17.10.06

tá chumbado, o menino

"chumbei ele. tava tenso. disse que não tinha dormido a noite toda".

sabe lá o cacete o que mais eu devo ter dito depois que os sedativos começaram a fundir a cuca. de cueca e meias e toca e um avental. deitado sobre a mesa fria de alumínio do hospital. hoje de manhã. bem cedo. claro que eu não ia dormir. sou vampiro. do bando de rê mutran - parte pobre da família (pobre filho de pai rico, ele diria, todo prosa numa citação que fui descobrir, na festa da chiquita última, ser minha. eu, de cowboy, numa das maiores e melhores festas gay do país, na companhia de três machos de carteirinha - um descamisado, outro ray banizado e, o terceiro, galã-arroz-de-festa - ymca total. pois é meu o bordão, cuspido na lata de um casal simpático no elevador do prédio do renatinho, onde passava meus primeiros dias depois de ter dado o fora de casa. carnaval de dois mil e dois - mas essa é outra história. eu pensando esse tempo todo que havia sido uma pérola dele. modéstia à parte, digna de pára-choque de caminhoneiro hômi-bode. acabou compensando o renato na chiquita com seu "tô doado" - crássico pra ficar: tô cansado, tô chapado, tô excitado, tô quebrado. tá todo ado, o garoto. todo ado. tô doado. resume bem a pendenga). pois bem. não dormi. e a anestesista jurando que eu estivesse tenso. talvez. como disse, vai saber das atrocidades que não devo ter dito a medida em que os olhos iam minguando. muitas emoções vividas nesses últimos dias. raciocínio confuso. aposto um maço como não rodei um filme de trash terror regado a muito psychobilly na mente da equipe médica. mas sobreviveram aos contos da cripta. estavam em ligeira vantagem. eu, braços e pernas amarrados à mesa, só podia devanear. mente livre, cachola fresca. e dava pra ser difente? mais um tiro apenas que me restava. os outros cinco já haviam sido disparados. uma engatilhada a cada mês. e nada de bala. era pull the trigger e pimba. miolo pra tudo quanto era lado. e chama o wolf. uma senhora roleta-russa, essa em que me meti. ainda não compreendo bem essa minha vocação pro auto-boicote. é geronimosidade demais pro cabeção. desvendo no romance, quando começar a pensar no que escrever. por enquanto, vivo. e vou me testando e testando meus limites. importa é que se foi embora el madito catéter. esse mesmo. bastante útil durante a quimioterapia. mas que tava servindo de mero body-art pra boi dormir dentro do peito nos últimos cinco meses. bomba-relógio. a qualquer momento podia ser bau-bau. tinha de ser limpo religiosamente uma vez ao mês. mas quem disse eu me prestava a isso? cinco meses. cinco tiros. nada de bala. da sexta tentativa, não escapava. bala na agulha. coágulo no coração. e piff. bar none. daí, resolvi não arriscar mais. e a-tirei essa porra do lado contrário ao coração. cansei de brincar de john wayne. clint pediu passagem. vou sentir saudades do meu terceiro mamilo. e nem um mapa pra confundir as ladys deu pra rabiscar. chumbei demais. a cruzeta não saiu. fica pra próxima encarnação. quando hei de nascer com um terceiro mamilo-pitomba de fábrica. sem motivo nenhum pras siliconizações.

Posted by cacoishak at 19:31

06.12.05

pinga ni mim

ainda debilitado. ai dos agourentos de plantão, não ousariam levantar a voz soubessem do confinamento forçado. frescuras de lado, anteciparam-me quarenta anos de experiências, trancafiando-me num quarto de hospital por cinco dias onde respirava por tubos enfiados em minhas narinas e era servido de uma dieta à base de uma bolsa de corticóide/dia direto na veia, pra fortalecer o pulmão. o pulmão, coitado. não resistiu às doze sessões de quimioterapia, aos vinte e cinco cigarros cotidianos mais dois, à poeirada do curral e seus resíduos de bosta de vaca e aos sete vírgula cinco gramas de deltametrina do butox inalado à moda antiga. não deu outra. trinta facadas na pleura e uma inflamação dos diabos, maldita pneumonite que me privará de meu sagrado hábito tagabista por pelo menos quatro meses, até tudo se cicatrizar de vez por aqui. hell well. imaginem o quanto não devo estar puto da vida. hei de me contentar com os bolinhos, decerto. não queremos maiores problemas, queremos? já me basta ter esquecido a chave do cadeado da mala dentro da porra da mala e não encontrar chaveiro hábil o suficiente pra arrombar a belezoca puro aço. sorte a minha ter uma segunda cueca na mochila mágica, eu acho. mais três ou quatro dias pela frente. melhor me benzer.

Posted by cacoishak at 16:08

01.12.05

e-mail pra uma amiga preocupada ou como ser um sacana fora-de-moda

pois então. estou sem fumar desde a madrugada de sexta pra sábado. e quer saber? não está adiantando de porra nenhuma. respirei que nem um cachorro asmático hoje o dia inteiro, fora as crises de tosse. uma durou cinco minutos, com direito a baba, regurjito e vasos rompidos. vi o rosto de deus. tava sorrindo pra mim. o filho-da-puta era banguela, não tinha os quatro dentes superiores da frente. mandei sifuder e fechei a torneira da pia.

não faço a mínima de como serão os próximos dias. talvez este seja mesmo o último post do cretino.

