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31.05.07

dom bactéria mandavisar, claudinei avisa

Posted by cacoishak at 13:06

tambak

deixei o bilhete grudado na parede com band-aid

pra reparar só mais tarde a quatro passos da privada
tuas impressões da noite deixadas no espelho
e pelo cesto de roupa suja escorrendo

da lajota

Posted by cacoishak at 5:07

quer saber

é sempre a mesma rotina. nas madrugadas, reescrevo as linhas da tarde anterior e anuvio as que serão escritas na seguinte.

ou, simplesmente, posso torná-las poesia.

é sempre a mesma rotina

nas madrugadas
reescrevo as linhas
da tarde anterior

e anuvio as que serão escritas na seguinte

ou que se foda.

Posted by cacoishak at 5:05

30.05.07

la muse is back

não poderia ter melhor notícia pra fechar o mês de maio. la muse jojo coccarelli voltou a dar baforadas verbais em seu narghee~la. oito meses de espera, assim meu inferno astral acaba de uma vez, fácil.


{skin stripper}

puxas o fio da maldade: uma ponta de lã, perdida na trama do casaco vermelho, desmancha o périplo de calor ao redor da pele. cada ponto desfeito casa com um poro fazendo bico, um baterzinho de queixo, um mamilo tensionado; arábias do umbigo sem véu, rumores sobre cotovelos, colo divulgado.

acabaria aí.

se não prosseguisses puxando o fio.

que estava de braços dados com a tez da minha nuca.

e assim começastes a desembaraçar hélices de dna; esgarçando toda pele do meu corpo; devolvendo-me para o quente carmim da veste inicial.

-- joana coccarelli

Posted by cacoishak at 16:22

o popular

essa matéria, escrita pelo rogério borges, d'o popular, foi publicada no dia do lançamento em gyn. algumas considerações: tinha vinte e cinco quando da publicação, não vinte e quatro (quando do aceite); escrevo em blogs faz pouco mais de quatro anos (ou pouco menos); sou débil mental.

Posted by cacoishak at 0:38

26.05.07

tudo em família

a pia ainda está entupida. de cabelo, catarro, pasta de dente e pedaços de vômito. foi acumulando. fiz que não via passar. ele ia me dando com o desentupidor na cabeça, gritava alto. toda manhã era a mesma coisa. o reflexo de narciso em bolhas de gás carbônico vindas do fundo das provocações a que eu submetia todos da casa. eu, o bonitão. tentava impor minha beleza aos que não tinham espelho guardado na sacola. o tempo ia passando. acumulando. fazia que não via passar. era terapia.

tempos perdidos. a primeira lembrança que tenho de tudo é a de meu primo me dando as boas-vindas com seus companheiros na escola onde me matricularam tão logo chegara à cidade – sem pai, nem mãe que me chutassem a bunda. o homenzinho da família desarregimentada, já sem um dos dentes da frente – não demorei pra encontrar quem o fizesse. tudo em casa. e haja espancamento* no recreio. um contra a sala inteira, só me restava fugir. pra bem longe, o mais longe possível. encostava-me num canto e ficava tramando a extinção da humanidade. pura terapia.

eu, o patinho feio. orelhas de abano, sem queixo, fundo de garrafa. só fazia me foder. ainda assim. “mostra a tua, que eu mostro o meu”, eu dizia. no que ela respondia “tá, tudo bem, mas não vamos fazer nada mais que isso”. ninguém acreditava. com uma insistência fingida contra uma resistência tão quanto, deixava-me tocar um pouco aqui, acolá. acariciávamos um ao outro, o que durava até aparecer a irmã. acabava com a mágica. acabava comigo. não tardava pra recomeçar tudo de novo, portanto. e um tanto melhor, posso dizer. ficava deitado no sofá. a irmã, vestindo apenas um blusão, estirada sobre o chão – esperava a outra pegar no sono – entre new kids on the block na tevê e eu. suspendia o pedaço de pano velho até a altura do umbigo e, com as pontas dos indicadores, arregaçava a calcinha, deixando à mostra o chumaço de canela. quando, então, jogava a cabeça pra trás, encarava-me de baixo pra cima e sorria que nem cabrita com a boca inchada de tanto bater a omelete pro jantar. se eu pulasse em cima, berraria. cresceu e se formou em psicologia.

