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31.07.07

não custa tentar...

profeta.jpg

se não der jeito, porém, tenta isso, que é batata: projeto del rey tiagón para ex-maconheiros e correspondentes.

Posted by cacoishak at 17:03

28.07.07

sábado, quatorze

"sim, você será assaltada. eles não pararam ali por outra razão. nem para pedir informação, nem para fuderem na parte mais escura da rua por onde você resolveu andar. certamente, eles resolveram fuder, mas você. ou melhor, a sua noite. respire fundo, acalme-se. pense na possibilidade daquela arma não ser de verdade. aliás, nem pense nisso. pense na parte do seu corpo que poderá resistir a uma balada. não, não. tudo em você parece ter amanhecido bastante vital (...)".

vai ler o resto lá no blog da karla nazareth, vai. homem de sorte, meu amigo he-man.

Posted by cacoishak at 15:10

27.07.07

antes e depois

Posted by cacoishak at 14:27

26.07.07

ressaca

e bunda ralada. chagas nas mãos. misturar cerveja com whisky com barriga vazia... nunca mais.

Posted by cacoishak at 15:25

25.07.07

chave de cadeia

quando abri a janela, fiz-me percebido e o esforço havia sido em vão. arrombar já não era necessário. nem jamais o fora – a casa é tua. bandido que se preze, segue à risca a cartilha que lhe cai nos ombros. carrega o peso de um estupro premeditado – pode entrar. tropeça em parapeitos, tamanho é o desconcerto de tatear na claridade – apaga a luz. apago. pra acordar com o sol já alto, redondo como nunca imaginara conseguisse deslizar em loop noite afora. adentro, cá comigo: parar seria irreversível – não pára. continuar, tampouco. dentre centenas em fuga desorganizada, um ao menos se salvaria. parecia ter consciência disso – eu te protejo agora. bateriam todos na porta de casa, o caminho inverso ao que tomara. e pisariam na grama do jardim. destruiriam o canteiro e se fariam lama e tudo que fosse reconstruído no quintal – dorme, que eu te protejo agora. sossego – nunca mais.

(dever de casa passado pelo tio scott)

Posted by cacoishak at 13:23

23.07.07

falando em oficina...

e seguindo a dica da giannetti, fica o desafio do escritor josé castello em sua oficina de contos pelo portal literal: escrever um texto de até cinco mil toques que se passe em copacabana. fácil, né? mas tenta escrever isso sem usar palavras como areia, bunda, calçadão, ondas e, inclusive, copacabana, algumas das cem que tu não pode nem chegar perto. escreve, diabo, escreve.

Posted by cacoishak at 14:42

22.07.07

se liga

o escritor e amigo paulo scott acaba de desembarcar pelas plagas de cá. nos dias 24 e 25, ministrará a oficina processo criativo do conto no iap, das 15h às 18h. oportunidade fodaça pra conhecer e aprender com o cara. ainda no dia 25, após o curso, lançará seu senhor escuridão. inscrições e maiores informações: 4006-2905.

vamo tocar o terror.

Posted by cacoishak at 15:21

20.07.07

descabaçando chico

noticia02.jpg

diferente do que acontece por aí, meu pai nunca me levara a um prostíbulo. puta pra mim era Maria Madalena e olhe lá. convertida. enquanto os primos se lambuzavam com as conversas de que ontem à noite gastei quinhentos paus só com piva e black label, abstinha-me em frente à tevê nas madrugadas. barbudinho de smoking e sua salada de frutas. nem sabia o que era punheta (como é que tu bate? assim – palma da mão fechada pra cima – ou assim – palma da mão fechada pra baixo – interrogação). sem a menor inclinação pra vegetariano, cortava uma lasca de salaminho e encharcava a gengiva de conhaque roubado da mãe. desde cedo.

– não te disse pra me esperar em casa?
– quase fui.

perdi a virgindade pelo caminho. perdi o que perderia e acabei perdendo a festa. “te disse pra esperar. Perdeu.” perdi. uma sequência de agoras nãos. era mais velha, uns dois anos. e se contentou com o cachorro do vizinho que vinha lhe trazer almôndegas escaldadas todas as manhãs, tão logo o sol raiasse.

