13.07.07

québec

get back, quase acreditei
quando tu disse que tá bem

não tem nem que entender
a tradução do meu querer

yeah, yeah, baby
je parle français

québec, dialetos vêm e vão
entre um surto e outro em que gozei

ma chère, já não aguento mais
a tradição desse querer
.
.
.
(letra do primeiro single dos FARRAPOS, a sair em breve - mui breve)

Posted by cacoishak at 17:22

18.06.07

pé de cabra

desistiu de parar
pra pensar na situação

apunhalou o demonho pelas costas
e o vigário logo parou
de não lhe mostrar mais interesse

pegou excomunhão da festa
e saiu dando coice em vara-verde

demorou a cair a ficha
– nem tinha como, logo a bisca

e enfrentaram de um tudo
inclusive, um o outro
e uma seqüência

de eus nos
últimos exorcismos

não puderam prever o óbvio
– o anjo era o anti-cristo

muito menos ele mesmo

Posted by cacoishak at 15:09

13.06.07

burilado

um computador não te deixa viver podadura
não te deixa viver de tela em branco
pré-gramado pra iluminação de um messias

coxo

um computador
a mulher não

Posted by cacoishak at 00:40

01.06.07

back to new crixas

se caio do cavalo
é por tentar domá-lo sempre

ainda que volte para casa
como quem conserta uma tevê molhada
de mijo num primeiro de janeiro

as almofadas da sala me repreendendo
com os olhares pensos dos botões
nas barrigas de seus encostos

carneiro rosnando feito lobo
rebolando na praça depois de uns drinks

rosnando sua culpa pelo tombo molhado
do mijo de um peão sem montaria


ooOoOoo


poema publicado na coluna da semana passada na outracoisa. nesta semana, leme e madalenas, conto antigo que reescrevi dia desses.

Posted by cacoishak at 18:45

31.05.07

tambak

deixei o bilhete grudado na parede com band-aid

pra reparar só mais tarde a quatro passos da privada
tuas impressões da noite deixadas no espelho
e pelo cesto de roupa suja escorrendo

da lajota

Posted by cacoishak at 05:07

quer saber

é sempre a mesma rotina. nas madrugadas, reescrevo as linhas da tarde anterior e anuvio as que serão escritas na seguinte.

ou, simplesmente, posso torná-las poesia.

é sempre a mesma rotina

nas madrugadas
reescrevo as linhas
da tarde anterior

e anuvio as que serão escritas na seguinte

ou que se foda.

Posted by cacoishak at 05:05

23.04.07

street fandango

preferiu não responder mais
sem nunca ter entendido o porquê

por isso, cheirava as cinzas de meu pai
sem gelo na aba do chapéu de palha

enquanto bebiam com os seus
as pedras de gelo no whisky

enquanto a pedra que ouvia
era dosador de gargalo espremido

Posted by cacoishak at 12:01

13.03.07

free república

vai do gosto de cada lady
rasgar sua pele com diamantes
ou adorná-la com carvão

vai da pressa do freguês

de cada um de seus chiliques
e dos tropeços encenados

de aviões de guardanapo
de cada promessa clandestina
de um retorno debruçado no guidão

vai ao gosto de bloody
mary vai embora
vai, pois, mas não volta

vai de dia

que a noite já não suporta
tua presença em sacos plásticos
nem teu funga-funga em poças de algodão

Posted by cacoishak at 00:26

07.03.07

lennon answered

whaddahell
yo nos oy
form alidade

pra ficar

nesse disco arranhado
comousemsuas
ritaleenas

embora sempre mutante

Posted by cacoishak at 02:42

27.02.07

whaddahell

esse disco arranhado
com e sem
suas ritaleenas

embora sempre mutante

Posted by cacoishak at 03:57

18.02.07

carnaval


foto do gumonstrus

ooOoOoo

a chuva derreteu a maquiagem
estou que me borro todo
e continua caindo

(não lava
nem sai de cima)

quando disse
que não criava mais
expectativas
(agora sei)
era apenas mais uma
que criava

não sei soletrar
com fundo musical que seja
desconcentra demais
quem já não é centrado de berço

e continuo caindo
sem pressa de secar

ooOoOoo

fui convencido a postar isso.

Posted by cacoishak at 21:46

14.02.07

yoko said

aprendi com certo joão
que pra ser um beatle
tem que se humilhar

morreu pelas costas
com quatro tiros
e um beijo

Posted by cacoishak at 04:09

09.02.07

los otros

d’io
d’eus
goddog
you are
(on)
your own
and’evil

Posted by cacoishak at 14:45

chips magnésia

tudo certo
vou confessar
está tudo péssimo
mas conforme a música
aqui estou escrevendo; ou estou?
sinal de que as palavras continuam
talvez, até mesmo progridam
– pausa prum cigarro
e trocar o disco na e-trola

Posted by cacoishak at 04:07

08.02.07

casca-grossa

meu coração, quem diria
vinte e cinco pernoites
e já está cansado
cansou de ser lata
pros outros tombarem
o balanço quebrou
a tinta do braço escorreu
e nem encosto eu tenho
pra me coçar atrás da orelha

Posted by cacoishak at 03:27

03.02.07

zinho barato

dias que se acordam
trocando as mãos pelos pés
calçados numa tela de computador
após mais um coice levado
de um conquistador
zinho barato
que nem isso pra comprar tem
– porque isso zende
e se brinda com as baratas
que se desviam pelo corredor no caminho
de mais um do mesmo desengano
– que já até se entende
parado diante da geladeira de porta escancarada
que só não está vazia
pelas sobras do que julgam tenha comido

