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30.09.06
baleia pelancuda
sempre aprontando das suas. a mais nova foi essa.
Posted by cacoishak at 2:36
paralelos
rafael rodrigues publicou uma nota sobre o lançamento em são paulo no blog do paralelos, n'o globo online. pra ler, fica à vontade.
Posted by cacoishak at 2:27
29.09.06
amanhã

e depois...

Posted by cacoishak at 15:59
vamo armar o circo

maiores informações, nesse site aqui. pra quem não é de sumpimpa, vale a pena organizar uma parada dessas em cada canto da porra desse país. pueblo de belém, rumo ao comércio. lá, os narizes são vendidos por um preço que dá vontade de rir. compra logo um sacão e sai distribuindo no domingo. prometi a mim mesmo que não mais falaria de política nesse blog, mas se for pra ser palhaço por uma última vez, eu até que topo.
e só pra que ninguém se esqueça do pós-lançamento no sábado, lá vai o convite:

nas mesmas bac-hora e bac-local, estará rolando a terceira edição do desconcertos, projeto do claudinei vieira com o bactéria. e tem mais... muito mais. e-mail da fernanda d´umbra:
Caros amigos do Cemitério de Automóveis,
Há quanto tempo? Nem eu sei.
2006 anda brincando com a gente: “Vamos lá, quero ver até onde vão esses caras.”
O que 2006 não sabe é que a gente não foge. Dona Isabel Pinheiro a avó do Gabriel, falando sobre sua família, foi quem ensinou: “O que você tem que entender é que nossa família tem sangue de índio. E o índio não teme a guerra, não teme a morte, o índio não teme nada. Ele só teme fugir.”
Osmar Pinheiro, o filho da Dona Isabel, o pai do Gabriel, do Jiddu, do Thiago, do Pablo, do Ian e da Alexa morreu e deixou a gente triste.
Mas deixou também seus lindos filhos e sua esposa gatíssima e elegante; e eles têm o Osmar correndo neles.
E Osmar deixou uma linda Galeria, a Galeria Virgílio, onde os meninos inauguram no sábado o b_arco.
B_arco é um espaço pra se fazer arte cega. O que vem por aí? Teatro, música, literatura, artes plásticas e muitos amigos desvairados por algo que arranque a tampa de suas cabeças. Enquanto na verdade arrancam as tampas de cabeças avisadas e desavisadas.
Eu gostaria de me estender e dizer tudo o que vai rolar, mas achei melhor fazer uma pequena lista de algumas das pessoas que estarão lá no sábado. Pra que você tenha uma idéia do tipo de coisa que se pretende ali.
A lista corrida inclui: Xico Sá, Mário Bortolotto, Lirinha, Marcelo Montenegro, Clarah Averbuck, Alex Antunes, Marcelino Freire, Ilana Kaplan, Patrícia Gaspar, Octavio Mendes (Tatá), Nilton Bicudo (Socorro, isso é o máximo!), Micheliny Veruschk, Madalena Bernardes e mais uma pá de gente injustiçada pela minha memória duvidosa.
Gabriel Pinheiro me convidou pra ser MC. Aceitei, porque depois que eu banquei a modelo no ensaio de moda da Revista Miroir e gostei, eu acredito em tudo. Leandra Leal corre na frente da produção. Essa mina é firmeza.
Como diria Ronaldo Bressane: Bora lá.
B_ARCO VIRGÍLIO
Inauguração dia 30 de setembro (amanhã) das 16h às 22h
Rua Virgílio de Carvalho Pinto, 422 – Pinheiros – Fones: 3062.9446 / 3061.2999
E NÃO É SÓ ISSO!
ANTES DE IR PRA INAUGURAÇÃO DO B_ARCO VAMOS TODOS AO
DESCONCERTOS