inundava um tanque cheio. e nadávamos na piscina da casa da vó. eu e o primo. eu, o retardado impulsivo. resolvi testar a nova brincadeira aprendida e espirrar água em seu rosto com as mãos fechadas. não gostou da brincadeira. com as mãos abertas contra minha cabeça, empurrou-me pro fundo. éramos só eu e ele, enfim. e afundamos, os dois. uma tragédia, não fosse o tio de roupa e tudo num mergulho, salvando os dias seguintes. mães e irmãs gritavam. a minha, recém-chegada de onde me despachara, lamuriando-se no quarto. anos depois, quebraria uma prancha de isopor no cocuruto de uma bichinha portuguesa da escola na aula de educação física. o todo-poderoso narciso. xinguei a madre superior, dando-lhe alguns tapinhas no rosto, e mandei o pai do garotão lamber suas bolas em louvor aos santos e mártires. todos umas bichas carolas, esses portugueses.

– não conta nada, pelo amor de deus.

– por que não posso contar?

– não conta...

– ele enfiou o pinto dele na minha bunda. ele e os meninos.

– mas foi ele quem quis, foi ele. disse que ia contar pra todo mundo se a gente não enfiasse nele também.

devia ter uns seis, sete anos. meio forrest gump com clara de ovos escorrendo pelos ouvidos. acostumaram-se com as brincadeiras do primo mais velho que nos trancava no quarto, iniciando-nos nos ritos da masturbação coletiva (o mais novo manejava sua verruga com as pontas dos dedos, qual uma pinça, a imagem desajeitada da compaixão) enquanto escutava eddie vedder gemendo no rádio e penteava os cabelos em frente ao espelho com a outra mão, entupindo o ralo da pia. de cabelo, catarro, porra e vinho.

só os fracos recorrem à terapia.

*também trocadilho

(coluna da semana passada na outracoisa. pois é. voltei).

Posted by cacoishak at 20:33

23.05.07

tá em gyn?

entonces, sintoniza na 87.0 pra escutar as besteiras que eu disse numa entrevista que o túlio moreira, da rádio universitária, fez hoje por telefone. vai ao ar na sexta-feira, às 18h. aproveita e grava pra eu escutar depois, já que não estarei pelas plagas de cá. câmbio desligo.

Posted by cacoishak at 2:16

22.05.07

cardoso mandavisar

LAVA STUDIO
CARLA BARTH
DAMN LASER VAMPIRES
BRUNO 9li + CARDOSO
MARI MTB + NINJA E BUBU
IEVE HOLTHAUSEN + CAROL BENSIMON
LAURA LEINER
LENARA VERLE + KARLA BRUNET + MARI FIORELLI
LEO FELIPE + MARI XAVIER
PAULO SCOTT + BIBA MEIRA + SIMONE CARVALHO + GERALDO
MARCELO NOAH + FABIO GODOH
MARCELO FERLA
MARCELO NUNES
PATRICK MATZENBACHER

Porto Alegre será a primeira cidade brasileira a sediar a Pecha Kucha
Night
, evento que acontece em mais de 60 cidades em todos os
continentes desde 2003. O evento será realizado no dia 27 de maio de
2007, no OX, e será organizado por Paulo Scott e André "Cardoso"
Czarnobai
.

Durante 6 minutos e 40 segundos, cada convidado (ou grupo convidado)
apresenta 20 imagens, que ficam expostas em um telão durante 20
segundos, cada. A exibição pode ser acompanhada de uma trilha sonora,
mas o convidado pode fazer o que quiser: tocar um instrumento, recitar
textos, fazer performances, ficar em silêncio ou falar sobre seus
projetos. Tudo é permitido dentro do tempo estipulado. A cada noite
acontecem, no máximo, 14 apresentações.

A Pecha Kucha Night foi criada em 2003 por Astrid Klein e Mark Dytham,
de um estúdio de arquitetura e design de Tóquio, no Japão. A idéia era
criar um espaço para que jovens designers e arquitetos se
encontrassem, trocassem idéias e mostrassem seu trabalho a uma platéia
de uma forma divertida, inteligente e criativa. O nome, Pecha Kucha,
vem da expressão japonesa para o som que é produzido durante uma
conversa – o popular burburinho.