Posted by cacoishak at 01:08

20.11.05

sam, o cão feioso


pois é. morreu o sam. o que acaba dando mote a um outro assunto. do qual não me recordo mais, vinte e cinco segundos desde sua primeira (segunda, terceira?) ocorrência. mas isso não importa. importa é que o CARDOSO estará em belém do dia vinte e um ao dia vinte e cinco ministrando um curso de blog literário, suas manhas e desconfortos, conforme entendi, pelo instituto de artes do pará. dizendo o moço, vai tocar o terror. o que me faz recordar o tal assunto. nem tenho tanta certeza, mas acho que era isso ou por aí. reclamaram que deixei inconclusa a linha de pensamento do post anterior. não fosse assim, qual graça teria? menos do que a que propriamente se encaminhou por ter. e isso já é triste o bastante. mas, sim, fiz a tal da última quimio. sem a tal da bleo alguma coisa, que é a peso pesado que ataca o pulmão e pode me valer mais um câncer no prazo de dez anos ou quase isso. também deixei de fumar. com filtro e sem filtro. mais uma de minhas mentiras, mas pelo menos essa tem um fundo qualquer de boa vontade. posso até terminar que nem o sam, mas fiquem certos que passarei longe da dignidade mesma de um cão que seja. ainda que o mais feioso.

ps- tergiversei, tergiversei, pra também parar por aqui. em belém. de supetão. eram tantas as pendências em goiânia que nem me dei conta de que a necessidade real das realidades necessárias infligidas à simplicidade de uma vida en passant é a merda que, de tão trivial (favor notar o que quer que lhe soe mais plausível), sem pestanejar é suprimida de uma conversa supostamente formal. quase sem culpa nenhuma. sorte que nos resta algum tipo de desejo. e daí me perguntam o porquê de eu não estar lá. e daí eu respondo, com o mais cafajeste dos semblantes, que, beibe, é o papel dos bobos hiper-modernos que têm de se dividir em tantos quantos suficientes forem pras cortes do percurso. e ainda tem o desplante de ir embora. abusou. definitivamente. no pet cemitaries, for god sake.

Posted by cacoishak at 01:38

17.11.05

do alto de um barranco

menos de doze horas para a última sessão de quimioterapia e me ver livre de toda essa farsa puritana de a papai do céu se paga com estrias e comichões, inventam de trabalhar dobrado os malditos anticorpos adquiridos à base de muita injeção no bucho e dá-lhe febre no coitado aqui que nem pra encarnar sapo pediu. se há febre, há uma causa que a desencadeou. no caso, uma garganta maxi-inflamada, praticamente um duto entupido por uma azeitona podre e purulenta transbordando secreções em nada simpáticas por todos os lados. ou seja. no momento, não escrevo tanto quanto tenho alucinações e espasmos os quais tento manter sob controle. nem respirar consigo. dói que parece que vai explodir na altura daquele buraquinho entre as saboneteiras, sacolé? e o médico diz que não é nada. que é frescura minha e dessa minha mucosa por veneno e poeira maltratada. talvez seja. ou talvez seja apenas carência por ficar sabendo que minha aprendiz de baterista finalmente se cansou de esperar pelo pai que nunca chega e resolveu, depois de um ano e oito meses, andar sozinha. deu-me um foda-se certeiro. e me deixou de cama.

ps- isso não é literatura. nada disso aqui o é, senão improviso. viva el rey. que nem no tranco.

Posted by cacoishak at 00:42

26.10.05

benditos sejam

a penicilina

e o diurético.

Posted by cacoishak at 18:25

20.10.05

incomunicável

falta pouco. por enquanto, pelo próximos dois ou três dias, tá difícil escrever qualquer coisa. o estômago dói por demais, a careca não pára de suar. tremores pelo corpo e etc e etc. quem sabe, num arroubo de estragação poética... nada prometido. os e-mails serão respondidos em breve. os compromissos, honrados. infelizmente, mais não posso. por sinal, estou em são paulo desde terça. longa temporada. talvez um mês inteiro. fim-de-semana está aí. eu topo.

Posted by cacoishak at 18:04

12.09.05

mantra

há de ser por uma causa maior. se sumi. sumi. há de ser por uma causa maior. se sumi. sumi. o enjôo não permite. há de ser por uma causa maior. sumi. se sumi.

Posted by cacoishak at 14:45

30.08.05

37,8 C

e subindo.

que não acabe esfriando o clima.

Posted by cacoishak at 00:48

29.08.05

pigarreando

passo por sérios apuros faz alguns dias, vou lhes dizer. gostaria de acreditar que logo passa, mas estou cansado de piadistas infames. uma vaca nasce para ser vaca. cresce mamando sua vocação desde cedo. e rumina seus prazeres faça chuva ou sol.