Terceira edição deste que é um dos encontros mais molecagem da literatura. Claudinei Vieira MC é impagável. Porque ele sabe do que está falando e não tem vergonha de se emocionar. Claudinei Vieira para Presidente do Brasil. E isso não é uma piada.
É dele o projeto dos Desconcertos e em parceria com o Bactéria eles levam essa parada todo último sábado do mês, lá na Praça.
Claudinei me convidou pra fazer um barato lá. Vou ler e cantar gentilmente acompanhada por Mário Bortolotto na guitarra.
E lá estarão também: MaickNuclear, Walter Figueiredo (Batata) e Caco Ishak lançando seu livro “dos fandangos ou a má reputação de um estulto em polvorosa” – Editora 7 Letras.
Nem preciso dizer que ficarei muito feliz em encontrá-los na Praça Roosevelt.
DESCONCERTOS
SEBO DO BACTÉRIA
Praça Roosevelt, 124
Sábado – 30 de setembro (amanhã) - 14h
Um beijo enorme para todos e todas.
espalha as mensagens e ele virá.
Posted by cacoishak at 10:27
28.09.06
sobre o frio e os botões da roupa
consideração terceira: não bastando, de guloso que sou, ainda tem as festinhas pra lá de refrescantes da indayara na funhouse, às quartas. por uma dessas coincidências da vida, aconteceu de ser ontem uma quarta. e teve vanguart. e luty, irmã da ju. e ju, irmã dela. e iron, meu primo. e seu amigo bolinha. e zena. e chucky. e, caralho. lotou a casa. até cachorro grande pintou por lá. e bazar pamplona. e daniel belleza. e o povo da vanguart. parecia até que eu tava no se rasgum, porra. tinha até um boneco em tamanho real do marcelo damaso, essa puta que nunca vai sentar sua bunda gorda na frente do computador pra terminar de escrever seu livro. a renée, claro, tava lá também. quero só ver como vai ser o moleque dos dois. não, gentem. ela não está grávida. mas damaso pai é uma das coisas que eu não morro sem antes ver. pra completar, ela ainda é a cara da chlöe sevigny. enfim. todo mundo lá. aqui. em são paulo. not belém. hello-ow?! ô, porre. mas que tava um belenzinho aquilo lá, ah tava. lindo de ver. só quem não apareceu foi meu livro. fiquei inibido. ainda assim, deu pra pagar a conta do bar, um lanchão na padaria e o metrô de volta pra casa, me sobrando uns quarenta e tantos paus da grana de quem sabia que os livros estavam na mochila. coisas na mochila que nem eu sabia, inclusive. e voltei pra casa. às sete. aliás, só palmireno não foi. invocado que tá com a idéia de passar no mestrado. e poutz. acabei de me lembrar. a entrevista dele foi hoje. por isso que ele não foi. será que passou? meu livro não foi. nem o palmireno. nem uns poucos furões. mas de resto... de resto, foi tudo. pra resumir, e-mail do montalvão:
Indayara é a coisa mais linda que existe em São Paulo man...
ontem foi foda né!? tava cheio, gente legal... yodo mundo lá!!!
foi um show bonito, lembro d evc bebado pegando um bebida no balcão... rsrsrsrs... to todas hein caboclo...rsrsrs eu tbm.
perdi o rumo!!!
e, por falar em montalvão... pra não não dizer que não falei das flores, ainda dá tempo. e não custa nada. os moleques são gente boa pra caralho. mas não é só por isso. a música é do caralho. o clipe é do caralho. o show foi do caralho. então, entra aqui e vota neles. isso, se tu não achar que uma das outras lá mereça mais. eu voto na vanguart. vai logo. é só até hoje à noite. mas antes assiste ao clipe, porra. pra não errar.
Posted by cacoishak at 13:54
26.09.06
caco convida caco

