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30.01.07
:::baixo.calão:::

enfim. tá no ar. baixocalão. lowbrow gallery. parceria entre el ruivo cardoso e este cretino. reunindo um pessoal foda pra caralho que manda muito bem nas tintas. no primeiro bolo: ananda nahu, bete nóbrega, carlos coccarelli, gustavo ohnuma, leonardo malachias e leonardo menescal. atualizada mensalmente. estamos abertos a contatos. e sugestões. o manifesto:
ei, você. sim. você. aproxima aí, cidadão. te pergunto: cê tá alterado? tu tá alterado por que cargas d´água, posso saber? que tom de voz é esse, cidadão? por acaso, tu sabe com quem tu tá falando? e com quem tu não tá falando, tu sabe? e tu te importa? ou é porta na cara e que se exploda o nariz e todo o resto? tu acha isso bonito? acha? foi o espelho quem te disse, foi? não sai de dentro de casa, né? o dia inteiro na frente do computador. só fuçando a vida alheia. deve até pensar que isso é vida. que isso é arte. o problema é que tá cheio de muro nesse mundo. tá tudo aí. tem como fugir, não. banca de jornal, então. em tudo quanto é esquina. mas vá lá. a gente dá um desconto. porque, pelas plagas de cá, ninguém é melhor do que ninguém, não. se não quer sair mesmo de casa, a gente dá também um jeito. morto, tu não tá ainda, não, né? então, pronto. fica calminho. assim. relaxa. e trata de aproveitar. que o bagulho aqui é fino. baixocalão, só no manejo das palavras.
e o abaute:
lowbrow. arte supostamente de baixo nível feita por gente supostamente de pouca cultura. engana. mas só quem faz questão de ser enganado e teima em divagar por instalações hiper-modernas cujos fins se encerram nelas próprias. quem se esquece de que a arte é tão-somente o meio; acompanha o mundo na pretensão de que um maior número de pessoas possa também acompanhá-lo. pra que isso aconteça, porém, tem de haver um approach. uma identificação entre objeto e observador. tanto mais fácil se houver o hábito num ambiente já familiarizado. entre o leitor e os quadrinhos de um jornal, por exemplo. entre o passante e os viadutos da cidade. entre as propagandas comerciais e seus consumidores. ainda que fisicamente distantes um do outro. em tempos de internet, aliás, esse é um conceito que nem mais existe. distância. pegam-se um graffiti paulista, um stencil baiano, um cartoon paraense, uma pop-art gaúcha, e dá nisso. baixocalão. primeira galeria lowbrow exclusivamente on-line em terra brasilis. reunindo todo mês uma penca de novos artistas, que se juntam aos anteriores num senhor banco de dados. acervo sempre atualizado. diversidade. ainda que individualmente falando. e não porque o mundo é nosso. mas porque nós somos do mundo. e não adianta fugir dele. senão, ele te come. e, adivinha? cospe fora uma instalação.
agora, é só entrar aqui e admirar. pode comprar também, se quiser.
Posted by cacoishak at 14:31
os
farrapos
só farra
porra
sofá
&
pó
Posted by cacoishak at 4:34
29.01.07
bem lembrado
A quem teve a indelicadeza de me cobrar explicações pessoais, isso é o máximo que vou dar. Com um pedido, na linha gentileza-gera-gentileza: troquem o direito de julgar pelo dever de ajudar. À próxima pessoa que vocês pensarem em espezinhar, em vez disso, ofereçam seus préstimos. Assunto encerrado.
a gangorra voltou.
