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28.12.07

no orkut

de ora em diante, as transmissões do ciao cretini serão feitas somente através do próprio ciao cretini, não mais pelo orkut como estava sendo feito. não fosse assim, não teria sentido ter um sítio pra abrigar essa joça.

então, caro leitor via orkut, a partir do próximo post, só no seguinte endereço: www.verbeat.org/blogs/cacoishak ou www.verbeatblogs.org/cacoishak - como preferir.

a gerência.

Posted by cacoishak at 0:35

24.12.07

e foi maria

não entendo muita coisa sobre o natal. mas entendo que um pai não devia passar o natal longe de um filho. fizeram jesus menino refém no dia de seu próprio aniversário.

Posted by cacoishak at 23:59

lovely leet'a

Amo Rita e já sei porquê. Não que não soubesse antes ou que o ato de amar sem motivos desqualifique o amor em si, mas agora dirigindo pra casa, 4 chamadas não atendidas, já sonhando com a chegada ao lar, a barrigada pós jantar gorduroso, chinês e solitário, a dose de licor nessa noite incrivelmente fria, percebo o motivo de tal verbo. Amo Rita porque nós piscamos juntos. A mulher pode não me dar alertas das ações futuras, mas a sintonia se faz na respiração, e respiração guia a pausa dos olhos, o descanso dos cílios. Comecei achando que Rita não piscava. Sabendo do impossível, daqueles que não são cegos, conclui que justamente quando eu pisco, Rita pisca também. Ao concluir, fui tomado por um fechamento da glote, tentei falar e não consegui. Rita no clássico: “engasgou?” E eu, ali, assustado na garganta, fazendo força para não piscar, querendo saber se ela é enfim, humana, não conseguindo e finalmente piscando, e concluindo que ela piscara também, e ah, sim, concluindo enfim que isso é amor.

da letícia. e é só um trecho de tudo. mas não é o único.

Posted by cacoishak at 5:15

21.12.07

dylan messaging

não sou rato de internet. por isso, não sei se é velho. não sei se é novo. só sei que é foda.

Posted by cacoishak at 2:54

20.12.07

meus dias de attorney

nesses dias em que um rato passa e dou bom-dia, chega dói pensar em quando era aprendiz de advogado na maior firma do norte e nordeste. não era mais que um mero office-boy de luxo, é verdade, mas comia e bebia e me fartava de tudo que havia do bom e do melhor na companhia de meu chefe tributarista, admirador de gramsci. tinha a obra completa do mestre na estante e refestelava seus cento e tantos quilos em sua poltrona de couro curtido com a língua presa me narrando seus dias de glória na juventude universitária. eu lá, pensando em sua mulher enquadrada no porta-retrato, não entendendo muito bem como um cara que morava na cobertura do edifício mais grão-fino da cidade e peidava ouro em pó em saquinhos de seda podia se considerar comunista. é preciso estar no olho do furacão burocrático pra poder corrompê-lo de dentro, dizia se atrapalhando nos érres. sim, sim, eu respondia estendendo o copo pra mais uma dose de seu blue label.

dias agradáveis, aqueles, no fim das contas. vou te contar... onde aprendi que a piada ensinada no curso de direito sobre a legalização da maconha era apenas uma piada e nada mais. dependesse dos causídicos já havia tanto formados ali, ninguém mais rodava em boca. o tempo, porém, passava e tudo continuava na mesma. aviões e blue label sorvido num canudo. ali, sim, não havia lei que imperasse por muito tempo. os putos eram bons no que faziam, ninguém podia afirmar o contrário. as festas que promoviam dentro e fora do escritório, no entanto, corrompiam qualquer antagônico.

foi numa dessas que comi a mulher do chefe. não a do tributarista língua-presa. essa, nunca deu as caras. as dos outros, em contrapartida, davam tudo enquanto eles se comiam entre um comentário e outro sobre instalações contemporâneas e poesia neoconcreta e uma talagada no on the rocks. clássico. era olhar prum lado e ver um galalau de metro e noventa espancando o tampo de vidro da mesa encharcada de blue label num surto carismático, olhar pro outro e sentir o cheiro de sua mulher se alastrando pelo cômodo ao tempo em que se esfregava num outro estagiário meio forrest gump na toada de frank sinatra. momento interrompido somente pelo tapa nas costas acompanhado de um tu é a bola da vez, meu garoto, vamos te lançar no mercado literário. a última bola descia trêbado as escadas de braços dados com um dos sócios. a literatura que se foda, pensei tratando de dar o fora dali.

