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28.11.07
memórias de uma viagem particular

O ano era 1988. Apesar de minha pouca idade – 7 anos na época – fui premiado com a sorte grande de ter um pai que, além de apreciador da boa música, levava-me consigo pra tudo quanto era lado. Lembro-me do velho falando em pegar a estrada e rumar ao norte do continente, onde um dos grandes eventos do século aconteceria entre quatro paredes. E lá fomos, sem lenço nem documento, em seu Dodge 67 pelas estradas da América Central. Não podíamos perder tempo. Os Traveling Wilburys estavam a nossa espera.
Nelson Wilbury, Lefty Wilbury, Otis Wilbury, Charlie T. Wilbury Jr e Lucky Wilbury – os músicos da banda, por supuesto – tinham conhecido meu pai havia alguns anos, na Inglaterra, enquanto ele fazia seu doutorado sobre a semiótica na psicanálise das letras de canções tocadas de trás para frente. Seu orientador, figura tarimbada do meio musical, belo dia levou meu pai pruma festa estranha com gente esquisita, onde ele acabou conhecendo os músicos. Ficaram chapas pra toda uma vida. Como não podia deixar de ser, eu também estava na tal festa, apesar de não lembrar de nada, senão pelas fotografias onde podemos ver o bebê Ishak tomando sua vitamina adubada nos braços de Dylan - Dylan?
Sim. Bob Dylan. Ou Lucky Wilbury, como se rebatizou em 1988 para a gravação do célebre disco homônimo dos Traveling Wilburys. Nelson era George Harrison, Lefty era Roy Orbison, Otis era Jeff Lyne e Charlie T. era Tom Petty. Nas baquetas, não havia Wilbury algum, mas Jim Keltner judiando das peles da bateria com suas baquetas endemoniadas. Sim. Chegamos a tempo e eu estava lá.
Segundo meu pai, o encontro entre os músicos tinha como propósito apenas a gravação de uma faixa, "Handle with Care", que encartaria o lado B do single "This Is Love", parte do álbum que Harrison estava então gravando, "Cloud Nine". No problemo, teria dito meu velho. Aquilo era a história viva que podia se materializar diante de seus olhos e ele queria estar lá.
Após dias de penúria e aloprações na estrada (picadas de um escorpião do deserto e alguns peyotes pelo caminho), chegamos sãos e salvos e alguns quilos mais magros. Fomos recebidos com festa pelos amigos de meu pai, que me jogavam por cima de suas cabeças e me davam bolos, que – hoje vejo -, eram um tanto suspeitos, de fato. Festa esta, aliás, que reinou durante todo o período de gravação – não apenas um dia e uma faixa, como o esperado, mas dez dias inteiros dentro de um estúdio, onde – com a colaboração de meu pai, diga-se – o grupo acabou gravando e produzindo um disco inteiro.
Em 1990, ainda se reuniram novamente pra gravar mais um álbum. Nessa última reunião, porém, não pude estar. Já era mocinho e tinha meus compromissos no ginásio. Pouco importa. A história já havia sido escrita em minha memória.
Qual não foi minha surpresa, no entanto, ao acessar um zine eletrônico dia desses e descobrir que, após quase vinte anos, Os Travelling Wilburys estão de volta. Não em carne e osso, claro – nem todos podem se dar a esse luxo (que o diga George Harrison). Os CDs lançados em 1988 e 1990, porém, foram relançados no pacote The Traveling Wilburys Collection.
Não apenas os dois discos, no entanto (que trazem, inclusive, quatro faixas bônus). O pacotão inclui, também, um DVD, que traz cinco videoclipes e um documentário sobre as gravações do primeiro álbum. Sim. Eu estava lá. E mal posso esperar pra me ver na telinha, tanto tempo depois, viajando com os Wilburys.