Posted by cacoishak at 04:44

30.01.07

os

farrapos
só farra
porra
sofá
&

Posted by cacoishak at 04:34

29.01.07

the last poem or yoko said

se ficou guardado o que dizer
desculpa a falta de ânimo

como se desse pra descolorir
o preto e branco na tela da tevê
deixando pra trás apenas a legenda
de um sorriso amarelado

não importa se todos que chamo de amigos te levaram pra cama
ou só até ao travesseiro onde encosto minha cabeça
ou terão te levado quando o braço pousar
novamente na pista encharcada
de lágrimas da sala
da tua casa

as tuas

se é amor
dá-se um jeito
o tempo pode esperar
enquanto os dentes encerram
uma reconquista

daquelas que quando o gole bate no peito
poucos valentes levam adiante
com o orgulho esburacado deixando
escorrer uma tentativa que seja

foi com certo joão que aprendi
que pra ser um beatle tem de se humilhar

morreu pelas costas com quatro tiros e um beijo

Posted by cacoishak at 05:56

21.01.07

cockmobile

dirijo um beco lusco-fusco
onde lagartixas surfam
seu medo de cair da parede
e baratas constroem
seu império num saco plástico
de supermercado pendurado no
câmbio
desligo
de onde reviram o lixo
em que me enterram
os caroneiros de primeira viagem

Posted by cacoishak at 04:56

18.01.07

descompasso

e a prudência clamará por fraldas
empapuçadas de coisa que seja
menos história e malaguetas

pois

não preciso de memória
tenho um computador que me faça o trabalho sujo
assim como havia uma pedra no caminho
e eu a chutei longe

evito assim o constrangimento de um olhar
eu te disse
pra no fim das contas
nem abutre querer mais comer meu fígado

Posted by cacoishak at 08:26

disk 0800-6669

que me desculpe o velhaco baiano
mas ah
se eu escutasse o que o sartre dizia

e quando
que são os outros a legião capirota
certeza

não teria confiado tanto a mim mesmo
e nem
às paranóias dos que me pretendem

sozinho
quando me são os próprios a companhia
constante

no inferno que esfumaça as escadas
da mente
intrafegáveis de tão entupidas de

gente e
uma arapuca nova armada a cada
degrau

e nem minha língua desenrolaria
qual um
tapete veludo vermelho esmalte

discando
zero oitocentos meia mei a mei
a nove

com a boca suja de colarinho e
o espelho
me exigindo um pedido de divórcio

Posted by cacoishak at 04:09

10.01.07

escala um freud

não sei quais dos meus pensamentos me julgam
quando não me deixo levar por eles e
no entanto sou levado enquanto os carrego
nas costas dos dedos

não sei dizer se acredito em deus
ou se sou o próprio
tentando manter a calma
e orquestrar o mundo que gira em órbita
do meu planeta
nem se sou apenas quem o crio
enquanto afasto o peso-de-chão da porta
e lambo as patas de quem me chega
celebrando meu corpo fechado

não sei se por instinto
sobreviveria após ter dado cabo
de quem de mim só quis a promessa
de abrir mão de minha vida
enquanto me chorava do fundo de um copo
demônios que não pagavam o aluguel
e me cobravam palhaço e trigo
ainda que não cumprissem com sua parte no trato
estabelecido quando da conquista de quem
agora me aponta dois pentes carregados

e aparenta de tudo um pouco saber sobre o dia
e as noites que lhe antecederam

Posted by cacoishak at 20:02

08.01.07

babalu de meia-idade

game over
você ganhou
pode ir levantando o vestido
as fichas se acabaram
e o quanto antes quero estar em casa

quem foi que disse
que marinheiros gostam do mar?
quando nem sequer se banham
e suas âncoras já não conseguem suportar
os calafrios de mais uma correnteza

logo eu
que desparafusei a maçaneta do quarto
pra ver se encontrava vestígio de algum suspiro
clandestino embaixo da cama
ou por detrás da estante
entre um livro e outro de culinária ou
no gravador que havia deixado
acumulando sotaques em cima do armário
e que você descobriria indignada meses depois
ou simulando a indignação
que somente o desespero da perda é capaz de simular

não importa o desespero de quem
se do que escuta ou do que se esconde

crianças afinal não se lembram
do que seus pais as fizeram acreditar
nem de como
enquanto empinavam suas pipas
em homenagem à babalu da rua

Posted by cacoishak at 18:46

06.01.07

perros descarrilados

carlota não tem sobrancelhas
e se masturba com a escova de dentes
elétrica pela manhã antes de sair pro trabalho com
um pedaço do cadáver que guarda embaixo de sua cama enfiado
na bolsa e que no caminho deixará cair por acidente após se esbarrar no metrô

.com

camilo se esconde por trás de seus cabelos e espeta sua glande com alfinetes
todas as noites antes de dormir agarrado ao terrier que lhe lambe
as bolas enquanto toma banho sentado no box com
as fotos de sua ex-namorada que estará
lhe aguardando ao encontrar

.com

clara é adventista do sétimo
dia e pede perdão a deus quando cai em
tentação e se deixa levar pela conversa do irmão que
lhe entrega pedras das mesmas que fumavam e que deverão ser
repassadas pro senhor com um cachorro acinzentado depois que se indispuser

.com

clóvis nasceu com problemas mentais por conta de seus pais serem parentes e
obriga o filho de seis anos da vizinha a lhe enfiar girinos recolhidos
na vala rabo adentro onde guarda os trocados que lhe
darão de esmola quando se pendurar nas
pernas dos outros até se ter

.com

célia cuida bem dos sovacos
e se vangloria por trepar com um diferente
a cada dia em que ainda vem lhe buscar o ex sem se
preocupar com os bolores do corpo colecionados ao longo do mês
e que decidirá serem dispensáveis ao se atracar tão logo aviste seu enamorado

.com

carlos é castrado e tem como único amigo seu cão que lhe encrava nas costas
seus dentes empapuçados de instinto que há séculos faz com que
carnívoros desconfiem de si e que o fará desaparecer
num vagão com o pedaço de um fêmur na
boca rumo a próxima estação

