Passava a procissão da infância.
Foi há muito mas ainda vejo
O portão a abrir e a fechar
A alma,
E a alvoraçar de longe em longe
A água da prata,
Mas jamais a terra perdida
Onde diziam que o coração andava
À deriva,
Prometido.
O sortilégio de Évora percorre a superfície, o plano, a distância, a perene ilusão da continuidade. No fundo, o que o constrói é a equivalência silenciosa dos opostos.
De um lado, a austeridade da alvenaria e, do outro, a graciosidade das modulações pouco geométricas.
De um lado, a ordenação incerta do gradeamento e, do outro, a permanência alegórica dos volumes.
De um lado, a opulência severa dos granitos e, do outro, a nostalgia quase lírica das fontes.
De um lado, a servidão das calçadas ancestrais e, do outro, o eco imerso nas fachadas solares.
De um lado, a depuração formal das frontarias e, do outro, o barroco repousante que se espalha no dédalo das suas ruas.
De um lado a voluptuosa simetria do seu perfil e, do outro, a reiterada assimetria do floreado urbano.