ao lado da porta de saída, um banheiro onde entrei pra despejar o excesso de blue na privada antes de enfrentar a caminhada. não sei se a idéia de subir as escadas literárias numa só toada ou se o cheiro de bacalhau que empestava o ambiente, sei que a cabeça rodou. e, antes que pudesse alcançar a privada, o blue resolveu sair amarelo-verde por onde havia entrado, tão logo dera o primeiro passo porta adentro. no segundo, escorreguei no próprio vômito e a vontade de mijar passou. de terno preto a tricolor num estalo de dedos, escapei cambaleando. não conseguiria voltar pra casa naquele estado, fato ao qual me resignei e sentei na mureta da entrada da casa do chefe, esperando o mundo frear. quase amanhecendo. não demorou, apareceu a dona da casa com uma taça de champagne na mão. morena de seus trinta e poucos anos e sobrancelhas da malu mader, me perguntou se eu estava bem, em condições de dirigir. disse que não. deixa que eu dirijo, então, ordenando que eu entrasse no carro. não havia como fugir à lógica: era obedecer ou ser demitido.

não fomos pra muito longe, porém. já não aguentando o peso dos braços, lygia (era como a chamavam) estacionou sua paraty branca a cinco quarteirões de sua casa, ao lado do canal da doca – esgoto a céu aberto glamourizado pela prefeitura numa de suas políticas de revitalização do bairro forçadamente esnobe da cidade. nem quis tomar conhecimento do vômito, nem de label, nem de nada. nem dos atletas média-alta-alta em seu cooper matutino que passavam olhando pra dentro do carro. num pulo, foi pro banco traseiro e me puxou junto. trepamos com o sol já batendo em minha bunda pálida, fazendo a alegria dos ambulantes de semáforo que chegavam pra mais um dia de labuta.

não fui trabalhar dali a alguma horas. liguei pro tributarista língua-presa e expliquei a situação, do alto da ingenuidade que um estagiário de dezenove anos é ainda capaz de guardar em si com as têmporas estourando em ressaca de um blue label. rapaz, ele repetia. rapaz... dava pra ouvir as pedras em seu copo. acabava ali minha carreira na advocacia.

(conto meu que saiu na última edição da revista outracoisa, com a capa do goiânia noise festival - logo tasco ela aqui)

Posted by cacoishak at 15:39

18.12.07

apresentando

larissa mui, mui buena.

aqui e ali do lado. nova vizinha.

Posted by cacoishak at 14:59

17.12.07

coronel mostarda - uma prévia

sim. com sorvete de alexander do meio-dia às 15h, cerveja das 15h às 20h, vinho branco das 20h às 23h e mais cerveja das 23h a uma da manhã - quando, finalmente, desmaiei em cima da mesa -, paguei mais esse mico. verdade é que quase mato essa beldade chamada bruna prazinho com meu tesourão de jardineiro, mas - garanto - foi tudo em nome da... do que mesmo?

Posted by cacoishak at 18:24

RELEASE CRC - Dando a letra aos que estão chegando

ban.da
sf (gót bandwa) 1 Parte lateral; lado. 2 Bando, multidão. 3 Facção, partido. 4 Conjunto de músicos em que predominam os tocadores de instrumento de sopro. sf pl Direção, rumo. B. de artilharia: os tiros dos canhões de um bordo do navio; bordada. B. de flechas: as disparadas por um corpo de flecheiros. À banda: descaído para um lado. Ficar de cara à banda: ficar envergonhado. Pegar da banda podre: tomar o pior partido. Pôr de banda: deixar, desprezar. Sair de banda: esquivar-se.

Descarta os conceitos. Esquece o que tu já viu, ouviu, cheirou e passou a língua – nada mais tá selado. Não como era antes. Abriu um puta rombo na charuba. Tem que destrinchar tudo de novo, senão acaba passando porcaria no meio de tanto bagaço. Bora tratando de se livrar dessas berlotas, meu povo, que o bagulho é dos mais finos pra ser estragado assim com tanto desperdício. Nada disso. Aqui, tudo é muito bem aproveitado e resgatado e reciclado e inalado quantas vezes forem necessárias pra que a brenfa seja uma só carne com os magalha. Vai nessa... pior partido, só porque eles querem arrumar um jeito de controlar essa multidão. Tá difícil... soprar, a gente sopra mesmo. Mas passa. Cada vez mais adiante.

Viagem das phoderosas, seu menino. Junta um aqui, agrega outro mais ali pra frente e vamo andando. Muita missão a ser ainda cumprida nesse mundão de encarnados. Daí que uma banda só não daria conta do recado, tá ligado? Pra muito mais que isso, a parada pelas selvagerias de cá já tá respondendo é por um outro nome. Núcleo de produção de mídias digitais. Tá pensando? Aqui, ninguém tira a gente, não. A gente é que coloca pra dentro, tá por fora. O que a gente quiser, quem a gente quiser. Hoje em dia, o esquema já evoluiu pacarajo – dá até pra se dar a certas birras. Tecnologia digital “caseira” na produção de pesquisas sonoras, vídeos experimentais e artes integradas. Esse é o barato.

