15.07.05
pra não dizer que não falei das flores
tempo de viver um pouco mais antes de voltar a escrever sobre o que ainda me resta guardado na memória. angariando fundos pra pagar o pedágio. coisas que passam. flip-flap. ou rio de janeiro? nada como a dualidade de uma ressaca não bebida. consolem-se uns aos outros. e façam bom uso das borrachudas. quando o amor não é correspondido, auto-ameaças acabam perdoando as carcaças encharcadas de aguardente pelos cantos e os vacilos esquecidos no fundo de uma garrafa lacrada em torno do pranto de quem não chegou a desfrutá-la. e que bosta é essa. engatinha engatilhada no arauto de jargões perdidos no abuso das palavras. fui eu quem disse.

Posted by cacoishak at 18:20
13.07.05
paraty é uma festa - bolas fora, society & afugentados
primeira parte do lenga-lenga, aqui ou descendo alguns posts: leme, narguiladas & madalenas

ishak, mandagará & czarnobai
entorpecido - e o galo canta - pelos dois dias anteriores, dobrei a esquina, virei a página a qual retornaria ainda várias e várias vezes para recapitular os engasgos e desencontros de toda uma vida imaginada naqueles e nos cinco restantes. de repente, fagulhas de excitação provenientes de mais uma masturbação a bordo de mais um coletivo super-lux eram insuficientes para insuflar o fogo apagado pela inapetência de uma oralidade que somente então se fazia eloquente na rememoração dos fatos evaporados no calor do momento. precisava de um café. agora sim, a velhinha. na fila do restaurante em que se deu a primeira parada. você é de goiânia? a senhora é vidente? não, sou poetisa. dizem que ambos são charlatões. é assim que você pensa? afinal, como a senhora sabe que sou de goiânia, se nem lá eu moro? ah, mora onde? interessa? moro em tocantins. pará. longe. pois é. foi aquele moço quem me disse. sim, o dirceu de castro do embarque. havia esquecido-me de sua obordagem logo cortada por mim após ter respondido-lhe sobre minha origem. nesta, o motorista deu conta do recado. estão buzinando. e não nos falamos mais. deve ter passado o evento nas palestras que não fui. pra dizer a verdade, afora a oficina literária - e malmente -, não tomei conhecimento da flip. estava off demais para tanto e já havia gastado todo o dinheiro que não tinha e que terei de correr atrás doravante. frilas serão mui bem-vindos, de cartões comemorativos a propostas de lei. mas, como dizia, da flip foi só o caroço mesmo. e o paulinho da viola, que era na base do pindura. quer dizer, entre uma ida ao bar mais próximo e barato e outra, aproveitando as marisadas mais batidas. numa dessas, chamou-me a atenção um curitibano ou porto-alegrense que assistia ao jogo entre são paulo e seu time, do qual não me recordo. queria demonstrar a todo custo sua autoridade no assunto, havia duas garotas no balcão interessadas na partida e o guri não economizava barbaridades em seus comentários que, só ele não via, preocupado com a bola, congelavam as sobrancelhas erguidas das moiçolas. até então, era curioso. até um jogador de seu time marcar um gol contra e, pode-se dizer, todas as cabeças da praça matriz e arredores virarem-se em direção ao bar após o putaquepariu mais bem executado que já ouvi em toda minha experiência futebolística. o suficiente para deixar o resto dos bebuns constrangidos a ponto de abandonarem suas cachaças e cervejas e partirem. inclusive as duas e eu, de volta ao show. visivelmente entediado, cílios lutando contra as pestanas, poucas eram as razões que me mantinham ali. basicamente desinteriorizar-me um tico que fosse waiting for the sun. na viola, um samba antigo. ao flanco esquerdo, o que pensei ser uma salamandra estrangeira tentando acompanhá-lo enquanto se sufocava. mas que nada. para minha surpresa nem tão surpreendente assim, era apenas o curitibano ou porto-alegrense novamente, comemorando a derrota sofrida, pobre coitado. materializou-se num estalo e, mal praguejei o infortúnio, foi catando uma senhora de seus cinquenta anos ou trinta e cinco que estava por perto. convidou-a para dançar e ela acreditou na proposta por quase um minuto e meio, vejam só. dispensado, nosso herói ainda se prestou a tirar uma fotografia com a santa e, depois de um silêncio matador, saiu pulando em direção ao palco qual uma gazela, sem nem ao menos se desculpar. era o bastante para