Posted by cacoishak at 12:37

05.01.07

poema a uma spice girl

diz-me o quanto ainda te resta
que eu te direi o que desperdiçar comigo

pois
não tem outra
if you wanna be my lover
toda essa nuvem de glitter e pó-de-arroz
terá de baixar primeiro

de carona no suor de um corpo que se me apresenta desconhecido
em queda livre pelo funeral de uma morte pré-fabricada
agarrando-me em cada inflamação ou cicatriz que se lubrificam
enquanto batem a porta
e apagam as luzes
e as virilhas murmuram danças na chuva

de mini-saia
sem calcinha

e motocicletas se despedaçam sobre nossas cabeças
roncando uma década de imoralidades
a duzentos e dez por minuto

só um filete d'água escorrendo perna abaixo
num beco qualquer da frança
resguardado pelo pensamento
que se esconde dentro de uma boina branca encardida
e não se deixa molhar pelas lágrimas de um homem
ao tempo em que cai o mundo

Posted by cacoishak at 19:36

04.01.07

feucheclaire

não consigo mais entender a poesia
nem meu baixo-calão no manejo das palavras
controlam teu blues de versos soltos demais dentro dos
teus trajes largos de pregas azuis e cigarrilha presa nas tuas pernas
de dedos longos e entrecruzados que tossem secas a persuasão de uma [mosca

queria poder dizer alguma grande verdade
tirar da cartola uma revelação
mas tratou o tempo de mostrar que

se encaixam as peças

é porque esperaram além do que se condicionaram
e um novo demônio já brinca com os ponteiros do relógio
de parede que me deste na páscoa do ano passado

não vou pedir ajuda a nenhum passante
nem distribuir folhetos em praça pública
sem mais mentiras das meninas da augusta
ou o provolone de republicanas despatriadas
quero na garganta a bosta do deus vaca em partículas
uma culpa que não me seja por sãos e anjos imputada

quero willie nelson na vitrola e uma cabrita na mira da espingarda
vestir-me de nu ao roubar o mel do urso após vê-lo receber as ferroadas

e parar de rimar tanto
que isso já não é poesia
nem bengala pra defunto
que nem mais espanca

pois

se é mesmo o fim
seja essa minha forra

Posted by cacoishak at 15:08

17.11.06

urrúu

os outros
the other people
como dizem
the order
num singular
a ordem

mas a ordem do quê?

e viva o direito de não dizer
nada

e viver como se encostado contra a
parede

Posted by cacoishak at 18:21

26.10.06

cútis pongueana (recauchutada)

tento
sempre quanto
ainda me parece possível

arriscar
quando a vida
me põe em
baraços

não corro atrás

simplesmente
shit happens

e coincidências persistem

dando uma de deedee
ou sid no cio

nada dos traumas de uma época em que
peito pra mim
só os de madre conchita

it´s a brand new dollar, babe
ou os centavos roubados da irmã caçula pro lanche das seis

com a namorada pendurada na parede da oficina

faz tempo que não sonho dormindo
nem jogo ping-pong pra lorear a pélvis

Posted by cacoishak at 04:47

15.09.06

compre batom


wander wildner degustando a obra, encantado pelas lentes da fotógrafa.


myzena


mói os cacos
engrossa o caldo
põe o charque pra ferver

faço com
myzena minha
gororoba

sustança ab-dominal
que
substitui a tarja preta

engrossa a fala
engrossa e fala
engrossa e ferve

o que moer

coq au vin
pepsi ou galhoto

receita de menina
à francesa de boutique
punk-love no divã

na paz de cristo
ou de burnquist

as mil caras que te fazem

strip-teasam
a tarja preta

e das incertezas colhem
o tempo que de inteiro
se tentou sorrir sozinho
e tratou o vento de o fazer

apenas picadeiro


ooOoOoo


primeiro poema desde o dia oito de janeiro. e, teoricamente, o primeiro poema da próxima coletânea a ser editada. acho que voltei a escrever de fato. inferninho astral demorado, esse. venho observando isso entre os chegados. a cada ano, o dema estrelado aparece mais cedo e se vai mais tarde do que no anterior. não sei se acontece com a geral ou se é só comigo mesmo. e meus amigos nem existem. mas então.

um segundo pro pigarro.

tá chegando o dia. o dia tá chegando. não sou um drummond. nem toco sanfona. não tenho caminho na pedra. nem o delas eu sei. ainda assim vou rimando. com meu deus aprendei.

quer coisa muito melhor que isso? muito melhor que essa cretinice toda? pois tu não perde por esperar o que essa calhorda tá aprontando. vi só a capa hoje e foi de derramar lágrimas pelo msn. o miolo, ninguém me mandou até hoje. mas sei de gente que se aquatrou. como se eu já não tivesse há muito atravessado essa casca-grossa. segunda-feira, ela vai lá na editora pegar os pacotes. e tchan-tchan-tchan-tchan. festa muito em breve no rio de janeiro. depois do wander, ângela rô rô ameaça dar uma palha no mike. e são paulo que nos aguarde. nos primeiros dias de outubro, a mais nova dupla de poetas pós-propostas da 7letras estará guerada.

aproveita e pede um bis.

uma honra poder dividir a mesma prateleira com a beber.

luv ya, beeba.

Posted by cacoishak at 02:12

24.01.06

e o que mais tu jogou fora do armário?

meu amor
meu pavor
a vôos
fora do chão

teu pavor pelo
visto
guardou um
palmo
acima do que
chamam

desejo

desejo é estilo

topo despertar as modas de estações passadas


(bruna beber / caco ishak)

Posted by cacoishak at 03:31

23.01.06

Last Night I Drove a Car

Last night I drove a car
not knowing how to drive
not owning a car
I drove and knocked down
people I loved
...went 120 through one town.

I stopped at Hedgeville
and slept in the back seat
...excited about my new life.

