18.08.07
Renata:
Fale Caco,
Ontem às 9 da noite no niver do Gabriel....
Eu - Oi Malu, tudo bem? Filha fala com a Malu!
Malu - Tudo. Tô pintando a Hello Kitty.
Eu - Cadê teu pai?
Malu - Ele tá trabalhando.
auhauhauhauhauhauhauhauh... E eu acreditei!
Posted by cacoishak at 18:13
12.07.07
overheards
- ele escreve bem, né?
- e não é, mana? deu pra entender tudinho!
Posted by cacoishak at 12:04
12.09.06
how to ser cafona, vol. um - pablo emanuelo
- porque a mentira, pablo emanuelo, a mentira é a pior das verdades.
- sim, maria amaranta. gozo antes da próxima vez. prometo.
- e nada de tentar as ultra-sensitive. são apertadinhas demais. escapolem fácil.
- é, é?
- ui! doeu... se bem que...
- bem que o quê, que nada!
- tira a filó da cama, tira.
- benzinho, fiu-fiu! vem cá com o papai, vem!
- u-ii... passou ventando.
- isso que é uma cadela boa das canelas!
- tem sebo na gaveta...
- isso foi uma proposta?
- caim, caim!
- te cura, gorbachov!
- venga con tu envergadura, che! fidel és muerto, pero sien perder la ternura del comandante jamais!
- calma, calma. espera aí.
- celular tocou?
- em novelas, isso não acontece, amore.
- a não ser que seja por um bom propósito, cabron.
- sim. mas não. não tocou. é que senti uma coisa estranha.
- isso?
- ai!
- o que foi?
- não faz isso!
- por que não?
- ah, sei lá. acho que porque eu não gosto.
- não gostas mais de mim, é isso?
- lá vem tu...
- então, deixa.
- mas não dá...
- ah, deixa, vai.
- não é assim... pára...
- quer que eu pare mesmo? tu não gosta de mim?
- claro que eu, ai!... calma, vai com calma...
- vem cá, mamãe, vem!
- olha...
- isso, lambe tudo, lambe tudinho. isso.
- ai, ai, papai...
- nem precisa mais do sebo, viu só?
- não precisa mais de na... da...
- que putaria é essa aqui na minha casa?!
- vovó?!
- cal-ma, cal-ma, não pá-ra!
- não pára é o cacete! pode ir parando já com esse bacanal, que daqui pra frente sou eu quem continuo! e tira essa merda de cachorro daí, que eu de-tes-to bicho! vem cá, meu filho, deixa eu te ensinar como é que se faz...
Posted by cacoishak at 16:56
23.12.05
amigo secreto
- oi.
- te conheço?
- ainda não, mas me empresta uma dessas tuas lentes.
- como assim?
- teus óculos.
- tu quer meus óculos?
- não, quero uma das lentes. é por isso que a gente fala óculos e não óculo, entende? porque são duas lentes. dois óculos, dois buracos. preciso só de um, por enquanto.
- e por que tu quer um dos meus óculos?
- é que amanhã é véspera de natal.
- e eu lá tenho cara de papai noel dos ceguetas pra ficar distribuindo lente de óculos por aí?
- é que li no teu blog...
- tu lê meu blog?
- tu tem um blog, não tem?
- eu tenho um blog.
- pois é, eu também tenho um blog.
- tu tem um blog?
- é, eu tenho um blog.
- ah, legal.
- ter um blog? uma merda.
- pois é.
- então. li no teu blog que tu tinha ido pra frança e...
- franca.
- hein?
- não fui pra frança. fui pra franca, sem cedilha. cidadezinha do interior de são paulo, nada a ver com europa.
- ah. li errado, eu acho.
- é, leu errado.
- mas acho que os sapatos de franca saem bem pra europa.
- como?
- deixa pra lá.
- é melhor mesmo.
- pois é...
- e então?
- então o quê?
- pra que tu quer uma lente dos meus óculos?
- ah, nem quero mais não, obrigado. é que pensei que tu tivesse ido pra frança. e amanhã é véspera de natal, sabe como é. mas tu não foi pra frança, tu foi pra franca, sem cedilha.
- e que porra tem a ver a frança com meus óculos e toda essa baboseira de natal?
- teus óculos, não. uma das lentes dos teus óculos, era só o que eu queria.
- que seja. me faz entender.
- ...
- não vai dizer nada?
- tava aqui pensando.
- e?
- acho que não tem mesmo porra nenhuma a ver. achei teus óculos bonitos, só isso. não te conhecia e, já que amanhã é véspera de natal e eu não tenho ninguém com quem passar a virada, pensei que talvez pudéssemos tomar um chocolate quente juntos. eu tenho um blog, tu tem um blog...
- acorda. a gente tá em pleno verão, natal tropical. e nem te conheço.
- pois é, por isso te pedi uma lente dos teus óculos emprestada.
- que papinho, hein.
- não vai tomar um chocolate quente comigo na noite de natal?
- não mesmo.