a estréia. boa noite, cinderela, hora de sonhar com o tempo perdido que insistia em me despertar da dura realidade do amanhã que se atrasava em sonecas de cinco em cinco minutos agendadas pelo celular.puta-merda, meio-dia-e-meia-hora atrasado para a oficina. quinze minutos de aula e confirmo o que hermano, a mim apresentado no dia anterior pelo fred, antecipa-me do lado de fora do salão. tá uma bosta. esse teu cigarro é marlboro importado? não, hollywood. ah, pensei. e acabou chorare. figurinhas fantástias, esses gaúchos. o cardoso tava te procurando, adverte-me um fred pós-raimundo carrero. eu também estava procurando o moço. e fomos ao saboroso, onde o ruivo almoçava com paulo scott, um gigante cujo coração só não é maior, proporcionalmente, do que o de pedro mandagará a ocupar todo o seu franzino corpo. talvez daí falar pouco, entalado. falta-lhe o blog, mas perdoa-se por enquanto. bucho cheio, hora de iniciar os trabalhos no bambu´s de paraty, nome improvisado que remete ao de poa pela semelhança entre os logradouros, segundo os mais chegados. hora de conhecer a inquietação encantadora de nix, exímio tocador de gaita, a beleza cortante escondida pelos esboços orkutianos de cecília giannetti, e delfin, que chegaria logo em seguida e só não estava mais ansioso por conta do lançamento da nova coleção das edições k, que se daria naquela noite, do que o cardoso, pré-lançando seu cavernas & concubinas na mesma ocasião. aliás, o primeiro a tê-lo ganho pode ter sido o hermano e o primeiro a pagar por seu exemplar pode ter sido o fred, porém, meus amores, o primeiro a ser apresentado a esta obra-prima da novíssima literatura brasileira fui jo, ok? ninguém me tira essa. momentos antes à comemoração encalafetada, então na companhia de minha doce bárbara bb queen, a tão importante acontecimento. sobre o livro, escrevo depois, inclusive sobre seu lançamento em belém - onde, por sinal, o afudê é igualmente praticado, como o czarnobai deve ainda estar acreditando (lá vocês também falam isso? bah, diretaço, tchê!). couldn´t resist. roncos literários, vazamos rumo à salvação de um x-bacon a três reais completamente absortos no non-sense de chaves e cia. pausa para a morgação e continua a orgia etílica no quintal d´o café. cerveja preta, música boa e mulheres, tudo de graça. quanto às últimas, em especial uma, agricultora de mão cheia: vanessa bárbara, cuca por trás do e-zine a hortaliça. mas essa não era para meu humilde bico, já tinha urubu rondando a área e, é notório, sou um cavalheiro. não hesitei em abrir passagem, até por ter a certeza de que, de outra forma, seria atropelado. tudo em nome do amor. ah, o amor. faz-nos cometer loucuras cada vez mais absurdas. pena incluir as segunda e terceira pessoas do plural, personificadas em ex-comprometimentos a atordoar a primeira no meio da noite com suas mágoas que nos embrulham o estômago e nos fazem tropeçar nos paralelepípedos aleatoriamente encaixados nas ruelas da cidade histórica e nos obrigam a ensaiar acrobacias que, de tão amadoras, seguem o ritmo contrário ao das pedras e chacoalham os pensamentos que giram e giram e giram com as palavras decodificadas via satélite e desembocam num jorro de vômito a manchar a esquina e câmbio final. limpava o excesso na manga da camisa quando meus pés receberam os respingos de uma nova mão de tinta. que gosto tem o teu?, à pequena de seu dezessete anos. experimenta, agarrando-me antes que eu aceitasse a oferta. laranjada, noz moscada e vodka. tanto me aprouvera que, enfim. na minha pousada. só não faz barulho, que minha irmã mais nova está dormindo comigo e meus pais estão no quarto ao lado. é fato mais que sabido por todos que quem come quieto é mineiro - apesar de insitir em alardear serem seus quitutes como o pão-de-queijo e moça bonita. já goiano, por sua vez, é quieto até a hora de comer. depois, vira festa. e lá tive eu de fugir às carreiras, bunda e apetrechos de fora, rasgando os onze graus às cinco da madruga, sob os protestos da caçula desperta que, estou quase certo, fez o pai madrugar e encontrar na cama, recoberta e pálida, a filha nua que nunca mais vi. mas não por falta de vontade.
(continua)
Posted by cacoishak at 16:09
12.07.05
passa a bola

taí a galera do mal da off-off-flip 2005. quer mais? tem aqui. um oferecimento de bb queen.
