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janeiro 25, 2006

O novo colega

Desde que Paulo começou a trabalhar aqui na empresa, eu notei que ele me olhava com um desejo culpado, me encarando e depois desviando o rosto, parecendo um crente atormentado pela tentação do demônio. Ele é casado, com dois filhos, e eu também. Mas aqui nesse escritório somos ambos os mais jovens, e sem dúvida os mais atraentes. É bem óbvio que a gente perde a naturalidade e fica envergonhado quando tem que sentar junto numa reunião ou almoço com colegas, ou quando ele vem me perguntar sobre alguma questão de trabalho. Notei durante uma reunião que ele tem as mãos enormes, os dedos grossos, e não nego que na mesma hora imaginei aquele dedo penetrando na minha vagina. Percebi também que ele tem uma voz gostosa e suave, o corpo magro e bem feito, uma bundinha arrebitada, um jeito meio desengonçado de andar – balançando para os lados - e uma expressão de constante preocupação e stress no rosto que eu detesto. Ele tem o cabelo raspado a máquina, pele morena e olhos azuis, mas parece ter um problema de espinhas na pele. Pior de tudo é a mania totalmente cafona de botar a caneta atrás da orelha. É um profissional extremamente competente na sua área, mas ansioso demais em agradar e não cometer erros. Quanto mais ele me irrita e se mostra vulnerável, mais eu me interesso.

Meu casamento não anda lá grandes coisas. O sexo ainda é ótimo, mas o romance acabou, a nossa convivência diária é antes de tudo uma parceria para cuidar dos filhos. Eu sinto falta de uma aventura, de me apaixonar. Não sei se vou me apaixonar por Paulo, mas ele atiça a minha libido. Quero fazer sexo com ele mesmo que seja a pessoa errada, e que a relação seja uma catástrofe. Quero testar meu poder de sedução com ele.

Então aconteceu a enchente. Paulo e eu éramos os últimos a continuar no escritório, e a rua lá embaixo estava completamente alagada. Liguei para meu marido, e onde ele trabalhava estava tranqüilo, deu para sair e pegar as crianças na escola e chegar em casa. Falei que estava ilhada, junto com vários colegas (se falasse que era só um homem, ia ficar complicado me explicar depois). Paulo também teve que avisar a mulher que ia ficar na empresa trabalhando enquanto esperava a água descer, mesmo que fosse bem tarde da noite.

As horas passavam e nada da chuva parar. A enchente não baixava. Chegou a hora do jantar e estava morrendo de fome. Fui pra copa e encontrei Paulo ali, procurando alguma coisa comível na geladeira, sem ter muito sucesso. Então sugeri irmos na mesa da secretária, que sempre mantinha vários pacotes de biscoitos na gaveta. Enquanto fazíamos um estrago no estoque da Neusa, ríamos da nossa situação desesperadora. Mas também estávamos felizes e excitados com aquela oportunidade perfeita de estarmos a sós. Ele pediu para provar o que eu estava comendo, e levei o biscoito até a boca dele, encostando o dedo em seus lábios enquanto ele mordia. Então ele me olhou sério, tentando ter certeza de que eu queria a mesma coisa que ele. Sustentei o olhar. Ele tirou o pacote de biscoito da minha mão e me puxou pela cintura, e me beijou com a sofreguidão de quem que já desejava aquele beijo há tempos. Estávamos de pé, minha bunda pressionada contra a mesa da secretária. No nosso abraço, senti o pau dele bem duro contra o meu corpo. Não resisti e abri a calça dele, enfiando a mão por dentro da cueca para acariciá-lo. Ele logo encontrou o caminho por baixo do meu vestido, abaixou minha calcinha e já sentiu minha buceta molhada, esperando por aqueles dedos grossos. Os carinhos dele quase me levaram a gozar, mas antes disso ele me ergueu e me deitou sobre a mesa, tirou a calcinha que estava na altura dos meus joelhos, abriu minhas pernas e começou a me chupar com gosto. O orgasmo veio rápido, e ele esperou que eu parasse de gritar e gemer para se deitar sobre mim e me penetrar. Ele perguntou se eu estava tomando pílula ou se preferia que ele gozasse fora, eu disse que estava tomando, podia gozar dentro. Apesar de estar contrariando todas as minhas convicções sobre o uso obrigatório de camisinha, o desejo e a urgência eram maiores que o medo de pegar alguma doença venérea dele. Deixei que ele entrasse em mim sem qualquer proteção, e que ele me inundasse com seu sêmen, quando gozamos intensamente e ao mesmo tempo.