ainda não li os contos para ler cagando dele. prometeu me mandar e, até hoje, necas. é xará. compreendo bem os da raça bem como os do vinte e sete de maio. um aliás que a todos mui bem representa na capa do conterrâneo com suas madeixas esfogueadas.

Contos em gotas
por Marcelino Freire
Talvez fosse melhor começar citando um dos minicontos do Caco, o Belmonte. Para que esta apresentação não vire amolação, sei lá. Digo assim: para que eu chame, vupt, vapt, a atenção do leitor. Apele aos apressados. Esse livro faz rir. É um livro debochadamente literário.
Vamos ao míni, cujo título é Olhos de Paulo Coelho. A saber: "Na beira do lago Guaíba, sentei numa pedra, fumei e ri". Rarará. Não estou dizendo?
Não é de hoje que Belmonte escreve livros curtos. E grossos. Foi ele quem publicou o Contos para ler cagando. Eu o conheci assim, na Festa Literária Internacional de Parati. Não cagando. Explico: o conheci distribuindo e vendendo o próprio livro. Textos instigantes. Mínis, micros e até macros.
Aqui vai mais um desse presente volume No Orkut dos outros é colírio. Um continho que se chama Sentença. Diz: "No porta-retratos em cima da tua mesa de trabalho, na foto junto com teus filhos, não vou ser o cara que aparece sorrindo". Eta danado!
Sentiu o clima? Não são apenas contos escrachados. São contos que vão fundo. Digamos: nas relações. Digamos: na vida miúda que levamos.
Caco, à la o mestre Dalton Trevisan, escreve na velocidade da sombra. Pequenos personagens dessa nossa vida besta, Meu Deus, e cotidiana. Sem contar inusitadas histórias sobre drogas, pênis decepados, membranas, mucosas e mijadas. Ave!
Tenha calma, nobre leitor. A coisa é séria, embora não pareça. Digo assim: pelo título. Digo assim: ou por causa desta minha apresentação maluca. Não tenha medo. Não fuja. Belmonte é, na verdade, um provocador. Taí uma coisa que eu prezo na boa literatura: a coragem e o humor.
Admiro o cara que sabe ir no caroço da palavra e tirar uma casquinha. Caco Casquinha. Que trocadilho mais infame fiz eu, putz-grila! Perdão. Acho que isso aconteceu depois que eu li, num fôlego, esse original e divertido livro. Vá por mim. É só abrir bem os olhos.
Eu, de minha parte, estou falando só dos dois de cima.
Divirta-se!
- NO ORKUT DOS OUTROS É COLÍRIO-
PRÉ-LANÇAMENTO
29 de setembro, a partir das 19h
Botequim das Letras (Félix da Cunha, 1143)
LANÇAMENTO
03 de outubro, a partir das 19h30
Dado Tambor do Bourbon Country (Túlio de Rose, 80)
Contatos com o autor: (51) 9836-8122 / cacobelmonte@gmail.com
Posted by cacoishak at 13:19
25.09.06
as filhas da chiquita no festival do rio

quem perder é viado. e carioca, ainda por cima. bicha acariocada é ruim, hein? não vale. só se for da gema, mesmo. eu já vi. duas vezes. tá certo, uma e meia. e agarantio. por quê? porque é da priscilla brasil. não conhece? então vai. e por que mais? porque tem a co-direção do gustavo godinho e do vladimir cunha. e porque tem o eloy. e mais um monte de beesha bacana. e um padre que é o ó. quem não conhece a chiquita... ai de quem não a conhece. faz assim: vê o documentário e, se gostar, passa numa agência de turismo e compra uma passagem pra cá. a festa da chiquita tá pra começar. logo ali, em outubro. quem sabe você, glamourosa, não encontra o godinho por lá e não salva a mona das garras dos emos?
ainda não se convenceu? tudo bem. se não sei como colocar atalhos práticos pro youtube, o doda sabe. passa lá e assiste ao trailer.
e aí? nada?
adendo: onde está estação unibanco, leia-se estação BOTAFOGO.
Posted by cacoishak at 18:57
24.09.06
onde comer e beber no rio de janeth

para maiores informações sobre os pratos, favor consultar o cardápio.
e, favor ao sair, não se esquecer do dia 27 de setembro, em são paulo, quando serão servidas porções de má reputação na funhouse.
banda da casa: vanguart (mt).
couvert artístico antecipado: dez real.
quentinha de fandangos para viagem: promocionalmente, só nesse dia, a quinze real.
Posted by cacoishak at 22:18
descarrego do dia
um bom poema
leva anos
cinco jogando bola,
mais cinco estudando sânscrito,
seis carregando pedra,
nove namorando a vizinha,
sete levando porrada,
quatro andando sozinho,
três mudando de cidade,
dez trocando de assunto,
uma eternidade, eu e você,
caminhando junto
[paulo leminski, la vie en close]
um oferecimento das casas cronópios.
Posted by cacoishak at 22:09
douglas kim
"(...) não há crítica na Brazilônia porque todos se conhecem. Proteja-se sendo uma pessoa sociável. O pior que pode acontecer à independência de opinião é a promiscuidade de relacionamentos."
um oferecimento das casas scott.
Posted by cacoishak at 22:07
22.09.06
atenção paulistas!
e a caravana continua. próxima quarta, dia 27 de setembro, em SÃO PAULO, pós-lançamento do MÁ REPUTAÇÃO junto com o povo da VANGUART, banda fodona de mato grosso, lá na FUNHOUSE (bela cintra, 567), às 23h, e no dia 30, sábado, às 14h, tem lá no SEBO DO BACTÉRIA, que fica na praça franklin roosevelt, 124, consolação.
não, não quero ver ninguém lá. é impressão tua.
Posted by cacoishak at 2:12
20.09.06
escreve escreve