E pensar que tudo teve início meio que na brincadeira, em 2001. Quando o produtor e músico Carlinhos Vas, mais o engenheiro agrônomo Erik Martinez começaram a brincar com barulhinhos estranhos tirados de um microcomputador. Quem também tava na bagunça eram o radialista e compositor Rato Boy, figurinha das antigas, além do percussionista Luis Bolla. Nesse “conjunto de idéias coletivas”, foi um passo pra que a comunidade da Álvaro Adolfo, da Pedreira, entrasse na onda e participasse das ações do grupo. De um tudo faziam. Mas, principalmente, aprendiam. Não parou de chegar moleque desocupado querendo participar das oficinas de percussão e ritmos eletrônicos, ministradas por Carlinhos e Bolla. Quando viram, a coisa tava grande. Domingo era dia de farra na Álvaro Adolfo. Ensaios abertos eram realizados, inserindo um canal de intercomunicação sócio-cultural e proporcionando ações de entretenimento e lazer na comunidade. Praticamente uma Venezuela...

Mas não parou por aí – na real, tava era longe de parar. Ainda na Álvaro Adolfo, foi criada a rádio-poste independente, Estação C.I – Pedreira, que passou a transmitir, além do basicão (leia-se programação musical), entrevistas na comunidade, informativos de saúde, drogas, esporte, lazer e cultura, através da C.O – Central de Operação montada no quarto-estúdio de Carlinhos, com Rato Boy fazendo valer o vozeirão que Deus lhe deu nas locuções. Como o que é bom dura pouco, porém (ainda mais quando se trata de projetos sociais um tanto, como dizer?, subversivos), mal durou quatro meses no ar e as caixas foram retiradas pelo proprietário da área de rádio cipó, da linha Pedreira City. Teve quem quase chorasse.

Quem não chorou, no entanto, era porque sabia que aquilo era só o ponta-pé inicial. Um longo caminho ainda a percorrer pela frente. Coisa pra macho. Mas macho sensível. Afinal... hay que endurecer, compañero, pero sin perder la ternura jamás. E foi nessa liga que, em 2004, ouviu-se pela primeira vez a história de “núcleo produção de mídia sonora e vídeo arte”. Aliando propostas coletivas de produção sonora e gráfica, site, vídeos e oficinas, foi elaborado o projeto “Formigando na Calçada do Brasil”. Com letras de Rato Boy, Rodrigo Jamant e Carlinhos Vas, o grupo expressava a realidade política do país, onde as periferias se igualam em vários aspectos sociais e culturais. Algo como uma Regina Cazé pra gente grande, tá ligado?

E haja vocabulário sinistro: eletrofunkdub, groove funk + samba rock + climas dub do mundo Lee Perry – música de gente doida, maninha. Sendo produzido 90% em estúdio caseiro, o disco é uma homenagem – como não poderia deixar de ser - à Comunidade Álvaro Adolfo. Além da própria comunidade, participaram da bagaça o percussionista Luis Bolla, Trio Manari, Waldiney Machado, Renato Chalu, Jared das Arabias, Marco André, Daniel Delatuche, MG Calibre, Dona Onete, Mestre Bereco e Mestre Laurentino. Escalação que tiraria qualquer um desses timecos paraenses da terceirona. Fácil. E nem futebol jogam... mas quem joga, afinal?

Verdade é que bateram um bolão no lançamento do disco, em 2005, no Teatro Experimental Waldemar Henrique. Tudo devidamente registrado naquele que veio a se chamar “EletroFunkDubSocial”, DVD dirigido por Ronaldo Rosa e Renato Chalu, com apoio cultural da Produtora Floresta e Supermercado Amazônia. Além do show em si, o DVD é também um documentário com entrevistas e clipes – a ser lançado em breve, nas melhores bancas de revistas (coisa das mais populares). 2008, aliás, promete... se até músicas dos caras estão sendo vendidas na WWW a 0,99 cents de dólar cada, sem que eles ao menos soubessem disso... bandalheira é pouco.

Pois foi nesse mesmo clima transloucado que esses bichos prepararam um puta evento pra relançar o “Formigando...”, aproveitando a deixa pra fazer uma premiére do DVD e lançar logo de uma vez o clipe e o site da band... opa. Mal aê. Desse “núcleo de produção de mídias digitais”.

Coletivo Rádio Cipó, pros mais chegados.

Posted by cacoishak at 8:53

pra quem tá em belém

quinta-feira, 20, às 16h, vai rolar o debate "Periféricos: a cultura underground como ferramenta social", no auditório do IAP – Instituto de Artes do Pará, com a participação de Carlinhos Vas (Coletivo Rádio Cipó), Bruno B.O (Alma Livre Sound System), Danilo Oliveira (Base-V), Otto (Alessandra Negrini) e do jornalista da revista Rolling Stone, Alex Antunes. a mediação será feita por este cretino que vos fala, caquisraque.

