Não acredito que a arte, a literatura, o jornalismo possam mudar as pessoas. Não acredito que possam contribuir para se ser melhor. Mas eu também não acredito em mim. Por isso, parece-me sensato fazer aquilo em que não acredito, mas que é seguramente o melhor. Parece-me melhor ligar cidades, ainda que seja apenas pela língua, do que vê-las a afastarem-se. Este projecto que hoje se inicia, Cidades Crónicas, pretende pôr Macau em Lisboa, o Porto em Maputo, Porto Alegre em Macau e, mais difícil ainda, pôr Lisboa no Porto e São Paulo no Rio de Janeiro. A ordem de enunciação dos nomes dos autores segue a geografia, de sul para norte, de Porto Alegre ao Porto. Por ora, somos apenas 7 mares, esperemos que em breve os multipliquemos.
Neste primeiro dia, participam todos os autores. Depois, ir-se-á postar duas crónicas, dois escritores, duas cidades por semana. A minha escrita híbrida, pela qual peço desculpa, deve-se ao facto de viver no Rio de Janeiro e ser português.