– era bangela, nem tinha perigo.
– no problemo.

voltei pra frente da tevê. zapeava o futuro e lambrisava o controle remoto de fora pra dentro com a palma da mão fechada pra baixo. assim me apetecia, como houvera recém-compreendido. com o tempo, fui aprendendo. desenroscava o bocal do telefone e o capiroto atendia do outro lado. linha cruzada.

– tá fazendo o quê? tá chiada a ligação.
– eu? acho que nada.
– tá chiada. tô indo aí.

chegou. mas já tindo ido embora. fui atrás de uma puta. o marido estava preso por tráfico de cocaína e ela era linda, como só Maria Madalena podia ter sido entre as não convertidas. ofereceu-me um trago em seu cachimbo de crack, recusado. escutei suas lamúrias chiadas do peito com o ouvido encostado em seu mamilo. em troca, cheirei seu sovaco. e fui pra casa. ainda virgem. já tinha ido embora. fui atrás.

– cachorro, não late.

da janela, as pernas abertas. era noite. indicador cruzando os lábios. “mas entra”. entrei mudo e saí calado, palitando os dentes com os fiapos que brotavam das aréolas. revestia-me do silêncio de minhas calças respingadas. ela, deitada.

– quantos anos tu tem mesmo?
– quatorze. por quê?

como se o semi-sorriso não me dissesse nada, parti. sem mais prosa, nem verso. o cabaço era meu e assim o guardei pra dois meses depois descobrir com tapinhas nas costas e sorrisos escancarados que eu, o comedor, rugia na cama que havia de a deixar toda assada.

– tem uma fila aí fora.

escapei pelos fundos, decidido a encontrar uma puta de verdade. a sete quarteirões dali. e fomos felizes, quebrando as caixas d'água das privadas com os solavancos à prestação, quando então saiamos correndo pelados pelos campos iluminados até encontrarmos uma sombra onde pudéssemos gozar na santa paz entre rangidos e um versículo e outro.

(texto escrito pra coluna na outracoisa. o novo, em pasto, já tá no ar)

Posted by cacoishak at 18:13

biajoni mandavisar

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ainda não li o virginia berlim - o que pretendo fazer assim que sair dessa vida beat. mas preciso dizer mais alguma coisa sobre o que penso do biajoni? porra, vai ler isso aqui e se liga.

Posted by cacoishak at 12:54

19.07.07

saatan na barca

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“Foi uma das experiências mais intensas que tive. Tudo que aconteceu durante esses 3 dias envolveu muito o lado emocional porque interferimos na rotina de uma comunidade e tenho certeza que isso afetou positivamente todos os envolvidos. Foi difícil o último dia porque, além do cansaço, ainda tivemos que nos despedir dos olhos brilhantes daquelas crianças. Algo lá me trouxe lembranças de infância... quando passava férias no interior”.

da vocalista sammliz sobre a gravação do vídeo-clipe "devorados", do madame saatan, na vila da barca, baixada de belém - ao que este cretino (assistente de câmera e jornalista cobrindo a bagaça) assina embaixo.

cobertura completa, em breve.

Ficha Técnica

Direção:
Priscilla Brasil

Assist. de Direção:
Brunno Regis

Fotografia:
Gustavo Godinho

Câmeras:
Gustavo Godinho
Renato Reis
Márcio Marajó

Assist. de Câmera:
Caco Ishak
André Morbach

Direção de Produção:
Teo Mesquita

Assist. de Produção:
Karina Sampaio
Raffael Regis

Grip:
Carlos Lobo
Pitt

Eletricista:
Shadow of Night

Best Boy:
Melke of Night

Figurino:
Nielson Bargas
Adelaide Oliveira

Maquiagem:
Micheline Pinheiro

Cabelo:
Isabel Afonso

Educadoras:
Gisele Guedes
Carol Gama

Coordenação de Elenco:
Carlos Vera Cruz
Alan Gonçalves

Atores:
6 Crianças Vila da Barca

Logistica/Alimentação:
Briseida Suzuki
Criseida Suzuki

Assessoria de Imprensa:
Caco Ishak
Rafael Guedes
Sidney Filho

Making Of:
Zena Gorayeb
Yuri Santos

Banda:
Sammliz Lages
Icaro Suzuki
Edinho Guerreiro
Ivan Vanzar

Roadies:
Juan
Paulo Guerreiro

Agradecimentos
Comunidade da Vila da Barca
Familia Suzuki
Vidia Lages
Sant'Ana Pereira
Carolina Salma

Apoio Cultural
IAP
TV Floresta
Construloc
Restaurante Mika
Estrela do Norte e Elma Chips
Construtora NEO

Posted by cacoishak at 15:41

18.07.07

spopular

CartazPopularSP.jpg

Posted by cacoishak at 13:31

14.07.07

tu conhece o coletivo rádio cipó?

então, fica conhecendo. mais, aqui.

e, aproveitando a deixa, a segunda parte desse especial da trama sobre o se rasgum no rockaqui. esse ano, a segunda edição promete... a abertura, sábado passado, com the feitos foi foda. agora, é esperar até setembro. se rasgum neles.