Posted by cacoishak at 17:33
the last poem or yoko said
se ficou guardado o que dizer
desculpa a falta de ânimo
como se desse pra descolorir
o preto e branco na tela da tevê
deixando pra trás apenas a legenda
de um sorriso amarelado
não importa se todos que chamo de amigos te levaram pra cama
ou só até ao travesseiro onde encosto minha cabeça
ou terão te levado quando o braço pousar
novamente na pista encharcada
de lágrimas da sala
da tua casa
as tuas
se é amor
dá-se um jeito
o tempo pode esperar
enquanto os dentes encerram
uma reconquista
daquelas que quando o gole bate no peito
poucos valentes levam adiante
com o orgulho esburacado deixando
escorrer uma tentativa que seja
foi com certo joão que aprendi
que pra ser um beatle tem de se humilhar
morreu pelas costas com quatro tiros e um beijo
Posted by cacoishak at 5:56
26.01.07
the last poem (segunda a-versão)
como se desse pra descolorir
o preto e branco na tela da tevê
deixando pra trás apenas a legenda
de um sorriso amarelado
não importa se todos os teus amigos já comeram
ou terão comido quando o braço pousar
se é amor
dá-se um jeito
o tempo pode esperar
enquanto os dentes encerram
uma reconquista
pois é como aprendi com um certo john
ensinado por um certo gato gabola
pra ser um beatle
tem de se humilhar
(apenas o esqueleto. à noite, eu mato. não aguentava o silêncio. e a rua me espera)
Posted by cacoishak at 15:33
25.01.07
the last poem
são paulo não se esquece de seus pesadelos em meta-linguagem. nunca. e a sangria segue empacando a mula. como se nada acontecesse em preto e branco e legendas amareladas.
tudo ainda muito novo. de novo. porque eu também vario com um mas na frente.
(trabalha isso, porra).
Posted by cacoishak at 11:59
23.01.07
meta-tudo
get'em, boy! diz:
fala
get'em, boy! diz:
taí?
::gato gabola:: diz:
to
::gato gabola:: diz:
fala rapa
get'em, boy! diz:
foi lá no sarau?
::gato gabola:: enviou 23/1/2007 02:53:
fui
::gato gabola:: enviou 23/1/2007 02:53:
me diverti
::gato gabola:: enviou 23/1/2007 02:53:
foi legal
::gato gabola:: enviou 23/1/2007 02:53:
clima bacana, tranquilo
::gato gabola::enviou 23/1/2007 02:53:
brincadeiras
get'em, boy! diz:
bicho
::gato gabola:: enviou 23/1/2007 02:53:
mulher bonita, fiquei batendo papo com uma amiga, ela me puxou pra tirar foto...
::gato gabola:: enviou 23/1/2007 02:54:
ai, ai...
::gato gabola::enviou 23/1/2007 02:54:
o coisinha veio falando uma coisa no carro que eu concordei: eu não quero PEGAR essas meninas
::gato gabola:: enviou 23/1/2007 02:54:
eu só quero estar no meio delas. é legal receber agrado, ser legal com elas e receber algo em troca.
::gato gabola:: enviou 23/1/2007 02:54:
acho que encontrei o formato da AMIZADE HOMEM X MULHER
::gato gabola:: diz:
é REALMENTE DIFERENTE. se tu acha que pode ter a mesma amizade com uma mulher que tem com o teu amigo, tu realmente vai te frustrar
::gato gabola:: diz:
não é assim!
::gato gabola:: diz:
é algo meio carinhoso, uma fraternidade que fica PRÓXIMO da sacanagem, mas que nao chega lá nunca
get'em, boy! diz:
é
get'em, boy! diz:
apesar de tu tu já ter chegado com quase todas
::gato gabola:: diz:
tu vai ser mais agradável com elas, vai oferecer cerveja, vais ser cuidadoso. isso é legal porque é VERDADEIRO. é a OUTRA FORMA de encarar a situação.
::gato gabola:: diz:
cara, NÃO!
::gato gabola:: diz:
aí que tu te engana
::gato gabola:: diz:
se tu soubesse com quantas eu ajo assim!
get'em, boy! diz:
fulana já pegou
get'em, boy! diz:
e essa
get'em, boy! diz:
e aquela
get'em, boy! diz:
a outra lá tbm
get'em, boy! diz:
blablabla
::gato gabola:: diz:
cara, fulana, essa, aquela, a outra, etc
::gato gabola:: diz:
uma INFINIDADE
::gato gabola:: diz:
tu não quer pegar1
::gato gabola:: diz:
tu nao quer beijar
::gato gabola:: diz:
mas tu TRATA DE FORMA DIFERENTE
::gato gabola:: diz:
eu sou um cavalheiro
::gato gabola:: diz:
tu é um cavalheiro e te conforta o carinho que elas adquirem por ti
::gato gabola:: diz:
é FODA isso
::gato gabola:: diz:
aí o coisinha terminou, nesse papo, com uma expressão: "rapá, eu dou o ladies´man!"