(isso aí foi uma "cobertura" que escrevi em pouco mais de 30 minutos hoje de manhã pruma prova na faculdade, sem pretensão alguma... mas acabei curtindo o resultado final e resolvi publicar por aqui - sem revisar, nem tirar ou colocar porra nenhuma a mais. como disse, totalmente despretensioso - pura diversão)
Posted by cacoishak at 14:21
27.11.07

Wander Wildner volta a se apresentar no Bar Camalehon em Säo Paulo dia 29 de novembro, dando inicio a mais uma temporada de shows que se estende pelas quintas-feiras de dezembro.
O novo show solo SIMPLES E SOFISTICADO trás um repertório com algumas músicas novas (La Cancion Inesperada, Mares de Cerveja, Bocomocamaleäo, Filme Chinês e Os Pistoleiros) que fazem parte de seu novo disco em fase de mixagem pelos produtores Kassin e Berna, outras de seus discos antigos (Mini-twin, Damas da Noite, Pablo adonde estás? e Narciso Invertido), e algumas inéditas (Albert Einstein, Español e Team Zissou).
Show : WANDER WILDNER - SIMPLES E SOFISTICADO
Local : Bar CAMALEHON - Rua Piauí 103 - Higienópolis
Datas : Estréia dia 29 de novembro
Temporada segue nos dias 6, 13 e 20 de dezembro - QUINTAS-FEIRAS
Horário : 22 HORAS
Ingresso : R$10
Capacidade : 70 pessoas
Informações : FONE 32944614
visite os sites
www.wanderwildner.com.br
www.ijigg.com/profile/wanderwildner
Posted by cacoishak at 10:16
de gonzo no busão
– Pois é, bicho, tão proibindo a entrada desses vendedores de bala nos ônibus de Belém.
– Como assim? Quem tá proibindo? Por quê?
– Daí, já não sei. Te vira. Descobre. Mas, prestenção... vai a caráter.
E lá foi o Caquisraque, rumo a mais uma das roubadas em que, desde pequenino, estou acostumado a me meter. Ambulante de busão por um dia, a pauta. Seus desdobramentos ficariam por minha conta e perspicácia. O importante era reconhecer o terreno. Um dia normal de trabalho como outro qualquer, a movimentação de um piquete em frente ao órgão responsável pela proibição, coquetéis molotov nas conduções em forma de protesto. Todo esse resto dependeria de uma decisão minha. Tinha dez reais no bolso e a timidez de um líder nato. Pra descobrir, era só começar.
Antes, porém, a caracterização. Camiseta do tempo do ronca, tão puída quanto o bermudão surrado de quando tinha dezessete anos, chinelas velhas deixando à mostra as unhas dos pés por cortar havia algumas semanas (fazendo par com a barba mezzo hippie da República mezzo terrorista islâmico) e um boné promocional de casa de material de construção pra proteger a calva do sol. O espelho me dava os parabéns – ainda que com certo cinismo nos olhos.
Do cínico ao estranho, foi um passo. Alguns vários, a bem da verdade, do caminho de casa até o ponto de ônibus mais próximo, sob o estranhamento dos que me conheciam da rua onde moro. Um e trinta e cinco pela passagem (em tempo: subiu quinze centavos desde então). Em minutos, chegaria à Travessa Marquês de Pombal, bem ao lado do Ver-o-Peso, onde investiria meu precioso montante em mercadoria. No trajeto, um ambulante tentou embarcar. Foi barrado. Da janela, fitei seus olhos. Era estrábico. E manso, talvez de acostumado. Não praguejou contra o motorista, nem nada. Já foi fazendo sinal pro próximo que chegava.
Desembarquei. Três lojas me ofereciam produtos dos mais variados, apesar de todas terminarem seus nomes com “caramelo”. Restavam-me oito reais e sessenta e cinco centavos. Sete e quinze, pra ser honesto. Um e cinqüenta (em tempo: subiu dez centavos), tinha investido num maço de cigarros pra agüentar o tranco numa boa – ambulante também é gente e fuma, afinal.