Posted by cacoishak at 17:33

13.07.07

québec

get back, quase acreditei
quando tu disse que tá bem

não tem nem que entender
a tradução do meu querer

yeah, yeah, baby
je parle français

québec, dialetos vêm e vão
entre um surto e outro em que gozei

ma chère, já não aguento mais
a tradição desse querer
.
.
.
(letra do primeiro single dos FARRAPOS, a sair em breve - mui breve)

Posted by cacoishak at 17:22

12.07.07

nicolau mandavisar - ana rüsche também

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aos amigos de sampa, fica a dica: neste sábado, a banda paraense norman bates estará se apresentando no sesc pompéia como atração do festival ampli volume 3. não tenho horários, nem mais notícias. talvez toquem seu novo repertório, a ópera-rock equatorial lounge. supafuedapacarajo.

caquisraque recomenda. e recomenda mais:

lançamento de SARABANDA, de ana rüsche...

festa da queda da bastilha

dia 14 de julho de 2007, a partir das 20h

casa do imperador amarelo

r. itararé, n° 164 (paralela à r. frei caneca)

leia aqui a entrevista que marcelino freire fez com a moça pro portal literal.

Posted by cacoishak at 15:26

feriado prolongado

"Então refiz a história quase toda. Sobrou só o protagonista em pé, com aquela cara de quem não faz idéia de que porra está acontecendo. Mas faltam alguns detalhes na trama. E eu sou meio retardada para começar história policial sem fechar a trama antes."

olivia maia

tem como, por curiosidade, não querer ler um troço desses?

Posted by cacoishak at 12:42

overheards

- ele escreve bem, né?
- e não é, mana? deu pra entender tudinho!

Posted by cacoishak at 12:04

11.07.07

high'n'dry -belém colírio

Belem_13.jpg

Em Belém, ai de quem cair na besteira de pensar que caminhar é um desafio para as pernas tão-somente. Viver no chão não é tarefa das mais fáceis por aqui, não. Belém das calçadas desniveladas, do mau-cheiro saindo dos esgotos a céu aberto, da poluição sonora que a faz campeã nacional no assunto. Audição, olfato, tato... tudo quanto é sentido sofre pelas plagas de cá quando explorar a cidade é antes uma aventura sensorial do que mera necessidade. Que o diga o paladar com a boca cheia de sal do suor escorrido testa abaixo ao meio-dia.

continua lendo...

Há uma minoria privilegiada, no entanto, a quem é permitido desligar as demais funções do corpo, recostar-se num canto e se deixar flanar apenas com os olhos. Para estes poucos bem-aventurados, o caos sonoro do asfalto chega aos ouvidos como lounge music das mais suaves, o cheiro do ralo já não assusta – o vento levou; foi junto com o calor. E o passeio pela província se torna um colírio de novas perspectivas do alto de seus espigões de vinte e tantos andares.

É Belém vista por um outro ângulo, admirada de cima, o que, para um número ainda menor de pessoas, não é novidade faz tempo. Para Dona Julia Vallinoto, por exemplo, vizinha há mais de 40 anos das 189 outras famílias que residem no Edifício Manoel Pinto, nosso primeiro arranha-céu. Aos 73, encara a visão de seu 14º andar como o mantra diário que entoa através das lentes de seus óculos, ocasião em que fica “horas esquecida, contemplando a Baía, o Teatro da Paz”, principalmente após as seis da tarde, “quando as luzes se ascendem e tudo se transforma”.

