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23.08.07

pp condurú - em breve

IAP - E São Paulo?

PP - Ah, lá eu era punk. Conheci muita gente legal. Mas eu era porradeiro, de virar mesa em discussão sobre arte com os artistas lá. Quebrava o pau. Foi onde aprendi a ser mais profissional, a saber o que eu queria e a expressar isso. De outra maneira, não dá certo. Não consigo ser outro. E lá eu era muito punk, fui alcoólatra. Até que eu me esbarrei num caboclo, Pena Dourada. Tenho esse lado místico. Esse caboclo deu um norte pra minha vida. Foi uma época em que eu estava muito doido mesmo, sem nó nem estribeira. Tive que fazer operação no estômago. Estava muito ruim, muito mal. Alguma coisa estava errada comigo. E eu tinha conhecido uma pessoa em 82, em Belém, mulher de um fazendeiro baiano, que havia comprado uma obra minha. Ela gostava tanto da obra que, quando se separou, foi pra São Paulo e levou o quadro com ela. Virou artista plástica e mantemos contato através de uma amiga em comum. Foi ela quem me levou pra essa Entidade. Cara, minha vida mudou todinha. Já no primeiro dia, esse caboclo me deu um norte e me disse “mermão, rasga”. Isso já foi no final de São Paulo, em 90. Então, um dia cheguei pra ele e disse “olha, eu tô indo embora pra minha terra. Tu não achas covardia?”. No que ele me respondeu “não, é melhor do que viver chorando”.

Posted by cacoishak at 23.08.07 09:52