Após entrar e sair dos estabelecimentos várias e várias vezes, analisando preços e doces e levantando suspeitas, decidi-me por uma caixa de pastilhas de hortelã com quarenta unidades. A mais barata, por seis e setenta (em tempo: não sei quanto subiu). Cinqüenta centavos a menos do que a marca concorrente. Minha matemática: cada unidade tinha dez pastilhas; quarenta unidades, faz as contas, arredonda, uma unidade a dezessete centavos; menos de dois centavos por pastilha; dobra o preço, arredonda, quarenta centavos a unidade; faz um desconto amigo por arredondamento, três por um real e ainda sairia com cinqüenta de lucro; uns sete reais pela caixa; no dia seguinte, daria pra duas – houvesse dia seguinte.
Saí da loja com um sorriso de quem estava certo de ter feito bom negócio. Passava um pouco do meio-dia. Barriga vazia. Perto dali, um senhor vendia suco e salgado a cinqüenta centavos (em tempo: não subiu nada). Faltavam-me cinco. Meu tino pro comércio em cena novamente. Acabei inteirando com uma menta. Estômago forrado e sem mais tostão no bolso, a Avenida 16 de Novembro me parecia longa como nunca sob o sol do mercado. Não tão longa, entretanto, quanto a Almirante Barroso, meu destino e via predileta dos ambulantes. Hora de partir.
Mas, calma aí. Não tinha pensado no fundamental: um discurso. Logo eu, que sou péssimo na oratória e não levo jeito nem pra pedir passagem no meio da multidão (pânico de multidão, aliás, é o que sinto; acabo ficando paralisado no mesmo lugar). Claro que não precisava bolar um senhor tratado sobre a mazela que é isso de se viver no mundo cão roendo osso na falta de carne farta na bisteca pra lamber os beiços de gordura. O que não podia, também, era chegar lá com a cara mais lavada do mundo e simplesmente sair despejando pastilhas de hortelã no colo dos outros. Pagar uma de mudinho... talvez até emplacasse. Encenação demais pra quem nunca havia pisado num palco. Não daria, mesmo. Algum monólogo tinha de ser preparado, ainda que dos mais canalhas.
A questão era só uma: por qual linha de sermão enveredar. Imagens sentimentalóides e carregadas de emoções piegas, que despertassem a compaixão dos passageiros? Frases de impacto raivosas contra o sistema e o maldito capitalismo selvagem e seus porcos imundos que chafurdam na lavagem de dinheiro? Fazer o tipo maluco travado, engasgando nas palavras e caprichando nos cacoetes com os olhos ao jogar um dos ombros pra trás, cabeça penda? Ex-tudoquenãopresta convertido à Igreja Adventista do Sétimo Dia ou o engraçadinho gente boa que tira barato com todo mundo e das moçoilas um sorriso com a mão tampando a boca? Caso sério...
Cara de coitado, não tenho mesmo – não importava o quão farroupilha me dispusesse a ficar, meus dentes, rugas e calos continuariam em seus devidos lugares. E meu biótipo, definitivamente, não é o de um caboclo amazônico – do alto de meu metro e oitenta, tez leitosa e nariz afilado. Complicava. O discurso seria decisivo, portanto. A escolha tinha de ser batata. E rápida.
Não me permiti pensar duas vezes e decidi encarnar o desempregado de descendência mineira com sotaque nordestino, sozinho na vida e importado do sul do estado pra trabalhar como vigia noturno numa das recentes incursões comerciais de meu antigo patrão e que, chegando à cidade grande, fora dispensado sem mais nem porquê, ficando às mínguas, só com alguns trocados no bolso, os quais acabei investindo nas balas que ora vendia na esperança de juntar uma quantia que fosse pra poder comprar um bilhete de volta ao interior e recuperar a honra perdida estourando os miolos do cabra safado que havia me mandado praquele inferno. Esta última parte seria segredo, claro. Mera licença poética personalíssima pra que eu mesmo pudesse acreditar no que estaria falando e incorporar a personagem com louvor.