Dona Julia já teve a oportunidade de subir ao 25º andar e confirma que, da cobertura, é possível se observar a cidade quase que em sua totalidade. Dos apartamentos mais baixos, porém, a história é outra de uns tempos pra cá. Os anos foram passando e a expansão imobiliária mudou o panorama. É com pesar na voz que recorda a maravilha que era morar no edifício, logo no começo, época em que figuras conhecidas da sociedade paraense habitavam seus cômodos: “Era o máximo, uma coisa mesmo, todo mundo se achava. Tínhamos uma vista mais bonita, pois não existiam tantos prédios na frente. Na Transladação, dava pra ver todos os fogos. Hoje em dia, perdemos um pouco essa visão, embora continue muito bela. É um prédio antigo, mas não tenho a intenção de sair daqui”.

Faz certo, Dona Julia. O velho Manoel pode ter perdido um tanto de seu glamour, é verdade, mas o visual permanece o mesmo. Lá estão o Ver-o-Peso e suas embarcações, as ruelas da Cidade Velha, as prostitutas da Riachuelo batendo ponto e se encontrando no Bar do Parque para uma gelada no fim do expediente. Bem lembrada, também, Nossa Senhora de Nazaré abrindo alas para Santo Eloy e as filhas de Chiquita. Difícil de imaginar, portanto, o que se passa na cabeça de uns que se jogam do prédio já conhecido pelos suicídios. “Só tendo algum problema mental. Não dá pra se atirar daqui com uma vista dessa”.

Difícil, mas não impossível. A imagem da vida concentrada que pulsa numa visão dos altos pode ser traiçoeira. Vida demais para quem tem de menos. Vida, talvez, artificial demais, contrastando com a genuinidade proporcionada pela solidão no cume da torre. Sentimento resumido na frase proferida por um amigo, há alguns anos, quando estávamos na sacada de um 21º andar, tendo o Canal da Doca como pano de chão: “Aí embaixo, há mais morte do que vida. Mais morte do que vida”.

Para o bem de todos os passantes e a saúde mental dos servidores do IML, todavia, há quem simplesmente se reconforte ao vislumbrar a movimentação das massas em solo firme. É o caso do médico Mauro Pantoja, de 47 anos, morador do 15º andar num bairro nobre de Belém. Criado em casa, sempre gostou de altura e mora em apartamento há 20 anos. Nunca abaixo do 10º andar. Dependendo do momento em que se encontra emocionalmente, Mauro se deixa levar pela imaginação enquanto observa o formigueiro de gente que vai e vem sob sua vista, fazendo Cooper ou passeando com os filhos na Praça Batista Campos.

“Cada vez mais, nosso tempo está reduzido em termos de parar em casa. Então, sempre entre uma correria e outra, é bom relaxar, recordar sobre o passado. Às vezes, acordo cedo e venho pra sacada. Assisto ao pôr-do-sol praticamente todos os dias daqui de cima. Vejo uma cidade que cresceu muito nesses últimos vinte anos. Belém, hoje, está desenvolvida, com suas avenidas e praças mais bem iluminadas, as ruas mais bem asfaltadas. A arquitetura dos prédios também traz um certo tipo de beleza. Fui criado numa época em que o contato direto com a rua era muito bom. Atualmente, já não é mais assim. Por questões até de segurança, é melhor morar em apartamento”, justifica-se como que querendo um álibi para sua opção.

O conceito de segurança para uns, porém, nem sempre é o mesmo para outros. Os néons, afinal, não piscam para todos que se debruçam em suas janelas no meio da madrugada. Tem quem acorde cedo, antes do sol raiar, e encare a altura de forma completamente diferente.

Há 23 anos, a rotina de seu Silvio Evangelista Lopes é a mesma. Sai ainda com o galo cantando de sua casa em Ananindeua, rumo à labuta. Operário da construção civil desde os 18 anos, seu Silvio acumula vários prédios em seu currículo. Lembra-se de quando as edificações não passavam dos 12 andares com uma risada. De lá para cá, esse número triplicou. Garante que não sente medo algum ao ficar dependurado do 36º andar de uma obra em andamento. Isso, ele deixa para os novatos: “Quando os mais novos chegam pra trabalhar pela primeira vez, com dezoito, dezenove anos, ficam um pouco nervosos. Com o tempo, vão se adaptando. Uma vez, um rapaz foi logo tendo cara branca, ficou bastante amedrontado. Nessas horas, não dá pra olhar pra baixo. Tem que se concentrar no trabalho e entregar pra Deus”.