Posted by cacoishak at 01:40

22.08.05

tnt

notícia que fará o dia dos mais crédulos e dos mais sádicos, estoy de volta à vida conjugal. por uns dias. até o mês acabar. despojando-me de maiores truques na manga, funciona assim: troquei minha mãe pela ex-mulher e filha. em miúdos e às claras. volto a dividir a cama que nunca – self-service a quilo e rodízio – fora só minha. a três, que se diga. e que tudo continua na mesma. principalmente no que tange ao desempenho sexual. que bastardo filhodamãe sortudo, rapá, diriam os mais filmamericanizados apressadinhos de merda. mas é claro que não. mas isso também não importa. e aí entra aquele jingle do banco. e eu dizendo ao fundo que o que importa mesmo é que a prática diária dos afazeres domésticos se restabelece por dez dias sem juros. leia-se mergulhar em câmera lenta no caos eletrônico de três por quatro pra agarrar a prole pelo ombro antes que se aboste de cabeça no chão por algumas polegadas apenas, entre outras aventuras menos prazerosas como ir ao banco na paz da certeza de que tudo se encaminhará às mil maravilhas até meu retorno de cara com mãe e rebento aos prantos (sim, que não haja mal-entendidos, as duas) na porta de saída do consultório médico trezentas pilas mais abastado sem mover uma palha pra tanto. por que eu, se uma já monta naturalmente na outra?, pergunto-me. nem presta. além do mais, é garantido o pau comendo solto se, depois do coito vetado, os pequenos mimos insistem em aniquilar o naco de autoridade que ora resta no fundo de uma lata de coca-cola. no meio desse turbilhão neo-country stylish, sou obrigado a ouvir ainda por cima (por baixo, de ladinho, vaso sanitário) bordões antigos da moda popular sertaneja, lamuriando-me que, oh, essa tua indiferença é que me mata. daí não entender cem por cento os sussurros, mas algo me diz que dessa vez promete. o quer que seja talvez uma nova mentira. ironia às favas, começo a ponderar seriamente no sentido de que entrar numa de que sou viado é que é o canal – não é de hoje que toda vez que saio pra fumar na sacada me aparece um sujeito muito dos estranhos numa das janelas do prédio em frente, prontamente escalando sua cigarrilha pra me acompanhar entre caretas e bocarras. não digo que o seja, mas se parece com o fernando bonassi, de quem apesar do interesse não li linha alguma até o momento – pelo menos por uns tempos, até que tudo se resolva. nem vou precisar dar a bunda de fato, nem sair por aí desmunhecando. nada contra os que apreciam a arte, mas dispenso tamanha credibilidade. palavras entre quatro paredes hão de remediar a coceira. não é que eu não te ame, nem que tenha outra mulher, nem nada disso, sabe. simplesmente sou gay, entende? não faz assim, beibe. olha pelo lado bom da coisa. tô pensando até em virar padre pra ver se cura. assim, como quem não quiser nada.

Posted by cacoishak at 11:16

24.07.05

boloito dovo

se me permitem, pois, contarei como tudo aconteceu. corria o ano de mil e novecentos e noventa e dois e, no meio de uma roda formada por tios e primos e elencos e o escambal, jazia em contração sob os pés da segunda voz de uma dupla sertaneja das batutas, segundo diziam. ao pé do ouvido, de um mullets pixaim-pinha chegava-me o estridor das menores emitidas sofregamente pela principal, ajoelhada. papaipapai, o moço cantava, cada vez mais alto. impossível de se aguentar. papaipapai, e não acabava nunca aquele refrão, agora chorado. a visão foi escurecendo até que tudo em volta fosse um breu danado e o sujeito, então, passou a esgoelar-se ininterrupto. era fome. e, num pulo, levantei-me da cama, apressando-me no auxílio a malu, duas e meia da madrugada. preparei-lhe a mamada que me valeriam os selinhos de bom dia pares de hora mais tarde, ainda cedo da manhã que me cumpririam as sempre parcas despedidas, devolvendo-lhe em seguida ao que quer que estivesse sonhando, por sua vez. finda a serenata, fui ao banheiro compensar o cansaço e, no espelho, quem me dera um mullets que fosse. a situação capilar, sustentada à base de mui boa vontade e oba-oba no cocuruto, havia se tornado por demais esburacada de uma semana pra cá. não tinha mais como negar, nem porquê. nem esperar por mais uma semana pra que o resto fosse tinindo ralo abaixo. que se acostumassem logo com a nova paisagem sem aviso prévio, portanto, inclusive ela antes de partir. considerações demais a essa altura. melhor seria se o fizesse rápido, poltronaria à vista. lancei mão do barbeador elétrico e tasquei-lhe as lâminas no couro, a mesma expressão no rosto, dali em breve igualmente tosquiado. nem ficou de todo ruim, caso console um coração em fúria necessária. no chão, a contraparte: até que tinha bastante cabelo por aí. sou um cínico de fato, pensei. mas, pensando bem, que nada. ensaiei uma pedalada e voltei pro travesseiro. o frederico tinha razão. e foi assim.

Posted by cacoishak at 15:14

look who´s typing

Posted by cacoishak at 04:17

12.07.05

promisses broken

promessa de cu é rola. e nem prometi nada. acabo de sair da terceira sessão, portanto é isso. que não me estourem a paciência. maravilha de corticóide, te deixa uma flor de pessoa. logo hoje, minha mãe resolve desfilar com seu modelito ultra-sexy apertadinho, daquelas calças que levantam até busanfa de defunto, sabe como é. entramos num bar pra mó de comprar uma garrafa d´água necessária ao tratamento - rins pedem penico. notei que um bebum de plantão não tirava os olhos de retaguardas alheias ao deixarmos o recinto e ah. deixa estar. voltamos para o hotel. acomodei os volumes no quarto, juntamente com a progenitora de toda a confusão. vou fumar um cigarro, já volto. retornei ao bar. uma cerveja, por favor, das de 600. enchi o copo. entornei. tá frio hoje, né? é comigo? com quem mais? quer saber, não tô mais a fim de beber. posso ficar com o resto? era tudo o que eu queria ouvir, beibe. toma. o manganão ficou estirado no chão, cocoruto sangrando. tinha cerveja pra caralho ainda no casco. deve ter sido deveras punk, a pesada. já de volta ao hotel, dirigindo-me à minha mãe, com todo o respeito: e a senhora, que não me use mais essa pouca vergonha. e tenho dito. muito até.