::gato gabola:: diz:
eu SOU, corrige aí
::gato gabola:: diz:
eu pensei: "pode crer, eu tb"
::gato gabola:: diz:
eu ADORO mulher
get'em, boy! diz:
é
get'em, boy! diz:
eu também
get'em, boy! diz:
pena que não tenha momentos com elas como eu gostaria - ou acho que gostaria - faz um bom tempo
get'em, boy! diz:
e põe tempo...
get'em, boy! diz:
sei lá
get'em, boy! diz:
mas acho que sempre fui meio assim
get'em, boy! diz:
do meu jeito
get'em, boy! diz:
mas sempre fui o viadinho da turma
get'em, boy! diz:
o amiguinho das mulheres
get'em, boy! diz:
desde pequetito
::gato gabola:: diz:
eu tava lendo hj sobre o proust e ele pensa exatamente como eu, o FDP. o fodido me copiou. ele diz que a amizade não serve PRA NADA a não ser proporcionar um momento em que tu anula o teu SELF e adquire uma nova identidade, que é o TU SOCIAL, que serve pra aplacar a tua solidão. ele diz que conversas não chegam a lugar nenhum, só servem pra isso mesmo.
get'em, boy! diz:
é
get'em, boy! diz:
hoje eu li sobre fausto
::gato gabola:: enviou 23/1/2007 03:07:
não sei qual o papito do fausto, mas o do proust é FODA, e até me tranquilizou, porque eu achava que tava ficando doido com essa minha FOME por relações intensas com o maior número de pessoas que for possível. isso é normal, mas não tão saudável, porque existe um OUTRO TU que não é aquele. não é bom fugir dele. o proust diz que o artista que é mais interessante em cartas e conversas que a própria
::gustavo godinho:: enviou 23/1/2007 03:07:
tem um problema DO PONTO DE VISTO DA CRIAÇÃO ARTÍSTICA
::gato gabola:: enviou 23/1/2007 03:07:
pode até ser mais feliz, mas por esse ponto de vista ele tem um problema
::gato gabola:: enviou 23/1/2007 03:08:
que a própria... (completanto) OBRA
get'em, boy! diz:
é, eu tenho me comunicado bastante ultimamente
get'em, boy! diz:
o que não quer dizer absolutamente nada a meu respeito nem de minha obra
::gato gabola:: diz:
porque isso é IMPOSSÍVEL.
::gato gabola:: diz:
o máximo que uma pessoa vai poder saber de ti é através da luz que teu corpo reflete e que é capturado pelas retinas dessas pessoa e dos sons que tu emite e que será capturado pelo aparelha auditivo dessa pessoa
::gato gabola:: diz:
tu nunca quis ENTRAR no corpo da pessoa que tu ama quando tava transando com ela?
get'em, boy! diz:
wow
get'em, boy! diz:
chapei
get'em, boy! diz:
cara
get'em, boy! diz:
vou dormir
get'em, boy! diz:
beijo
Posted by cacoishak at 12:52
21.01.07
retrato reis

um dos melhores atualmente no ramo, meu amigo fiel e sancho pança nas gonzeiras da vida, o fotógrafo renato reis foi entrevistado por fernando rosa na senhor f. confiram o trabalho do moço. o link tá aí ao lado, no matutinos.
