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2.04.07

to be continued...

“como me arrependo do dia em que te dei uivo, kaddish e outros poemas”.

idos de noventa e oito, isso. tínhamos dezesseis pra dezessete anos. sacolas cheias de esperança ou coisa que o valesse, então. neto era comunista e ateu (hoje, é formado em história e faz pós em semiótica da linguagem ou psicologia cognitiva voltada pra antropologia, bem por aí; continua ateu). quanto a mim... eu era o garoto que tinha sido criado debaixo da taca pesada dos ensinamentos católicos apostólicos romanos. carregado de culpa e porrete. talvez por isso, ainda alimentando uma espécie de anarquismo cristão primordial, aka cagalizar geral com o dedo em riste na cara de autoridade que fosse em nome da paz que porventura não me deixassem ter – eu, aliás, o primeiro. sempre me boicotando em casa. hoje, me contento com as migalhas que o neo-paganismo pode me oferecer. e a cada dia mais escroto, ainda com um talento inigualável pro auto-boicote. só não aprendi a largar mão das expectativas. um paraíso novo e artificial a cada esquina. pois bem. não vou pedir perdão. não sou eu quem tem de fazer isso. nem ninguém que tenha sobrevivido.

Posted by cacoishak at 2.04.07 23:35