Posted by cacoishak at 17:48
11.07.05
paraty é uma festa - leme, narguiladas & madalenas
suava frio, subindo a ladeira feito burro-de-carga-quinze-quilos-nas-costas. meta número um pós-flip: nas próximas incursões, dispensar os frutos supérfluos de minha precavida megalomania, levando na bagagem tão-somente o essencial para a boa higiene diária e as borrachudas que esquecerei de usar conforme o so nice pra chuchu fantasiado em considerações mentais que terei feito qual fazia enquanto, suando frio, subia a tal ladeira rumo à estação do metrô. restava-me pouco mais de quarenta minutos para chegar à rodoviária, comprar o bilhete para o rio de janeiro certificando-me do lugar marcado ao lado, dar aquela mijada automática que encerra o cago, matar a larica que o caminho havia me catado e embarcar tranquilo. mais seis deles, puta la vida de mi bagos libertos, e eu teria conseguido. embarcar, ao menos: sentaria-me ainda por três vezes sob a barba caída antes de realizá-lo e alforriar de vez as vértebras em nome da gravidade. já acomodado, senti a falta que fazia um cobertor sobre uma mão amiga a recrear-nos todos, preparar-nos todos ao longo das horas seguintes em que tudo ali, dentro e fora, jazia na esperança de assentos nem tão gélidos e vazios como o que me acompanhava. mas, a bem da verdade, até que não era uma má idéia aquela e, na falta de um ou outro detalhe, apelar para a cara de pau - certo que rosto propriamente dito não tem, embora há os que piram com seu olho único, boquinha matreira para outras tantas ou nariz avantajado saltando da vasta juba encarapinhada; rosto portanto, ainda que isoladamente composto - não me parecia de todo absurdo. envolto pelas sombras quase apagadas do fim de tarde, um livro aberto disposto num ângulo semi-cerrado sobre as coxas haveria de resolver meu problema. complicou, posto que, best-seller, chamou a atenção de uma velhinha que se levantava ao longe e ameaçava ir em nossa direção. e não foi. porque velhinha alguma não havia. por enquanto. não naquele trecho, nem naquele ônibus. mas havia um cão. e gelei quando paramos logo após a fronteira entre os estados. polícia rodoviária revistando os pertences dos passageiros e mirou certeiro, o pastor alemão, atravessando o corredor pendendo a mesma língua frouxa com que, eu já de olhos contraídos e ensaiando um lacrimejo, passou a lamber entre gemidos minha calça na altura da braguilha toda suja de porra que acabara de ejacular. era um best-seller, caralho. não dava para simplesmente maquinar um engilho assim, que nem em revista de avião. um tanto pra me livrar do pervertido e esperando pela inevitável abordagem, levantei-me de supetão e lá fui ser revistado pelo tutor do animal. que porra é essa?, perguntaram-me as mãos sujas. a resposta, óbvia, não titubeou. a minha, é proibido? tua mochila, rapá, quero ver o que tem dentro dela, vai passando. à vontade, mas vou logo avisando que tava sozinho de casa em casa e isso significa basicamente duas coisas: amantes não lavam as cuecas de seus hóspedes. e a segunda? pois é, como eu disse. disse o quê, rapá? tu tá de sacanagem comigo? de forma alguma, a mochila tá aí. querendo, é só abrir. ou eu posso abrir pro senhor e mostrar que não há nada de mais dentro dela. terminando de limpar os dedos: isso, faz isso pra mim. melhor não prolongar os aborrecimentos, não é mesmo? é o que eu sempre digo lá em casa. é porque é tu quem tá escrevendo isso, ô mané. e o ônibus partiu. não demoraria a chegar à maravilha que a capital me reservava. os três cigarros fumados um no rabo do outro (antes de adentrar o prédio onde me esperavam) na tentativa de esfumaçar um pouco o que então para mim era claro o bastante para bambear as pernas e tudo mais que elas sustentavam: paixão à primeira vista, perda dos sentidos - forçadamente, diga-se - ao primeiro abraço e completo torpor à primeira audição dos acordes tirados à cítara pela musa eterna joana coccarelli. menino tímido que sou, de tempo em tempo pausava em vão o fluxo nervoso de palavras soltas que se sobrepunham erráticas umas às seguintes entre uma narguilada púrpura e a baforada de minha consciência na esperança de que, de uma hora para outra, sem mais nem menos, a tevê ligasse sozinha e nos levasse, eu e calvin, o gato castrado que perseguia um cio impossível, para uma dimensão segura porquanto torpe, na qual estaríamos salvos das prendas que o amor nos obriga a todos pagar. no entanto, como é plausível no mundo eletrodoméstico das tevês, ela não ligou. tarde demais. ou ficaria ali para o resto dos meus dias ou tratasse de dar o fora sem pestanejar. e jojo dormiu. e fui me afogar um pouco no mar do leme, no intuito de exterminar os pensamentos impuros. malditos putos à prova d´água. persistiram pincelados qual pintura oitentista durante a noite inteira e até a próxima - de nada adiantaram as intervenções de ivan gosminha, fred leal, bruna beber e o besteirol sui generis que antecedeu a despedida. parcialmente recuperado do baque (resignado me soa um termo mais sincero), retornaram os tremeliques e fantasias que comigo levei para paraty na manhã em que, tão logo entrara no banheiro, dei de cara com suas palavras de adeus, escritas no espelho a batom escarlate.
(continua)
Posted by cacoishak at 17:12
08.07.05
paraty é uma festa
e viva a diversidade cultural brasileira. ao som de rêminhuei ou ré-mínhei, que seja. tinha pau pequeno, de todo jeito. mas isso também não importa.
Posted by cacoishak at 16:45