Gregory Corso


last night i crashed a car
and cracked a bank account
yet i do not know about poetry
perhaps about new lives
...and excitement

Posted by cacoishak at 11:43

11.01.06

pin-ups do cocca

o lançamento mais aguardado do ano nas últimas quatro décadas finalmente está no ar: idealizado pela musa narguilé e filhota jojo coccarelli, o sítio com as peladinhas psicodélicas do tio cocca tá bombando. isso mesmo. carlos coccarelli é o cara. e é com muita honra que eu tô lá participando da algazarra com mais quinze foliões de primeira (a banda deve aumentar em breve), os tais interventores, cada qual criando sua arte a partir da arte do homem. e ainda tô devendo um conto, que – prometo, baby – sai logo, logo. por enquanto, entro com um poema (esse aí embaixo) inspirado na obra revelação. mas é claro que tu vai passar lá e conferir cada pintura, cada projeto, cada texto, imagem e os caralhos, tintim por tintim, que tu não é besta, né? só se for, mesmo...

é de ponta a ponta dum refrão – talvez um
pouco antes; tanto depois (depende tudo de quem compartilha
a fossa e ora) – que se faz um filho maduro

e se despe da razão e da tolice que é vida e de si
e das fluorescentes de quatro e noventa e nove que deverão ser trocadas
a cada nova visita da sogra e da tevê muda ligada na mtv
e se reconhece o equívoco que um dia fora a salvação imolada por causa de um
pecado reproduzido e imola a si próprio e se desconhece num
ventre vazio e tenta de geração em geração

reverter a culpa calada na marra

o sol já não queimava mais seus tradicionais vermelho e fulvo
e suas bolhas na pele cujos prazeres armazenados no instante do estouro –
esta liberdade coceira que aprisiona durante a fuga – faziam-se sentir em tons de anil

e se calou a culpa revertida em marra

te espero sentado nas ruínas de minha paciência
para vestir-te a túnica que cosi dos resíduos de minha teimosia
e da qual te despirás no tempo do esboço de uma

apropriação

e o sol só será teu
quando e mais quem queiras

pois coleções de discos e o remoto da cabo
no longer will be mine

Posted by cacoishak at 02:55

08.01.06

tolerância (em construção)

interpreta-me no borrão do teu paquete
enquanto durmo respingando
gotículas de bafo quente em teu cangote

e vê se não presta
tanta atenção assim na placa
da entrada que diz

sem lubrificante (implora com a ponta do dedão
curvada em meio às pregas do meu holocausto)

favor perturbar por motivos
estritamente sexuais
apenas (quem sabe
interrogação)

posto
que
sim
mui cretino
rogo
sem
saber

ronco plenipotente em cores
espúrias e
um cálice de balalaika

garrafas inteiras e pronto-socorro municipal

uma mulata
capô de fusca
vinho tinto barato
banho-de-cheiro-do-ver-o-
peso e altura
raimunda

maisumpouco
em
miúdostoleras
ou
nemparatanto

até que entornaria do teu pranto
assim pois num prelúdio
desnudo e escorrido

desculpa se gozei

Posted by cacoishak at 15:30

03.01.06

breu

cadê minha sombra
que se descosturou?
que nem mais vejo aqui na esquina
nem em qualquer outro canto do quarteirão
onde ficam as ruelas em que me banho de moralidade e
culpa

morro alumiado de tão banal

apedrejaram os postes lá do bairro
e já ninguém mais sai sozinho de casa
com medo de se perder no escuro
sem sua sombra pra lhe guiar o caminho

Posted by cacoishak at 18:12

30.12.05

polução sonora

ipiranga com são joão. mais uma
turista acabava de perder
suas digitais na
esquina

Posted by cacoishak at 00:26

20.12.05

heart beats

se durmo pensando em ti
e o mesmo me acontece ao tomar um banho quente
perdoa-me pelos pudores que ainda tenho de o fazer à mesa do jantar

“quero caber no teu abraço”

não cabendo eu adapto
e nem te levo pro lado negro da força por isso

“tô sem tubinho preto pra te abusar”

sai então logo correndo
que sou homem-bomba
relógio

“ia te pedir pra tirar umas fotos minhas quando lá”

não só as fotos, beibe
na paris de jim morrison
até que topo viver de amor
ainda tenho a casa dos meus pais pra morar

“uma coleira de veludo vermelho e um sapato de salto fino
já não é mais paixão
é fúria”

e repito:
que merda é essa de purple haze arranhando no toca-discos?

Posted by cacoishak at 02:55

19.12.05

number novo

queria sim ter-me cansado
entre tuas pernas agora
decerto teria forças o suficiente
pra sorver do teu suor
as forças suficientes
pra me recuperar
e me cansar
todo novamente
entre tuas pernas agora
sorvendo aos poucos
o cansaço
do teu querer

Posted by cacoishak at 03:25

16.12.05

malu maerlois

ah, senhora, minha bundudinha de outrora
a quem coloquei de castigo ao meu lado
entre as turbulências de uma ponte aérea
e outra

quem lambeu minhas feridas
pôs de molho as manchas do caminho
que encardiam corpo e alma

esfregados sem medo de perder o esmalte

foi o pai que me ensinou a ser
a mãe de minha cria
mulher que nem ela nos diminutos de ocasião

os três
que de quatro em cinco
formam seis
quem sabe oito e quantos mais vierem

desse ventre cujas portas cerraram conflitos
que por tantas vezes por tantos outros
somente por detrás das mesmas se faziam ouvir

e que eu egoísta
como todo bom menino mimado
quis ter só pra mim

Posted by cacoishak at 01:00

15.12.05

ainabacada

percebe que não tenho nojo
propriamente dito
de gente
pelo contrário
dela me alimento
chupo todo o caldo
pra depois jogar o bagaço fora
não sem antes dar aquela mordiscada

o que não me agrada é o preparo
embora a cada dia mais me apeteça
os sabores e os cheiros de tua receita