Católico praticante, seu Silvio se sente realizado por aperfeiçoar o mundo que, acredita, fora feito por uma entidade superior. Mais realizado ainda por ter o privilégio de poder ver esse mundo todo de onde trabalha: “É uma emoção muito grande ver a cidade de cima, ver coisas bonitas que as pessoas lá embaixo não conseguem ver. Daqui, consigo enxergar o rio todinho, por exemplo. Vejo os aviões pousarem no aeroporto. Eu me sinto feliz por ver algo novo, que ainda não tinha visto”.

É, de fato, uma senhora vista, cheia de descobertas a cada esquina. De lá do alto, as distâncias parecem diminuir – as físicas, pelo menos. De Val-de-Cães para o Ver-o-Peso é um pulo, sim senhor. Mas não se engane. Trata-se de uma Belém rica em sinuosidades, onde as retas se curvam e as curvas formam um labirinto de anseios na mente do observador. Rica demais, até. Daí, vem o Zé Ramalho e me canta ao pé do ouvido: “Tá vendo aquele edifício, moço? Ajudei a levantar”. Seu Silvio não trocaria sua casa por um apartamento. Mas não por falta de vontade. Encara o piso ao declarar o já sabido.

“Seria uma privacidade realmente boa. Um filho meu já veio aqui pra conhecer, mas subiu só até o primeiro andar. Passou mal e quis descer. Minha esposa que teve coragem pra subir e achou maravilhoso, disse que queria um dia poder morar num desses. Eu me virei pra ela e falei que era sonhar um pouco alto... mas quem sabe um dia, né?”.

Apesar de pouco hábil com as palavras, seu Silvio parece ter certa noção das coisas. Sabe que quanto mais a cidade cresce, empurrando seus limites para o alto, a quem está embaixo resta passar rasteira nas dificuldades e tratar de empurrar seus próprios limites para lado que seja o da sobrevivência. Mas sem revolta, que isso não está de acordo com os ensinamentos divinos.

“Uma coisa que percebo são nossas árvores ficando defasadas com esses prédios. A natureza é muito boa pra Belém, ajuda no clima. A construção dos prédios prejudica um pouco isso, mas acaba compensando por ser um outro tipo de beleza. De cima, é uma visão muito bonita, de verdade”. Percebe?

Pois - bem o disse outro trovador popular do alto de sua sabedoria - na falta de colírio, o jeito é mesmo usar óculos escuros.

(versão sem cortes do frila escrito pra revista de.lovely, aqui do pará)

Posted by cacoishak at 17:18

9.07.07

mulheres barbadas

última semana da primeira temporada na baixocalão.

Posted by cacoishak at 14:37

6.07.07

marcelo mirisola mandavisar

mirisola.JPG

Posted by cacoishak at 16:25

5.07.07

banco do brasil

ag 2946-7
cc 11808-7

titular: ricardo guimarães ishak

Posted by cacoishak at 14:46

4.07.07

chacal mandavisar

chacal2.jpg

nesta quinta, 5 de julho, na flip, lançamento de BELVEDERE, livro del marginal-mor ricardo chacal. das 22h às 02h, no bar do lucio (pça. da matriz, 03). recital com o autor e os poetas augusto massi, carlito azevedo e "eventuais surpresas". ah, paraty...

Posted by cacoishak at 14:00

3.07.07

dias difíceis...

e piores virão - faz as contas vencendo no dia dez com o estômago forrado de salsichas a quinze centavos a unidade. nenhum deus-pão-fermentado pra tomar conhecimento - salsicha, afinal, é porco e porco é pecado. o palha, que há pouco se alimentava melhor que eu, anda de tanque vazio e entrou em greve. não anda mais. mas continua sendo o melhor dos abrigos na falta de um pouso amigo. vendo meu voto ao primeiro que me aparecer com uma promessa eleitoreira fora de época. aos segundos e terceiros, também. santos do pau oco, ainda me devem os pregos pelas cruzes carregadas e os nós das fitinhas de garganta. ainda me devem o que nunca pedi em troca - me devem a poeira acumulada. ainda me devem a oportunidade de lhes dever meu trabalho escravo a pão, salsicha e água.

Posted by cacoishak at 16:35

2.07.07

pé, pra que te quero?

