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21.09.05
um nome aqui, outro aculá e a maria foi com as outras
"Watergate. O mesmo cenário que na Disneylândia (efeito de imaginário escondendo que não há mais realidade além como aquém dos limites do perímetro artificial): aqui efeito de escândalo escondendo que não há qualquer diferença entre os fatos e sua denúncia (métodos idênticos por parte dos homens da CIA e dos jornalistas do Washington Post). A mesma operação, tendente a regenerar através do escândalo um princípio moral e político, através do imaginário um princípio de realidade em dissipação.
A denúncia do escândalo é sempre uma homenagem que se rende à lei. E Watergate conseguiu sobretudo impor a idéia de que Watergate era um escândalo - nesse sentido foi uma operação de intoxicação prodigiosa. Uma boa dose de reinjeção de moral política em escala mundial. Poder-se-ia dizer, como Bourdieu: 'O que é próprio a toda a correlação de forças é dissimular-se enquanto tal e não assumir toda a sua força senão porque se dissimula enquanto tal', entendendo-o assim: o capital, imoral e sem escrúpulos, só pode exercer-se por detrás de uma superestrutura moral, e quem quer que seja que regenere esta moralidade pública (pela indignação, pela denúncia, etc.) trabalha espontaneamente para a ordem do capital. Foi esse o caso dos jornalistas do Washington Post.
(...)
Tudo o que o capital nos pede é que o recebamos como tradicional ou que o cambatamos em nome da moralidade. Pois é a mesma coisa, o que pode ver-se sob uma outra forma: outrora tentava-se dissimular um escândalo - hoje tenta-se esconder que ele não existe. Watergate não é um escândalo, é o que é preciso dizer a todo o custo, pois é o que todos tentam esconder, mascarando esta dissimulação um aprofundamento da moralidade, do pânico moral, à medida que nos aproximamos da en(cena)ção primitiva do capital (...)".
simulacros e simulação, jean baudrillard.
Posted by cacoishak at 21.09.05 09:29