- então tá.
e assim foi que quebrei os óculos de olivia.
Posted by cacoishak at 0:00
17.12.05
- sacas la peruana, mariachi?
- não é bem assim. quando eu tinha onze, tu tinha treze. ele, dezessete.
- e o quico, puerra?
- fudêncio.
christian f. riu-se - hahaha.
- precisava?
- fudêncio!?
desabrochou.
Posted by cacoishak at 3:43
18.11.05
jesus te ama
- tu teve febre, foi?
- foi, mas já passou. podemos fazer a quimio agora, de boa.
- isso quem decide sou eu.
- nem faz uma coisa dessas, doutor. hoje é o último dia, tá lembrado? eu visito o senhor de tempos em tempos, pode deixar que a saudade não vai bater, eu garanto.
- não é o caso. melhor vermos isso direito. toma aqui essa guia. vai lá embaixo e faz uma tomo.
- outra?
- rapaz, rapaz...
- entendi.
(...)
- e então?
- e então que eu fiz, né. o senhor ainda não pegou o resultado? da minha parte, sei que, se não conseguia nem respirar direito, agora não consigo nem respirar direito e bateu uma puta caganeira de tanto contraste que me deram pra tomar. me deixaram esperando umas duas horas, até que a primeira garrafa de contraste já não tava fazendo mais efeito nenhum e me deram mais uns quatro copos pra eu entornar. no meio do exame tive de sair pulando lá do aparelho, todo errado, senão me arriava nas calças mesmo. um vexame, doutor. mas já tô acostumado com esse tipo de coisa.
- poupe-me dos detalhes. já me contaram o essencial. enfim. estou com o resultado, sim. meu filho, tu tá fudido. mas a gente vai dar um jeito nisso. negócio é o seguinte: teu pulmão direito tá com uma coisa que a gente chama de vidro embaçado. o esquerdo também. tudo tomado. simplificando, tu tá com uma infecção. resta saber se é por conta da medicação ou das merdas que tu andou fazendo por aí. eu já tô de saco cheio disso tudo, sabe. ou tu toma jeito ou eu te largo, abandono o caso, que eu não sou moleque. e aí, o que vai ser?
- eu vou morrer, doutor?
- jesus te ama, garoto. nem é pra tanto. mas é melhor não brincar com a sorte, né mez? de cara, tu podia parar de fumar, pelo menos por enquanto. tô falando sério, eu te abandono.
- isso não é ético, doutor.
- e quem ainda quer ser ético nesse mundo, meu rei? é o procedimento dos melhores centros ultimamente, isso pra mim basta. ou dá ou desce. e então, qual vai ser?
Posted by cacoishak at 3:05
4.11.05
desenferrujando
– não adianta, cara. se tu tá pensando que eu vou sair por aí tirando onda, ostentando no peito essa marca do capeta, todo prosa, pode esquecer. nem pelo caralho. n´sou do tipo que faz arruaça em venda de esquina, não.
– ah, baby, e tu lá é do tipo que faz alguma coisa? fica aí soprando bolinha pro alto o dia inteiro pra depois começar o show de horrores, depilando a merda das tuas vibrissas com essas tuas unhas de porco. é só uma camiseta, porra! só hoje! o que de tão demoníaco pode haver em se usar uma bosta duma camiseta só por causa dum jacarezinho que nem dá pra ver direito?
– pra começo de conversa, eu preciso de concentração pra fazer minhas coisas. tu sabe que meu trabalho não é algo que eu possa simplesmente estalar os dedos e decidir que, pronto, é agora. depende de vários fatores, uma sincronia de sentimentos divergentes, um estouro maior, bem mais que andorinhas. enquanto isso tudo não acontece, não dá pra dar uma de escroto e forçar a barra. não gosto de forçar a barra. nunca. apesar das melhores idéias saírem quando estão forçando a barra pra cima de mim. mas isso não tem nada a ver, não vem ao caso. eu mesmo tô me enrolando pra ti. resumindo, são as bolinhas que não me deixam usar essa camiseta. as vibrissas são só uma maneira de expor isso de um modo discreto e prático, já que também me deixa mais bonito. e fora que, presta bem atenção, olha lá, vai. de longe – realmente – quase não dá pra se notar, mas aproxima mais a vista que tu vai enxergar muito bem: a porra desse jacaré tá excitado. tá muito claro, só não percebe quem não quer. e eu não me sinto nada bem usando a porra duma camisa que tem um jacaré arfando de pau duro estampada nela e, pior ainda, com quem todo mundo também meio que fica excitado.
– tu não é macho, porra? não vive batendo no peito pra se gabar disso? tá com medo do quê, agora?
– até parece... como se tu não tivesse certeza de que não se trata de nada disso.
– não vai ser a bosta duma camiseta que vai fazer com que eu abra meu coração pra ti assim de repente, baby. e fora que isso é só uma falha besta de fabricação, à toa.
– tá bom... tá bom, caralho. vamos parar por aqui. tô duro e sem paciência de continuar com isso. melhor, então, ficar em casa e eu te provo do que se trata.
