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20.03.08

versum se rasgum

a "nova literatura paraense" realmente promete, meus caros. abaixo, duas pequenas mostras disso. recebi alguns poemas do amigo gustavo rodrigues, da se rasgum, que - como seu cupincha marcelo damaso (conheci os dois faz alguns bons anos, quase dez, numa parada literária ministrada pelo cony) - ainda teima em não ter um blog. talvez estejam certos. fato é que me emocionei (quem disse que sou 100% viril?) ao ver esse primeiro entre os versos do cabôco. na seguida, tem mais um. boa leitura.

Convite antes do inevitável naufrágio

ou

Bora tomá uma, cabôco, qu'inda dá tempo!

A Ricardo Ishak


Recortando-se

Do próprio cancro

Segue

O ponto

Cego

Cambaleante e São

Convalesce e

Carnavalesçe

Por entre previsões e adágios estúpidos

Dos cretinos que se cotizam

Na moral dos transeuntes

Esse delírio coletivo

De veleidade e quebranto

Visito-o de longe

Lendo a lida canalha do sacana

O estulto saltimbanco

Cai e ri

Assalta bancos e bocas

Troca danças impudentes

Por malentendidos jocosos

Trepa em pódios

Salta prédios

Agarrado às rédeas régias dum sol qualquer

Como qualquer poeta qualquer

Espeta o indicador gargantas adentro

Para a redenção dos demônios

E erupção dos pecados

Um dia andará ao meu lado

O filhodaputa safado

Nossa pequena hoste há - afinal -

De se embriagar na réstia boreal

E alimentados de ódio e hóstias

Queimaremos as beatas

Nas escadarias da Fé

O filhodaputa safado

Se safará ao meu lado

Na jogatina febril

De berço e leito, cova e covil

Desses dias que nos sobram

(Ante o último soçobro)

Pois, ainda, por alguns as sinas dobram.

ooOoOoo

Arranquei todas as redes que circundavam o apartamento

O excesso de zelo do antigo inquilinato era um chute no saco

Esse fascínio fascista

Todas as crianças têm o direito natural

De voar pela janela

Posted by cacoishak at 20.03.08 13:21