Posted by cacoishak at 8:48

coronel mostarda mandavisar

sintam o gostinho da perversão:

Posted by cacoishak at 8:44

14.12.07

curtas pra curtir

clepsidra amanhã. to querendo ir. ainda mais na faixa. se der, eu vou.

o puto véio biajoni acaba de relançar o sexo anal, agora em edição de papel comemorativa aos 10 mil downloads. pra comprar, entra aqui.

beatriz bajo tá com o conto fogo-fátuo e os cordéis de encantamento na revista confraria.

tá no ar o hotlink do documentário resistência.doc da minha grande amiga - e goiana - carolina dayer. ajudei no que pude, mas o mérito é todo dela e da equipe.

gabriela zago é a mais nova verbeatnik do condomínio. carne nova no pedaço? adoro.

e é isso. fim-de-semana de trabalho, esse.

Posted by cacoishak at 14:32

10.12.07

entrevista - pp condurú

Mais uma tarde de domingo na Cidade Velha, em que as famílias do bairro tombado por natureza se reúnem em frente às casas e fofocam sobre a vida alheia enquanto assam o churrasco regado à cerveja. Mais uma tarde quente e mormacenta de domingo na Cidade Velha. Não fosse em plena quarta-feira. Menos mal sendo o feriado da Adesão do Pará à Independência do Brasil. Troca-se o churrasco por uma lasanha de forno. As cervejas continuam. Comemoremos nossa liberdade, afinal. Ainda que a liberdade dos que trabalham. Livres, leves e soltos. Há quem pense não seja possível. Felizes dos que vivem à margem das impossibilidades, pois.

Toco a campainha do Casarão, espaço onde atualmente trabalha o artista plástico Pedro Paulo Condurú, o PP. Ouço uivos. Intermináveis. Os cachorros no porão não latem, cantam. Cada um numa toada. Falta-lhes um maestro. E também parecem felizes com isso. Ninguém atende à porta. O sol assando carne de cabeça. Toco de novo. Atravesso a rua e me protejo debaixo de uma sombra. Alguém aparece na janela do segundo andar. Identifico-me. A pessoa some. Reaparece já com o portão aberto. Convida-me a subir as escadas. Na sala, sentado em frente ao computador, ao me ver chegando, PP se levanta e estende a mão. Enfim, após tantos causos mal contados, estava frente a frente com o lendário pintor marginal paraense. De cara, concluo: adjetivos demais pra quem demonstra tanta substância logo numa primeira impressão. “Nem me lembrava que tinha marcado essa entrevista. Já pensou? Tiveste sorte”.

Compreensível. Faz tempo que PP não anda. Corre contra o tempo e contra todos para que tudo fique pronto até o dia 13 de setembro, quando do vernissage da exposição “À Luz do Sol”. Parte de uma série de eventos que farão a retrospectiva de seus 30 anos de carreira, reunirá algumas de suas mais de 700 pinturas na Casa das Onze Janelas, desde o primeiro desenho até as experiências na tela de um PC. Paralelo a isso, PP ministrará palestras e workshops no Instituto de Artes do Pará (IAP), órgão que também lançará, em edição de luxo, um livro com reproduções de sua obra, acompanhadas de textos críticos. Obras estas que ainda rechearão um DVD, junto com depoimentos de boêmios tarimbados como o poeta Max Martins, o fotógrafo Miguel Chikaoka, o arquiteto Paulo Cal, entre outros.

Interrompendo uma lasanha de forno entre amigos na tarde quente do feriado de quarta-feira – pausa entre um compromisso e outro –, consigo alguns minutos a sós com PP e seu copo de cerveja para conversamos sobre sua trajetória, a retrospectiva e, em meio a um realinhamento das idéias e outro, tentando tirar-lhe alguns desses acontecimentos que o tornaram lenda viva na cidade e fora dela. “Não existe esse papo de lenda, as pessoas é que não têm o que fazer e ficam inventando histórias. Tudo lenda, isso sim”.

IAP - Me fala um pouco da exposição que vai rolar em setembro.

PP - É tão legal essa exposição, que ela fala por si só. Ela tem a capacidade de envolver as pessoas de uma tal maneira, que, quem não se envolveu, é porque não entrou. É um trabalho que diz respeito às pessoas que estão nele envolvidas. Diz respeito à Belém, ao ser humano. Tem toda uma colocação humana nele. Todo esse respeito, esse comportamento vão agregando pessoas e a coisa vai tomando fôlego. A arte vai crescendo com isso, tornando-se uma expressão de todos. É legal porque cada um começa a ver coisas e partes que não via. Fico imaginando um indiozinho embaixo de uma árvore, num igarapé, com um livro desses nas mãos e viajando. Pensando assim: “mas esse pessoal de Belém é muito doido”. Isso seria bem legal.

