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6.09.06
cansado, eu?
longe disso, hermanos. mui longe. acabado. em frangalhos. desde quarta-feira passada dormindo apenas três horas por noite. comendo praticamente nada. bebendo praticamente todas. e mais tudo o que me aparecia pelo caminho entre uma missão e outra durante o festival. minhas olheiras nunca estiveram tão pedro malan quanto agora. e tenho só mais quatro horas pra escrever a matéria com o wander. dormir por mais umas quatro horas. acordar e começar a escrever matéria pra outracoisa. cuidar da filha. supermercado. dormir outras seis horas. pegar a estrada. o feriadão que me aguente. vou postando o que for saindo entre os cochilos. cobertura completa, só mesmo na semana que vem. por ora, o release da baby loyds - cujo show, aliás, foi simplesmente fodaço pra caralho (e não digo isso apenas porque acho o fabrício bonitinho, nem pela língua presa da zena) - que escrevi faz pouco mais de uma semana:

Que ninguém se engane com a cara de bonzinho, jeito manso de falar e suas novas companhias-bibelôs-de-festa. O trajeto até a Abunai Records, sua loja de artigos de rock e também selo musical, é um perigo só. Não bastassem os emos pelo caminho, dos quais somos obrigados a desviar para evitar futuras complicações psicossomáticas, ainda nos restam os buracos no asfalto, all over the place. Porque já o disse e repito: onde Sandro-K cospe, sai fumaça. O garoto é mau, apesar da pinta de straight-edge (engana...).
Daí não estar nem aí pros dezessete anos atrás do contra-baixo da Baby Loyds. Pros vinte anos da banda em si, porém... é outra história. O que fazer com seus negócios no ramo varejista, então? Poderia Sandro-K abandonar os emos assim, deixando-os órfãos da noite pro dia? Sandro-K é punk. Embora tenha um coração. Um músculo mau, a bem da verdade. Sujo, sim. Mas vegetariano. Marcaram um X no coração do moço. E foi necessário pulso, muito pulso nessa hora. Um pulso firme.
Não bastando o desequilíbrio vocal de Gerson Costa a tratar da situação com a mesma pujança porra-louca com que assume o microfone da banda desde os tempos mais remotos (ainda brincavam de apostar quem fazia o buraco mais fundo na parede com seus cuspes, ele e Sandro-K, costume adquirido quando eram meros fãs do grupo), foi necessária a intervenção de Zena Gorayeb, tomando as rédeas da situação e tentando, na medida do possível, produzir os meninos. Sandro-K, por sua vez, que andava sorrindo demais, voltou a fechar a cara. Gerson gostou disso. E o trem ensaiava seu retorno aos trilhos.
Sempre fiel à ideologia inconseqüente e questionadora própria a todo adolescente, espírito explícito no nome Baby Loyds, e já irritado com o insistente tilintar dos piercings de Zena – e ainda o rodeavam os emos, bendito seja –, Sandro-K sentou com Gerson a uma mesa de bar (ficando o primeiro num talo de rabanete e um copo d´água) e lá decidiram, de uma vez por todas, reunir a moçada.
Ativados, então, por meio de seus relógios-localizadores-punks-de-boutique, especialmente desenhados pela produtora e designer Mil-Caras Gorayeb para os momentos de desencontro freqüentes entre os membros da banda, a musicalidade herdada do hard-core de Ricardo França (guitarra) e a batedeira humana Tadeu Kahwage (bateria) fizeram reluzir o pó. Fabrício Bastos, que suingava seu sorriso Dudu Nobre em famoso pub da cidade, ofuscou-se com tamanho brilho (a luz entrou pela porta de vidro e bateu num de seus dentes; daí para o espelho e de volta pra outro dente e assim ad infinitum, um autêntico clarão) e não resistiu ao convite há muito feito. Assumiu a tão esperada segunda guitarra da Baby Loyds.
A banda, finalmente, entrava em estúdio. Fontes seguras revelam que um álbum novo, só de inéditas, em comemoração aos vinte anos de sua existência, está no forno. Os urubus já sentiram o cheiro.
Na mesma linha punk desde o final de 1986, quando decidiram formar a banda durante as folgas entre um ensaio e outro na extinta “República dos Camarões”, a entrada de mais uma guitarra só fez roçarem as pedras uma na outra pra que as faíscas explodissem o gás nunca ausente e que os consagrou nacionalmente.
Não à toa, a banda já participou de inúmeros shows fora do estado, merecendo destaque os realizados em Natal (RN), Teresina (PI), Recife (PE) e Fortaleza (CE), dividindo palco com as bandas D.F.C., Alma, Switch Stance, Jumenta Parida, Deadly Fate, Ânsia De Vômito, Obskure, Food4life, Câmbio Negro Hc, Discarga Violenta, Capones, Jason, entre outras.
Os emos que me desculpem. E se preparem. Porque Sandro-K não está mais sozinho. A Baby Loyds está de volta (apesar de nunca ter se mandado). Portanto, é melhor deixarem suas maquiagens de lado e aprenderem algumas técnicas de defesa pessoal se estiverem dispostos a fazer parte de um verdadeiro show de punk rock, bem além das franjas e paetês das majors.
Pois, já o disse o imperador: independentes ou mortos.
Posted by cacoishak at 6.09.06 2:05