Mais informações: http://www.qualquer.org/pecha-kucha

O quê? Pecha Kucha Night

Onde? OX (João Telles, 570), ao lado do Ocidente

Quando? 27 de maio de 2007

Horário? As portas estarão abertas a partir das 19h, mas a Pecha Kucha
começa às 20h20min

Quanto? R$ 5

Música nos intervalos: A Lavanderia Psicodélica de Charlie Chan

Posted by cacoishak at 14:49

paulo & fernanda

a quem estiver em são paulo nesse fim-de-semana, peço que me dê um presente de aniversário: deixa tudo de lado e vai ver a peça do jon fosse que a fernanda d'umbra montou lá na roosevelt. serão as duas últimas apresentações da temporada (sexta e sábado), portanto... vai por mim. e, chegando lá, não precisa ter vergonha. aborda a moça e pode dizer, "foi pelo ishak que eu vim". mas é bom que seja antes da peça começar mesmo. porque, depois que acabar, tenho certeza de que, quem for, terá ido pela peça, única e exclusivamente. o que, de todo modo, não teria sido meu caso. desculpa, mas... se caio do cavalo, é porque tento domá-lo. sempre.

ROXO

texto: jon fosse
tradução: alexandre tenório
direção: fernanda d'umbra
com: didio perini, fabiano de souza ramos, henrique mello, julia novaes e thiago pinheiro.
onde: espaço dos satyros 1 (pça. franklin roosevelt, 214, república, tel. 3258-6345); 70 lugares; 14 anos
quando: sáb.: 21h; dom.: 20h30. Até 27/5
quanto: R$ 20

e quem estiver em poa também pode me dar um presente. fica em cartaz, até o dia 17/06, a peça crucial dois um, de paulo scott, baseada em seu poema mensagem de longe, do livro senhor escuridão. maiores informações, aqui.

Posted by cacoishak at 14:03

21.05.07

kael kasabian

até sexta, sábado ou domingo, estarei sem internet. portanto... fica com o kael na bc.

Posted by cacoishak at 23:33

19.05.07

caiu são paulo

como eu temia, não vai rolar. não agora. sem mais no momento.

Posted by cacoishak at 17:21

toma lá, dá cá

e eis que o amigo biajoni também escreveu resenha - e bem melhor do que eu, como dá pra perceber fácil. emocionei daqui, de gole em gole. com vocês, má reputação por luiz biajoni:

"...
Eu escrevo com o corpo
Poesia não é para compreender mas para incorporar"
Manoel de Barros

Essa é uma resenha do livro de poemas de Caco Ishak, "dos versos fandangos ou a má reputação de um estulto em polvorosa" (7Letras) - mas não podia começar sem evocar Manoel de Barros e sobre como fiquei fã da obra deste poeta pantaneiro. Em 1990 participei da mostra Artes e Ofícios da Poesia, no MASP, e um dos vencedores na categoria Vídeo (em que eu concorria) foi "Caramujo-Flor", de Joel Pizzini - adaptação de tecrhos de livros do poeta, com Ney Matogrosso e Rubens Corrêa e música de Tetê Espíndola. Um filme lindo - e assim que o vi fiquei com aquela expressão besta no rosto, sem entender aquela poesia cheia de imagens estranhas, palavras ainda mais estranhas, incompreensíveis até, uma música de impacto apaixonante e de certa rejeição para os ouvidos. Ao sair da sessão, estava à venda o novo livro do poeta: "O Guardador de Águas" e eu comprei. É o melhor livro de Manoel de Barros e guarda proximidade, não por acaso, com "O Guardador de Rebanhos", obra-prima de Pessoa sob o heterônimo Alberto Caeiro. Manoel de Barros não é um guardador de águas: as águas são seus pensamentos. Os pensamentos se liquefazem em palavras, oxímoros, neologismo ou mesmo simples criações desconexas de palavras, frases insensatas, róis, recolha de objetos e abjetos que porventura ali estejam no chão:

"o artista recolhe neste quadro seus companheiros pobres do chão: a lata a corda a bôrra vestígios de árvores etc.
realiza uma colagem de estopa arame tampinha de cerveja
pedaços de jornal pedras e acrescenta inscrições produzidas em muros - números truncados caretas pênis coxas (2) e 1 aranha febril
tudo muito manchado de pobreza e miséria que se não engana é da cor encardida entre amarelo
e gosma"

Existem muitos exemplos desse tipo de poesia na obra de Manoel de Barros, como quando ele diz que "Tudo aquilo que a nossa / Civilização rejeita, pisa e mija em cima / Serve para poesia" ou "O poema é antes de tudo um inutensílio". Mas mais que denegar grandes coisas à poesia, deixando o que é "reles de chão" para o ambiente poético, o poeta quer reciclar "as palavras que estão em estado de lixo" em beleza verbal, fonética, literal.