IAP - E o que tu esperas que aconteça na cabeça desse indiozinho depois que ele conhecer teu livro?

PP - Aí é que tá. Espero que ele se valorize mais, porque esse trabalho está todo voltado pro bem do bem, não pro bem do bonzinho. É uma história assim: o que ele diz, o que ele veio a ser, é que você é legal. Não existe uma fórmula. Você é legal, então se valorize. E o indiozinho vai descobrir isso. O que eu fiz por mim... fui lá, não sabia desenhar, não tinha escola, nem nada. Mas aprende-se. Vai lá, fica o dia todo rabiscando, até tu aprenderes. É isso que eu estou passando para as pessoas. Vai lá também, risque, acredite. Então, eu acho que o mínimo que esse indiozinho vai sacar é que ele é do caralho.

IAP - Como é que foi pra tu começares a desenhar?

PP - O desenho sempre esteve na minha vida. Assim... o Presidente do Banpará e um dos Ministros da Justiça do Governo FHC eram meus vizinhos de casa, estudávamos na mesma escola, fomos escoteiros juntos. E eles faziam curso de pintura. Eu queria, só que era muito caro pros meus pais, eles tinham muitos filhos. Daí, entrei e saí. Mas fiquei com as tintas. No início, fiquei borrando. Mas a partir de 70, 72, eu passei a gostar mesmo. No livro, tem coisas dessa época, de 71. Bem legal.

IAP - Quais eram tuas influências na época? Quadrinhos, pintores?

PP - Não sei, não sei mesmo. Eu era muito ingênuo. Era uma coisa que vinha de dentro, queria me expressar. Influência nenhuma. Nada, nada... nada. Esse cigarro é teu?

IAP - Pode pegar.

PP - Não, pensei que fossem os meus. Não gosto desse.

IAP - Certo. Estava dando uma olhada no livro. Essas pinturas expressam...

PP - Não, olha. Dentro da exposição... esse livro que tu tens em mãos, por exemplo, está cheio de anotações. Esses textos estarão ao lado das obras na exposição.

(Tento ler as anotações. Não consigo me sair muito bem).

IAP - Idiota do cunhado... rabo de gato... não to conseguindo entender muito bem.

PP - Ah, tá. É porque, nessa época, o idiota do meu cunhado era meio chato e ele me mandou cortar o rabo do gato e eu cortei. E por aí vai...

IAP - Todos os quadros, então, têm uma história que será contada na exposição?

PP - É, sim. Olha, esse aqui também tem. E aquele... mas são histórias que só entram mesmo na exposição. Não entram no livro porque acho que, nessa hora, o livro tem que falar por si só, é um objeto. Não é uma amostra, que logo acaba. Vai durar pro resto da vida. Não me interessa ficar dizendo o que é e o que vai ser. A pessoa que tem que olhar e ver, curtir, viajar. Eu não vou pintar na tela o que eu poderia escrever no papel. Vou respeitar o material literário e o artístico. Não estou falando sobre escrever numa tela, coisa que já fiz e muito. Estou falando do tratamento que é dado pro papel e pra tela, diferentes. O mesmo se dá com o ferro, com o mármore. Pra cada um, tem um tratamento e tem que ser respeitado, senão tu quebras a cara. Até o sonho humano... se tu tentares pintar um sonho, tu vais quebrar a cara.

IAP - Sei... fiquei curioso pra saber um pouco mais sobre essas histórias que envolvem os quadros.

PP - É o que eu te falei. Essa exposição ficará em cartaz por quatro meses. Tu podes voltar aqui e a gente vai fazendo isso por capítulos, um por mês. Porque isso tudo reflete Belém. As pessoas não param pra ficar só nos quadros ou no livro, não tem essa. A muvuca em pauta que é legal. As pessoas sempre querem saber quem era que estava li, se teu pai, teu tio.

IAP - E os nomes serão revelados?

PP - Sim, vão. Vai ter uma pia batismal lá com o nome de todo mundo, das pessoas que ajudam, que atrapalham (risos). As anotações que estão nesse livro já estão liberadas. Se houver algum nome aí, vai sair. Mas acho que evitei isso ao máximo, acaba não sendo legal.

IAP - E o que tu acha de contar uma dessas histórias agora?

PP - Ah, eu tenho várias. Mas não, não. Isso é lenda e isso de alimentar lenda não é comigo. É que nem uma menina, restauradora, que chegou comigo dizendo que, dos artistas com quem ela trabalhou, eu sou o mais rebelde. Que eu devia me policiar e trabalhar com certos tipos de materiais. Qual resposta eu posso dar pra uma pessoa dessas? Olha, se não fosse eu, tu estarias desempregada (risos). Porra, a restauradora taí pra isso. Eu tô aqui pra aloprar.

