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21 mar2006

Rui Parada

A Sede das Montadas

Desmontou e saiu. Manuseou o botão da camisa, mas não o abotoou.
Um frémito percorria as escadas exteriores do edifício de escritórios banhado pelo crepúsculo. “Criaturas sem predador”, disse-lhe o cérebro temporariamente saciado, farejando o futuro.

***

“Desmontei e saí,” finalizou o homem, veladamente medindo o efeito do episódio e das palavras em que o havia contado. O último ouvinte do balcão tocou o copo de bebida como se contivesse metal derretido.

***

Desmontou e saiu. Manuseou o botão da camisa, mas não o abotoou.
Um frémito percorria as escadas exteriores do edifício de escritórios banhado pelo crepúsculo. “Criaturas sem predador”, disse-lhe o cérebro temporariamente saciado, farejando o futuro.

***

“Desmontei e saí,” finalizou a mulher, veladamente medindo o efeito do episódio e das palavras em que o havia contado. A que se sentava à sua esquerda pousou a chávena, acariciou o telefone móvel pousado sobre o colo.


Publicado às 00:13 | Comente [3]


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