é do ano passado. mas vale o espírito.
Posted by cacoishak at 1:43
18.09.06

- o que é dever de casa?
- dever de casa é uma coisa que uma criança com déficit de atenção não precisa se preocupar.
natella respondendo à amiga keisha, dda assumida, no episódio de colégio bromwell desta madrugada, no adultswim.
sem próximas perguntas.
nada mais a declarar.
por ora, apenas.
Posted by cacoishak at 2:55
15.09.06
compre batom

wander wildner degustando a obra, encantado pelas lentes da fotógrafa.
myzena
mói os cacos
engrossa o caldo
põe o charque pra ferver
faço com
myzena minha
gororoba
sustança ab-dominal
que
substitui a tarja preta
engrossa a fala
engrossa e fala
engrossa e ferve
o que moer
coq au vin
pepsi ou galhoto
receita de menina
à francesa de boutique
punk-love no divã
na paz de cristo
ou de burnquist
as mil caras que te fazem
strip-teasam
a tarja preta
e das incertezas colhem
o tempo que de inteiro
se tentou sorrir sozinho
e tratou o vento de o fazer
apenas picadeiro
ooOoOoo
primeiro poema desde o dia oito de janeiro. e, teoricamente, o primeiro poema da próxima coletânea a ser editada. acho que voltei a escrever de fato. inferninho astral demorado, esse. venho observando isso entre os chegados. a cada ano, o dema estrelado aparece mais cedo e se vai mais tarde do que no anterior. não sei se acontece com a geral ou se é só comigo mesmo. e meus amigos nem existem. mas então.
um segundo pro pigarro.
tá chegando o dia. o dia tá chegando. não sou um drummond. nem toco sanfona. não tenho caminho na pedra. nem o delas eu sei. ainda assim vou rimando. com meu deus aprendei.
quer coisa muito melhor que isso? muito melhor que essa cretinice toda? pois tu não perde por esperar o que essa calhorda tá aprontando. vi só a capa hoje e foi de derramar lágrimas pelo msn. o miolo, ninguém me mandou até hoje. mas sei de gente que se aquatrou. como se eu já não tivesse há muito atravessado essa casca-grossa. segunda-feira, ela vai lá na editora pegar os pacotes. e tchan-tchan-tchan-tchan. festa muito em breve no rio de janeiro. depois do wander, ângela rô rô ameaça dar uma palha no mike. e são paulo que nos aguarde. nos primeiros dias de outubro, a mais nova dupla de poetas pós-propostas da 7letras estará guerada.
aproveita e pede um bis.
uma honra poder dividir a mesma prateleira com a beber.
luv ya, beeba.
Posted by cacoishak at 2:12
14.09.06
um quadro. um conto. um só amor.