IAP - Como se dá essa escolha dos materiais? Tu mudas constantemente?

PP - Sim, claro. Tudo ao mesmo tempo. Fiz o livro, o DVD e pinto. O computador te possibilita um mundo de coisas. Tô fazendo música, cara. Precisou de trilha pro documentário e eu tô fazendo. Nunca tinha feito música. Peguei o computador e baixei um programa. Comecei brincando, fiz umas três ou quatro. Depois, comecei a levar a sério. Fui tocando piano, fazendo melodia, bateria. Mas não me chama pra tocar piano de verdade, nem violão. Meu negócio é no computador.

IAP - Entendo... vamos falar, então, das exposições que tu já fizeste. Como o público encarava? Qual era a repercussão dos temas abordados? Me conta histórias...

PP - Ah, teve uma em que saiu uma entrevista no jornal e a exposição ficou lotada. Ela atingiu Belém em cheio. Isso foi em 1997. E eu não estava acostumado a isso. Meu trabalho nunca teve isso. Sempre fui rebelde, punk pra caralho. Mas não quero falar sobre isso, não. Não vou alimentar lenda. Tem muita coisa, muita gente tem muita história. Deixa que eles falem. Eu acho interessante a gente falar sobre fotografia. Sobre os materiais que eu uso, sobre por que eu levava essas temáticas, por que eu tomo essas atitudes e me posiciono e falo assim. Ninguém quase me pergunta sobre isso, sobre essa política...

IAP - Mas é justamente sobre isso que eu quero saber...

PP - Essa política de eu ter uma insônia e querer mostrar isso pra essas pessoas, que isso existe. Tem livro, tem exposição, não é lenda. É real. Esse é meu movimento político. Não tô aqui pra ficar levando lero, inventando história. Tá aqui, eu fiz. Se ninguém viu, eu também não. Então, pela primeira vez, eu tô vendo com todo mundo. E olha a cagada que é. Porque isso que é interessante, volta pra cidade.

IAP - Tudo bem. E como a cidade recebia tuas temáticas?

PP - Ah, era muito doido. E não só aqui. Eu viajei pra outros estados, onde fui censurado, amaldiçoado, essa coisa toda. Não tô nem aí, porque eu acredito nessa história da postura política, ética. Tudo isso reflete no meu trabalho. É Belém. É uma coisa justa. Vou teclar nisso. Mas, politicamente, acho isso tudo que acontece uma babaquice, só ladrão. E eu vou lutar contra isso e eles estão querendo me atrapalhar nesse trabalho, mas eles vão quebrar a cara.

IAP - Quem são eles?

PP - Eles são... não são do “Quem São Eles”.

IAP - E quais problemas eles te causam ou causaram?

PP - Eu chegar em São Luiz, por exemplo, porque tinha me emputecido com Belém, que era careta demais e queria um lugar pra morar. Já tinha morado no Rio, rodado um pouco. Aí, resolvi começar pelo Maranhão. Cheguei em São Luiz e o pessoal só pintava cavalinho, escadaria, praia, veleiro, mar. E, como eu já tinha feito aqui em Belém uma exposição sexual, que era muito engraçada, uma putaria do início ao fim... Belém era engraçada nessa época. Era menor, mas as pessoas eram malucas. Década de 80 no Bar do Parque. Parei de ir lá porque briguei com o cara que vendia cigarros. Toda vez, queria em enganar com 10 centavos, até que eu perguntei se eu era pai dele. Mas já fiz muita onda lá, minha vida era no Bar do Parque. Acho que umas cinco pessoas o citam nos depoimentos pro documentário. Chikaoka, Max Martins. É até engraçada a forma que eles dão esses depoimentos. Eu tive que puxar muito pra que eles falassem alguma coisa do meu trabalho. Eles se largavam... na exposição, nós passaremos esses depoimentos na íntegra. No DVD, estarão editados. Eu mesmo editei, tratei as imagens. Foram gravados numa máquina de fotografia... tecnologia é um barato. Baixo uns plug-ins lindos, maravilhosos, e me faço ficar loiro de sutiã bem rápido.

(A campainha toca. Os cachorros começam a uivar. Desculpa ideal para retornar ao foco).

IAP - Voltando pra São Luiz...

