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18.10.07

ii se rasgum no rock

acordo às oito da manhã após três horas de sono pra mais um dia de trabalho. num sábado. de ressaca. trabalharia até às quatro da tarde, quando rumaria ao centro da cidade pra mais algumas horas de labor forçado na cobertura de uma nova edição do festival se rasgum no rock. a segunda. fossem outros tempos, ao menos o mau-humor seria garantido. mas que nada. tasco um rabo-de-arraia no chefe e caio fora antes do esperado. pra lá de zen. abro a primeira cerveja no caminho.

chego no african bar, onde de um tudo acontece. quando se tem poucos royales no bolso, então... uma maravilha. nada que se compare ao parque dos igarapés e suas trilhas no meio da mata, onde a primeira edição foi realizada. mas a gente se espreme. tudo em nome do independente. pego minha credencial – sem foto, vai a do pato donald – tudo em nome do independente.

renato reis, o despirocado das grande-angulares, é o primeiro a notar. sobrinho do tio patinhas. fossem outros tempos... mas que nada. pra lá de zen. o gaiato me puxa pro camarim do coletivo rádio cipó. uma pré do espírito que contagiaria o show no dia seguinte foi dada. efeito estufa. pra lá de zen. abro outra cerveja.

ouço os primeiros sinais de uma bateria. ou teria sido de uma guitarra? uma certeza: não se fazem cowboys como antigamente. múmias tocando chocalho, no entanto, até que soam interessantes. pura perda de tempo. e vou atrás de mais uma cerveja. e uma quinta. duas sextas. fora a sétima. tudo em nome do independente. no intuito de ficar calibrado para a quarta banda a se apresentar. filhos de empregada. um bando de frescos paraenses, tá certo. mas a chapação é garantida. por outro lado... como não é do meu feitio brincar assim com a sorte, não dispenso o melhor dos astros que me estendem tão logo a banda sobe ao palco. dona menina. sempre ela. cheia das tecnologias. todo o furdúncio de um peyote concentrado numa estrela vermelha. goela abaixo. com uma nova cerveja aberta. pra lá de zen. tudo em nome do... de quem mesmo? pato donald? dos filhos de empregada, que seja. puta show do caralho. arnaldão (o baptista) teria babado nas fronhas.

com dona menina ali, quem queria saber de festival? acabo perdendo as badaladíssimas ultraleve, turbo, johny rockstar e i.o.n. – o resto era o resto. sejamos justos: perder é uma palavra forte. estava lá de corpo. minha alma, coitada, que resolveu seguir a estrela e jazia pra além da via láctea. mãos inchadas de tanto escutar pelos poros e digitais. escracho. dona menina olhando por mim, tanto melhor. quando dava conta de escapar comigo. por vezes, não. numa dessas, perco também macaco bong (planária, da norman bates, jura de pés juntos que me viu aplaudindo do começo ao fim). eu, transmigrado, só conseguia me ver dando explicações ao segurança que havia me catado no banheiro. não era meu o saco, tentava lhe dizer, mas de mim ali na platéia. fala com ele. independente, o caralho. tudo em nome do zen-budismo. e del mister azul, quem me salva da forca.

o espetáculo, porém, não poderia parar. se havia, de fato, um cadáver em decomposição rondando, o show só terminaria quando ele se levantasse – parafraseando márvio rafael, aka marvel, da carioca cabaret – só perdeu no quesito bichona pros filhos. saio só glitter e pó de arroz, todo alegre. quando me cutucam. esse show aí tinha sido antes dos mato-grossenses. mas é? gargalho. com a boca já no gargalo. ainda nos bastidores pós-apreensão. escuto metais. saio correndo. dona menina me encontra, mezzo preocupada mezzo aos pulos com móveis coloniais. banda boa, essa de aracaju, hein? massa, né? tudo colorido. pausa pro vômito. e mais cores com cravo carbono (já tem matéria desses por aqui, falo mais nada).

de cara torta e rindo pras colunas, espero ansioso o show da norman bates. apresentariam as músicas de seu novo disco, equatorial lounge. dona menina me pede um tempo. contado no relógio. eu, sem noção das horas. acabo me perdendo, "cheio de amor pra down". supercordas em ação. não a banda, essa não veio. física quântica mesmo. madame saatan. desabo. de quatro. pra levantar só com mqn na veia. sintética nova, não. ainda por inventar. a banda mesmo. e haja porrada. telaviv ainda tocaria. eu, que não sou judeu nem nada, vou pra casa. seja ela na esquina ou no bar do parque. as últimas cervejas até o amanhecer. arroto. dona menina me faz cara feia. durmo. tudo em nome de um donald feliz.

segundo dia. domingo. eu, batendo ponto. acabo perdendo quase todas as bandas – attack fantasma, sincera e delinqüentes, pra ficar nas que importam. inclusive, a esperada nashville pussy. foda-se. nunca tive sorte com gringo. nem bebi do whisky distribuído pela vocalista nos camarins. quem precisa? chego faltando apenas quatro pra encerrar o festival. dona menina lá, curtindo desde cedo. eu, careta. pra cá de zen. tudo em nome do patrão. passando da hora de começar a trabalhar pra valer. abro a primeira cerveja da noite. então, norman bates não tinha tocado no dia anterior e acabaram de subir ao palco? impressionante isso de viagem no tempo. bora lá.

só que o espaço aqui está acabando. coisas de newton, fazer o quê? do coletivo, já fumetei acima. la pupuña deve ter bombado. cordel, sem comentários - meu fogo apagou. tentativa de mosh frustrada. saio escoltado fazendo o tê. pra já ficar nos bastidores, onde a festa terminou com cerveja de graça, muita fofoca e tietagem. sem esquecer das rodinhas, de mão em mão. mas como o que é bom sempre acaba... hora de ir. dona menina dirigindo. aguentou legal. tudo em nome do amor. acabou.

(essa "matéria" seria publicada na próxima edição da revista outracoisa. a falta de verba - consequentemente, de espaço - não permitiu que isso acontecesse. poderia publicar em algum outro canto, mas publico por aqui mesmo porque sou escroto e tava sem saco de sair por aí vendendo meu peixe - até porque a proposta do texto só se encaixaria, de fato, na outracoisa - saco, aliás, que se encheu todo - ou teria esvaziado? - de sábado pra cá... o texto, em parte, explica muito disso)

Posted by cacoishak at 18.10.07 3:49