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janeiro 29, 2006
não vá tão depressa
Não vá tão depressa, vamos fazer as coisas à minha maneira. Ela murmurou. Sim, está bem. Ele concordou com voz rouca. Como a senhora quiser. Completou. E afundou as mãos por entre os fartos cabelos dela. Não me chame de senhora, ela pensou dizer, mas não disse.Em vez disso beijou e mordeu de leve os lábios dele, deixou passear a língua entre os dentes brancos e imperfeitos. Cheirava bem, sua boca. E tinha um gosto de fruta fresca. Senhora! Que importância tinha isso naquele momento? Ergueu-lhe a camiseta e deslizou os finos dedos pelas costas lisas numa carícia mansa. Ele estava tremendo. Ela gostava de vê-lo tremer. Aquele menino estava deixando-a louca. Gostava desse olhar líquido e amedrontado, como se temesse que ela se arrependesse, desistisse. Mas já estava louca a tanto tempo! Só não queria apressar as coisas. Tinham tempo. Tinham todo o tempo do mundo até amanhã…
Com os olhos semicerrados ela notou a beleza das mãos abrindo os botões da sua blusa, avançando tremulas e frias sobre seus seios brancos, os bicos castanhos reagindo imediatamente ao estímulo. Vagamente sentiu o queixo mal barbeado arranhando-lhe o pescoço e pensou em dizer alguma coisa que soasse divertida, sexy, mas não encontrou palavra pois no segundo seguinte estremeceu intensamente quando a língua molhada invadiu seu ouvido, e sentiu o hálito quente e úmido dissolvendo qualquer resistência possível, se houvesse. Não havia nenhuma. Sabia que não ia desistir, mesmo que se arrependesse.
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Esperara que este momento jamais acontecesse porque uma história entre eles era completamente improvável mas sabia também que se a oportunidade surgisse ela não teria forças para resistir. Não que ele a tivesse assediado, de jeito nenhum. Ele sempre fora muito respeitoso! A culpa era toda dela. O perigo nasceu de seu próprio desejo, isso sim. Aquele absurdo desejo que lhe invadia cada vez que o via entrar no escritório espalhando pelas mesas a correspondência do dia. Evitava olhar para ele, era apenas um menino! Quantos anos poderia ter? Dezessete, dezoito no máximo. Como podia sentir uma atração tão feroz por um garoto! Mesmo sem mirá-lo sentia seu cheiro de longe! Engolia em seco quando ele se aproximava cheio de envelopes nas mãos, que belas mãos! ela pensava, e ele com aquele sorriso nos lábios carnudos e molhados - por que estavam sempre molhados, senhor meu Deus? - dando um bom dia com a voz baixa e meio rouca, como se acabasse de sair da cama. E ela, sem querer - jurava que era sem querer - o via entre os lençóis, nú, espalhado de pernas e braços, o sorriso nos lábios, os pêlos escuros descendo do peito para o púbis de onde se projetava para o alto o belo membro, disposto a começar qualquer tipo de fantasia erótica que por acaso ela tivesse. E tinha tantas! Ela balançava a cabeça para dissipar a imagem, tentava distrair-se com outras coisas, abria e cerrava gavetas, dobrava papéis e enterrava-os nos envelopes marrons sem saber do que tratavam mas… o resto do seu corpo fazia outra coisa. O tremor nascia na região do umbigo e subia para os seios, rodeava os mamilos, endurecia-os e então descia pelo ventre abaixo numa carreira cega até desaparecer por dentro das macias dobras, despertando cada minúsculo nervo, crescido e transformado de repente em um latejar tão insuportável que ela tinha que cruzar as pernas com força para controlar a excitação e tentar impedir que o jorro que empapava a seda da calcinha escorresse pelas coxas.
Então morria de vontade de segurar-se com a mão por baixo da saia e tocar-se, menos para investigar o estrago e mais para acalmar aquele brasa úmida que pulsava e pulsava e que ela não sabia como evitar. Só esperava que ninguém percebesse, por favor, que ninguém percebesse! Provavelmente esta luta interna aparecia em seu rosto porque sentia-o ferver, perdia o ritmo da respiração, a voz ficava presa em algum lugar esquecido da garganta, a vontade de fugir e a sensação de aniquilamento disfarçada pela imobilidade pelas pernas entrelaçadas. Escondia o olhar esgazeado atrás de algum formulário inútil até que ele fosse embora dali. Ele ia. Todos os dias. Mas voltava. Todos os dias.
