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13.06.05

axólatra & raspadinhas

fica assim, então. quando o assunto é raspagem dos pêlos do corpo, sou praticamente uma testemunha de jeová. cultivo uma mata na região pélvica, intocável desde a eclosão do primeiro pentelho – lá se vão quinze anos – graças a minha porção ativista do greenpeace. os que cobrem o resto do corpo seguem a mesma cartilha, com exceção da rala juba que resiste teimosa no cocuruto e, no máximo duas vezes ao mês – pele sensível, entende? empola toda se diariamente –, o que alguns acreditam ser uma barba talhada com maestria. pois hoje inventaram de raspar os cabelos do peito, os putos. praxe necessária para a cirurgia, no caso, de implante de um cateter, fizeram-me crer. e nem a boa vontade de prontificarem uma enfermeira de mãos delicadas e longos cabelos que me roçassem o umbigo tiveram. lá me veio um negão de metro e noventa com o barbeador elétrico. desculpem-me a pasmaceira do texto, ainda estou grogue em razão dos sedativos. retornando à prosa. minha mãe, só de olho no procedimento. preocupada com o fato dos mamilos terem se contraído. nem me dei ao trabalho de explicar que era o frio, nada a ver com o peso da navalha. cê quer que eu raspe do outro lado também, pra ficar igual? não há necessidade, agradecido. olha que vai demorar pra crescer de novo, hein. relaxa, mano. não quero perder a chance de poder agradar tanto palmeirenses quanto corinthianas nas preliminares. tem biquinho pra todos os gostos, agora. tony ramos no canto direito, xuxa no esquerdo. deste, aliás, só sobraram os do sovaco, um desperdício. poucos sabem, na verdade, mas sou um fervoroso amante de sovacos. quando cruzo com uma espécime do sexo oposto, é batata, fala mais alto o fetiche. pode saber. não dou atenção imediata às nádegas, aos seios, nem a qualquer outro de seus atributos secundários, como o intelecto não necessariamente dinâmico. miro certeiro nas axilas da moça e me apaixono de cara pelas bem tratadas – não há padrão estabelecido. piro numa peluda, por exemplo, minhas preferidas. a madonna perdeu muito de sua graça depois que se livrou das moitas que carregava embaixo dos braços. mas as lisinhas também me fazem a cabeça, assim como as que possuem discretas dobrinhas com umas casquinhas de feridas bem sequinhas da podagem religiosa debaixo das chuveiradas. são inúmeras as variações que me concentram as hemácias, só não curto as com barba por fazer há quatro dias, vai longe os quatorze e a entresafra junto. nesse ponto, é o velho papo do gênesis, eu acho: sê quente ou sê frio; não sejas morno, senão te vomito. náuseas mesmo, corta-liga braba. se tiver se protegido com aqueles desodorantes que deixam a bicha toda branca, então, na melhor das hipóteses, só com um banhão quente pra tirar o excesso. sou mil vezes mais o bodum abstêmio do que aquele cal todo escorrendo por costelas esquálidas - pior: panquecudas da semana anterior. vai saber. tem gente que gosta de pé; sujo, limpo ou canhoto. já eu, gosto é dum belo dum sovaco. bem cuidado, desde que seja.

Posted by cacoishak at 13.06.05 23:28