Se daria certo ou não, era pagar pra ver. Tanto melhor: entrar de graça, oferecendo balas. De cara, já saí dando sorte. O primeiro motorista não impôs barreiras e embarquei numa boa. Ao menos, até a roleta, onde me enrolei um pouco na hora de passar. Não podia passar, por supuesto. Não estava pagando por meu bilhete. Ambulante inexperiente, acabei entrando pela porta errada, a da frente, quando o certo seria entrar pela porta de saída e não ter de enfrentar a catraca. Perder a oportunidade do primeiro ônibus, também não perderia. Seguir adiante, custasse o que fosse. O cobrador, então, bem camarada, deu-me as duas únicas e óbvias opções: vai por cima ou por baixo, meu amigo. Se por baixo, só engatinhando. Pedi que, por favor, segurasse minha caixa de hortelãs e dei um salto. Não caí por pouco. Logo me recompus. Nada se comparado a enfrentar minha primeira platéia.
E deu branco. Todo o discurso previamente preparado, revisado e recapitulado não sei quantas vezes, desapareceu da memória tão logo levantara o rosto e encarara os passageiros. Ergui as sobrancelhas. Todos me fitavam em silêncio. Ou pedia desculpas e tratava de dar o fora dali (o ônibus em movimento) ou me virava de algum jeito. Saí-me com essa: tenho braços, pernas, saúde e disposição. Só não me perguntem por que não tenho emprego, porque essa nem eu sei responder. Mas sei vender balas de hortelã. Uma por cinqüenta, três a um real. Não pareceram gostar muito do humor negro num vendedor de balas e acabei descendo sem cliente satisfeito algum.
Ônibus seguinte, embarquei sem contratempos novamente. A proibição não parece ter surtido efeito, afinal, na Cidade Velha. Dessa vez, já escolado, consegui convencer dois passageiros a levar um pacote promocional cada. A sorte voltava a estar do meu lado. Não por muito tempo, porém. Uma questão de nos aproximarmos de Batista Campos e a magia pró-autônomo se dissipar.
Demorei até ter a chance de embarcar num outro coletivo. Ainda que por engano do motorista, pensando se tratar de um pagante como outro qualquer. Um grupo conhecido de emos, sentados no fundão, ria enquanto o condutor me apontava a câmera filmadora acoplada ao teto como forma de fiscalizar a entrada de meus colegas de atividade. Não soube me responder o porquê daquilo, nem se a proibição se restringia a menores de idade (como a Procuradoria Regional do Trabalho procura justificar a medida, segundo Delso Souza, consultor técnico da Setransbel – o sindicato patronal dos rodoviários: “a solicitação do Ministério Público já vem desde o ano passado pra não deixar a entrada de menores que vendem bala. Chamou as empresas e fez com que assinassem um termo de conduta nesse sentido”), embora acreditasse ser em razão do bem-estar dos passageiros, segundo escutara numa das reuniões do sindicato. “Vocês incomodam demais, vai descendo”, ao que agradeci e me retirei de sua condução – ou fui expelido, vez que mal colocara um pé no asfalto e ele já acelerava. Os emos vibravam.
Não foram os únicos a quase arruinar o disfarce, no entanto. Ao longo do percurso, ainda me depararia com uma antiga babá, desconsolada ao me ver naqueles trajes e situação (acabou levando dois reais de menta), e com um incrédulo Ricardo Maradei, da banda Stereoscope. Da primeira, custei um tanto pra me livrar, caprichando na atuação. Já o segundo, simplesmente ignorei e por ele fui ignorado, como, aliás, em todos nossos encontros pregressos e posteriores. Não que fosse necessário alguém, a bem da verdade, pra colocar tudo a perder. Eu próprio era auto-suficiente nesse sentido. Só o tempo de aparecer um esperto pouco além da média.
