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28.01.08
uma noite de KRACTUS no canal da tamandaré (or the cowboy returns)

- pois é, bicho... cansei dessa vida de voltar dirigindo bêbado pra casa, colocar a vida em risco, dessas coisas. daqui pra frente, só saio a pé.
- risco tu vai ter é voltando a pé, isso sim. ainda vai fazer merda pelo caminho.
- que nada. sou gato de rua, tá por fora. me encontra lá.
e caí fora rumo ao mormaço pra me ter com o arruda punklove, meu personal shrink. show da vinil laranja, madame saatan, a euterpia. das apresentações, trato em breve - não vêm ao caso, agora.
fim da noite, voltando pra casa. um tanto mamado (uma garrafa na conta de cada amigo). eu, arruda e o bisantino, cupincha do arruda.
atravessamos a praça e já adentramos o canal da tamandaré - refúgio dos playssons da cidade velha e entorno, admiradores que são de um esgoto tamanho família a céu aberto. arruda logo seguiu seu caminho, cv adentro. eu e bisantino. cinco quarteirões pra chegar no CC (mi casa, su casa). perímetro estreito da travessa, sem iluminação. vem uma moto cunscarajo. quase passa por cima.
- ê, seu feladapúuta!
a moto pára a cinco metros dali. numa esquina. gangue reunida.
- quê, rapá?
- vai aprender a dirigir, porra! tu quase atropela a gente!
- sai do meio da rua, seu viado!
- porra nenhuma, vai te fuder!
- quê, rapá?!
- nada, nada, não foi nada - o bisantino.
- nada o caralho, qual foi? quer morrer? - o motoqueiro. estala os dedos. a aproximação.
- vem, caralho! - eu. olho pro lado. sumiu, o bisantino. eu, sozinho.
estico o braço esquerdo e chamo pra roda com o indicador e o do meio. a mão direita, enfio no bolso. cato a corrente que carrego comigo faz mais de dez anos. e como um kratos da vida, começo a ensaiar os passinhos do moonwalker, sempre de frente pros meliantes, girando minha princesa conforme aprendido com el mestre michaelangelo (sim, a tartaruga).
quantos eram, nem sei - nessas horas, matemática de cu é rola. de dez a quinze, batata. minha tática era das mais simples: pegar o mínimo de porrada possível até chegar à civilização (leia-se hangs burger, um trailler vagabundo que vende cerveja barata no começo da tamandaré - recanto de pio lobato e pouco mais de meio quarteirão de onde estávamos, eu e os viciados). e, nessa, ia girando a corrente. e girava, girava. até tropeçar e cair pra trás.
sabe aquele papo de nego que raspou o cu na morte e conta que viu o filme da vida e blábláblá? então. não vi meu passado. mas meu futuro foi em LCD, cristal líquido, home theater. ainda no meio da queda e a certeza: uma cabeça careca rachada no chão de tanta bicuda. o medo foi tal, que mal minha bunda tocou no asfalto e já estava de pé novamente com a corrente a mil por hora. mas com esse lag todo, chegaram perto. veio o primeiro soco - e único, diga-se. bem no meio das fuças. sangue. brinquemos, pois. correntada em quatro, de uma só vez. e em mais dois. em outros cinco. e em quem mais pintasse pela frente. tudo com tétano, numa hora dessas. virei bicho. e teria matado os putos todos, um por um, não fossem os garçons do hangs que apareceram enfileirados, formando uma barreira entre mim e os playssons. minha tática tinha dado certo, afinal - pro bem deles.
saí de lá jurando todo mundo de morte. num táxi, é claro. e pra não voltar mais na tamandaré. não tão cedo. e nem a pé.
Posted by cacoishak at 28.01.08 15:37