Posted by cacoishak at 02:04

09.12.05

bandido mármore

desarregimentado por neoplasias fanfarronas
que desacreditam bem ou mal
as intenções mesmo fajutas de um equilibrista do alto
dum fio de cobre pavimentado
na calçada em frente ao pronto-socorro municipal

vírgula

desarregimentei
me
despropositada
me
n
te

e veio a voz do padre
que disse
ainda esperançoso
estamos em obra
(estarias deveras, meu filho?)
desculpe o transtorno

ou indo
simplesmente
direto ao sap da concórdia

cosi-me de renda barata
pra desfiar-me aos poucos

e não me encabulo ao cobrar os olhos pelo espetáculo

Posted by cacoishak at 03:08

20.11.05

festa da conchita na torre de babel

a quem restaria a incumbência de um resgate
feito de uma sacada de um
décimo quinto andar
em cujas portas de vidro trancadas por
dentro com um tiro no pé –
arapuca pra passarinho tristonho – embaça-se um
rosto de um filme há um tanto rebobinado

senão a mim mesmo

não fosse um celular num bolso da frente de uma calça
desbotada (nem tão qualquer assim
posto que seria a que um eu estaria usando
num momento tapado)?

maldita máquina de escrever o mundo numa tevê portátil
acabou por tornar-nos donzelas das palavras
temerosas por sangrar os dedos

e todos os seus pares
descrentes

Posted by cacoishak at 23:56

21.10.05

to be continued

(...)

o sol já não queimava mais seus tradicionais vermelho e fulvo
e suas bolhas na pele cujos prazeres armazenados no instante do estouro –
esta liberdade coceira que aprisiona durante a fuga – faziam-se sentir em tons de anil

(...)

Posted by cacoishak at 03:24

20.09.05

cangaços & caatingas

lembra daqueles dias
em que eu escrevia
tacomas pesárias
que merda

passei a pesar os excessos
e hoje compro agrião

Posted by cacoishak at 00:10

06.09.05

homens brancos não sabem voar

sambei uma moda de viola
como quem se atira de peito aberto
contra um ventilador de teto em movimento

mas ela fez que nem sabia
deu um gole no grapete
tirou seus sapatos de salto alto (pra depois voltar atrás
com a mão na consciência. porém, era tarde demais.
havia se propagado no vácuo como nos
bons filmes de ficção científica)
e foi ao centro do salão
abandonando pelo caminho
uma a uma
as jujubas que levava consigo num saco de pão
dormido na noite da última grande comemoração
que havíamos promovido juntos no quintal do vizinho

devoraram tudo
que não deixaram nem o pescoço
e cheiraram o açúcar antes que se espalhasse com o vento

Posted by cacoishak at 09:40

05.09.05

desfaireuoliariza isso, mulher (super-aditivada)

I.

comecei uma frase
e tentei terminá-la sem antes
passar pelo miolo

antecipei-me mais do que devia
e me faltaram os predicados

II.

passo por sérios apuros
faz alguns dias

gostaria de acreditar que logo passa
mas estou cansado de
piadistas infames

uma vaca nasce para ser vaca
cresce mamando sua vocação desde cedo

e rumina seus prazeres faça sol ou neblina

III.

nas horas que me sobram
recobro o hábito e
descasco o maço
que durante o
dia fumara
e mais
iria

ei
com agá
de muito macho

IV.

espumas inda provocar
iria fosse por dinheiro

mas do culto se ausentar

um absurdo que ninguém
seja só
vícios e espentelhos

não vou mais beber do teu paquete

Posted by cacoishak at 11:53

24.08.05

desperto dolores das dores do parto

tomba-latas regido por decretos de sanja
demarco território com as penitências não cumpridas

vagabundo de coração e mal-passados
causo prejuízo aos rodízios
e buffets onde satisfaço minha gula

confessei-me incapaz para os pedágios e bloqueios
deixados para trás com a voz de prisão

Posted by cacoishak at 11:07

23.08.05

smoker

dia desses ao folhear o jornal
ou revista ou fazer
as compras no supermercado de madrugada

simulando as entradas
e extremidades curvas

a mão esmagando a raiva
contra a buzina do santana

enquanto salivava
o azeite que sobrara

noO
fundo do prato
quebrado a pauladas

noO
afã finalmente dito
de uma lembrança vadia

ouvi que se repetem os termos
qual a palavra sussurra

exposar-me-ei antes que amanheça

Posted by cacoishak at 13:27

13.08.05

desfaireuoliariza isso, mulher (aditivada)

espumas inda provocar
iria fosse por dinheiro

mas do culto se ausentar

um absurdo que ninguém
seja só
vícios e espentelhos

não vou mais beber do teu paquete

Posted by cacoishak at 02:03

10.08.05

buzz me asap

o aro branco das tuas lentes
questionado ao canto de um frango caipira
traduz meus nervosismos
matuta e realiza
a chamada à fronte
temporariamente desregulada

estávamos em manutenção

beg your pardon
é que não entendi de fato
ainda assim sugiro
a pretensão de te ter full-time
e também ou todos os dias

se possível
numa das tardes descompromissadas
à disposição depois de um primeiro encontro

verdade é que não se controla uma tal maturidade
nem se apreendem seus circuitos internos
enquanto se guarda a expectativa
de que de algo podem adiantar as investidas
de uma marca sorvida no canto da boca que escorria
seus ciúmes e tragos e descontroles

Posted by cacoishak at 13:31

04.08.05

petisco no anzol

conheço bem a batuta que te rege

sou do tempo do walkman
e das ombreiras da mãe

chantageio as palavras que nos ladeiam

gargarejo meus defeitos
e faço empalidecer

os anônimos que me batem à porta

r
a
be
co´em
ra
bo
de
ar
r
a
i
a

Posted by cacoishak at 04:12

03.08.05

notepad

pensei

que
talvez
caso tentasse
conseguiria escrever
algumas
dessas linhas
que
lá no início

pensei

Posted by cacoishak at 03:52

01.08.05

botafora neoconcreto
(posproposta agalope)

esta
va er

rado

não sei t
rabal
h
ar

sob
pressão

arranha o c
éu castra-vento


ooOoOoo

dona sofia barbosa, sorria. você está no google. um feliz aniversário. são os votos da pamonharia espantalho´s, o melhor do milho.