Apareceu Zé Neto. Vinte e nove anos, unhas em circunstâncias bem piores que as minhas, cabelos longos presos num coque. Desempregado faz dois anos, encontrou na venda em coletivos uma alternativa pra lá de viável no sustento da família – mulher e filha. Chega a tirar vinte, trinta reais por dia com balas de chocolate mentoladas a dez centavos cada. De fazer inveja aos quatro reais que até então levava no bolso.
Pela conversa que travamos nos vinte minutos em que esperávamos um ônibus que nos acolhesse em plena Av. Nazaré, concluí que o fracassado era eu mesmo, vez que era essa a média tirada pelos demais ambulantes (Roberto Sena, supervisor do Dieese no Pará, não soube informar o número exato de quantos estão nas ruas – pro Departamento, eles simplesmente não existem). Zé Neto, de poucas palavras e pra lá de desconfiado com tantas perguntas, mostrou-se bastante inconformado com a proibição, embora não tenha me dado muita bola quando sugeri que organizássemos uma passeata em frente a algum órgão – não havia tempo pra isso em meio à escassez de coletivos, deduzi. Um ônibus parou, enfim. O motorista consentiu que embarcássemos. Dei a vez a Zé Neto, que não estava ali a passeio. Subiu sem se despedir.
Ainda o encontraria ao longo da Almirante Barroso até o Entroncamento, meu destino final. Mas era tentar uma aproximação, pro sujeito logo se afastar. Deve também ter dado um jeito de avisar aos companheiros que havia carne nova no pedaço, que ficassem espertos. Encaravam-me de modo estranho – um cana infiltrado? Faria sentido, de acordo com Delso: “A implantação das câmeras foi idéia nossa pra conter a violência nos ônibus. A polícia não tem condições de resolver o problema sozinha, não tem como colocar um PM em cada ônibus. A experiência em São Luiz tem dois anos e vem dando certo, com resultados muito bons. Aqui, 45% da frota já possui duas câmeras instaladas que observam todo o comportamento dentro dos ônibus. A fita é recolhida e analisada por dois estagiários que fazem o monitoramento. Quando algo é detectado, encaminhamos pra polícia. Já houve uma redução de 70% dos assaltos desde a medida”.
Pois bem. Acabei observando tudo de longe. Todo o processo de persuasão e o faturamento. Conclusão: em Belém, tanto melhor se vender picolé, chopp, dessas especiarias geladas – ninguém aqui se importa com o hálito. Ou balinhas de 10, 20 centavos, com um papo pra lá de canalha. O que me leva a uma outra conclusão, ainda mais sagaz: sou um fracasso como comerciante. Não nasci pra ganhar dinheiro. Ponto.
Com a caixa de hortelã quase intocada, resolvi tomar o rumo de volta. Desta vez, a demora e as recusas compensariam. Um só motorista que me aceitasse e estaria em casa. Era só esperar. Quinze minutos. Meia Hora. Paciência esgotada. Tentei entrar em um na marra. Quase fui levado com o braço preso na porta. Xinguei o motorista e suas gerações, até a quinta. As pessoas me olhavam assustadas na parada. Baixei a cabeça, envergonhado. Um tanto puto da vida. Mais quinze minutos. Contei os borós. Daria pra pagar a passagem. Sobraria pra um maço. Embarquei no ônibus seguinte. Quem dirigia era um senhor de idade. Foi simpático na abordagem.
“A função do motorista é dirigir o carro. Ele cuida da vida de 70 pessoas, em média. Tem que estar concentrado em seu trabalho. Não dá pra ficar decidindo quem pode entrar ou não com passe livre”. As palavras de Delso ecoavam em minha cabeça. Cheguei em casa. Joguei as moedas na cama. Tomei um banho. Peguei as chaves do carro e fui tomar uns goles pra relaxar um pouco após um dia de trabalho pesado.
