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fevereiro 6, 2006

So bad

I wasn't born to lose you.
I want you, so bad.

(I want you – Bob Dylan)


Taí. Eu não quero saber. Eu não quero saber o que é possível e o que não. Eu não quero saber o que é sensato. Muito menos o que é certo ou errado.

Tudo aconteceu tão fora de ordem e lugar...mas, não é assim que é a vida, afinal? Indomável. Imprevisível. Impossível de se controlar ou prever. E é justamente neste ponto, neste vórtice inexorável que habita sua beleza selvagem... a vida é uma vadia infrene.

E eis que algo aconteceu. Nossos olhares se cruzaram. Inapropriado. Proibido. Não agora. Não agora em tempos de recomeços e reconstruções.

Nos tocamos. Toque leve e quente como o veludo, doce e lento como o mel. Eletrizante, inflamável. Não agora. Oh, Deus..não agora.Quero deixar tudo fluir, tomar o rumo certo. Tudo deve permanecer como sempre esteve. Mas qual o rumo correto, afinal? Tudo o que é sólido se desmancha no ar.

Se fossem olhares apenas, mas nossas almas se encontraram. Numa daquelas colisões transcedentais, mágicas, estupidamente fantásticas, extremamente sexuais, aflitas, urgentes. Uma verdadeira catástrofe.

Eu te quero. Nossos corpos ardem quando nos aproximamos. Nossos lábios tem fome e se procuram, nossas mãos se desordenam e exploram um o corpo do outro. Quero ser possuída, consumida, absorvida por você. Eu te quero, tanto. Chega a doer.

Me penetre, me descubra, me acorrente com seus braços, me prenda com sua boca. Quero me perder em você, mergulhar nos teus pêlos, sentir seu peso me coagindo e sua língua serpenteando, ateando fogo em minh’alma que foi arrebatada por teu feitiço.

Entenda meus sinais. Meu cheiro, meu ronronar. Minhas unhas que arranham de leve suas costas, meus dedos que se alastram por seus cabelos finos. Ouça meus pensamentos. Leia meu corpo. Sinta minhas palavras. Beba meus beijos. Aspire meu desejo. Ele te enebria?

Quero cavalgar você. Livre, leve, ligeira, leviana. Quero me extasiar em cada movimento do seu corpo..sejam eles hostis, provocantes, agressivos ou compassados, brandos, noturnos. Já dizia o poeta que todos os movimentos do amor são noturnos..mesmo que praticados à luz do dia.

Quero provocar você. Despertar a fera que se esconde sob o manto do medo. Quero te enredar, te encantar, com meu guizo, com meu visco, com meu veneno, com o melado que escorre do meio de minhas pernas e com a peçonha que verte em profusão da minha boca toda a vez que chamo seu nome.


Me foda. Me foda deliciosamente e com afinco. Quero sentir teu pau me transgredindo, ouvir tua respiração pausada em minha orelha, sentir sua força enquanto você me laça segurando meus cabelos. Tudo o que eu quero é ser estuprada, profanada, poluída,desejada,devassada, prostituída, subjulgada, corrompida, degradada, aviltada, corroída, gasta, usada... por você.

Me coma e então, me deixe. Por favor.

Quero me fundir a você no gozo. Me moldar a seu corpo nú e úmido, ofegante e pegajoso. Nem que seja por alguns segundos, só para reviver a sensação de quando nos olhamos pela primeira vez.

Eu te quero. Não nasci pra te perder. Um tempo. É tudo o que precisamos...I want you. So bad

Posted by valentina at fevereiro 6, 2006 8:19 PM

Comments

Carvalho!!!! Quantas vezes tive vontade de falar exatamente isso!!! Infelizmente vai ficar guardado....

Posted by: Sandra at fevereiro 6, 2006 8:35 PM

Eu comia! SE tivesse um pau, of course! :P

Posted by: Patrícia Köhler at fevereiro 7, 2006 11:51 AM

Ducaralho!
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Posted by: Viva at fevereiro 7, 2006 11:55 AM

Inspiração em Dylan.
Maravilhoso!!!
Ele traz a tona mesmo o lado poeta de todo mundo. Ficou lindo o post Valentina. ;)

Posted by: Paty at fevereiro 7, 2006 2:02 PM

Putaria* do caralho essa.

* putaria é elogio.

;)

Posted by: Mônica at fevereiro 7, 2006 5:12 PM

É bom querer alguém assim com esse desespero, né? Contanto que ele esteja ao alcance das mãos, ou de um telefonema.

Posted by: Pele at fevereiro 7, 2006 7:00 PM

Sim, todos os movimentos do amor são noturnos. Adorei teu texto. Pudor é palavra que a gente sabe que tá lá no dicionário, mas na cama não pode. Não dá. E na cama é pra dar mesmo.
Um beijo.


Posted by: Simone at fevereiro 9, 2006 1:29 PM

supimpa

Posted by: gugala at fevereiro 10, 2006 10:59 AM

meio cheio de clichês... mas tá valendo

Posted by: virsu at fevereiro 10, 2006 1:43 PM

virsu, mas secho é basicamente chiclé, ou não?

Posted by: gugala at fevereiro 10, 2006 6:17 PM

Virsu

Esse texto foi baseado em sentimentos reais.

Portanto, é deliciosa e totalmente clichê, como a vida.

Posted by: Valentina at fevereiro 11, 2006 6:42 PM

É Valentina, desde que começou esse blog eu já vi que muita gente quer fazer crítica literária de post erótico - acontece em todos os posts, sem exceção! Puta corta tesão. Imagina você ter que transar mantendo o intelectualismo, evitando lugares comuns a todo momento. Sem condições...

Posted by: Leila at fevereiro 11, 2006 11:55 PM

Eu gostei. Muito mesmo!

Posted by: nora borges at fevereiro 21, 2006 5:35 PM