Posted by cacoishak at 00:56

31.07.05

brona´parq

ah, essa filha da glória
que de tanto que do amor fala
zoando primogênitos e/ou caçulas
dando pegas em mães de amigos meus
me fez te imaginar de loira
o cinza do sovaco nas dobras caindo dos braços
voz de macho enrouquecido de marlboro e gabriela
grelo esturricado e sem maquilagem no rosto
pra depois ir embora
num arrasta saia maroto
levando os guardanapos
sussurrados ao pé da mesa
enquanto ainda éramos somente dois desconhecidos
e tudo era mera coreografia
entreolhada por detrás dos panos
no intervalo entre uma talagada
e a impressão deixada num tablete de margarina

Posted by cacoishak at 02:50

30.07.05

"profissões mais promissoras do momento"

jornalista no zimbábue
guia turístico na terra santa
enfermeiro em nova iorque
escritor em brunei darussalam

ooOoOoo

ai, beibe, quando te conheci estavas com a mesma expressão que portas nessa fotografia, praticamente de uma efígie tumular. tive uma ênclise forte.
não! pare, não me olhe assim! amanhã será um novo dia.
abraços metonímicos e pleonásticos de incitações.

Posted by cacoishak at 00:16

28.07.05

carambolas & prevaricações (cabíveis de veto)

despelado qual um hamster
saído da alcova
não obstante os carrapatos
acumulados pelo caminho

fora três casas endireitado
degrau abaixo

despejado na mesa fria
preparada para minha chegada
num festival de teratismos

como coadjuvante da atenção central sem panis aparente

recebo as alfinetadas
cabeças de baixa-temente
refletindo o brio dos teus olhos semi-cerrados

fosforeço porém nossos constrastes
de nada adiantam tuas rugas forçadas

nem se sustentam
se tanto te deslumbram
e põem a perder o há muito de cada experimento

perdoa os impropérios

só não posso mais ser
o azul de metileno que
ora fascina ora
consente com a morte de bastardos em nome ou falta de causas maiores
baforadas entre precauções e desgostos em meu cangote

não posso conceber um deus que não saiba dançar

beegees
ou
darkness

nem tente

los cios de madre helena

e os dois ou dez outros bagos que lhe acompanham dentro e fora da verdade

Posted by cacoishak at 22:21

27.07.05

gepeinaoanos transeiros

clantin des gulaes vuil beixe-crette
feidans gonade
dun putre galvin

lerdre finale
elia suirso sienrsin des bagues

les tré kedrietchmel chanteaux

domme ceinguard
nuelistvel

en
escancrot
.:.
trasva dor
pesdu badão
vedres pia
nuncia tridon

projoco dencioalho
capra
déia raxptê

anusladinassouto

opu mapa

pindago

jacamos petriega
potrea ôguisas

merch dém vilgcen carbádor primas captox

sen pregga caonciana

priqueteta nilica
basdaitla misabra

surtein wutch der sinhô

Posted by cacoishak at 08:29

10.07.05

angulosos & paragofingos

das
protúberes
em
anátemas

castas

foi-se o cago
pelo ralo
e pós-ploft
veio o huf

ooOoOoo

poemitcho escrito em momento de conturbação etílica de aproximadamente quinze segundos entre um flato e outro. última noite da flip. ontem, às vinte e três horas e quarenta e poucos minutos, na esbórnia de good-bye. em breve, relato completo.

Posted by cacoishak at 23:26

24.06.05

quer saber

é sempre a mesma rotina. nas madrugadas, reescrevo as linhas da tarde anterior e anuvio as que serão escritas na seguinte.

ou, simplesmente, posso torná-las poesia.

é sempre a mesma rotina

nas madrugadas
reescrevo as linhas
da tarde anterior

e anuvio as que serão escritas na seguinte

e que se foda.

Posted by cacoishak at 02:02

17.06.05

trem pagão

pôde não ter parecido tanto
mas retirei todo o mofo da casa
que se acumulava fazia anos
em jarras de barro e pentes de madeira
dependurados dos vãos entre um tijolo e outro
a aliviar as queimaduras do corpo

incendiei as paredes
preservando as polaroids da oficina
para quem mais quisesse rasgar o peito
e postergar o juízo alquebrado
de quem já não tem mais um álibi à disposição

e transita incandescente de uma estação a outra

ooOoOoo

saldão de estoque.

Posted by cacoishak at 03:44

17.05.05

#15

o fiasco de reflexos ensaiados
oscila e ecoa nu
fundo de uma garrafa
de teor sorvido por tantas
quantas possuí­ssem taças e esputos

e vigor para tanto

esparramamos
de boa vontade
aproximações ocasionais

para ridicarmos o desperdiçado
a soluços de argúcia


--------

Posted by cacoishak at 13:27

11.05.05

#66

rotinas capotam a cento e trinta por hora
expelindo estilhaços de uma vidraça embaçada
para além da poeira que já não se assenta mais

apraz-me a rota de atalhos e aleatórios
outrasinas lhe abastecem

e não dobram os joelhos
nem precisam saltar
sorrateiramente
de marcha em marcha

--------

Posted by cacoishak at 03:49

07.05.05

#111

fui dar um passeio descalço

fui
mas voltei

e cuidei de repensar
os passos que daria

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Posted by cacoishak at 03:49

06.05.05

#72

recomendações conduzidas
na toada de um sapateado que se bifurca na memória
de espasmos e abandonos
a cada aproximação tentada
terminam por consentir
que a repulsa ao colo
sufoque os argumentos de um veio
que transborda a reconciliação

a sangria segue sendo
dos artifí­cios
o de maior diligência
na cura das enfermidades do humor
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Posted by cacoishak at 17:52

28.04.05

#87

criou-se o dispersivo em paragens estreitas

soaram o alarde
que
compreendido tardio
alastrou a clarividência

sacio-me em buracos fundos
e falhos e plúmbeos
onde de um tudo se encontra
e crianças são abandonadas

serei o pai de todas elas
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Posted by cacoishak at 03:49