PP - Pois é. Lá, fiquei na casa de um jornalista e comecei a conhecer os artistas. Fui com dois tubos amarrados nos ombros. Um com papel em branco e o outro com trabalhos feitos. E assim fui viajar o Brasil. Isso, em 85. Daí, em São Luiz, onde foi censurada minha amostra sexual. Seria na galeria da Universidade, mas o Cônego foi lá e disse que era do diabo. Tivemos que mudar de lugar correndo, no mesmo dia. Colocamos aviso na porta avisando a mudança pra uma galeria alternativa, num casarão antigo, que era de um puta maluco. É engraçado que, até a hora da exposição, a gente ficou trancado numa suíte, sabendo que daria problema. Fomos lá, pregamos tudo com prego nas paredes, era essa a proposta. Daí, já frescaram, porque não podia furar a parede. Quando a gente viu, apareceu o Cônego dizendo que a Igreja não permitiria que a Universidade se associasse a esse tipo de coisa. Nessa hora, tinham uns repórteres do jornal do Sarney. Saiu, no Segundo Caderno, um desenho horroroso de uma mulher com uma tesoura cortando meus trabalhos com a manchete dizendo “A Censura Volta a Exibir suas Garras”. Por ser do Sarney, foi algo curioso. Mas do Maranhão fui pra Fortaleza e, de lá, acabei indo pra São Paulo direto. Demorou uns cinco anos pra eu voltar a Belém, embora viesse de vez em quando.

IAP - Por que a opção de seguir direto pra São Paulo?

PP - Eu fui de São Luiz pra Fortaleza porque o pessoal me disse... era assim: minha idéia era chegar numa cidade e as pessoas me dizerem com quem eu deveria falar na próxima cidade. Daí, em São Luiz, me disseram pra não ir a Teresina, tampouco a João Pessoa. Meu trabalho não seria aceito lá, perderia tempo e dinheiro indo pra lá. Chegando em Fortaleza, já tinha pouco dinheiro. A pessoa que ia me acolher, acabou não podendo. Me levou prum outro lugar e acabei dormindo no chão por alguns dias. Fui atrás de galerias e, nessa andança, conheci um artista plástico que morava em São Paulo, Siegbert Franklin. O trabalho dele era muito parecido com o meu. Ele adorou meu trabalho e já me apresentou pra dona da galeria, a Inês Fiúza. Vendi uma exposição inteira pra ela. Daí, o Siegbert me pegou e me levou pra uma casa chiquérrima, uma mansão. Mas não gostava muito, o pessoal era muito frio. E acabava voltando pra dormir na rede lá na casa onde estava. De todo modo, esse cara me convenceu de que o resto do Nordeste era uma merda e que minhas opções eram Vitória, Brasília, São Paulo e Belo Horizonte. Entre Minas e São Paulo, essa última era onde eu tinha de ir pra brigar e mostrar meu trabalho. Fui. O Siegbert me acolheu nos primeiros dias e depois fui me virando.

IAP - Como foi a experiência em São Paulo?

PP - O Siegbert me apresentou aos donos das galerias com que ele trabalhava. Só que não deu certo, era tudo muito brega. Eu não gosto de galerista, sabe. Eles adoram comprar calças de tergal, essas coisas. Eu passo. Os caras têm direito a comprar teus quadros por 50% do valor. Chega na galeria, eles ainda aumentam o valor em 10% e inflacionam tua obra. Não trabalho com galeria, é muito raro. Nunca tive sorte.

IAP - E São Paulo?

PP - Ah, lá eu era punk. Conheci muita gente legal. Mas eu era porradeiro, de virar mesa em discussão sobre arte com os artistas lá. Quebrava o pau. Foi onde aprendi a ser mais profissional, a saber o que eu queria e a expressar isso. De outra maneira, não dá certo. Não consigo ser outro. E lá eu era muito punk, fui alcoólatra. Até que eu me esbarrei num caboclo, Pena Dourada. Tenho esse lado místico. Esse caboclo deu um norte pra minha vida. Foi uma época em que eu estava muito doido mesmo, sem nó nem estribeira. Tive que fazer operação no estômago. Estava muito ruim, muito mal. Alguma coisa estava errada comigo. E eu tinha conhecido uma pessoa em 82, em Belém, mulher de um fazendeiro baiano, que havia comprado uma obra minha. Ela gostava tanto da obra que, quando se separou, foi pra São Paulo e levou o quadro com ela. Virou artista plástica e mantemos contato através de uma amiga em comum. Foi ela quem me levou pra essa Entidade. Cara, minha vida mudou todinha. Já no primeiro dia, esse caboclo me deu um norte e me disse “mermão, rasga”. Isso já foi no final de São Paulo, em 90. Então, um dia cheguei pra ele e disse “olha, eu tô indo embora pra minha terra. Tu não achas covardia?”. No que ele me respondeu “não, é melhor do que viver chorando”.

(Nisso, alguém parece. PP tira um sarro).

PP - Porra, mas tu não paras de falar, desde manhã cedo. É pra jornal, pra revista. Olha, isso já não tá muito grande? Tu estás levando problema pros teus chefes, eles vão te matar.

IAP - Problema nenhum. A gente edita. Mas só se for o caso.