– do que não se trata, honey. não de mim. não vou ficar em casa, sinto muito. fiquei em casa durante toda a construção da merda desse relacionamento, aceitando cada cimentada que tu queria dar pra suspender mais uma parede.
– mas, cara...
– cala a boca, que tu já falou demais naquele teu parágrafo. minha vez agora e eu nem tenho tanta coisa pra dizer...
–... é por causa daquela minha tia, satisfeita? posso encomendar o bolo?
– lá vem... de novo, isso?
– e essas coisas lá têm estipulação limitada de uso?
– baby, o problema é que é sempre ela. é essa tua tia sempre, desde o nosso primeiro encontro, caramba! antes tu fosse viado, mesmo.
– não, não sou. essa conversa já tá me consumindo. espera aí. (...) toma aqui teu presente. feliz aniversário. vou me deitar. bom filme.
– tu não disse que tava duro, bonitinho?
– bem se vê que não existe mais amor nem nada.
– que porra nenhuma! corta essa draminha, que é! putaqueopariu... eu que ia pagar tua entrada, não era? não tava decidido isso? então, não vem com bosta de ambigüidade pro meu lado, não! sei muito bem o que o senhor quis dizer, ó, mestre da irrigação perpétua! e como é que me aparece com um livro, agora?
– te fuder, porra! não te dou mais nada, isso sim.
– eu que não quero mais te comer, seu merda.
– ah, o nelson rodrigues aqui...
– vixe, mãe...
– abre! tu não disse que gostava dele?
– abrir o quê, meu deus do céu? me poupa, tá? vai dormir. vou ver meu filme.
– me dá isso. tá vendo? é velho, foi baratinho, comprado em sebo. acredita em mim, agora?
– tchau, baby.
– olha aqui, porra!
– já não olhei? o que mais tu quer? que eu engula essa história? e eu não ouvi tu amassando esse jornal lá dentro? e eu não me lembro muito bem tu dizendo num desses teus surtos repentinos que não comprava mais nesse sebo nem pelo caralho? fala logo que esse livro tava mofando na tua estante e, pra tirar a bronca, tu foi pegando logo o primeiro que apareceu na tua frente...
– tu tá viajando na batatinha, cara. não é nada disso. não compro mais daquele puto, mesmo. que se foda, ele. mas não, esse livro era novo. novo comigo. não era meu. não embrulhei antes porque achei que não devia embrulhar. daí achei melhor embrulhar agora antes de te dar. não tinha papel do mickey, foram os classificados mesmo.
– tu não entende nada de mulher, que merda!
– tá bom, caralho! tá bom! quer saber mesmo? quer saber? eu roubei essa porra de livro!
– tu roubou meu presente de aniversário?
– eu roubei um livro do sebo de um filho-da-puta que se acha mais que todo mundo e vive cagando na cabeça dos outros pra te dar de aniversário porque sabia que tu ia gostar pra caralho dele e eu não tinha grana pra comprar e mesmo se tivesse não ia comprar da loja daquele sacana de merda.
– tu roubou meu presente de aniversário, tu não tá entendendo.
– eu roubei um livro do sebo de um filho-da-puta que se acha mais que todo...
– eu não sou retardada, porra!
–... e que é casado com uma perua de quinta categoria, assassina de bebezinhos recém-nascidos em hospital-fachada onde baratas supostamente têm mais moral pra subir nas paredes do que os pais dos rebentos que ela faz o favor de arrebentar, e que entende da literatura que ele vende pelo dobro do preço das livrarias de novos tanto quanto o nariz dele...
– tu roubou meu presente de aniversário, baby, acorda!
– o cara nem sabe o que tá fazendo ali, porra! come do bom e do melhor pra escrever duas linhas piegas pra caralho que ainda por cima ele tira de papel de bombom e site de cartão virtual toda semana. um sujeito desses merece ter seu estabelecimento assaltado. de um sujeito desses, a gente nem pode dizer que tá roubando...
– veste a bosta da camisa.
– mas nem fudendo.
Posted by cacoishak at 5:47
17.08.05
intervalo
- nunca estive tão gordo. e estou começando a gostar da idéia. se eu fosse casado acharia ainda melhor. é prático e à vontade. ser gordo e casado.
- caralho, tu tá com um peitão bem bonito.
- assim de lésbica querendo me comer, ó.
Posted by cacoishak at 4:21
6.08.05
coincidência
- porque o bresson disse, ou pelo menos a bravo disse que disse, que a arte pura é aquela que bate mais forte. por aí. não é a melhor, nem nada. e não que as outras também não sejam arte. não é nada disso. é a que bate mais forte. sacou? então. dar pro povo o que o povo gosta? o povo quer se ver na tevê? my ass. não do jeito que eles, tudo muito azul, querem que ele goste. ou veja. é arte popular? é arte popular. tem de ser apreciada como tal? tem de ser apreciada como tal. um cara que sempre afirma as coisas depois de tê-las questionadas retoricamente só pode ser um chato de galocha? acho que não preciso repetir essa. retomando. uma coisa é viver, outra é pontuar relatos. antes de ir pros lençois de seda e a coberta de lã. por que só tu é que pode apreciar as belas-artes, enquanto incentiva neguinho a chacoalhar a busanfa pra malandro? muito fácil dizer olha ele, que chique, vive no submundo. vá lá, mano. mas, ih, pode ser pra valer, né? daí pega. e paga pau. pesado. ssa porra dess mundo.