Imagina o quadro, mulher: vocês estão de namorico faz já alguns anos e ele te convidou, finalmente, para um jantar à luz de velas no restaurante mais badalado da cidade. Fez questão de armar toda uma cena e, ao estalar os dedos, violinos (vindos sabe-se lá de onde) começam a executar aquela música linda daquela comédia romântica a que vocês assistiram na primeira vez em que foram ao cinema juntos. Ele fica te olhando todo abestalhado e não muda a expressão, nem pisca, até levar a mão ao bolso da calça e erguer uma caixinha preta aveludada. A certeza de que é chegada a tão esperada hora só faz aumentar em teu peito, mulher, que já não suporta as palpitações. Ele, então, parte para o ataque, estende a outra mão e – surprise, surprise – agarra teu pé direito. É melhor que estejam bem cuidados...

continua lendo...

“Ainda não pedi o pé de ninguém em casamento. Mas já dei anel de dedo do pé pra namoradas”, confessa Ronaldo Passarinho, cineasta e, a exemplo de seu colega norte-americano Quentin Tarantino (recém-saído do armário), podólatra assumido. “Gosto de pés femininos antes mesmo de me entender por gente. Pés são zonas erógenas poderosas”.

Não adianta, portanto, mulher, ficar nessa de enrijecer o corpinho na academia ou sonhar em turbinar os air-bags, se teus pés andam aos trancos e barrancos – o acidente é iminente; o estrago, inevitável. Foi-se o tempo em que Carla Perez era rainha. O cetro de outrora de Pamela Anderson só serve, agora, de bengala para sustentar o peso das pomas. Uma Thurman já havia cantado a pedra em Pulp Fiction. Rose McGowan vem, em Grindhouse, para confirmar: homem gosta mesmo é de pé.

“Não que eu troque a mulher pelos pés. Adoro o corpo feminino dos pés à cabeça e da cabeça aos pés. Acho estranho é quem só gosta de peito e bunda e não aproveita as mãos, as pernas, as costas, o colo da mulher. E os pés, acima de tudo”. Entendemos bem, Ronaldo, não há necessidade de maiores explicações no receio de estar trocando os pés pelas mãos.

Mas o que seria um pé bem cuidado? Dentro dos padrões da Podologia, técnica de tratamento cuja popularidade vem crescendo em Belém, “seria aquele lisinho, sem calosidade nenhuma, com os dedos alinhados em ordem decrescente, que tenha o que chamamos de arco plantar, sem pontos de apoio. As unhas devem ser todas quadradinhas, sem problemas de encravação”.

Quem explica é a podóloga Edy de Moraes, que, entre uma dica e outra, segreda não serem as mulheres as únicas que buscam pelo serviço. Muito pelo contrário, aliás: “A procura dos homens por um podólogo está bem maior, em Belém, do que das mulheres. Os homens não gostam de expor isso. Então, procuram um lugar reservado pra cuidar de seus pés. Alguns vêm arrastados pelas esposas e acabam sendo mais fiéis ao tratamento do que elas próprias. Já tivemos casos, porém, até de homens que vieram escondidos de suas mulheres, indicados por amigos”.

Ao que Ronaldo franze a testa, considerando o papo um tanto suspeito: “Cuido do meu pé por higiene. Só. Pé de homem é um horror, deveria ser chamado de outra coisa pra não confundir com o pé feminino. Da minha parte, nunca teria chances com uma mulher podólatra. Tenho pés de pescador de caranguejo”.

Virilidade à parte, há aqueles que insistem em pegar uma contra-mão, para os quais pé é tudo igual, seja de homem ou de mulher. A ojeriza sentida é a mesma. Caso do universitário Flávio Barbosa, que sente “um misto de nojo e agonia. Quando alguém encosta com os pés em mim, finjo que não sinto nada. Mas trato logo de me afastar deles. Não sei quando essa repulsa por pés começou. Sei que sempre faço associação de pés com sujeira, calos, mau cheiro, suor, essas coisas. O que me incomoda não é a estética deles, mas, sim, o que eles representam pra mim. Faço o possível pra que as pessoas não percebam que eu não gosto de pés, mas evito, sem hesitar, ficar longe deles”.

A neura do moço é tanta, que nem mesmo objetos relacionados aos pés são de seu agrado: “Sapatos, meias, sandálias. Quando estão novos, não há problema. Mas quando esses objetos entram em contato com os pés, quero distância”.