PP - É legal, isso. E tem uma coisa assim, que meu trabalho... ah, o Pena Dourada. Tenho que acabar de falar dele. Ele acabou de me apitar. Tenho que pedir a benção. Ele sempre me protege, ele gosta do que eu faço. Não chama de pintura, nem de desenho. Fala “essas coisada que tu faz, essas coisada que eu não entendo”. Ele é um indiozão, dá cada porrada no peito. É um índio louco.

IAP - Um índio de São Paulo?

PP - É, mas ele me deu o Norte. Foi ele quem me deu o toque de que Belém era tudo de bom. Ele me ensinou uma coisa: “Seja feliz antes de morrer”. Antes, eu era muito impertinente. Ainda continuo tendo essas falhas humanas, mas quem não tem? Porra, eu era impertinente pra caralho. Se me irritavam, eu já ia logo pra cima. Hoje, dou até sorriso.

IAP - E essa volta pra Belém, como foi?

PP - Ah, foi legal. Como eu me visto, desde 74, com as roupas que me dão, antes eu era escorraçado da sociedade. Me viam como um hippie, um maltrapilho. Hoje, é moda. As filhas desses filhos-da-puta todos vestem minha roupa. Isso é Belém hoje. É engraçado. Como quando fomos fotografar as obras pro livro. Quem vai fotografar? Faz a lista de quem tem as obras, te lembra aí. Fulano de tal comprou esse, sicrano comprou outro. Vai na casa desses caras, liga, fala que a gente quer fotografar. Cadê os quadros? Porra, eu já me separei, ficou minha ex. Passa o telefone da ex. Porra, ficou com meu outro marido. Todo mundo que comprou na década de 80, acabou se separando na década de 90. De 95 em diante, estava despirocado o barato. Isso é Belém, socialmente falando. O comportamental sexual das pessoas. Isso é legal. Através desse trabalho, a gente viu isso claramente. O que já daria uma nova viagem, novos trabalhos.

IAP - Pois é, chegamos ao ponto. Era isso que eu estava querendo. Uma leitura tua dos teus trabalhos.

PP - Ah, mas é muita história. A gente podia ir conversando durante esses quatro meses. Mas tu estás pegando coisas que são poucos que pegam. Os caras costumam chegar e perguntar um monte de besteiras. Só faltam me perguntar se eu gosto do Calypso. E eu gosto. Vou te falar mais ainda. Fiquei fã da Joelma ainda no Fruto Sensual. Mandei comprar aquele disco que tinham as músicas das aparelhagens. Ninguém mais tinha. A única pessoa que tinha era a Úrsula Vidal, a Joelma tinha dado pra ela. Pedi pra ela copiar e ainda tenho até hoje. Escutava pra caralho. Não tenho esse mea culpa, não. Eu gosto. Só que agora tá enchendo o saco e eu não gosto mais.

IAP - Indo por esse caminho, então, do que tu gostas atualmente da cultura paraense?

PP - Égua, tem muita gente boa de tudo quanto é naipe. Na minha época, a gente contava no dedo. A gente ficava esperando um vernissage pra beber vinho de graça e nada. Isso, na década de 70. Não havia oportunidades, era uma escassez cultural. A gente aprendia tudo através dos livros como aquela coleção “Gênios da Pintura” ou cursos esporádicos, pingados aqui e ali. Ainda tinha a ditadura pra complicar. Os artistas eram todos camuflados. E nós, adolescentes, pensando que estávamos abafando, pra lá e pra cá. Nos juntávamos com artistas de outras áreas pra poder fazer, gritar. Foi quando eu parei de estudar, foi um movimento político meu, porque não acreditava naquela escola, a UFPA era uma Rede Globo. Nem sei como é hoje em dia. Na minha época, a gente era cobaia e eu mandei tudo à merda. Briguei com meia família. Só minha mãe e minha irmã mais velha falavam comigo. Meu pai já tinha falecido. O resto, tio, avó, ninguém falava comigo. Foi quando rolou minha primeira exposição, em 76. Larguei tudo pra fazer isso e me virar.

IAP - O que tu chama de te virar?

PP - Uma vida ralada mesmo. Viver de pintura não é fácil. Quando comecei esse projeto do livro, teve uma época em que fiquei seis meses com a água cortada e não tinha tempo pra parar. Eram 700 imagens que tinham que ser tratadas. Então, tomava banho na casa da vizinha, almoçava na casa dos outros. Isso é viver de arte. Até acredito em quem encara a arte como hobbie, mas acho minha consciência legal.

(essa aí também era pra ter sido publicada na revista do iap, que não saiu por falta de verba)

Posted by cacoishak at 15:59

6.12.07

olivia mandavisar

Posted by cacoishak at 21:56

3.12.07

my pussy jack

perguntaram
se era kerouac

respondeu que não

meu gato é
sparrow

Posted by cacoishak at 14:55

sinimbú mandavisar

Posted by cacoishak at 0:26