- (levantando-se da privada): e tu pensa que a vida é peter-pan, ô, mané? eu lá tô brincando de circo? money, beibe, que é good e nóis gostcha. disso que se trata o mundo. pra qualquer um. eles me pagam pra levar a cultura que eles querem que o povo veja, goste e queira ser a sua, sim, e daí? tu também não tem patrão? tu também não tem quem te mande escrever sobre tal assunto dando esta ou aquela abordagem?
- ...
- uh-hu, si fudeu, afegão. e outra coisa: tu é chato pra caralho.
- ...
Posted by cacoishak at 7:44
30.07.05
sacanagem em porta de banheiro público masculino
Fabio: Teoria do vovô 7/28/2005 8:27 PM
Se vc volta no passado e mata seu avô,seu pai não nasce.Se seu pai não nasce,vc não nasce!Se vc não nasce...quem volta no passado para matar seu avô?
Danilo: Ninguém 7/28/2005 8:50 PM
Ninguém, pois, ele não existe mais apartir do momento em que ele volta e mata um antepassado dele. Então, ele provavelmente irá para onde todos os mortos vão: (mistério)!
João Carlos: Paradoxo do Avô 7/29/2005 6:05 AM
Paradoxo do avô: seria impossivel matar seu avo no passado, pois se vc o matassse, vc não teria existido, não voltaria no tempo e não o teria matado.
É impossivel mudar um fato no passado que interfirisse no seu presente e o impediria de faze-lo.
Pesquise sobre o paradoxo do avô, que encontrara sobre esse assunto...
ABRAÇOS...
Francisco: Saida 7/29/2005 5:45 AM
Uma saída é a teoria dos muitos mundos de Everett.
Fábio: 7/29/2005 8:28 AM
se pensarmos o tempo-espaço como unidades discretas independentes entre si, isso seria possível? O avô assassinado, náo seria o avô reprodutor. vou pesquisar o Everett.
Thiago: 7/30/2005 1:18 AM
Isso é oc harme pow, assim como nos filems as amadas que vão ser resgatadas no passado são invivivéis, os velhos erão imortais :PPP, pq a viagem so aconteceu por causa do velho, pra q ele tenha morrido ngm pode ter viajo no tempo!
Mônica: 7/30/2005 1:46 AM
São as ditas linhas do tempo...
Consideradas por alguns planos...
Fabinho: Thiago 7/29/2005 7:03 PM
Do you speak portuguese?
Diego: varias teorias sobre isso 7/30/2005 4:29 AM
que explique esse paradoxo, uma delas eh que é impossivel vc matar qualquer antepassado seu, impossivel mudar o passa, outra teoria, é a teoria de Everett, a teoria de varios mundo, que diz que: qdo vc volta ao passa, vc volta em outro mundo, neste mundo vc mata seu avô e neste mesmo mundo vc nao existira, e no mundo em que você vive nao muda nada!!!
Fernando: e onde fica esse outro mundo? 7/30/2005 4:54 AM
e onde fica esse outro mundo?
Posted by cacoishak at 0:02
18.07.05
playback sessions # 8
- como assim, parou no meio?
- pois é, parei.
- não vai mais escrever?
- nem vou. bateu a descrença.
- cê tá caidaço, hein.
- percebe-se?
- nó...
- me alcança aquele vidrinho ali.
- mas cê tem certeza disso?
- disso, do que vai ser?
- do que mais?
- de qual das três, é isso?
- agora são três? desde quando?
- e não eram desde o começo?
- não eram.
- não eram? passa o vidrinho.
- não eram.
- e quem disse que eram? o vidrinho, por favor.
- faz-me rir. vai morrer assim, mesmo?
- com a pá de terra numa mão e a cachola polida na outra, dando uma de equilibrista.
- já pensou em ir comprar cigarro na esquina e nunca mais voltar?
- isso é clichê barato. eu mereço mais que isso, eu acho.
- merece é um caralho na bunda. quantas vezes eu já não te disse?
- nunca nada que tenha valido, vai desculpando. não vai dar mesmo?
- é nisso que dá ser complacente. tinha era que sair rasgando o ego logo de uma vez, que é pra aprender a não fazer cara torta pra quem só te quis alforria.
- nossa mãe, hein. e agora, entro na fila ou como é que eu faço? pra quem só te quis alforria. bonito isso.
- não eram três.
- eu disse que não eram. me arruma um desses, então.
- disse sim, sempre disse, disse ainda há pouco. tem lá na dispensa, vai pegar.
- dispenso. e não disse não.
