« passa a bola | Main | 185 »

13.07.05

paraty é uma festa - bolas fora, society & afugentados

primeira parte do lenga-lenga, aqui ou descendo alguns posts: leme, narguiladas & madalenas


ishak, mandagará & czarnobai

entorpecido - e o galo canta - pelos dois dias anteriores, dobrei a esquina, virei a página a qual retornaria ainda várias e várias vezes para recapitular os engasgos e desencontros de toda uma vida imaginada naqueles e nos cinco restantes. de repente, fagulhas de excitação provenientes de mais uma masturbação a bordo de mais um coletivo super-lux eram insuficientes para insuflar o fogo apagado pela inapetência de uma oralidade que somente então se fazia eloquente na rememoração dos fatos evaporados no calor do momento. precisava de um café. agora sim, a velhinha. na fila do restaurante em que se deu a primeira parada. você é de goiânia? a senhora é vidente? não, sou poetisa. dizem que ambos são charlatões. é assim que você pensa? afinal, como a senhora sabe que sou de goiânia, se nem lá eu moro? ah, mora onde? interessa? moro em tocantins. pará. longe. pois é. foi aquele moço quem me disse. sim, o dirceu de castro do embarque. havia esquecido-me de sua obordagem logo cortada por mim após ter respondido-lhe sobre minha origem. nesta, o motorista deu conta do recado. estão buzinando. e não nos falamos mais. deve ter passado o evento nas palestras que não fui. pra dizer a verdade, afora a oficina literária - e malmente -, não tomei conhecimento da flip. estava off demais para tanto e já havia gastado todo o dinheiro que não tinha e que terei de correr atrás doravante. frilas serão mui bem-vindos, de cartões comemorativos a propostas de lei. mas, como dizia, da flip foi só o caroço mesmo. e o paulinho da viola, que era na base do pindura. quer dizer, entre uma ida ao bar mais próximo e barato e outra, aproveitando as marisadas mais batidas. numa dessas, chamou-me a atenção um curitibano ou porto-alegrense que assistia ao jogo entre são paulo e seu time, do qual não me recordo. queria demonstrar a todo custo sua autoridade no assunto, havia duas garotas no balcão interessadas na partida e o guri não economizava barbaridades em seus comentários que, só ele não via, preocupado com a bola, congelavam as sobrancelhas erguidas das moiçolas. até então, era curioso. até um jogador de seu time marcar um gol contra e, pode-se dizer, todas as cabeças da praça matriz e arredores virarem-se em direção ao bar após o putaquepariu mais bem executado que já ouvi em toda minha experiência futebolística. o suficiente para deixar o resto dos bebuns constrangidos a ponto de abandonarem suas cachaças e cervejas e partirem. inclusive as duas e eu, de volta ao show. visivelmente entediado, cílios lutando contra as pestanas, poucas eram as razões que me mantinham ali. basicamente desinteriorizar-me um tico que fosse waiting for the sun. na viola, um samba antigo. ao flanco esquerdo, o que pensei ser uma salamandra estrangeira tentando acompanhá-lo enquanto se sufocava. mas que nada. para minha surpresa nem tão surpreendente assim, era apenas o curitibano ou porto-alegrense novamente, comemorando a derrota sofrida, pobre coitado. materializou-se num estalo e, mal praguejei o infortúnio, foi catando uma senhora de seus cinquenta anos ou trinta e cinco que estava por perto. convidou-a para dançar e ela acreditou na proposta por quase um minuto e meio, vejam só. dispensado, nosso herói ainda se prestou a tirar uma fotografia com a santa e, depois de um silêncio matador, saiu pulando em direção ao palco qual uma gazela, sem nem ao menos se desculpar. era o bastante para a estréia. boa noite, cinderela, hora de sonhar com o tempo perdido que insistia em me despertar da dura realidade do amanhã que se atrasava em sonecas de cinco em cinco minutos agendadas pelo celular.puta-merda, meio-dia-e-meia-hora atrasado para a oficina. quinze minutos de aula e confirmo