Quanto tempo foi assim? Não saberia dizer. Agora não conseguia mais pensar. Em algum lugar remoto da sua mente recordava que era ela quem nunca mais voltaria. Acabava de completar trinta e sete anos, pedira demissão da empresa e tinha apenas uma semana para terminar de queimar o passado, descortinar o futuro, mudar de emprego, de cidade, de país. Nunca mais o veria.
Foi Deus ou o Diabo quem havia feito com que se encontrassem a sós no elevador? Foi Deus ou o Diabo quem os havia levado a tomar a mesma direção na larga avenida? Foi Deus ou o Diabo quem havia permitido que o sinal de pedestres fechasse justo quando iam atravessar a rua? Qual dos dois havia permitido que ela o segurasse pela mão e tomasse o primeiro taxi que passava? E por que ele foi tão dócil, sem perguntas, obediente a seu mudo pedido de silêncio? Perguntas sem importância, pensou enquanto observava-o pelo canto do olho, a mão ainda segurando a dele. Estavam ambos recostados no assento traseiro do taxi, recebendo a leve brisa no rosto e nos cabelos. Ele parecia tranquilo apesar de pálido. Só o leve ar de sorriso nos lábios demonstrava que sabia para onde estava indo.
……………………

Agora estavam ali, juntos, no pequeno apartamento que ela deixaria na semana seguinte, totalmente nús, descobrindo um a um os recantos mais sensíveis de seus corpos. Ela gostava de saber que seria apenas esta vez, que nunca mais se veriam. Esta certeza proporcionava-lhe maior liberdade para mostrar-se, expandir-se, ousar tudo. Deixou as janelas abertas, gostava da luz do entardecer que entrava por elas. Sabia que tinha um belo corpo, seios redondos e firmes, coxas bem torneadas, ventre plano. Queria que ele a visse. Ele havia dito, a senhora é tão linda! Ela sorriu. Não me chame de senhora, quis pedir mas não o fez. Para quê? Não tinha tempo. Tudo acabaria quando o dia amanhecesse. Depois nunca mais. Abriu-se sem reticências quando sentiu a mão dele subindo ávida pelo meio das pernas morenas, os dedos longos e bonitos invadindo sua intimidade, acariciando, explorando, deslizando até o fundo da úmida caverna e jogou a cabeça para trás deixando escapar um profundo gemido de entrega, de fêmea sem medo. Quando os lábios masculinos abandoram-lhe os seios a caminho do umbigo e desceram lambendo a pele arrepiada do ventre, avançando através dos pêlos macios do púbis, a língua faminta, urgente, abrindo caminho até perder-se por suas fendas, descobrindo seus reversos, recriando seus mornos entalhes, reinventando seus espaços, ela cerrou os olhos, arqueou o corpo…Não vá tão depressa, ainda pensou dizer, mas não disse. A partir daí seria como ele quisesse.
Posted by anna at janeiro 29, 2006 2:14 PM
Comments
Me gustó mucho!!!! Daring!
Nunca olho para meninos adolescentes, mas, se for assim, por uma noite e nunca mais, quem sabe? Ha ha ha!
Posted by: Pele at janeiro 29, 2006 4:10 PM
Nossa! Mas isso aqui tá ficando bão dimais da conta, sô! Parabéns, Anna. Excelente conto.
Posted by: Viva at janeiro 29, 2006 5:03 PM
Vocês estão se superando...hehehe
Posted by: D. Afonso XX o Chato at janeiro 30, 2006 8:40 PM
Mais romântico do que erótico mas ainda assim tão bom quanto os outros.
:)
Posted by: Paty at janeiro 31, 2006 10:24 AM
O melhor até agora!
Posted by: Rebecca at fevereiro 1, 2006 12:41 AM
deep tought
Posted by: gugala at fevereiro 10, 2006 11:11 AM