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4.01.07

feucheclaire

não consigo mais entender a poesia
nem meu baixo-calão no manejo das palavras
controlam teu blues de versos soltos demais dentro dos
teus trajes largos de pregas azuis e cigarrilha presa nas tuas pernas
de dedos longos e entrecruzados que tossem secas a persuasão de uma [mosca

queria poder dizer alguma grande verdade
tirar da cartola uma revelação
mas tratou o tempo de mostrar que

se encaixam as peças

é porque esperaram além do que se condicionaram
e um novo demônio já brinca com os ponteiros do relógio
de parede que me deste na páscoa do ano passado

não vou pedir ajuda a nenhum passante
nem distribuir folhetos em praça pública
sem mais mentiras das meninas da augusta
ou o provolone de republicanas despatriadas
quero na garganta a bosta do deus vaca em partículas
uma culpa que não me seja por sãos e anjos imputada

quero willie nelson na vitrola e uma cabrita na mira da espingarda
vestir-me de nu ao roubar o mel do urso após vê-lo receber as ferroadas

e parar de rimar tanto
que isso já não é poesia
nem bengala pra defunto
que nem mais espanca

pois

se é mesmo o fim
seja essa minha forra

Posted by cacoishak at 4.01.07 15:08