26.04.05

# 108

anseios engendram seu próprio desfecho
sacrificam o excesso de zelo
e cravam no ventre a ausência
de casos esquecidos logo em seguida ao parto
firmando-se na desobediência
da cria que lhes sucede

selecionamos as perdas que nos selecionarão as memórias
calados, silenciamos o remorso
não a falta de termos nos calado
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Posted by cacoishak at 17:53

12.04.05

estrelas e quetais - a mais claudicante das rosas psicoativas

lapsos de esteios
por mais que não encontrem seu encaixe

em viagens permeadas pelo fastio de um tom comum

seguem suas rotas originais
na incerteza de que estarão
esporeando o vento
aleatoriamente

cala-se o estampido de uma fuga
prolongando-a despida e úmida
de porta em porta
como quem colhe o centeio bravio
que se atira ao sabor amargo e entorpecido
de uma desventura
tão distante quanto a partida

contrariamos a tradição de nossos cabrestos
e ela nos contradiz

do meio de suas pernas


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Posted by cacoishak at 02:04

23.03.05

barinaite

meu argumento é tua tosse

ajuda a expelir os nós
que amordaçam o pálido ventre
dos calçados de um só terço privado

rebate o obscuro de teu corte

embora não sussurre afazeres
nem alivie assaduras
como quem adula a glande

mont
a
nota
´v
el
gr
aça e
can
d
ura
,de
sacrílrgos

ooOoOoo

(inspirado em "amordaçado em nós de mim mesmo", by andré arruda)
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Posted by cacoishak at 03:26

28.02.05

#21

minha liberdade é a de uma bandeira
tremulando em suas certezas
o pouco de vento que
para se fazer disposta
foi capaz de tomar
às resoluções de seu ânimo
na imposição de uma alçada acorde

distrações inibem a segurança do mastro
como coincidências reagem
ao clamor do inaudito

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Posted by cacoishak at 03:31

25.02.05

#948

não me surpreendo com o descaso das paredes
enquanto percorria seus sulcos

fora sempre por demais volátil
e pouco preciso no pouso
seu juízo não acompanhava os dividendos de minha argúcia
nos passeios que faziam por receios de anônimos

até então
não havia dado sinal algum
de minha inclinação para o embuste

e obrigava-me a jantar calado
o amargo aguado de um prato moroso
preparado na apreensão das horas em alerta
que antecediam a clausura dos sentidos

excessos medicavam o sossego

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Posted by cacoishak at 09:48

03.02.05

tradução livre

convertei os lí­rios dos campos
em mera obra de solstí­cios
que anunciavam os dias
que viriam do branco absoluto
e con-sigo trariam
rochas a quebra-vento
irresolutas
nos penhascos de seus selfs

o tilintar
de quem o canto escutais
já mapeia o próximo trago
e a terra que

em breve
também

res-guardará seu túmulo
desfalece a fronte
e ignora o tumulto
e também se prepara
para
também
ser novamente

convertida

pois já não mais exprime
os anseios matrimoniais
de uma marionete em fuga

apenas se largam as mãos
e se esfregam e se debatem
e urram os prazeres de condenados ao ví­cio
terrí­vel
que é capitular os dias
baseando-se nas improbabilidades
de uma ressaca bem dormida

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Posted by cacoishak at 15:48

18.01.05

pertences

a sorrisos não pertencem decisões
decisões sugerem espasmos
impelir o filho crescido ventre adentro
e esperar pela hora marcada no saguão de embarque
atrasando-se nos vãos da lembrança
de um acaso em nada cabal

um sorriso é gana que hesita
e ainda teme os impropérios de uma recaí­da
faz força
mas não suporta o parto
range os gritos de repudia que lhe cairão os braços
e evita as dores de uma só vigí­lia

sobrancelhas apenas prolongam o dito
cortadas, não emitem opinião

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Posted by cacoishak at 16:06

01.12.04

#53

corria intrépido pelas alamedas de Arruânia
em busca de um covil perfeito

não se foram
nem se protuberanciaram
diante de olhos que lhes aterravam

eram normais e adversos às tendências influentes

acobertaram-me em calmarias di-vagantes
e chafurdei com olinah

agora
resigno-me a sentir o odor
das vaginuladas

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Posted by cacoishak at 22:05

30.11.04

#81

invejo a culpa de um casal adúltero
como quem dorme de costas viradas
para o sabor do pão

bater no peito
de nada adianta
se
por amor à vida
ví­cios e suculências
deixam de me aproximar da morte

come-se o miolo antes de mais nada
besuntado na euforia de um apreço

a casca é apenas o avesso
e todas as suas peculiaridades

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Posted by cacoishak at 01:03

08.11.04

n.o.f.f.a.a.*

queres ver o tosco, meu chapa?
a bisca nasceu já madrugando
as fichas sempre caem quando as expectativas acabam

nunca o uno útil ao agradável
soou-me tão perfeito aos ouvidos
embora tenha de com isso
arcar com o necessário


*parabéns, He-Man, por seus vinte e quatro anos.

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Posted by cacoishak at 01:42

07.11.04

trompa ausente

o estarmos-juntos se traduz em maior distância
do que os dias que nos separam
embora passem calados
por cômodos inabitados
senão pela possibilidade do vir-ser sussurros
e por selos abertos através das paredes

nesta cidade sou apenas um nome
não homem, nem palavra ou patrono
moro de favor numa casa em construção

não posso ser teu sem ter de ti
o que outros tomaram como de direito
serei o bandido a te fazer vislumbrar o ouro
e saquearei de volta o conví­vio roubado
pela sagacidade de mocinhos empreiteiros
contra cujos testemunhos nada poderia
pois bandidos têm honra

que nos separem, então
eles, que mal sabem o significado de uma marca
o furor de uma identidade nulificada
que, no entanto, não precisa mendigar por farelos assertivos
como foi de costume na farsa primeira
pois no outro extremo da distância
há de ter sempre quem espere pelos brados
e paredes não mais terão razão de ser

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Posted by cacoishak at 19:45