(essa matéria era pra ter sido publicada na revista do iap. faltou verba. a revista não saiu. desovo por aqui)
Posted by cacoishak at 4:34
26.11.07
taca farinha nisso
Uso de metanfetaminas cresce na Europa Central. Laboratórios caseiros da droga estão se espalhando pela região. Entorpecente é fabricado a partir de remédio para resfriado.
Posted by cacoishak at 18:38
24.11.07
ana rüsche mandavisar

mais informações, aqui.
Posted by cacoishak at 2:38
angélica freitas mandavisar

Posted by cacoishak at 2:28
20.11.07
uma das tantas
meu template tá todo cagado. é, eu sei. só não sei exatamente por onde começar pra arrumar tudo de novo e colocar o cu do sapo no lugar, decodificar essas figuras estranhas entre as letras e jogar de volta os links aí da barra ao lado que sumiram. essa é uma das pendências.
Posted by cacoishak at 14:15
arruma um tempo
e lê os três contos que a natalia brabo colocou no blog dela, dogs are everywhere. aproveita e lê o primeiro capítulo d´a governanta e depois entope aquilo de mensagem pra ela tomar vergonha na cara e continuar a escrever.
Posted by cacoishak at 14:13
tony monti mandavisar
Posted by cacoishak at 14:11
19.11.07
glauber shimabukuro

altas doses de lisergia com esse japa dos infernos na baixocalão.
Posted by cacoishak at 22:46
presente de natal
A editora gaúcha L&PM acaba de lançar no Brasil seu livro de versos mais famoso: “O amor é um cão dos diabos” (Love is a dog from hell, no original). Escrito entre 1974 e 1977, teve como inspiração os relacionamentos retratados no romance “Mulheres”, sendo que ambos títulos foram publicados quase ao mesmo tempo. “Love is a dog from hell” é seu livro de poemas mais vendido nos EUA, e finalmente se encontra a disposição dos fãs brasileiros. A obra tem 304 páginas e custa cerca de R$ 35.
(OS ARMÊNIOS)
fica aí a sugestão.
Posted by cacoishak at 22:44
16.11.07
sandré morelatto sarreta

pra constar... na baixocalão.
Posted by cacoishak at 13:25
scott mandavisar
NA TÁBUA (PAULO SCOTT, FABIO ZIMBRES & CONVIDADOS)
Projeto criado pelo escritor Paulo Scott e pelo ilustrador Fabio Zimbres, cuja proposta é fazer um misto de literatura e artes visuais, democratizando pequenos textos literários associados a ilustrações. A apresentação é realizada em cartazes que ficam alojados em lugares onde o público possa admirar com um olhar mais atento.
O processo de criação será discutido num encontro de Paulo Scott com Fabio Zimbres, mediado por Ronaldo Bressane, em formato de bate papo para dialogar sobre o processo, o trabalho e a história.
Dez cartazes foram criados especialmente para a Mostra. Os criadores (Paulo Scott e Fabio Zimbres) dialogam seus textos e ilustrações com cinco escritores e cinco ilustradores convidados. Estes cartazes serão expostos no SESC Ipiranga e as outras 15 edições, num total de 45 cartazes, serão expostas em diferentes pontos do entorno da unidade.
Na tiragem especial, o escritor Paulo Scott cria textos inspirados nas ilustrações dos artistas convidados (Jaca, Laerte, Allan Sieber, Caco Galhardo e Daniel Bueno) e o ilustrador Fabio Zimbres cria desenhos a partir de textos dos autores convidados (Antonio Cicero, João Anzanello Carrascoza, Marçal Aquino, Joca Reiners Terron e João Paulo Cuenca).