Posted by cacoishak at 17:46

30.06.05

vita brevis

um pequeno contratempo. da feita que os cabelos fazem doce para quedarem sem maiores conluios com minha boa vontade, acabou instaurando-se uma colônia de pulgas no couro e, de dois dias para cá, tornou-se impossível a mera suposição de me ver livre delas. o que vem me causando uma dor de cabeça tremenda, já que ninguém gosta de pulgas assim, de graça. e não tenho lugar para pousar. triste condição, essa minha. então, de tanto me atirarem de um canto para o outro, resolvi revoltar o espírito de vez e, agora, quem não quer pouso sou eu. viva a vida errante de um timoneiro sem navio. não faço a menor idéia de até quando devo ficar em são paulo. a previsão inicial era partir no domingo. talvez antes. quem sabe, amanhã. o que parece certa é a dificuldade de encontrar um local onde possa acessar a rede em meio a essa turbulência toda. portanto, se não lerem de mim, não se afobem. estarei no trianon ou em qualquer outro ponto entre rio e são paulo, realizando um espetáculo com meus novos inquilinos, que é para garantir pelo menos o do almoço. e digo mais: ripa na chulipa e rosebud pr´ocês, zastrás.

Posted by cacoishak at 11:27

19.06.05

fuck forever

queria muito tratar de muitas outras coisas sobre as quais hei de me pronunciar em ocasião fortuita e breve, mas, enquanto ainda os possuo, achei de melhor tom tornar público – e isto não é e nunca foi uma pegadinha – que as pontas dos meus dedos (o que aponta e o dedão, de ambas as mãos), faz umas quatro horas ou um pouco menos que, desde então, começaram a ficar adormecidas andgoon. se piorar, eu ajo.

memento. a ver com raízes judaicas, dramalhões mexicanos em família no rio de janeiro, dissociações fonéticas, pasta de queijo, mais mofo, produção de como ser um herdeiro, poças d´água retidas em poros cinco mil gramas mais pesados de quatro dias pra cá e expectativas de gratidão coagida em parcelas de retorno ao estar-em-pé - inclusive, pelas lembranças das bronhas ensaiadas de outrora que passaram a andar ligeiras como nunca desde a tenra infância. filminhos do fim-de-semana também. e brócolis.

Posted by cacoishak at 01:30

14.06.05

zapeando

não ando gostando nada do que ando dizendo rastejado pelos corredores em momentos de transe causados por sedações diárias acompanhadas por completos estranhos que depois fazem questão de, em atitudes quase sádicas, parrotarem em ombros alheios o que lhes fora confidenciado por terceiros que não eu. fora isso, fazem cócegas agradáveis em áreas sensíveis do corpo, estouram bolhinhas no pensamento e dão liga branca – efeito guerra nas estrelas, todo mundo está passando por isso, nem mino carta escapou de um golpe branco na manchete. maniqueísmo chupeta pra foca mimir, o batido bem ou mal na disputa pelo ibope entre programas infantis dos anos oitenta. passei pela primeira sessão de quimioterapia hoje, sem sedativos. zero a zero aos flancos, mijei vermelho e estou em alto-mar. ensaio um câmbio final. marajoaras, prontificai-vos. paulistas, não há razão para choramingues, às vésperas do vinte e oito estoy de volta. cariocas, a primeira quinzena de julho é vossa, de malas prontas pra flip. goianada, só deus sabe e nem é pra tanto. dito tudo, hasta e inté. vou bem ali vomitar rapidinho e já dou as caras.

Posted by cacoishak at 18:43

13.06.05

axólatra & raspadinhas

fica assim, então. quando o assunto é raspagem dos pêlos do corpo, sou praticamente uma testemunha de jeová. cultivo uma mata na região pélvica, intocável desde a eclosão do primeiro pentelho – lá se vão quinze anos – graças a minha porção ativista do greenpeace. os que cobrem o resto do corpo seguem a mesma cartilha, com exceção da rala juba que resiste teimosa no cocuruto e, no máximo duas vezes ao mês – pele sensível, entende? empola toda se diariamente –, o que alguns acreditam ser uma barba talhada com maestria. pois hoje inventaram de raspar os cabelos do peito, os putos. praxe necessária para a cirurgia, no caso, de implante de um cateter, fizeram-me crer. e nem a boa vontade de prontificarem uma enfermeira de mãos delicadas e longos cabelos que me roçassem o umbigo tiveram. lá me veio um negão de metro e noventa com o barbeador elétrico. desculpem-me a pasmaceira do texto, ainda estou grogue em razão dos sedativos. retornando à prosa. minha mãe, só de olho no procedimento. preocupada com o fato dos mamilos terem se contraído. nem me dei ao trabalho de explicar que era o frio, nada a ver com o peso da navalha. cê quer que eu raspe do outro lado também, pra ficar igual? não há necessidade, agradecido. olha que vai demorar pra crescer de novo, hein. relaxa, mano. não quero perder a chance de poder agradar tanto palmeirenses quanto corinthianas nas preliminares. tem biquinho pra todos os gostos, agora. tony ramos no canto direito, xuxa no esquerdo. deste, aliás, só sobraram os do sovaco, um desperdício. poucos sabem, na verdade, mas sou um fervoroso amante de sovacos. quando cruzo com uma espécime do sexo oposto, é batata, fala mais alto o fetiche. pode saber. não dou atenção imediata às nádegas, aos seios, nem a qualquer outro de seus atributos secundários, como o intelecto não necessariamente dinâmico. miro certeiro nas axilas da moça e me apaixono de cara pelas bem tratadas – não há padrão estabelecido. piro numa peluda, por exemplo, minhas preferidas. a madonna perdeu muito de sua graça depois que se livrou das moitas que carregava embaixo dos braços. mas as lisinhas também me fazem a cabeça, assim como as que possuem discretas dobrinhas com umas casquinhas de feridas bem sequinhas da podagem religiosa debaixo das chuveiradas. são inúmeras as variações que me concentram as hemácias, só não curto as com barba por fazer há quatro dias, vai longe os quatorze e a entresafra junto. nesse ponto, é o velho papo do gênesis, eu acho: sê quente ou sê frio; não sejas morno, senão te vomito. náuseas mesmo, corta-liga braba. se tiver se protegido com aqueles desodorantes que deixam a bicha toda branca, então, na melhor das hipóteses, só com um banhão quente pra tirar o excesso. sou mil vezes mais o bodum abstêmio do que aquele cal todo escorrendo por costelas esquálidas - pior: panquecudas da semana anterior. vai saber. tem gente que gosta de pé; sujo, limpo ou canhoto. já eu, gosto é dum belo dum sovaco. bem cuidado, desde que seja.