"A imarcescível puta preta
que me arrastou na adolescência
me ensaurou de sua concha"

Essa introdução foi necessária para criar um paralelo com a poesia de Caco Ishak. Meus ouvidos estavam desacostumados à dissonância poética; fazia tempo que não apanhava o "Gramática Expositiva do Chão", compilação da obra de Manoel de Barros até "O Guardador de Águas" (e depois desse livro ele fica chato e repetitivo), quando recebi o pequeno mas recheado volume (51 poemas) de "dos versos fandangos". E assim que comecei a lê-lo, tive uma primeira reação de confusão. Como quando bate a primeira sensação de um entorpecente.

"queres ver o tosco, meu chapa?
a bisca nasceu já madrugando
as fichas sempre caem quando expectativas
acabam

nunca o uno útil ao agradável
soou-me tão perfeito aos ouvidos
embora tenha de com isso
arcar com o necessário"

Mandei um e-mail para o autor, dizendo que tudo estava muito confuso. Comentei com minha mulher que eu lia o livro e ficava confuso. O livro estava batendo estranho na minha mente, com frases como "meu argumento é tua tosse" ou "sobrancelhas apenas prolongam o dito" ou "não me surpreendo com o descaso das paredes".

Demorou um pouco para entender que Ishak recolhe também coisas do chão, estabelece fios de amarração entre o que percebe ao seu redor em listas, descrições indiscretas, relatos nem sempre lineares, discursos entrecortados de frases ouvidas - ou seja - faz também ele sua coleta disléxica e a tem como matéria de sua poesia. Diferente do pastoral Pessoa ou do líquido Barros, Ishak trabalha com "coisas" sólidas & cosmopolitas, soando algumas vezes como um beatnik, evocando a confusão da modernidade e a cultura pop - essa última, de leve. Um exemplo é o "poema-em-pedaços" chamado "desfaireuoliariza isso, mulher", que diz no começo:

"comecei uma frase
e tentei terminá-la sem antes
passar pelo miolo

antecipei-me mais do que devia
e me faltaram os predicados"

e segue:

"[a vaca] rumina seus prazeres faça sol ou neblina"

e

"recobro o hábito e / descasco o maço"

Nesse sentido, o livro de Ishak poderia ser um "Guardador de Escombros Modernos" ou um "Guardador de Pedaços de Si e de Outros neste Louco Mundo Globalizado" embora nenhum desses dois títulos fiquem muito longe de "dos versos fandangos ou a má reputação de um estulto em polvorosa". Assim, a pedra no rio de Manoel de Barros pode ser uma seringa plástica jogada numa sarjeta; o sapo mimetizado numa árvore pode ser uma garrafa de vinho tinto barato pela metade; a espera pela chuva vespertina no pantanal pode ser a espera pelo toque do telefone de um amor antigo... Na verdade os objetos não são tão importantes (e para Barros, quanto menos importantes, melhor!): apenas figuram e flutuam no universo de climas & intenções dos dois poetas. Ou dos três, se contarmos Pessoa.

Recomendo o livro do Caco, especialmente para quem gosta de Manoel de Barros.
Eles perseguem a mesma poesia, embora Ishak seja um pouco mais ocre.

Posted by cacoishak at 17:17

17.05.07

tudo em família

tá no ar a coluna da semana na outracoisa. só pra constar, fica aí embaixo a coluna da semana passada, sobre o sexo anal do biajoni.

ooOoOoo

SÓ NA BUNDINHA

– Posso fugir um pouco da regra logo na coluna de estréia e escrever sobre literatura ao invés de fazê-la?
– Como assim?
– “Sexo anal”. Escrever sobre “Sexo anal”, livro do Biajoni.
– Rapaz... conto com sua elegância.