Depois nos refizemos, nos vestimos - porque era estranho ficar nus dentro do escritório -, ele me pegou pela mão e fomos nos deitar no sofá da sala de espera, onde, entre beijos e carinhos, não tivemos medo de confessar os nossos sentimentos de atração mútua desde o começo, os problemas nos nossos casamentos, e o medo do futuro. Nós nunca tínhamos traído nossos parceiros antes. Tive certeza que aquilo era só o início. Depois viria a paixão, o desastre. Eu me levantei para ir até a janela e ver se a enchente tinha diminuído. Não. Ele veio e me abraçou por trás, uma das mãos agarrando um seio e a outra já escorregando por debaixo da calcinha.

Posted by acetinada at janeiro 25, 2006 6:02 PM

Comments

Perigoso rs adorei :-) e além dos dedos grossos como era o resto da cousa :-) ?

Posted by: Pseudônima at janeiro 25, 2006 10:01 PM

Ha ha ha, era proporcional ao tamanho das mãos!

Posted by: Pele at janeiro 25, 2006 10:39 PM

Minha longa experiência clinica me diz que esse caso é realmente perigoso. Outro dia recebi uma paciente que ama o marido e que nunca traiu o dito cujo depois de anos de casamento e estava vivendo um caso parecido, de fogo no rabo repentino. Felizmente o objeto do desejo era apenas virtual e desapareceu e tudo voltou a ser como era dantes. Gostaria de conhecer o resto dessa historia e daquela do Roberto também. Um abraço do doutô.

Posted by: Dr. Phil at janeiro 26, 2006 2:11 PM

Dr. Phil, muito obrigada pelo seu input. Realmente há muitos casos de fogo no rabo virtual acontecendo na blogosfera. Em geral é coisa que dá e passa, mas há relatos de namoros que acabaram se concretizando. E de casamentos que acabaram se desfazendo!

Posted by: Pele at janeiro 26, 2006 2:33 PM

Pele, gostei bem mais deste texto. Tô até com vontade de fazer uns comentários com outro nick, hehehe.

Posted by: Viva at janeiro 27, 2006 12:00 AM

É... minha reputação não me deixa dizer mais do que um "que bom texto".

Posted by: Dom at janeiro 27, 2006 5:07 AM

A medida do sucesso do fogo no rabo é o fato da parada virar casinho/affari ou não? Mas vocês são caretas, hein!?

Posted by: fred at janeiro 27, 2006 1:08 PM

O fogo no rabo é independente do sucesso da parada :-) Eu sou careta, mas aberta.

Agora, vocês viram a matéria que saiu na veja na semana passada ?

(http://veja.abril.com.br/250106/p_076.html)
Parece que é moda no Brasil...

Bjos

Posted by: Pseudônima at janeiro 27, 2006 4:17 PM

Pseudônima, a matéria da Veja está muito boa. Só faltou mencionar os relacionamentos proporcionados pelos blogs, ficou muito restrita ao Orkut e ao MSN. E eu achei hilária aquela comunidade "Tem Peruas no Orkut do meu marido".

O conselho que posso dar aos desconfiados é o seguinte: se o seu parceiro anda passando tempo demais no computador, chega em casa e já vai abrindo, é porque "tem coisa". Mas se ele quase não liga, prefere passar mais tempo com você, ou assistir televisão, eu não me preocuparia com infidelidades virtuais.

Posted by: Pele at janeiro 27, 2006 5:30 PM