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12.12.06

um poema de andré arruda

somos contos feitos de histórias alheias
presas a antigas narrações embalsamadas da Antiga Memória
Não passamos de contos contando estórias.

estórias são feitas de leis feitas
de personagens que são estátuas comuns
contando nossos causos respiramos atmosfera rarefeita
e mentimos como um bebum

vivemos conhecendo nossa cova
só não sabemos onde ela está feita
mas para lá rumamos instintivamente
sofisma...

da consciência dada dos fatos
o instinto de arrebatação se insinua...
o desespero de vasculhar mitos e sombras se avoluma
dores multicoloridas estalam no peito...

e começamos a ver que no pleito
de nosso picadeiro
o irreal de nosso real começa a se manifestar
como essência idiossincrática, desmistificando o Verdadeiro

quem conseguirá ir além deste ponto na transmutação?
sorte aos aventureiros de doravante!

Mas cuidado com o tamanho da queda
pois por mais que tentemos
sempre seremos contos contando estórias feito de histórias alheias
fadados a tal impropério cá estamos pela vida inteira!

E assim me resumo:

sou a união de fragmentos mnemônicos de tua dor: o que mais posso ser?
espelhos sorriem invertidos em tua alma...
apenas reverberações idiossincráticas de uma mente sem referências...

Posted by cacoishak at 12.12.06 20:27