Posted by cacoishak at 23:28

09.06.05

conselhos de madrinha

nem sei se já havia comentado sobre, mas, se não o fiz, faço agora. além dos aléns todos que todos já sabem, também estava sendo alvo de uma invasão em massa de umas bactérias oportunistas pra caralho que tomam conta de estômagos sôfregos e fazem mó estrago, sem dó nem piedade, as tais das h. pyloris. como vocação pra presente de grego não tenho, tasca antibiótico peso nelas. e haja flora intestinal pra dar conta do recado. normalmente, não dá e é merda escorrendo pra tudo quanto é lado, coisa linda de se ver, altas recordações. o olfato vem se tornando um milagre cada vez mais dispensável. então. preliminares cumpridas, vamos aos fatos. dia de coletar espermatozóides pra garantir que, caso algum dia o instinto paternal peça bis, possa realizar minha vontade com quem bem entenda e aceite a missão. se é certa a possibilidade da contracepção involuntária pós-tratamento – o que tem lá suas vantagens libertinas descompromissadas –, a gente passa por isso, numa nice. aloha, bamboocha. boa tarde, como vai, seu punheteiro?, me recebeu a enfermeira na sala de espera, toda sorrisos. sim, sim, dona, prossigamos, amarelado dos pés à cabeça. toma aí. e lá fui eu preencher formulários. nome, endereço, estado civil. nada de mais. uma, duas, três laudas. e a potência sexual, qual é? da feita que apelou, não tive escolha e apelei na cola: trezentos cavalos e morreu o assunto. umbora logo pro que interessa, babe. claro, entendo sua tensão. é normal, não se sinta culpado. não estou tenso. claro – é só o que sabia dizer. por favor, me acompanhe. você pode se sentar aqui ou ficar em pé, depende do hábito. temos revistas e estes dois filmes. efervescense e grunhidos na mata escura. por aí. use o fone de ouvidos, sim. não se esqueça de fechar bem o potinho, que é pra não contaminar. nem precisa encher tanto, contanto que seja o primeiro jato. depois, coloque nesse buraquinho, que eu pego do outro lado, e, no fim, faz favor, preencha esse formulário. ali tem alguns lencinhos umedecidos, se a mira não for tão precisa. silêncio. só isso? só isso. alguma dúvida? xá comigo. então, tá, boa sorte. dizendo o médico, outro sintoma do tal linfoma é a dificuldade que o paciente sente pra ejacular, demora horrores. já tinha percebido, bastante grato, aliás. eu e as moçoilas, em duas horas ou mais de estripulias. porém, quando se trata de uma punhetinha básica, o troço desanda afoito, não haveria de se prolongar tanto. não, né? ledo engano. e haja yes, yes, fuck me harder, ya motherfucking pussy licker, turn me upside down, screw me, yes, cum into my mouth, yes, yes, oh, slap your dirty ass. e nada. o bichão, lá, despelando de mão em mão, sem acordo. vinte e sete minutos de porn-core passados, finalmente pude sentir as good vibes ensaiando um deslocamento da base ao centro. e, surprise, surprise, outras tantas do centro à base. malditas h. pyloris. decidiram colocar a escola de samba na avenida justo em dia de corrida. contração daqui, espasmos de lá, agüenta firme e dá-lhe com a chinela na macaca, que tá vindo. tão vindo. solidariedade é uma beleza... filantropia de cu é rola e não deu pra segurar. as calças já estavam arriadas mesmo, foi só o tempo de sair correndo com o pau na mão, atravessar a ante-sala retribuindo o boa tarde e me abostar no sanitário, tendo o cuidado de gozar tudinho no pote, conforme orientação. o filho não é teu, mas toma aí, dona. congela bem congelado, faz favor. e vai desculpando a sujeira no banheiro, não tinha lencinho umedecido lá. acho que ficou um tanto tensa, coitada. amanhã tem nova sessão. só pra consolidar.

Posted by cacoishak at 20:54

06.06.05

primeira consulta

–... e, caso seja necessária uma quimioterapia mais intensa, é 100% provável que você fique estéreo. se fizermos a mais leve, entretanto, a probabilidade cai pra 15%.

ainda terei pesadelos com a notícia, batata. só o tempo de fechar os olhos – que reviraram ao recebê-la, acompanhando a contração dos lábios e a mente implorando um “vê se não vai chorar agora, seu filhodaputa, não na frente de todo mundo, que tu é macho e macho não chora, mesmo com linfoma e mesmo sabendo que linfoma é apenas uma palavra bonitinha pra enrolar o paciente na hora de dizer que ele tem um câncer fudido que, se não acabar matando ele logo de uma vez por todas, vai tolher o desgraçado do direito de ter filhos pro resto da vida”. nunca ganhei sorteio algum na vida, nem bingo das quermesses que minha mãe me obrigava a ir, nem porra nenhuma de nada. pesquisando na rede, descobri que, na faixa etária dos vinte anos, apenas quatro pessoas num grupo de cem mil contraem o tal hodgkin. ou seja, 0,004% de chance de alguém como eu acabar pegando isso. aproximadamente trezentas vezes menos possível do que eu vir a não mais ser capaz de procriar no caso de uma quimio “leve”. leve, é bom que se frise. quinze porcento é também a probabilidade de um portador de linfoma de hodgkin apresentar dores no local do tumor ao beber álcool. e bingo. já o disse e repito: malditos vietcongues. agora, querem congelar meu esperma. eles querem. não sei se eu quero. não sei o que eu quero. malditos vietcongues. que a malu foi premeditada e concebida acidentalmente por livre e espontânea vontade – uma semana depois dos primeiros sinais da doença (somente míseros gases na ocasião, “nada que um belo dum peido não resolva”) –, não é mais novidade pra ninguém. curioso é notar que nem eu sabia, mas, fincado em remorsos do passado, garantia um futuro que, então, já não poderia mais ter.