o que hermano, a mim apresentado no dia anterior pelo fred, antecipa-me do lado de fora do salão. tá uma bosta. esse teu cigarro é marlboro importado? não, hollywood. ah, pensei. e acabou chorare. figurinhas fantástias, esses gaúchos. o cardoso tava te procurando, adverte-me um fred pós-raimundo carrero. eu também estava procurando o moço. e fomos ao saboroso, onde o ruivo almoçava com paulo scott, um gigante cujo coração só não é maior, proporcionalmente, do que o de pedro mandagará a ocupar todo o seu franzino corpo. talvez daí falar pouco, entalado. falta-lhe o blog, mas perdoa-se por enquanto. bucho cheio, hora de iniciar os trabalhos no bambu´s de paraty, nome improvisado que remete ao de poa pela semelhança entre os logradouros, segundo os mais chegados. hora de conhecer a inquietação encantadora de nix, exímio tocador de gaita, a beleza cortante escondida pelos esboços orkutianos de cecília giannetti, e delfin, que chegaria logo em seguida e só não estava mais ansioso por conta do lançamento da nova coleção das edições k, que se daria naquela noite, do que o cardoso, pré-lançando seu cavernas & concubinas na mesma ocasião. aliás, o primeiro a tê-lo ganho pode ter sido o hermano e o primeiro a pagar por seu exemplar pode ter sido o fred, porém, meus amores, o primeiro a ser apresentado a esta obra-prima da novíssima literatura brasileira fui jo, ok? ninguém me tira essa. momentos antes à comemoração encalafetada, então na companhia de minha doce bárbara bb queen, a tão importante acontecimento. sobre o livro, escrevo depois, inclusive sobre seu lançamento em belém - onde, por sinal, o afudê é igualmente praticado, como o czarnobai deve ainda estar acreditando (lá vocês também falam isso? bah, diretaço, tchê!). couldn´t resist. roncos literários, vazamos rumo à salvação de um x-bacon a três reais completamente absortos no non-sense de chaves e cia. pausa para a morgação e continua a orgia etílica no quintal d´o café. cerveja preta, música boa e mulheres, tudo de graça. quanto às últimas, em especial uma, agricultora de mão cheia: vanessa bárbara, cuca por trás do e-zine a hortaliça. mas essa não era para meu humilde bico, já tinha urubu rondando a área e, é notório, sou um cavalheiro. não hesitei em abrir passagem, até por ter a certeza de que, de outra forma, seria atropelado. tudo em nome do amor. ah, o amor. faz-nos cometer loucuras cada vez mais absurdas. pena incluir as segunda e terceira pessoas do plural, personificadas em ex-comprometimentos a atordoar a primeira no meio da noite com suas mágoas que nos embrulham o estômago e nos fazem tropeçar nos paralelepípedos aleatoriamente encaixados nas ruelas da cidade histórica e nos obrigam a ensaiar acrobacias que, de tão amadoras, seguem o ritmo contrário ao das pedras e chacoalham os pensamentos que giram e giram e giram com as palavras decodificadas via satélite e desembocam num jorro de vômito a manchar a esquina e câmbio final. limpava o excesso na manga da camisa quando meus pés receberam os respingos de uma nova mão de tinta. que gosto tem o teu?, à pequena de seu dezessete anos. experimenta, agarrando-me antes que eu aceitasse a oferta. laranjada, noz moscada e vodka. tanto me aprouvera que, enfim. na minha pousada. só não faz barulho, que minha irmã mais nova está dormindo comigo e meus pais estão no quarto ao lado. é fato mais que sabido por todos que quem come quieto é mineiro - apesar de insitir em alardear serem seus quitutes como o pão-de-queijo e moça bonita. já goiano, por sua vez, é quieto até a hora de comer. depois, vira festa. e lá tive eu de fugir às carreiras, bunda e apetrechos de fora, rasgando os onze graus às cinco da madruga, sob os protestos da caçula desperta que, estou quase certo, fez o pai madrugar e encontrar na cama, recoberta e pálida, a filha nua que nunca mais vi. mas não por falta de vontade.

(continua)

Posted by cacoishak at 13.07.05 16:09