- há-há, trocadilhos infames. tá mals, hein.
- hein?
- mas será possível? o que tá acontecendo c´ocê, hein? vai, levanta a cara e olha pra mim, seu babaca, escroto de merda. tá querendo aparecer pra quem, hein? não tem mais platéia, não, seu bosta, já foi todo mundo embora, inclusive você que nem mais tá se dando conta disso. não tem mais banquinho nem violão, bateu o cansaço faz tempo, gira o pião que a véia vem quente. pensou que ia ficar nessa pro resto da vida? descrença nessas horas é uma maravilha, muito fácil isso. então, quer dizer que só porque não foi do jeitinho que cê imaginou nesse mundinho megalomaníaco que cê sempre construiu em torno d´ocê com umas pretensões que sabe deus de onde tirou a custo de nada, só porque de repente o cavalo saiu tropeçando por cima da sua cabeça mas também só porque foi você mesmo quem quis inverter a lógica do jogo, que agora de nada mais vale mais nada que cê tá vivendo?
- nossa, que nó, hein.
- cê tá achando tudo muito engraçado, não é mesmo?
- tô não, cara. tô não. mas...
- mas o quê?
- mas porra. até que tô.
- se fuder, caralho.
- não, sério. presta atenção. cê faz idéia de quantos dias eu não dirijo um carro?
- e isso lá importa?
- porra, pára um pouco e me escuta, é sério. claro que importa. eu quero, eu preciso dirigir um carro, pegar num volante e sair por aí. faz não sei quantos dias que é a mesma merda de vai andando até ali e sobe aquela escadinha, faz o contorno, passa pela passarela, pega o elevador e pronto. senão, caminha dois quarteirões e já tá no metrô, que maravilha. mais cinco estações e tudo que você sempre quis estará ao seu alcance, na maior comodidade. que coisa mais estapafúrdia é essa, vou te contar.
- cara, acorda. cê vem me falar de carro agora que tudo tá indo pelo ralo? comodidade? comodidade é exatamente isso que cê tá querendo, de preferência parcelado em cinco sem juros.
- cê não tá me entendendo...
- tô sim. e, sinceramente, isso já tá me soando peça teatral de universitário paulista, faça-me o favor.
- tá não. me entendendo, eu digo. pensa que tá, mas não tá. e não é de hoje, só fazendo pose, só pagando na mente dos outros, punhetando com a vida de todo mundo, fazendo pressão que é pra ver se sai gosminha.
- e saiu gosminha?
- tcha-tcha-tcha!
- ei, acorda! me dá isso que não tá te fazendo bem.
- é, pr´ocê tá que é uma beleza, melhor apagar. mas, então, como eu dizia. faz falta um carro, cara, não é brincadeira, não. cê pode até pensar, nossa, que impaciência, nossa, que sofreguidão desnecessária, nossa, que inocuidade pré-orçamentária de la cocha bamba dos caralho a quatro, mas qual o quê que nada. não se trata disso, absolutamente. eu tô a zero, às mínguas, nem traça quer mais me comer. sem combustível nenhum, tá ligado? e, não sei se deu pra perceber, nem é só do carro que eu tô falando...
- e nem de nada com nada, porra, se liga você.
- ai, meu caráleo. eu quero, preciso, necessito, sos, urgente, mayday.
- antes era de qualquer coisa.
- sim, antes. não agora, não mais. agora é na classe, abusando do absurdo de uma consignação infeliz e descomedida que eu nunca quis pra mim.
- antes eu pelo menos podia fazer alguma coisa pra ajudar.
- não quer nem pegar a parada pra mim na dispensa, caramba, e fica nessa agora? dá um tempo que não é pra hoje que eu tô matando, não.
- cê nem sabe o quer da vida, cara. como sou eu quem não quero pegar a parada? já perguntei, qual das três? me respondeu? nada. ficou enrolando, e são três e não são três, seriam quantas, talvez mais quatro. não tô aqui pra isso não, disso pode ter certeza, nem pelo caralho.
- tá bom, meu amor, nunca esteve não. e nunca foram três, como eu já disse ou sei lá quem foi e só você não quis escutar.
- e quem é que tá falando agora?
- como quem é que tá falando agora? não tá vendo, não? tá abusando mesmo, hein.
- cê sabe do que eu tô falando.
- eu sei? não faço idéia, honey. cê, por acaso, tem alguma idéia pra me emprestar?
- sei que cê tá falando como se tivesse falando com quem nunca falou antes de falar tanta merda despropositada de quinze minutos pra cá.
- ah, é? minha vez agora, então: levanta bem essa cara e escuta bem o que você vai me ver sentindo: sempre foi, nunca diferente, e sempre será: uma só:
- e depois dos dois pontos, vem o quê?
- amanhã eu resolvo.
- só porque você quer. toma essa chave e cai fora.
- olha que eu vou, hein.
- vai mesmo.
- tô indo.
- desaparece.
- vejam só, o gato voltou. corre atrás dele, pega logo, vai, não deixa fugir de novo, não.