SESC IPIRANGA
De 13 de novembro a 02 de dezembro
SESC Ipiranga
Área de convivência
Terça e sexta, das 9h às 22h
Sábados, domingos e feriados, das 9h às 18h
Grátis
Encontro com os criadores Paulo Scott e Fábio Zimbres
Mediação: Ronaldo Bressane
Auditório
01 de dezembro, sábado, 15h
Grátis
PRIMEIRO POPULAR SESC DE RUÍDO E LITERATURA (VÁRIOS ARTISTAS)
Apresentado pelo escritor Paulo Scott, o Primeiro Popular é composto por cinco blocos de intervenções literárias e musicais, marcadas pelo improviso e realizadas por duplas ou trios de convidados, que duram cerca de 20 minutos cada. Sob parcerias inéditas e consagradas, aglutina relevantes nomes da produção literária e musical urbana contemporânea.
SESC CONSOLAÇÃO
Área de Convivência
Período: 14, 21 e 28/11, quartas, às 19h30, Grátis. 200 LUGARES
Dia 14/11: Paulo Scott (RS), Flu (RJ) & Wander Wildner (SP); Chacal (RJ) & Omar Salomão (RJ); Fernanda D´umbra (SP) & Flávio Vajman (SP); Bruna Beber (SP) & Daniela Arrais (SP); Marcelo Montenegro (SP) & Fábio Brum (SP).
Dia 21/11: Paulo Scott (RS) & Flu (RJ); Xico Sá (SP) & Joca Reiners Terron (SP); Valério Oliveira (SP) & Nelson Oliveira (SP); Fabrício Carpinejar (RJ) & Fernando Chuí (SP); Fernanda D´umbra (SP) & Flávio Vajman (SP).
Dia 28/11: Paulo Scott (RS) & Daniel Galera (SP); Frank Jorge (RS) & Mauro Dahmer (SP); Sérgio Mello (SP) & Marcello Amalfi (SP); Marcelo Montenegro (SP) & Fábio Brum (SP); Rodrigo Penna (RJ) & Luciana Pessanha (RJ).
Posted by cacoishak at 13:21
15.11.07
carne de cabeça

No mike, Lázaro Magalhães postula: "Brasileiros invadem o mundo da moda / pra fazer seu tudo todinho igual". Córtex, segundo disco da paraense Cravo Carbono, rola solto e já estamos na terceira faixa – quase um samba com participação nos vocais de Sammliz, da Madame Saatan. A letra continua: "brega é ser brasileiro". Recado dado... certo? Errado. Pura ironia de quem lança mão de um caldeirão rítmico amazônico, tão em voga, pra fazer seu roquenrou todinho diferente. Brega, tecnobrega, guitarrada, zouk, carimbó... até os mais papa-chibés, acostumados aos conceitos, estranharão o que está por vir neste emaranhado vanguardista no limiar entre o regional e o popularmente brasileiro.
Mas sabem bem o que estão fazendo, esses meninos. E o fazem com a autoridade de quem já está há dez anos experimentando em estúdios e palcos e quartos de suas casas. Só na gravação de Córtex, foram três anos. "O dinheiro que tínhamos nas mãos após conseguir patrocínio com a lei de incentivo municipal era curto. Seria impossível gravar tudo o que imaginávamos no estúdio APCE de Belém. Resolvemos então racionalizar o processo, deixando para o estúdio apenas baterias, vozes, percussão e toda a produção que seria impossível ser registrada em casa", revela o vocalista.
Nesse período, Lázaro, os guitarristas Pio Lobato e Bruno Rabelo, mais o baterista de mão cheia Vovô lapidaram as faixas – algumas, já hinos em Belém – como Marx Marex, caçador dos mangues, "o cara mais moderno que já conheci / usa tecnologia de ponta pra caçar siri". Não há na cidade quem não saiba cantar. Tanto, que virou história em quadrinho pelas mãos de Marcelo Marat (os mesmos que ilustram o belo encarte do disco, dividindo espaço com fotografias de Renato Reis).