Posted by cacoishak at 23:01

04.06.05

sampimpa

novamente, cá estou apressando os últimos apreços para embarcar em mais uma ponte aérea. desta vez, entretanto, não deixo almanaque algum. fica o ciao do cretini, so long. são paulo não é mato, nem morro - pedrinho e o lobo perderam-se no inconsciente coletivo, esqueçam. era, sim, brincadeira. poucos podem ter percebido, mas era. até a parte do maldito calombo. malditos vietcongues. agora, é pra valer. quimio e radio no bicho e seja o que jah soprar nas minhas fuças. há a possibilidade do morro, mas mato jamais. yeah, yeah. mais fácil o contrário, se bem conheço a malandragem e a teimosia do caboco. pula essa. lá a gente vê. tô nervoso não. nem tenso. não estou. tranquilis. issimamente. batata. mato sempre, morro pros infernos. balastrau na moita e foda-se o que disse o nário. escrevo de lá, é certo. o que não me faltará é assunto e ócio criativo. dizem em boca miúda que até romance sai dessa viagem. acho difícil. mas, se dizem, não contrario. pra quê? vai que sai. e ainda dirão que não é meu. seu corno. chupetinha nelas, quente e softly. então. são paulo. nunca fui além dos portões do guarulhos. o cabacinho tá que tá. babando que é uma beleza. dessa vez, vai, ninguém segura. ah, se vai. vou sim. fui.

Posted by cacoishak at 23:01

02.06.05

gyn, banana, capim & vela

desembarque direto rumo ao primeiro grande palco de ilusões. helicópteros exibicionistas dando de seus rasantes matreiros sobre o público boquiaberto, em meio a champagne, churrasquinho e bosta de vaca. comecei a entornar os rostos obtusos e o que mais viesse desde cedo, a partir das dez da matina e ao longo de todo um dia, até ser chegado o momento de desembainhar o móvel e fazer jus à noite que rosnava no cangote seus últimos suspiros de sofreguidão e enxofre – tão dramático, esse menino. bananada 2005, martim cererê, pyguá, iguá, lá pelas tantas: “liminha, rapaz, queria mesmo falar contigo”, ao que respondeu “bah, velhinho, diga lá”, grisalho desembaraçado e roliço que só ele. “liminha, liminha, liminha”, nem tão azedo não fosse miranda. nem percebeu, decerto. parte pra outra. a segunda noite já havia apresentado gratas experiências pirotécnicas pelas mãos dos abecês paulistas do ästerdon, daniel belleza e os corações em fúria sendo desprezados por heteros enrustidos – os mesmos que subiriam de três em três minutos no tablado para moshes cada vez mais glamourosos, naquele que foi o melhor e mais barulhento de todos. goianas à vista, ao tato e ao vento, chupando frenéticas a mistura de vodka, mel e corante de três sabores naturalmente artificiais. olho de esguelha, os rapazes do madame saatan se coçando em sua barraca, num revezamento martírio. “e aê, limi-nhaa!”. só na bojuda do zé. gauchada toda reunida, pernas pra que te quero em direção a mqn e rollin´ chamas num arrombo antisemita amoral e calórico, fechada a noite com os astronautas pernambucanos em gana de qualquer coisa que não cortasse a coceira. fim de festa. quatro da madruga. hoje não vai dar pra continuar, baby. dezoito horas bebendo. anda, anda, anda, que é pra curar o porre.

dorme, acorda às nove. de volta à rotina. abre a torneira às dez e carrega a mangueira pra tudo quanto é lado e hora. mulheres, mulheres, por favor, não paguem a conta. “é aí que tu tá trabalhando?”. dizque. mas ela nem deu bola pra mim, a nova vocalista da mordida. ou deu e eu nem aí. prossegue. e não foi antes o show dos meninos? pois é, foi. impossibilitei-me antecipadamente. mas fica o bom gosto de sempre. ao contrário de continentais combos do dia anterior e bravos resistentes do seguinte presente, que nem embalado agüentou. pois bem. volver, sapatos bicolores, mechanics, tudo numa boa, tudo numa nice. pra lá de bagdá, podendo a mente. de supetão, bandeiras vermelhas e azuis tomam o palco. “é o golpe”, me diz uma das portas. “que golpe?”, insisto. “todo mundo dá golpe, nós também queremos dar o nosso”. valentina – mulher-macho sim senhor – baixa o cacete. pontas catadas, faz a coleta e corre. zap, zein, bow! jup-jup, jup-jup, jup-jup, i love you, babe. amiguinho thunderbird no baixo, el recém-desospicializado júpiter maça leva ao transe de amebas a macacos, todos que ali estavam e mais uns outros que por ali passavam e mais um resto que sobrou em algum canto da órbita. frio. muito frio. eu, sozinho, no meio da rua, morrendo de frio. o show acabou? o festival acabou? acabaram-se. onde será que eu estava, que nem reparei, desgraça?