- pode levar, é todo seu. só toma vergonha na cara e passa na dispensa antes e pega uma das três ou as três juntas ou nenhuma ou cê quem sabe e não se esquece do que ele come também e some logo pra nunca mais voltar.
- relaxa, beibe. não tá vendo? já passou.
Posted by cacoishak at 17:36
5.05.05
cecíclicas
- como andam as buscas?
- que buscas? ih, nem lembra.
- vou deixar pra lá... que cancelem as minhas contas.
- qualé?
- tu tens umas de vez em quando... vais ficar mal agora por desenterrar esta história? mas tu és assim mesmo... cíclico. impressionante, acaba voltando pras mesmas coisas.
- nietzche explica. ou o joãozinho trinta. sei lá.
- ciao.
- esqueci de rir.
- não agüento mais muito tempo.
- não fica puta, caralho.
- eu, hein, estúpido... quem é que ficou puta aqui?
- ei, relaxa.
- só tô me despedindo porque tô com muito sono.
- tou com um pedaço de presunto na mão. e esqueci de rir de novo. dessa vez foi.
- relaxa o quê? você que é mais grosso que açaí de doze reais! que papel de embrulhar prego! que parede de igreja!
- eitaporra...
- que cano de passar tolete!
- é a ovulação...
- engano seu, caríssimo. quando for, eu aviso. estou só constatando a sua grosseria habitual. e como é habitual, se não houvesse, eu até sentiria falta.
- ih, faz tempo que tu não me vê, mesmo.
- por quê??? estás uma flor de pessoa?
- nopes. continuo o mesmo. tu que esqueceu.
- ai, ai.... que conversa de bêbado... agora quer fazer o favor de me dizer o que eu esqueci?
- como eu sou, catso.
- e como você é, lindo?
- esse lindo foi um vocativo ou adjetivação?
- uma adjetivação que possibilita o uso do vocativo. agora responda à questão existencialista.
- existencialista de cu é rola.
- depois vem dizer que não é grosso... ai, santo deus... eu mereço.
- homem nunca pode dizer uma coisa dessas... vai uma mulher fazer, que todo mundo acha lindo
- cara... eu não tô entendendo nada. o que é lindo quando mulher faz? e como você é, que eu esqueci? facilita... lembra que eu tô com MUITO sono.
- sou um cavalheiro à moda antiga, de algibeiras fartas e brio próprio.
- hahahahahahhahaha! lindo... antes que você se ofenda ou ache que eu esqueci alguma coisa sobre você ou sobre nossa amada relação, esclareço:
- e mulher, quando encasqueta de não lavar mais a boca com sabão, de virar multinacional exportadora de chuchus e de jorrar vômitos de angústia na cara dos outros, é linda.
- só estava me referindo ao modo em que nós construímos nossa relação, à maneira peculiar com que nos tratamos, crua, com uma certa falta de urbanidade recíproca, a maioria das vezes...sem que isso nos tire a delicadeza ou a ternura.
- e é mesmo.
- e me apresenta alguém que ache isso, mulher desbocada linda, que eu preciso conhecer...só ouço coisas horríveis a meu respeito e você pode usar as suas algibeiras...
- e por que eu não poderia?
- com quem quer que seja. pra mim, você vai ser sempre o adorável rapaz criado nos melhores estábulos da inglaterra.
- de quem, dos amigos do teu pai e das jovens católicas e fisioterapeutas, que estudaram no marista?
- putaqueopariu. de onde tu tiraste isso agora, hômi? tá querendo me endoidecer? ficaram pendentes de absorção no contexto: o meu pai e as freiras fisioterapeutas. mas que foto horrorosa, meu deus!
- viu a foto? elas me amam.
- pois então. e o meu pai?
- o que tem teu pai? teu pai não tem nada a ver.
- sei lá, você que invocou o nome dele em vão.
- foi ilustrativo. let ´em bogus ya.
Posted by cacoishak at 3:46
27.04.05
meu amigo bacalhau
- o que te faz pensar isso?
- sabe quando estávamos passando pelo coreto e tu espirrou?
- lembro...
- quais foram tuas palavras logo depois?
- ah, nem lembro.
- queria ver o que tem por trás daquele portão...
- eu disse isso, foi?
- não te faz de desentendida!
- e o que isso tem a ver?
- ah, tá bom! como se tu não fizesse idéia do que se passa naquele muquifo!
- vê bem... não acredito que tu se noiou com uma bobagem dessas!
- não me noiei, só fiquei surpreso com o interesse repentino...
- mas não foi interesse e nem repentino! eu só tenho curiosidade de saber o que tem lá dentro... desde pequena que ouço as histórias do povo, tu também já deve ter escutado.
- ô, se já! que nem a daquela garota que estudava na sala ao lado...
- o que tem ela?
- vai me dizer que tu não sabe?
- meu bem, essas historinhas, não sei se te recordas, ficavam restritas ao clube do bolinha. o que chegava aos nossos ouvidos eram apenas suposições, tudo muito por alto...