De minha parte, toda elegância do mundo. Pernas cruzadas, inclusive, pra disfarçar a ereção. Mas que culpa tenho se a protagonista da história, Virgínia, termina o tomo soltando as pregas na pérola “o amor é um pau no meu cu!”? Que me desculpe o caro amigo Adilson, não deu pra resistir. A essa altura, já tinha aberto a braguilha umas duas ou três vezes e perdido a compostura em frente ao computador.

Sim. Trata-se de um e-book, em PDF. “Sexo anal, uma novela marrom” de Luiz Biajoni, ainda não recebeu proposta de editora que seja pra ser publicado. Injustiça das maiores já cometidas ultimamente no mercado literário brasileiro. 204 páginas em LCD prazerosamente lidas numa madrugada – ô, livrinho ruim, esse, vou te contar. Aliás, é o que também acham os que já o leram por aí. Detestaram, todos.

O autor, inclusive, jornalista e blogueiro de carteirinha (escreve em www.verbeat.org/blogs/biajoni, onde o livro pode ser baixado), pra que não duvidem, disponibilizou as opiniões em www.novelamarrom.blogspot.com. Não estou sozinho. Se até em “O Globo” já saiu crítica... e favorável. Thumbs up. Bem lá no fundo.

Falei, falei e nada disse sobre “Sexo anal” até agora. Me gustam las preliminares. Mas vamos ao ponto. Luiz Biajoni é um apaixonado pelas mulheres. Um jornalista apaixonado pelas mulheres. E é macaco velho. Entende mui bem tanto de um quanto do outro assunto. E trata com propriedade (que conhece, conhece; se participa...), ao longo do volume, do título e do subtítulo.

Não à toa, colocou Virgínia em um jornal sensacionalista do interior paulista. Não à toa, cobrindo o estupro seguido de morte de uma colegial por três fora-da-lei. Não à toa, tudo isso enquanto a moça sofre pelo término de seu relacionamento com o namorado Luiz devido a uma traição cometida por ela, que acabara caindo em tentação com seu médico proctologista durante uma consulta pra resolver seu problema de hemorróidas – que também não apareceu à toa, diga-se.

“Sexo anal, uma novela marrom”. Precisa dizer mais? Precisa. Precisa dizer que o livro passa longe de ser mera pornografia, como sugere o título. É, antes, uma história de amor contemporânea das mais belas, pra macho nenhum botar defeito. Estão lá toda a insegurança e o desnorteamento que um machão do século vinte e um pode sentir diante de sua mulher emancipada e dona de si e que, aliás, tem um emprego bem melhor que o seu.

Mas é, também, um romance social, que retrata bem os bastidores de um crime, não se limitando a estigmatizar o bandido como o sujeito mau que adora praticar o mal porque nasceu mau e pronto, cana nele – e cano adentro. Embora em nada floreie o destino de quem se mete numa roubada. Pelo contrário. O destino aqui acaba sendo dos mais cruéis, o cara brocha na hora.

Em outras palavras: brasileiro só faz levar no cu, não tem outra. Seja por prazer ou por pura falta de sorte.

Posted by cacoishak at 0:56

16.05.07

divulga e aparece

Posted by cacoishak at 15:50

releituras

sempre que nos agarramos às paredes do mundo, e na fase mais sombria da ressaca, eu penso em dois amigos que me aconselharam sobre vários métodos de cometer suicídio. que prova melhor de amor e companheirismo? um dos meus amigos tem cicatrizes de navalha ao longo de todo o seu braço esquerdo. o outro enfia baldes de comprimidos pra dentro de uma massa de barba preta. ambos escrevem poesia. tem qualquer coisa em escrever poesia que leva um homem pra beira do abismo. contudo, provavelmente, todos nós três viveremos até os noventa. consegue imaginar o mundo em 2010 a.d.? a forma que ele irá tomar dependerá muito do que for feito da Bomba. eu suponho que os homens estarão comendo ovos no café da manhã, terão problemas sexuais. escreverão poesia. cometerão suicídio.

do velho buk.

Posted by cacoishak at 15:35

14.05.07

carla barth

atrasou, mas chegou. carla barth na baixocalão.