Fotos estas, aliás, que traduzem bem o espírito da banda. Abra os olhos, expanda a mente, parecem dizer. Pio com óculos de K7. Lázaro raspando os cílios com gilete. Vovô com visão de fones-de-ouvido. Bruno entreolhando-nos por fitas juninas. "Já tínhamos uma velha brodagem com o Renato Reis, nosso sexto elemento. O Renato tinha feitos algumas fotos de divulgação e surgiu a idéia de um ensaio fotográfico que pudesse resumir a idéia do disco, Córtex, cérebro, carne de cabeça. Conseguimos um apoio para entrar no estúdio da Faculdade do Pará, FAP, e passamos uma tarde fotografando cabeças. Essa era a idéia: apenas cabeças, com todo tipo de acessório possível e imaginável. O Pio não apareceu no estúdio, e o Renato acabou improvisando as últimas imagens na casa dele. Fizemos dezenas de fotos. Ficaram as melhores. Apesar dos contratempos, gostamos muito do resultado".
A cada faixa escutada, uma imagem tão estranhamente instigante quanto, a cada letra lida e ruminada – o que Lázaro escreve é poesia e das melhores feitas no país. Exemplos disso: "Seguro morreu de velho e o velho ainda rendeu o seguro", do quase afoxé Vale Quando Pesa; "Gargalo pinga água de fogo / na língua fogueira do meu assanhar", do quase zouk Arraial; "Agora me importa o vazio (meu deus é o amor)", da densa Canção à Prova D'Água; "Inventando uma dança danada / para a manifestação do nada / para a amplificação do nada", da tudo-ao-mesmo-tempo-agora Supernada; "Hoje não tem café / porque não tem açúcar", nem gás, nem copo ou água, colher ou filtro. Café BR, isso. Bregão dos bons.
Uma banda de virtuoses, poderíamos dizer. Pois não foi Pio Lobato a cabeça por trás dos Mestres da Guitarrada? Pesquisador de ritmos regionais, quem acabou levando pra banda toda uma gama de timbres e influências. Personagem principal da quarta geração dos guitarreiros, ao lado de Bruno Rabelo, outro prodígio nas guitarras e compositor único de duas das faixas: a guitarrada instrumental Alto do Bode e o samba-de-roda Aplausos de Auditório. "Mãos à palmatória", diz. Às mãos que aplaudem o Supernada.
A concepção do disco, porém, não pára por aí. "O site www.cravocarbono.com.br é a etapa seguinte do projeto do disco. É na verdade onde o disco vai terminar, e gostamos muito dessa idéia. Vamos tentar construí-lo até o início de 2008, e poderemos até contar com a ajuda de voluntários da comunidade do Cravo no Orkut. A idéia é simples: queremos um espaço para dispor, além de informações sobre a banda, acesso a todas as faixas do álbum e também a downloads das diversas trilhas separadas das músicas. Queremos que as pessoas possam baixar essas trilhas, se apropriar desses pedaços, para fazer novas músicas, intervenções, versões, o que der na telha. Haverá um espaço para postagem desses conteúdos novíssimos. Será, então, um Córtex expandido, versão 2.0, alterado por outras mentes. Nada melhor para se esperar da Internet, que já é a maior extensão de todas as nossas cabeças".
Na apresentação do encarte de Córtex, ficamos sabendo que o nome Cravo Carbono "é como se chamaria uma suposta nova droga do sertão que apareceria na floresta – uma especiaria, um emplasto, uma goma de mascar biopirateada". Ficção científica "barata de mercearia" ou não, ao fim da primeira audição, temos a impressão de que fomos, de fato, levados por um barato novo. Barato pronto pra chapar novas carnes de cabeça.
E "salve o supernada".
(resenha escrita para a nova edição da revista outracoisa, já nas bancas - foi publicado também um conto inédito meu por lá, mas pra ler esse... só comprando)
Posted by cacoishak at 13:42
14.11.07
vera cruz mandavisar
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Posted by cacoishak at 13:29
9.11.07
revista mtv

Posted by cacoishak at 23:13