- como se conosco fosse diferente...
- vocês tinham certeza de tudo! pelo menos, agiam assim.
- coisa de homem.
- hahaha! um bando de moleque pimbudo!
- mas que tu fazia questão de rodear...
- eram os uniformes, bestão!
- sei... e em qual das categorias peirceanas isso se encaixa? primeiridade, secundidade ou terceiridade?
- viu isso na aula de ontem, foi?
- que nada... venho lendo as coisas do cara faz tempo.
- que cara?
- charles sanders pierce.
- nunca vi mais gordo.
- é o pai da semiologia. dizendo minha professora, foi um gênio.
- depois que entrou na faculdade, ficou todo metido... publicitário é foda!
- estás fugindo do assunto.
- que assunto?
- do coreto.
- vem cá, tu acha mesmo que só porque por um breve momento vislumbrei a possibilidade de talvez um dia ultrapassar os limites daquele portãozinho furreca, só por isso e nada mais, eu não quero mais levar adiante o que a gente planejou?
- ou um ou outro, minha querida. os dois não dá, são incompatíveis.
- quem te disse essa besteira?
- o bacalhau.
- e o bacalhau lá sabe de alguma coisa?
- ele já fez isso várias vezes com aquele protótipo que o pai dele deu pra pesquisa.
- o bacalhau não sabe de nada.
- tu não pode falar uma coisa dessas, sabe... pode pegar mal até pra mim. o cara é safo pra caralho, tem uma puta bagagem e não é só no campus! falar no bacalhau em qualquer biboca dessa cidade épraticamente passe livre pra tudo de bom que há na vida!
- faz-me rir...
- não estou entendendo... tu nem conhece o cara direito...
- queria ir lá contigo, seu babaca!
- a gente vai, cara, pra qualquer lugar que tu queiras ir.. só lá que não.
- tá certo, se o bacalhau falou, então tá falado!
- ih, tá com ciúme do cara, é?
- por quê? tu virou bichinha por acaso?
- vai apelar?
- do jeito que tu falas dele...
- não falo de jeito nenhum, só acho que tenho muito a ganhar ficando na cola dele...
- não viaja, mané! tu não ganhas nada de útil! só vai ser mais um chaveirinho pra coleção dele! fico puta com um troço desses! o cara não sabe fazer mais nada além de ficar analisando edital o dia inteiro, fala francês que é uma merda, mas, não, todo mundo acha o cara o máximo só porque fez um mísero trabalho pruma empresa furreca de são paulo! e que, diga-se, foi roubado!
- quem te disse que foi roubado?
- ora, quem me disse! todo mundo sabe!
- todo mundo quem?
- ah, deixa pra lá, vai, esquece...
- quem disse?
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Posted by cacoishak at 17:13
14.04.05
varanda
- nunca se sabe. mas por que tu diz isso?
- se eles não chegarem logo, vai esfriar.
- certo, também acho. e se formos por um outro caminho?
- qual sugeres?
- outros que fujam de maiores empecilhos.
- empecilhos? então achas que a dor é um empecilho?
- não digo a dor, mas a sensibilidade como um todo.
- não faz sentido.
- e se, depois, a vontade superar o medo?
- resolve-se.
- quem avisa pro resto?
- não precisa. eles se viram.
- não vão gostar.
- não me importo. e nem são eles quem precisam.
- melhor ser logo, então. antes que esfrie.
- certo.
- certo...
- que cara é essa?
- apenas sugeri uma possibilidade.
- andou pra trás?
- quais são as chances disso realmente dar certo e tudo ser como antes logo após o fazermos?
- tu já leu...
- não leio.
- tem uma teoria que diz serem...
- não gosto de teorias.
- o medo é uma teoria inconsciente sobre o desconhecido, baby.
- ah, nem. filosofia agora, não.
- o que exatamente tu quer, hein? será que tu pode me dar essa luz amiga?
- queria que eles chegassem logo.
- eles não vão chegar, desiste.
- somos só nós dois, então?
- isso aí.
- me passa o pote...
- vai esfriar...
- quem disse que eu quero diferente?
- mas...
- ai! que merda é essa?
- calma, pensei que tu fosse gostar!
- não disse que não?!
- pensei que fosse blefe. falta de coragem, essas coisas.
- me dá o telefone, por favor.
- ei, que escândalo todo é esse? não precisa disso tudo, não.
- poxa, eu estou sensível...
- desculpa... foi sem querer. pronto, viu? acabou.
- fácil dizer...
- não tem mais com o que se preocupar.
- mas... e amanhã?
- eles já vão estar dormindo.
- tens certeza?
- eu te protejo.
- sei não...
- alguma coisa a gente tem que fazer.
- quebra logo isso de uma vez, então!
- cêquemanda...
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Posted by cacoishak at 1:14
19.12.04
- desligue a tv e vá ler um livro.
- que ler livro o quê, rapá! tô querendo é escrever o meu, sossega. deixa essa porra ligada, que é pra relaxar o ambiente. se não quiser passar nada, pior. mudo de canal e me lixo pra família lima, que dá no mesmo.