É de se esperar que tamanho desgosto já tenha lhe feito passar por alguma saia justa, como quando estava apaixonado por uma namorada, “gostando muito, mesmo. Depois de uma semana de namoro, alugamos um filme e fomos para sua casa assisti-lo. No meio do filme, uma amiga dela ligou e, por isso, paramos o filme. Ela, então, ficou deitada na cama. Eu, olhando para ela enquanto falava ao telefone. Do nada, ela estende a perna e aperta o meu nariz com os dedos do pé. Não sei como ficou minha cara nessa hora. Eu entendi o gesto... acho que ela queria que isso fosse romântico, mas não consegui disfarçar. Foi horrível, nada romântico”.

Que não pensem, no entanto, que os apertos se restringem aos que não curtem umas pegadas de quando em quando. A podolotria, por sua vez, pode acabar sendo uma senhora pedra no sapato para as vítimas dos aficionados. A bailarina e coreógrafa Ana Unger que o diga: “Estávamos dançando em Santarém, eu era jovem, e a pessoa que nos convidou pra dançar lá, um senhor já de idade, após o espetáculo, aproximou-se e me perguntou se eu podia lhe fazer um favor. Respondi que sim. Perguntou, então, se eu não ficaria assustada com o que ele fosse me pedir. Já estava ficando nervosa, porque não sabia o que ele queria. Comecei, então, a fazer sinal pra minhas amigas pra que elas se aproximassem e não me deixassem sozinha com ele. Daí, ele falou que o que queria era muito simples, mas precisava que eu fizesse. Eu lá, ficando cada vez mais ansiosa. Até que ele me pediu pra que eu tirasse as sapatilhas, pois nunca tinha visto um pé de bailarina. Sua curiosidade era enorme”.

Nada impede, porém, que a abordagem seja sutil e o resultado acabe agradando o freguês. Ana conta sobre um episódio quando estava em Londres experimentando sapatilhas que haviam acabado de chegar no mercado, chamadas turning point. O criador delas estava na loja “e ficou encantado com meus pés. Era sapatilhas feitas especialmente pra quem tem esse colo do pé desenvolvido – pé forte, como chamamos. Ele quis fotografá-los pra colocar em seu catálogo e ganhei dois pares de presente”.

Dançarina num dia, modelo fotográfica em outro. Uma correria só. A vida para quem depende dos pés como instrumento de trabalho tem desses percalços. Por vezes, a beleza do resto do corpo acaba ficando em segundo plano, desde que os pés estejam nos trinques. “Cuido dos meus pés regularmente, pois trabalho com eles. Tenho de estar preparada pra quando aparecer algum convite. Além da limpeza habitual, outros cuidados são necessários. Uso bastante sapato fechado, principalmente na hora da malhação. Então, tenho sempre o cuidado de usar um anti-micótico, por exemplo. A maioria dos homens realmente olham pros pés das mulheres, sabe. Meu marido, pelo menos, elogia bastante os meus”, sorri a modelo de pés Sônia Vaz de Lins, timidamente, mostrando os seus, que se encaixam com perfeição no padrão estético defendido pela podologia.

O mesmo não pode ser dito de todas as bailarinas, como revela Ana, uma exceção apaixonada por seus pés: “Quando comecei a fazer ballet profissionalmente, usando a sapatilha de ponta por muitas horas, os problemas começaram a aparecer. Calos, bolhas d’água, o pé vai tomando uma forma diferente, as calosidades surgem, os joanetes. Eu, graças a Deus, nunca tive tanto problema, porque comecei a cuidar desde cedo. Tive uma professora em Londres que dava aulas especiais sobre como cuidar dos pés. Eram exercícios pra compensar o excesso de peso que colocamos em suas pontas. Com isso, os problemas foram diminuindo. Adoro meus pés”.

E então, mulher, aprendeste? Não te deixes pegar desprevenida, portanto. Mas presta bem atenção, não te desanimes com qualquer bobagem. Na dúvida, bom mesmo é ouvir o que um homem tem a dizer sobre o assunto: “Há pés femininos pequenos e lindos e há pés femininos grandes e belos do mesmo tanto. Tamanho não é documento. O que mais me atrai é ver que a mulher cuida bem dos pés e sabe que são armas de sedução”. Quem diz é o Passarinho, dos mais entendidos.

(versão sem cortes da matéria escrita pra de.lovely, revista sobre cultura e entretenimento, aqui do pará)

Posted by cacoishak at 20:05

1.07.07

lu lapan

escritora, compositora e artishta. coelhadas extraterrestres na baixocalão.

Posted by cacoishak at 17:04