Posted by cacoishak at 13:16

má reputação e gyn puro

sem querer, querendo ou vai saber, dos quatro anos aos vinte e um, dois, por aí, não teve quando fora a gyn – o que fiz nesse período religiosamente uma vez ao ano, pelo menos – que não tenha acontecido merda das grandes. nem sempre era eu quem fazia. estava lá e isso bastava. como da vez em que jogava bola e, na primeira investida, não enxerguei o cabo de aço no caminho e acabei dando uma semi-pirueta no ar, esmagando as glândulas do pescoço, o que me valeu um mês levando injeção na bunda e um papo de gansolino. ou quando tomei meu primeiro porre e, além de ter dado um banho de mijo em meu primo oito anos mais novo, que me seguia com um gravador registrando meus surtos megalomaníacos, após sua babá ter me dado um tão esperado beijo na boca, quebrei a televisão de minha vó e fui dormir – acordei pelos cabelos com o pai desse primo consertando a tevê e as almofadas da sala me repreendendo com os olhares pensos dos botões nas barrigas de seus encostos. mulheres e bebidas, aliás, sempre foram um problema em gyn. isso, pra não contar as vezes em que fugia de casa ou sumia sem mais, nem menos. teorias a respeito, não faltam até hoje. vai saber. sei que desde os vinte, vinte e um, não visitei mais a cidade com tanta frequência (apesar de que seis meses de 2005 tenham sido lá, durante o tratamento – pra variar, eu no centro). as confusões em gyn diminuíram, praticamente extinguiram-se. o que não quer dizer que deixaram de acontecer em outros cantos por aí.

na próxima sexta, desembarco no aeporto-quase-rodoviária goiano de novo. entre outras, pra pós-lançar o má reputação pela última vez. tinha que ter essa última vez, depois de um intervalo de quase oito meses ou mais desde são paulo. seja porque foi onde nasci ou pela cara que o povo vai fazer. seja pra acabar duma vez com esse inferno astral.

na falta de convite, o serviço:

centro municipal de cultura goiânia ouro
rua 3, esquina da rua 9, centro
sexta-feira, 18 de maio, às 17h
fone: 3524-2541

quem tá por trás do rolo é o véio brandão, jornalista amigo e comandante do cine ouro.

talvez acabe em vinho. talvez no bananada.

pinta lá.

Posted by cacoishak at 1:03

10.05.07

só na bundinha

a partir de hoje, toda quinta-feira, tem coluna minha no site da revista outracoisa. agradeço ao amigo adilson pereira pelo convite e prometo não decepcionar. na estréia, escrevo sobre o sexo anal, do biajoni. acho que comecei bem. confere lá.

Posted by cacoishak at 17:15

reid paley

o nix me apresentou, dia desses, ao melhor troço que ouvi nesses últimos tempos. reid paley. muito foda. "punk-blues-minimalista-noir-bêbado", pra ficar num pouco que o quase trintão escreveu sobre em seu nightripping - que tá de volta de cara e proposta novas, embora tudo tenha permanecido o mesmo. eu gosto do nix. por essas e por outras. e mais algumas. que só tu descobrindo, mesmo. então, passa lá, confere cada buraco e baixa o som do pailey. porque vale cada minuto esperado.

Posted by cacoishak at 0:32

9.05.07

baleia tosco show

continua falando com et's, essa menina. pequena, pequena...

Posted by cacoishak at 19:49

8.05.07

ash

toy arts da ash na baixocalão.

Posted by cacoishak at 16:50

lets ww

se tudo não der tão errado quanto penso (cuba já foi pro espaço), comemoro meu aniversário numa dessas quartas, em são paulo. não poderia ser de outro jeito, já que o inferno astral tá sendo todinho com o wander na caixa de som. porque não é tão simples como "se é pra ficar fudido...", nada disso. é simplesmente uma questão de bom senso. houvesse jeito de mudar tudo (ou alguma coisa), até pensaria em colocar algo mais animado, mais rio de janeiro. mas não. nada vai mudar. não do jeito como gostaria. então, fica do jeito que tá. resignado, do jeito que o diabo gosta. pra quem ainda tem esperança, no entanto, também às quartas, só que no rio, tem letícia novaes dando outro jeito:

Posted by cacoishak at 14:37