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17.05.07

tudo em família

tá no ar a coluna da semana na outracoisa. só pra constar, fica aí embaixo a coluna da semana passada, sobre o sexo anal do biajoni.

ooOoOoo

SÓ NA BUNDINHA

– Posso fugir um pouco da regra logo na coluna de estréia e escrever sobre literatura ao invés de fazê-la?
– Como assim?
– “Sexo anal”. Escrever sobre “Sexo anal”, livro do Biajoni.
– Rapaz... conto com sua elegância.

De minha parte, toda elegância do mundo. Pernas cruzadas, inclusive, pra disfarçar a ereção. Mas que culpa tenho se a protagonista da história, Virgínia, termina o tomo soltando as pregas na pérola “o amor é um pau no meu cu!”? Que me desculpe o caro amigo Adilson, não deu pra resistir. A essa altura, já tinha aberto a braguilha umas duas ou três vezes e perdido a compostura em frente ao computador.

Sim. Trata-se de um e-book, em PDF. “Sexo anal, uma novela marrom” de Luiz Biajoni, ainda não recebeu proposta de editora que seja pra ser publicado. Injustiça das maiores já cometidas ultimamente no mercado literário brasileiro. 204 páginas em LCD prazerosamente lidas numa madrugada – ô, livrinho ruim, esse, vou te contar. Aliás, é o que também acham os que já o leram por aí. Detestaram, todos.

O autor, inclusive, jornalista e blogueiro de carteirinha (escreve em www.verbeat.org/blogs/biajoni, onde o livro pode ser baixado), pra que não duvidem, disponibilizou as opiniões em www.novelamarrom.blogspot.com. Não estou sozinho. Se até em “O Globo” já saiu crítica... e favorável. Thumbs up. Bem lá no fundo.

Falei, falei e nada disse sobre “Sexo anal” até agora. Me gustam las preliminares. Mas vamos ao ponto. Luiz Biajoni é um apaixonado pelas mulheres. Um jornalista apaixonado pelas mulheres. E é macaco velho. Entende mui bem tanto de um quanto do outro assunto. E trata com propriedade (que conhece, conhece; se participa...), ao longo do volume, do título e do subtítulo.

Não à toa, colocou Virgínia em um jornal sensacionalista do interior paulista. Não à toa, cobrindo o estupro seguido de morte de uma colegial por três fora-da-lei. Não à toa, tudo isso enquanto a moça sofre pelo término de seu relacionamento com o namorado Luiz devido a uma traição cometida por ela, que acabara caindo em tentação com seu médico proctologista durante uma consulta pra resolver seu problema de hemorróidas – que também não apareceu à toa, diga-se.

“Sexo anal, uma novela marrom”. Precisa dizer mais? Precisa. Precisa dizer que o livro passa longe de ser mera pornografia, como sugere o título. É, antes, uma história de amor contemporânea das mais belas, pra macho nenhum botar defeito. Estão lá toda a insegurança e o desnorteamento que um machão do século vinte e um pode sentir diante de sua mulher emancipada e dona de si e que, aliás, tem um emprego bem melhor que o seu.

Mas é, também, um romance social, que retrata bem os bastidores de um crime, não se limitando a estigmatizar o bandido como o sujeito mau que adora praticar o mal porque nasceu mau e pronto, cana nele – e cano adentro. Embora em nada floreie o destino de quem se mete numa roubada. Pelo contrário. O destino aqui acaba sendo dos mais cruéis, o cara brocha na hora.

Em outras palavras: brasileiro só faz levar no cu, não tem outra. Seja por prazer ou por pura falta de sorte.

Posted by cacoishak at 17.05.07 0:56