- cara, não leva pra esse lado. só estou querendo te dizer que envelhecer bem consigo mesmo, não deixando nunca de ter um espírito jovem, isso faz bem! se tu conseguir fazer isso e tentar ler algumas coisas legais na internet de vez em quando, espetacular! estávamos falando sobre isso ainda há pouco e...
- alto lá, cara-pálida! nós quem?
- não disse nós.
- disse, sim.
- não. eu e outro. outra, outros. nós, não.
- égua, tu é inteligente pra caralho, né? fala bonito que ninguém entende.
- ih, vai começar?
- começar que nada, porra. era só olhar em volta, tava me sentindo no dance o clipe com a ciccarelli.
- cara, deixa de ser assim tão eufórico. relaxa, que a noite podia ter sido tua. vai saber? naquela porra, tu tem que dar uma de poser, senão eles te mastigam e cospem fora. arrumar uma briga, vomitar nos peitos de uma debutante, se agarrar com um viado, pelo menos uma coisa dessas.
- o problema é que vocês dois estão sempre se noiando com alguma coisa. ah, são os caras que vão tocar. ah, aquele povo também vai estar lá. ah, mulher fala tudo uma pra outra. sefuder, caralho! eu lá vou deixar de pirar o cabeção por causa dessa merda? os afoitos que se fodam! acaba todo mundo batendo palma pra qualquer bosta que passa e o cu apita.
- e o cara que se cagou todo quase chegando na pista, hein?
- tu viu, bicho?!
- ver, não vi, mas quem é que não tá sabendo?
- então, tá. a rodada já começou, meu bota precisa de mim. falou!
- viu, só? ele gosta de futebol.
- é mesmo, né, cara.
- e só tu que não via.
- ...
- abre teus olhos, fernandinho, que essa farsa indie um dia acaba fudendo com tua vida! ficar nessa de plantar impingem...
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Posted by cacoishak at 15:35
1.12.04
e aê, cuméquifica?
- a música fala da...
- calma, calma! um, dois, três, lá vai!
- a música fala...
- não a música, mas o cenário brasileiro atual.
- não, a música megalo-manos...
- é uma pergunta ampla.
- a música megalo-manos fala da diferença que tem entre gente muito rica e gente muito pobre, ostentando enquanto tem gente muito mais fodida. é disso que fala a música, vem... uma...
- vamo, vamo, vamos fazer o seguinte: inserindo o rock nacional...
- oi?
- inserindo a pergunta no contexto do rock nacional…
- hã?
-… continua a mesma.
- uai, cara, o rock nacional…
- cê entendeu? é assim: megalomania. cê tem uma música que se chama, claro, megalo-manos. tudo bem. agora, monotonia no rock nacional. há megalômanos quando há a monotonia. é aquela questão...
- eu acho o seguinte...
- vocês são megalomania. quem está aqui são megalômanos...
- o rock nacional...
- têm essa visão, assim "ah, esses caras aqui, até que enfim, pelo amor de deus"...
- o rock nacional... eu acho que o que há de monotonia no rock nacional eu tô fora, nem curto. acho que o rock nacional tem muita coisa boa e que, talvez, não esteja aparecendo tanto aí, mas daqui a pouco a galera tá toda conhecendo..
- por que não toca?
- ah, porque pra tocar em rádio grande tem que pagar e a galera não tem grana, tem que entrar com uma empresa que banque...
- e esse povo aqui?
- cara, acho que é o interesse de ouvir um rock legal, diferente...
- tá certo.
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Posted by cacoishak at 18:21
12.09.04
à espera de uma tarde de um domingo de festas
- por que você me olha assim?
- não quer que eu te olhe?
- só queria entender...
- entender o quê?
- você não tem vontade?
- o que você quer que eu entenda?
- vontade, você não sente?
- é isso?
- isso o quê?
- que você quer que eu entenda..?
- sou eu quem quer entender!
- então me explica pra que eu possa te explicar...
- explicar o quê?
- que você tem vontade de mim.
- e isso lá tem explicação? nem falei nada!
- falou, sim. nas entrelinhas.
- hum... vou ler de novo o que eu disse pra ver se entendo.
(...)
- não entendeu nada, ainda, né?
- não há nada a entender!
- então me explica melhor: o que você sente é amor?
- nem te conheço!
- e eu não conheço o amor, tem de vir de algum lugar.
- não de mim.
- de quem, então?
- você é quem tem de dizer...
- isso é vontade.
- como assim?
- deixa pra lá...
- oK. sinto vontade de você.
- então, não demora muito no banho. minha vida já está nas malas, junto com o cachecol de lã e outras coisas sem utilidade que guardo esperando o dia em que elas a terão pra alguém. pronto pra partir. não demora tanto...
- estou indo... agora, pára de me olhar assim.
- assim, como?
- você sabe.
- deixa que eu te enxugo...
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Posted by cacoishak at 15:48