01.11.04

fogos & artifí­cios

em relações como esta
em que cada um tenta se sobrepor ao outro
palavras desmontam preponderâncias
auto-afirmações nos tais diálogos entre surdos

vazios fragmentados tentam completar o todo
com os pedaços que não mais lhes completam
e o passado comprova o impossí­vel
enquanto a remissão é conduzida
em nome dos mortos

eterno retorno de quem está sempre
disposto
a pagar com os tormentos alheios

não funciona

discussões dantes eram cavalgadas

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Posted by cacoishak at 01:55

23.09.04

#7

por uma vez
somente
gostaria de ser mais amado
que deus

ter uma mãe que fosse
só minha

e não apenas
mais uma filha
de deus

que
para ficar a sós
com deus
não me desse
adeus

já me deu
a deus
o que já tinha
e isto basta

uma mãe
como a mãe
de deus

que me ouvisse
como ouve a deus

que me falasse
como fala a deus

que me visse
como seu filho

e não apenas
mais um filho
de deus

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Posted by cacoishak at 01:27

18.09.04

#40 e tantos

se gostava?
sim, um pouco

como assim
como não?

era levado por peixes
caminhava sobre o mar
e construí­a

pouco a pouco
dia a dia

o inabitável

pouco a pouco
pedaço a pedaço

desconstruiam-me

a mão que dava
comia a outra
bebia vinho tinto
para acompanhar

enxotara-me (sic) de sua vida
como quem enxota (sic)
os olhos da
paisagem

lenta e
softly
úmida e
(palavra francesa que tenha a ver com sexo)

quem fui um dia
eu
ora recorda

e pensa que
sim, um pouco
até que gostava

era levado por peixes
e entoavam cantos

no entanto
lambuzava-me a boca
e cuspia o mel fora

não importava a ordem

fracassos nada mais eram
do que incertezas

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Posted by cacoishak at 01:41

16.09.04

#13

presenteio todos
com meu
amadurecimento desorganizado

se comecei cedo
e cresci pendurado em árvores
comendo as flores que roubava

nem foi
sempre
tão assim

eu

muitas das vezes
me fiz poeta
e
deixei que
rasgassem
as roupas que
trajava

agora
faço
e
desfaço

sou assim
e
vaca assada
e
ninguém
tem
nada a ver
comigo

amanhã
me organizo

e penso em
permitir
que o broto nasça

o piegas também tem
sua face

--------

Posted by cacoishak at 01:43

15.09.04

#9

a apreensão de teus
primeiros
gritos
pesavam meus olhos

na cama

minha lamúria
acordou a casa inteira

meu receio
era
dormir sozinho

agora
ninguém mais
dorme

e meu medo acabou

foi-se com o sono

e te calaste

--------

Posted by cacoishak at 01:06

13.09.04

#1083

em pés outros, calcei-me
e folgava a cada passada
até soar o aperto
e partir pro amanhã

não havia
quem
emudecer
meu silêncio

e me obrigaste
a te fazer esquecer

que

eu

não era quem
te fazia falar-me

fazer-me-ei três por ti

e boa noite.

--------

Posted by cacoishak at 01:13

12.09.04

#6

provei do sexo do pecado

mistérios não
desinteressam ninguém

à espera do telefone
que não tem número pra tocar

e nem razão pra isso

--------

Posted by cacoishak at 03:08

11.09.04

#4

todos temos tempo
quando
é para falarmos de nós mesmos

demônios não têm hora

e nem precisam prestar satisfações

julgam-me por minha vida
conjugal aparente

demônios nunca dormem

e nem mentem

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Posted by cacoishak at 01:54

10.09.04

#3

moro com a mãe de minha filha
e não me sinto menos homem por isso

projeÇões são escritas a lápis

--------

Posted by cacoishak at 01:43

02.09.04

#2

culparam-me por causa de resquí­cios
paguei pelo não apagado

um grão de tequila por um mar de garrafas

desejos queimam o céu da boca
despelam as palavras

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Posted by cacoishak at 18:50

31.07.04

Perdão, nem mais é meu

Todos perdôo Por ter sido não só O que de mim esperavam ....................
Perdôo meu pai Por todos os dias lembrar-lhe O que em sua vida não levou adiante Por ter sido apenas o filho Que de seguir seus passos primeiros teve o desplante Sem dar continuidade ao projeto de minha vida seu
....................
Perdôo minha mãe Por não poder ter-lhe dado Tudo o que de minha vida queria Por ter escutado mais seus problemas do que seu conselhos E destes lembrar-me já em hora tardia Por ter eu próprio construí­do-me sobre a base que a mim forneceu ....................
Perdôo minha irmã Por ter sido um canalha ao amar-lhe tanto E não lhe permitir que me retribuí­sse com seu amor Pela desordem em que nos fazia viver E por não ter sido o exemplo da coragem que a si não faltou Imputando-lhe o fardo que, reza o costume, era só meu
....................
Perdôo, enfim, os amigos e amantes Por ter desaparecido sem dar explicações E tudo pedir no exí­lio sem nada oferecer em troca Senão a presença viva sempre na lembrança De pueris fanfarras e inúmeras destroças Quando de mim obtinham o que hoje já se esvaeceu... .................... Nem mais... .................... (Salinas, 25 de julho de 2004 - 01:45 AM)
....................
Pois é... em breve, muito em breve, devo estar finalizando meu livro de poesia. Mais três ou quatro poemas, um lapidada aqui, outra aculá e Peregrinação dos Espelho D´alma deve ficar de todo pronto... que a temporada de caça às editoras seja mui deleitável, assim espero. É de Goethe a epí­grafe:
"Ah, se pudesses exprimir isso tudo! Se pudesses passar para o papel tudo o que palpita de ti com tanto calor e plenitude, de modo que essa obra se tornasse o espelho de sua alma, como sua alma é o espelho de Deus!..."
Eu tento... todos nós... nem todos... quase ninguém... nem eu.
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Posted by cacoishak at 21:15