Posted by cacoishak at 16:38
cockmobile
dirijo um beco lusco-fusco
onde lagartixas surfam
seu medo de cair da parede
e baratas constroem
seu império num saco plástico
de supermercado pendurado no
câmbio
desligo
de onde reviram o lixo
em que me enterram
os caroneiros de primeira viagem
Posted by cacoishak at 4:56
18.01.07
descompasso
e a prudência clamará por fraldas
empapuçadas de coisa que seja
menos história e malaguetas
pois
não preciso de memória
tenho um computador que me faça o trabalho sujo
assim como havia uma pedra no caminho
e eu a chutei longe
evito assim o constrangimento de um olhar
eu te disse
pra no fim das contas
nem abutre querer mais comer meu fígado
Posted by cacoishak at 8:26
disk 0800-6669
que me desculpe o velhaco baiano
mas ah
se eu escutasse o que o sartre dizia
e quando
que são os outros a legião capirota
certeza
não teria confiado tanto a mim mesmo
e nem
às paranóias dos que me pretendem
sozinho
quando me são os próprios a companhia
constante
no inferno que esfumaça as escadas
da mente
intrafegáveis de tão entupidas de
gente e
uma arapuca nova armada a cada
degrau
e nem minha língua desenrolaria
qual um
tapete veludo vermelho esmalte
discando
zero oitocentos meia mei a mei
a nove
com a boca suja de colarinho e
o espelho
me exigindo um pedido de divórcio
Posted by cacoishak at 4:09
12.01.07
microfonia na rockpress

Dez pras cinco da manhã. Os pássaros que circundavam o Museu Emílio Goeldi começavam a cantar as pedras de que já era hora de bebum parar de entornar cachaça e tratar de seguir pro local combinado pra concentração da equipe do programa, às cinco em ponto. Primeira experiência de uma gravação em outro município. Brinquedo, não. Mas estavam todos muito arriados pra pensar em frio na barriga. E chegar no horário marcado. No stress, however. Breu Branco podia esperar. Eram anos de espera, afinal de contas. O Microfonia Na Estrada embarcaria dali a alguns minutos. Era só ter paciência. E um Engov na sacola.
leia o resto aqui. e morra.
Posted by cacoishak at 23:04
10.01.07
escala um freud
não sei quais dos meus pensamentos me julgam
quando não me deixo levar por eles e
no entanto sou levado enquanto os carrego
nas costas dos dedos
não sei dizer se acredito em deus
ou se sou o próprio
tentando manter a calma
e orquestrar o mundo que gira em órbita
do meu planeta
nem se sou apenas quem o crio
enquanto afasto o peso-de-chão da porta
e lambo as patas de quem me chega
celebrando meu corpo fechado
não sei se por instinto
sobreviveria após ter dado cabo
de quem de mim só quis a promessa
de abrir mão de minha vida
enquanto me chorava do fundo de um copo
demônios que não pagavam o aluguel
e me cobravam palhaço e trigo
ainda que não cumprissem com sua parte no trato
estabelecido quando da conquista de quem
agora me aponta dois pentes carregados
e aparenta de tudo um pouco saber sobre o dia
e as noites que lhe antecederam
Posted by cacoishak at 20:02
8.01.07
babalu de meia-idade
game over
você ganhou
pode ir levantando o vestido
as fichas se acabaram
e o quanto antes quero estar em casa
quem foi que disse
que marinheiros gostam do mar?
quando nem sequer se banham
e suas âncoras já não conseguem suportar
os calafrios de mais uma correnteza
logo eu
que desparafusei a maçaneta do quarto
pra ver se encontrava vestígio de algum suspiro
clandestino embaixo da cama
ou por detrás da estante
entre um livro e outro de culinária ou
no gravador que havia deixado
acumulando sotaques em cima do armário
e que você descobriria indignada meses depois
ou simulando a indignação
que somente o desespero da perda é capaz de simular
não importa o desespero de quem
se do que escuta ou do que se esconde
crianças afinal não se lembram
do que seus pais as fizeram acreditar
nem de como
enquanto empinavam suas pipas
em homenagem à babalu da rua
Posted by cacoishak at 18:46
digestivo cultural
Lugar pra todos: tem. Quem vai ficar? Quem continuar escrevendo. Quanto aos jovens – cara, não tou sabendo de mais NINGUÉM. Se tem alguém vindo por aí, na boa, me avise. Se bem que sei lá: na real tou sabendo de UM MONTE DE GENTE, podem soar antigos pra mim porque leio há tempos – como Carol Bensimon, Fábio Godoh e Marcelo Noah, Bruna Beber, Caco Ishak, Vanessa Barbara –, mas podem ser extremamente novos para muita gente. É a velha síndrome do NOVO ESCRITOR – no Brasil, muitos NOVOS ESCRITORES tem mais de 40 anos e uns 5 livros editados. Outra vez: nenhum sentido.
brother cardoso - pra variar - aprontando das suas. na íntegra, só aqui. vale a pena. um papo com o cardoso é sempre um bom papo. ESSE É O CARA.
