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4.09.07
e tem quem duvide
o celular tocou às cinco da manhã – comecinho chinfrim pra lá de clichê (pára por aqui). meu pai, do outro lado da cidade. pronto, caralho, o filho tá nascendo. foi o que pensei já com sangue jorrando das vistas pesadas. “onde tu tá? a polícia tá aqui embaixo atrás de ti”. curioso, quis saber o que tinha acontecido. dessa vez, não tinha feito nada. mesmo. “cadê teu carro? onde tu tá?”. estava na marquês. casa da carol. dormindo. o que aconteceu com o carro? olhei pela janela do décimo primeiro andar. carol acordou. “o que aconteceu?”. o carro. “não sabem dizer se foi roubado ou não. tá todo arrebentado”. não via o carro. não onde tinha estacionado. “onde tu tá? onde tu deixou o carro?”. estava na marquês. disse pra ele. tinha estacionado na marquês. “não sei se o carro tá aqui ou não. vou descer pra ver”. a polícia estava a caminho. não conseguia ver meu carro lá de cima. “não é aquele teu carro?”. não queria ver. desci. “o cara fugiu. já faz um tempão, lá pelas duas”. não escutei o barulho. já estava dormindo. carol não ouviu tampouco. “acho que escutei, mas nem me toquei”. deve ter ouvido. segundo os moradores, um bêbado num honda veio cunscaralho pra cima de um carro estacionado. o meu. entre tantos que estavam também estacionados do mesmo lado da rua. logo o meu. com o impacto, meu carro subiu na calçada. derrubou uma árvore. sim. uma árvore. o violão no porta-malas, destruído. meu violão. que nem meu era. anotaram a placa. a polícia chegou já com os dados do cidadão. aconselharam-me a ir numa delegacia pra fazer um boletim de ocorrência. fui. carol dirigindo. seu carro. amanhecia. entrei na dp vazia. gritei. bati palmas. assobiei. o escrivão saiu da sala coçando o saco, cara de quem ainda dormia. fez a ocorrência. saí da delegacia. carol me esperava. olhava pro céu. me aponta. um avião caía. bem na nossa frente.
com o caquisraque acontece.
Posted by cacoishak at 4.09.07 21:26