« cansado, eu? | Main | enquanto vocês lêem e dormem »
8.09.06
se rasgum na outracoisa
em breve, nas bancas. autoria de um cretino. por ora, só a cabecinha.

vanguart, numa de suas tradicionais partidas de futebol de botão, em frente ao chalé dos chalés do festival. clique de renato reis.
Brasil, 1500. Aportava no território hoje conhecido como Bahia de todos os santos as três naus portuguesas, abarrotadas de marujos sedentos por desfrutar dos prazeres oferecidos pela terra ainda desconhecida. Mata fechada era o que podiam apurar ao longe. De onde logo saíram os nativos para recebê-los um tanto quanto calorosamente, por assim dizer. Levados pelas mãos por beldades cor-de-jambo, cujos cheiros e sabores eram da receita o mais exótico dos prazeres, adentraram a floresta. Não demorou, depararam-se com o nunca dantes visto. Festa estranha, com gente esquisita. Mas nada de birita. “Passa um cachimbão da paz pro Cabral, que daqui ele não sai mais”, disse então Abopuru, a primeira groupie genuinamente brasileira. Gostou tanto do pincel do moço que dele ganhou de presente, que acabou com ele ensaiando seus primeiros garranchos. De lá pra cá, pouca coisa mudou. Pouquíssima coisa mesmo...
Brasil, setembro de 2006. Belém. Parque dos Igarapés. I Festival de Rock Independente do Pará. Se Rasgum no Rock. Roqueiros saídos dos confins da terra brasilis, sedentos por desfrutar dos prazeres oferecidos por este solo ainda desconhecido pela maioria dos nativos que neste país se escondem, desembarcam por estas plagas sem a mínima idéia do que por eles esperam. Na bagagem, além do bom e velho rock´n´roll, alguns artefatos que, a olhos desatentos e desprovidos de um mínimo de sensibilidade, não causariam assim tanto furor. Pode ter demorado além da cota, mas finalmente a Bahia caiu. Após mais de quatrocentos anos de rixa, o Pará teve sua chance em caráter oficial de desbancar os orixás no veredicto final. Com destaque no quesito sensualidade. E em tudo mais que a criatividade pôde transformar quando os recursos que se tinham ao alcance das mãos, embora distantes de serem rústicos, eram, no entanto, escassos.
“Estamos passando uma temporada em São Paulo, temos alguns compromissos com o Sesc e tal. Então, fora o frio de são Paulo, ainda há a tensão com o PCC nas ruas e o caralho, nego fica se cuidando na hora de voltar pra casa e tudo. Daí, chega num festival desses, com esse clima, a gente até se desintoxica um pouco. Passei horas ontem no igarapé. É difícil surgir uma oportunidade de curtir uma água dessas, mais natural. Eu estava comentando com o Marcelo (Damaso, um dos organizadores do festival) que o sujeito que projetou esse parque, essa estrutura toda, se inspirou no rock´n´roll, em Woodstock. Pensa num lugar perfeito. É aqui”, desabafa Fred 04, da Mundo Livre (PE), escondendo o jogo do que realmente aconteceu nos chalés onde as bandas forasteiras, com exceção de Cachorro Grande – urtiga? –, ficaram alojadas, dentro do parque.
(...)
Posted by cacoishak at 8.09.06 16:30