Posted by cacoishak at 15:49
6.01.07
perros descarrilados
carlota não tem sobrancelhas
e se masturba com a escova de dentes
elétrica pela manhã antes de sair pro trabalho com
um pedaço do cadáver que guarda embaixo de sua cama enfiado
na bolsa e que no caminho deixará cair por acidente após se esbarrar no metrô
.com
camilo se esconde por trás de seus cabelos e espeta sua glande com alfinetes
todas as noites antes de dormir agarrado ao terrier que lhe lambe
as bolas enquanto toma banho sentado no box com
as fotos de sua ex-namorada que estará
lhe aguardando ao encontrar
.com
clara é adventista do sétimo
dia e pede perdão a deus quando cai em
tentação e se deixa levar pela conversa do irmão que
lhe entrega pedras das mesmas que fumavam e que deverão ser
repassadas pro senhor com um cachorro acinzentado depois que se indispuser
.com
clóvis nasceu com problemas mentais por conta de seus pais serem parentes e
obriga o filho de seis anos da vizinha a lhe enfiar girinos recolhidos
na vala rabo adentro onde guarda os trocados que lhe
darão de esmola quando se pendurar nas
pernas dos outros até se ter
.com
célia cuida bem dos sovacos
e se vangloria por trepar com um diferente
a cada dia em que ainda vem lhe buscar o ex sem se
preocupar com os bolores do corpo colecionados ao longo do mês
e que decidirá serem dispensáveis ao se atracar tão logo aviste seu enamorado
.com
carlos é castrado e tem como único amigo seu cão que lhe encrava nas costas
seus dentes empapuçados de instinto que há séculos faz com que
carnívoros desconfiem de si e que o fará desaparecer
num vagão com o pedaço de um fêmur na
boca rumo a próxima estação
Posted by cacoishak at 12:37
5.01.07
poema a uma spice girl
diz-me o quanto ainda te resta
que eu te direi o que desperdiçar comigo
pois
não tem outra
if you wanna be my lover
toda essa nuvem de glitter e pó-de-arroz
terá de baixar primeiro
de carona no suor de um corpo que se me apresenta desconhecido
em queda livre pelo funeral de uma morte pré-fabricada
agarrando-me em cada inflamação ou cicatriz que se lubrificam
enquanto batem a porta
e apagam as luzes
e as virilhas murmuram danças na chuva
de mini-saia
sem calcinha
e motocicletas se despedaçam sobre nossas cabeças
roncando uma década de imoralidades
a duzentos e dez por minuto
só um filete d'água escorrendo perna abaixo
num beco qualquer da frança
resguardado pelo pensamento
que se esconde dentro de uma boina branca encardida
e não se deixa molhar pelas lágrimas de um homem
ao tempo em que cai o mundo
Posted by cacoishak at 19:36
4.01.07
feucheclaire
não consigo mais entender a poesia
nem meu baixo-calão no manejo das palavras
controlam teu blues de versos soltos demais dentro dos
teus trajes largos de pregas azuis e cigarrilha presa nas tuas pernas
de dedos longos e entrecruzados que tossem secas a persuasão de uma [mosca
queria poder dizer alguma grande verdade
tirar da cartola uma revelação
mas tratou o tempo de mostrar que
se encaixam as peças
é porque esperaram além do que se condicionaram
e um novo demônio já brinca com os ponteiros do relógio
de parede que me deste na páscoa do ano passado
não vou pedir ajuda a nenhum passante
nem distribuir folhetos em praça pública
sem mais mentiras das meninas da augusta
ou o provolone de republicanas despatriadas
quero na garganta a bosta do deus vaca em partículas
uma culpa que não me seja por sãos e anjos imputada
quero willie nelson na vitrola e uma cabrita na mira da espingarda
vestir-me de nu ao roubar o mel do urso após vê-lo receber as ferroadas
e parar de rimar tanto
que isso já não é poesia
nem bengala pra defunto
que nem mais espanca
pois
se é mesmo o fim
seja essa minha forra
Posted by cacoishak at 15:08
2.01.07
nada de novo no front desse ano
cometi orkutcídio vinte minutos antes da virada. pisei pela primeira vez na rua às seis da manhã. dei dois passos e uma manga caiu em minha cabeça.
estou numa lan.
Posted by cacoishak at 18:57