abre porteira, fecha porteira, faz uma força danada e, entre dores e delírios que interrompem o sono campal, reencontro-me, quatro dias depois. a mesma música, a mesma cara de cachorro matinal com pinta na fuça balbuciando palavras freadas aos que me rodeavam. a vida no campo pode ser bastante lúdica e engraçada. donas-de-casa morbidamente obesas, cozinhando o comê de seus peões que, após se alfinetarem a deus-dará, recolhem o matuto e se desculpam mutuamente. incestos subentendidos e a certeza do mal instaurado em olheiras fundas e negras e largas e fundas. os vinte e quatro anos logo chegariam, num amanhecer em malhas de veludo recoberto de tangerina. cacemos picolés de coco queimado, então, em ruínas de coralina. prontos para a verdade? todos, talvez. menos eu, aparentemente. não para eles. aportando na cidade, nem se encosta em casa. diagnósticos por imagem, conclave a dois. “se eu te pegar com cigarro na boca novamente, te encho de porrada e te enfio o maço goela abaixo”. psicologia antoinica. afinal, que porra é essa que me estufa o peito? linfoma, pelo que parece. feliz aniversário. ah, valeu, e isso seria...? um tumor. é, desconfiava. e qual o tamanho? de um limão grande ou de uma laranja pequena, ao gosto do freguês. maligno ou benigno? não é assim que funciona. linfoma é linfoma, sempre maligno. hum. tranqüilo. parabéns pra você, nesta data querida. e agora, o que tenho de fazer? não sei. não sei de nada ainda. não te preocupa, que nada será escondido de ti. na segunda, tu faz mais outros exames. muitas felicidades. depois, tu vai embora pra são paulo. é tão sério assim? não se sabe. enfim, sossega. muitos anos de vida.

Posted by cacoishak at 12:49

01.06.05

vade retro

era para eu estar em manaus neste momento, perambulando por suas ruelas históricas enquanto jack e meg não subissem ao palco. não deu. daria. acabou dando em outra cousa mais sinistra. que me fará viajar para são paulo no domingo. um dia depois da apresentação da dupla na cidade da garoa. obscurantismo e coelhos em excesso, pernetas ou nem, acredito. bênçãos, só indo para o final da fila. e tenho dito.
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Posted by cacoishak at 12:11

18.05.05

hypochondriac sessions number four

então. o pai da annete, cardiologista, confirmou em consulta terceirizada o que a pesquisa no google havia sugerido: aorta alongada é coisa de velho. contrariando a regra, os nove dias para os temidos vinte e quatro nos deixam com duas opções. ou andei abusando e deu em merda das brabas ou já nasci com essa pequena deformação genética e, gozando da vida o que ela pôde me dar até hoje sem ter deparado-me com maiores problemas cardiovasculares, não há de ser nada. morreu aí­ a pendenga. morreu, né? melhor seria se eu fosse pessoalmente ao consultório, claro. mas já não está liquidada a parada? está, não está? então, pronto. não está. após o banho matutino, do espelho desembaçado na munheca saltou a imagem do calombo que levemente vem tomando conta do canto esquerdo do peito, logo abaixo da saboneteira. não chega a se confundir com um alien se desenvolvendo na hipoderme - andas muito impressionado com essas imagens de criaturas nada naturais que guardas no teu computador -, mas por um half pipe para camundongos passa fácil. e dói à beça. como não acredito na possibilidade de meu coração estar aumentando a cada pulsação, resigno-me e preparo o psicológico para a quimioterapia. já não tenho mais cabelo, de qualquer forma. e me gustam los sorvetes. bem que poderia esperar até os vinte e sete. mas, se é chegada a hora, não desapontarei o senhor.
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Posted by cacoishak at 17:43

14.05.05

rx tórax p.a.

segundo o laudo, nada de errado com o pulmão. segundo o laudo. continuo enxergando as manchas brancas nos mesmos lugares onde estavam antes. talvez maiores agora. o laudo:

Partes moles sem alterações patológicas.

Arcabouço ósseo integro.

Seios costo frênicos livres.

Não se observou inflitrado alveolar e/ou hiperinsuflação pulmonar.

Área cardí­aca de dimensões normais.

Aorta alongada.

pois é. segundo o laudo, eles estariam certos desde o iní­cio e o problema - até onde pude entender, levado por minha leiga compreensão - seria no coração. em busca no google pela combinação aorta + alongada, abismei-me com o seguinte:

Casos de Coronariopatia Silenciosa

AG, 59 anos, masculino, marceneiro aposentado, admitido em 21/11/73. Sintomatologia incaracterí­stica: dispnéia de esforço e opressão no peito, sem relação com esforço. Exame fí­sico: Pressão arterial: 116/70 mm de Hg. Ictus cordis no 5º espaço intercostal esquerdo para dentro da linha médioclavicular. Desdobramento da 1ª bulha nos focos mitral e tricúspide e região mesocardí­aca. Fluoroscopia: Discreto aumento da área cardí­aca. Aorta alongada com dilatação cilí­ndrica. ECG em repouso praticamente normal. ECG de esforço - 30 subidas no duplo degrau - alterações de segmento RS-T e principalmente de onda T, coronária, do tipo incomum ao esforço, provavelmente resultante de isquemia transmural.

AV, 52 anos, masculino, lavrador, admitido em 7/12/70. Portador de claudicação intermitente. Sem queixas para o lado do coração. Exame fí­sico: Pressão arterial: 140/90 mm de Hg. Ictus cordis no 5º espaço intercostal esquerdo para dentro da linha medioclavicular. Desdobramento da 1ª bulha na região mesocardí­aca e foco tricúspide. Fluoroscopia: Coração de tamanho normal. Aorta alongada com dilatação cilí­ndrica. ECG em repouso: normal. ECG de esforço - 30 subidas no duplo degrau - alterações de segmento RS-T e onda T do tipo comum: isquemia subendocárdica.

