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17.11.05

do alto de um barranco

menos de doze horas para a última sessão de quimioterapia e me ver livre de toda essa farsa puritana de a papai do céu se paga com estrias e comichões, inventam de trabalhar dobrado os malditos anticorpos adquiridos à base de muita injeção no bucho e dá-lhe febre no coitado aqui que nem pra encarnar sapo pediu. se há febre, há uma causa que a desencadeou. no caso, uma garganta maxi-inflamada, praticamente um duto entupido por uma azeitona podre e purulenta transbordando secreções em nada simpáticas por todos os lados. ou seja. no momento, não escrevo tanto quanto tenho alucinações e espasmos os quais tento manter sob controle. nem respirar consigo. dói que parece que vai explodir na altura daquele buraquinho entre as saboneteiras, sacolé? e o médico diz que não é nada. que é frescura minha e dessa minha mucosa por veneno e poeira maltratada. talvez seja. ou talvez seja apenas carência por ficar sabendo que minha aprendiz de baterista finalmente se cansou de esperar pelo pai que nunca chega e resolveu, depois de um ano e oito meses, andar sozinha. deu-me um foda-se certeiro. e me deixou de cama.

ps- isso não é literatura. nada disso aqui o é, senão improviso. viva el rey. que nem no tranco.

Posted by cacoishak at 17.11.05 00:42