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29.11.06

microfonia

Tá no dicionário:

mi.cro.fo.ni.a – s. f. 1. Med. Fraqueza da voz. 2. Rádio. Reflexão de um som agudo e contínuo sobre o microfone, tendo saído deste.

Que me desculpe a medicina, portanto. Pois ela definitivamente nada entende de música. Nem desse bicho esquisito que uns de maneira bem cafona ainda chamam de jovem – e aqui não consigo me deter em pensar no velho Anysio. Talvez tenha se especializado demais. A medicina, digo. E o Chico também, pra falar a verdade. Mas não a juventude. Pelo contrário. Os quartos das casas classe-média cada vez se parecem mais com verdadeiros celeiros de pequenos prodígios que de tudo um pouco entendem, sempre prestes a solucionar uma dor-de-cabeça de ocasião. Nem que a dor-de-cabeça sejam eles próprios. Microfonia, entendem?

Eu desenho, então. Ou melhor ainda. Grafito. Chamo logo o Breno Spiro pra passar essa mão de tinta. Imaginem só um cenário feito por ele sobre a arte do John Bogéa? Isso, num programa de televisão – e, u-lá-lá, independente. Todo mundo lá, inclusive, adora isso de pintar e bordar. Que o digam o fotógrafo Renato Reis, o técnico de áudio Jacob Franco e os assistentes de produção Lilia Melo, Gabriel Vasconcelos e Wellington Santos. Timaço de tarimba, esse formado pelo diretor Robson Fonseca, a produtora Zena Gorayeb e a executive producer Priscila Santos, diz aê? O assistente de palco Fabrício Bastos e a de direção Danielly Keystone estão lá pra não me deixarem mentir. Não satisfeitos, inventaram de tirar as tranças da Sammliz pra dar um novo ar cacheado à moça – de musa do rock paraense passou a apresentadora de maior sex appeal da nossa tevê. E ainda tem uma banda autoral diferente a cada programa, tocando ao vivo. Um brinco só.

Ou seja. Microfonia. Caíram na besteira de misturar skatistas, músicos, publicitários, vestibulandos, jornalistas e um emo. Já viram. Bombou.

Ainda se perguntando por quê? OK. Vamos nessa.

Lembram-se das dores-de-cabeça? Então. Quem disse que precisam de analgésico? Que nada. Carecem, sim, é de um meio em que possam se propagar num vai-e-vem danado de dúvidas e questionamentos. Estridentes que só elas. Microfonia, isso. Mas também é muito mais. É música, é esporte radical, é cinema, é literatura, é etc. Bastante et cetera, aliás. Porque esse bicho esquisito gosta de falar demais, de trocar idéias horrores e de se inquietar sempre. Tava passando da hora de alguém tentar entendê-los. Ainda que ninguém acabe se entendendo. Quem disse que não vale a pena tentar? Não eles, que cresceram aprendendo a fuçar e a remodelar tudo pela frente num legítimo do it yourself.

Que me desculpe a medicina, portanto. Pois, de fracos, eles não têm nada. O verbete da vez é reflexão.

Entenderam, agora?

Posted by cacoishak at 29.11.06 18:06