Casos de Angina do Peito Estável com Particularidades Raras

JC, 68 anos, masculino, comerciário, admitido em 26/07/72. Angina de esforço há 2 anos. Em repouso não sente nada. Exame fí­sico: Pressão arterial: 150/80 mm de Hg. Ictus cordis no 5º espaço intercostal esquerdo para fora da linha médioclavicular. Bulhas hipofonéticas no foco mitral. Hiperfonese da 2ª bulha nos focos aórtico e pulmonar. Fluoroscopia: Grande aumento do ventrí­culo esquerdo. Aorta alongada com dilatação cilí­ndrica. Padrões eletrocardiográficos com onda T coronária de fácil regressão para o tipo comum observado na angina estável e em repouso. Terapêutica de manutenção: Proscilaridina 0,50 mg 2 x dia + prenilamina 60 mg 2 x dia ou oxifedrina 8 mg 3 x dia ou verapamil 40 ou 80 mg 2 x dia. Mantido praticamente assintomático desde que não faça esforços maiores, durante 5 anos de observação. (ECG)

JMT, 50 anos, masculino, gerente comercial, admitido em 16/03/77 e reexaminado em 27/01/78. Angina do peito estável com boa tolerância ao esforço. Em repouso nada sente. Exame fí­sico: Pressão arterial: 160/84 mm de Hg. Ictus cordis no 5º espaço intercostal esquerdo para dentro da linha médioclavicular. Bulhas normais. Fluoroscopia: Coração de tamanho normal. Aorta alongada com dilatação cilí­ndrica. ECG em repouso: Discretas alterações de onda T. ECG de esforço - 30 subidas no duplo degrau - com moderada dor: Ní­tido processo isquêmico subepicárdico anterior. Extrassistoles ventriculares. Hemibloqueio anterior esquerdo. 11 meses depois a mesma prova de esforço mostrou o padrão de isquemia subendocárdica. (ECG 1, ECG 2)

uma dor no peito feladaputa não permitiu que eu dormisse a noite passada como deveria ter dormido. o mais novo dos diagnosticados acima tem mais que o dobro da minha idade. um oficial da marinha deixou de ir a alto-mar por causa de sua aorta alongada. o que não entendo é como depois de ter feito todos os exames que o cardiologista passou, ainda me surpreender com um troço desses. primeiro, porque não fui pegar o resultado. segundo, porque os resultados não constataram deformação alguma. capisce? sinto falta de minha tuberculose.

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Posted by cacoishak at 13:40

13.05.05

alí­vio

- tu tá com uma úlcera. - putaqueopariu. - é mesmo? - minha mãe. - a médica te deu uma carteira de cigarro linda de presente. - vocês viram a úlcera? - vai beber, vai - virando-se para minha mãe: ela perguntou como tudo tinha começado e ele, "uma vez, faz um ano, quando eu tava bebendo. mas, agora, até quando eu fumo, dói". as duas que tavam lá caí­ram na gargalhada. - ah, mas todo mundo bebe. elas também devem beber. não como ele, mas... - e eu não falei fumo, falei acordo. - isso é dor muscular, ela. - antes era bem pior, doí­a que eu nem conseguia falar. hoje já melhorou, nem se compara. o esôfago deve estar tão deformado, que nem mais sinto. - graças a quem? - ela disse pra tu procurar um cardiologista, ele. - mas eu já fui em um. - e o que ele disse? os dois. - nada. ela viu se o esôfago tava queimado? - tava todo bonitinho, normal. - mas e o suco gástrico que vem jorrando? vocês viram o suco gástrico? - ela limpou tudo. tu precisa ver os aparelho que eles têm hoje. não têm nada a ver com aquele do tuddy, naquela vez que tu fez, que não dava nem pra ver nada. - nem sei como ele conseguiu enfiar aquele trem sem ver nada. - e o que vocês viram, afinal? - tinha um inchaço de um lado, umas inflamações do outro. - isso é úlcera? - não tinha úlcera. - não tinha úlcera? nós dois, seguido pelo seu não, uai precedendo? - não. mas ela colheu uns pedacinhos do teu estômago. - pra quê? - pra fazer uns exames. - do quê? - pra saber se lá tem umas bactérias... - hum... - ...que podem dar câncer.

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Posted by cacoishak at 03:29

11.05.05

no lungs no balls - com adendo

dias de apreensão, pânico e paranóia, os próximos que se seguem até sábado. bati a tal chapa, inadvertidamente mostrada ao paciente curioso, leigo e zé ruela. saí­ da clí­nica aos frangotes, tratando de iniciar desde o primeiro bafo quente nas têmporas a série de pensamentos fúnebres que, talvez, tenham fim quando do recebimento do envelope. o celular toca. minha mãe:

- e o que apareceu? - um pulmão... - dois pulmões. - isso. dois pulmões, com duas riscas grossas e brancas, uma de cada lado. uma, um pouco maior que a outra em comprimento. - ai, ai. - o que foi? isso quer dizer o quê? - (...) não sei. - é, nem eu.

desliguei o aparelho e acendi um cigarro. os que eu fumar até o resultado não deverão fazer tanta diferença, mesmo. já me bastam os tremeliques da tosse.

adendo: pela manhã de amanhã, a endoscopia me pega. estaremos fora do ar por alguns segundos. mas aguarde. você não perde por esperar. sacos de nóias até a boca de tão socadas. por enquanto, minha maior preocupação é saber quanta trapaiada vou dizer durante o amolecimento das idéias.

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Posted by cacoishak at 13:17