no Rock in Rio. Mesmo que no outro dia a Senhora Dona Ressaca seja nazi ao ponto de não haver lembrança de nada, numa atitude pidescamente estalinista.

Os isqueiros brilham na noite. Os aviões passam a rasar as cabeças. Não mais de 100 metros acima de nós. Posso jurar. O aeroporto está à distância de 20 segundos. Aviões? Bichos de material bem diferente daquele que utilizou o pioneiro piloto Gago Coutinho. E se perguntassem aos 70 mil daquele dia de Junho quem foi Gago Coutinho? Isso agora não interessa nada. O importante é estar na TV, mesmo que não se saiba fazer a ponta de um corno.

Vou aliviar as mágoas para a zona das casas de banho. Aventura à “Trainspotting”, o filme onde Ian McGregor deparava com a pior casa de banho do mundo. Desurinadamente desaustinado, nem sei onde é suposto lavar as mãos.
Mudo de cena. Como um gelado cornetto de morango, um pão com chouriço. Bebo uma água sem gás. Sem problemas. Regresso ao palco principal. Vem aí Roger Waters.

Waters é água com gás, apesar dos seus 62 anos de grisalhice charmosa. Sei que estou a assistir a um momento histórico. Descubro um amigo de infância. Ele é que me descobre. Estou perto do palco. Sinto o cheiro de Waters. Mas não consigo ver-lhe o branco dos olhos.
Sei que toda a gente percebeu. Não me sabia tão multiorgásmico. Não pude resistir. Quem mandou tocar integralmente “Dark Side of the moon”? Só depois percebi que não eram os Pink Floyd em palco. Não tenho remorsos. Vi-os no Estádio de Alvalade, nos idos de 90, século passado.

--- Quer uma água, Luís Graça?
Agradeço a Filipe Império, no stand da editora Prefácio, na Feira do Livro. Abasteci-me em casa. Duas garrafas de meio litro. Frescas. Duas canetas de tinta azul. Pobre ingénuo. Fool on the hill, a meio do Parque Eduardo VII. Duas canetas? Como pude pensar que havia muitos autógrafos a dar?
Até mesmo José Saramago se encontra sem trabalho na Feira do Livro. Com ou sem Nobel. Até mesmo Francisco José Viegas se encontra sem trabalho. Não interessa se é director da Casa Fernando Pessoa.
O que interessa é aparecer na TV, mesmo que não se saiba ler a ponta de um corno.

Os meus livros do “Fado, Futebol e Farpas” voaram literalmente durante a sessão de autógrafos. Não por cima da minha cabeça. Mas para trás de mim, para a minha frente, para os lados.
Efeitos do descontrolo emocional de um vendedor de uma associação benemérita. Chamado à atenção correctamente, por Filipe Império, devido à sua política de venda de revistas agressiva e incomodativa, resolveu tirar desforço e não se conformava com a nossa atitude pacifista.

Ai, apeteceu-nos tanto dar-lhe com o Rock in Rio inteirinho pela cabeça abaixo. Mas ficámo-nos pelas palavras apaziguadoras. E eu a ver os meus livros a cair ao chão como fruta madura. Punha-se a mesa de autógrafos em pé e o vendedor atirava-a ao chão. E gritava. E insultava. E percorria a linha genealógica de várias famílias, não obstante a ausência de investigação. E rasgava o cartaz com o meu focinho, designeristicamente construído com tanto amor pela minha amiga Inês.

No chão, como corpos frios após a batalha de Munda, os meus livros não eram César triunfante. Eram sobreviventes.
“Fado, Futebol e Farpas”, “De boas erecções está o Inferno cheio” e “O homem que casou com uma estrela porno e outros contos perversos” sacudiram o pó, olharam para os basbaques parados em frente do stand 159, afivelaram um sorriso partizan e voltaram ao seu posto.

No pasaran!