por andy mitchell
Cine Roxy
Quando você, encantado com os meus olhos castanhos e encovados, quando você passou a mão no meu rosto e disse baixinho tu é uma flor, quando você, de olho nos meus dentes de sabre, falhou a voz ao tentar dizer qualquer frase de amor, quando você, meu amor, meu amor, no táxi, no banco de couro escuro, lá longe, o mar e as palmeiras da Avenida Vieira Souto iluminada pelos postes amarelos, meu amor, quando você me agarrou as coxas e me beijou a boca, revolto e agitado, na rádio FM tocava música romântica e, de olhos fechados, eu soube que vivia uma história de amor.
As ondas farfalhavam brancas e o vento levantava meus cabelos enquanto o taxista procurava por entre as ruas transversais o tal restaurante Tailandês. Você completava vinte e oito anos e eu me enfeitiçava com os seus mecanismos de sedução à moda antiga: ganhei doze rosas virtuais e uma vermelha e macia.
Comemos lula perfumada e fingimos conversar qualquer coisa. Você pediu para sentar perto, mais perto, perto, perto. Eu deixei e vi que tinha olhos de cristais brilhantes, um cabelinho saindo do nariz e mãos corpulentas. Durante o jantar, alternava a lula entre os beijinhos na bochecha, perto da orelha, na maçã do rosto e na ponta do nariz. Uma delícia, à meia luz. Pedimos a conta, zarpamos para minha casa e, lá, depois de saltar do táxi sozinha, dizia adeus e sorria.
A culpa é do chapéu, meu amor. Ou quem sabe, dos seus olhos de cristais e dos meus dentes de sabre...Mas o fato é que, quando atravessamos de mãos dadas a Avenida Nossa Senhora de Copacabana vazia, vazia, tarde da noite, depois de uma sessão água com açúcar no Cine Roxy, eu olhei para a lua cinza, escondida sob o véu de uma nuvem à toa, olhei para o céu e depois para o asfalto escuro que cintilava em pedrinhas mínimas sob as luzes néon das marquises dos bingos, das casas de show e do próprio letreiro vermelho ‘Cine Roxy de Copacabana’, eu olhei para tudo isso, meu amor, e, muito tímida, olhei para você, e disse com meus olhos:
- Sim.
Mordia fininho o bico dos peitos, você revirava os olhos, iluminando a casa inteira, e dizia, baixinho, meu amor, meu amor. Passeava nua sobre o seu peito asmático, a mão, a perna, o rosto; todos nus. Enroscava sobre o colchão - como uma flor de maracujá?- enquanto você avançava a qualquer custo as mãos corpulentas e os beijos molhados por entre as transversais do meu corpo, peixe elétrico no fundo abissal do mar.
Usei os cílios como instrumentos de amor. Sorria, olhava para o céu, para a lâmpada amarela, para a rosa no vaso, para os desenhos das sombras, para as palmeiras que farfalhavam verdes lá fora, meu amor, eu sorria com os olhos e com o corpo inteiro; estrela dourada de cinco pontas, cauda de cometa e poeira lunar.
Um bando de chapéus rasgava o espaço e eu fazia carinho em você, você, você. Dormimos abraçados, alados, até um canário cantar. Quando, às oito, às nove, às dez, você acordou sobressaltado, me beijando a boca e, alegando estar atrasado, zuniu para o chuveiro, o dorso nu, asmático, sob a luz do mundo que invadia a casa, sacudia a cabeça debaixo da água gelada e energicamente esfregava o sabão madrepérola pelo corpo inteiro, do pescoço até os pés.
Da sacada da janela, com um lenço de seda, disse adeus, boa viagem, meu amor, é o fim, o fim, o fim! Você ergueu o braço, ajeitou o chapéu, mandou beijinho e zarpou montando num cavalo branco Copacabana afora, sabe-se lá para aonde, lá longe, quem sabe, - em incursão para o Pantanal?-, quem sabe, lá longe, adeus, adeus, adeus.
Esperei você sumir das vistas, esperei, esperei, esperei. Um vento forte bateu, um leão rosnou. E aí, quando os créditos subiram e invadiram a paisagem em letras garrafais, eu soube, de olhos abertos e castanhos, eu soube, meu amor, que tudo acaba nesse mundo, tudo, tudo, tudo, e mesmo sob todas as luzes, sob todas as águas turvas e palavras à toa, eu vivia uma história de amor.
por natércia pontes
Posted by cacoishak at 15:32
13.09.06
enfim, flip

pré-pré-lançamento do má reputação na flip desse ano. sou esse aí da ponta direita, de gorro vermelho e de costas. por enquanto, foi só o que consegui arrumar em que apareço. delfin, também de costas, ao meu lado, lançando os volumes da paradoxo. ao fundo, em primeiro plano, a mulher multimídia letícia novaes e seu ménage à trois (projeto que, em seu embrião, reuniu bambas como jojo na cítara e nix na gaita), a dois, com pcatran. quem salvou a noite. e a da segunda seguinte, quando do pré-lançamento no rio. salva noites e dias, essa. a voz e a cabeça por trás dos letícios - cujo cedê me foi presenteado após o bis de "fuck music". tudo lindo, maravilho. bons tempos, que não voltam nunca mais. ah, a foto é da dani, mulher do maurício, que também estava por lá, lançando o zine da baratos e animando a festa.
e, sim. não dá pra não falar do tiozinho de cabeça e blusa brancas, em frente à letícia. mó pé-de-valsa, o sujeito. dançou até conseguir encher o saco de todo mundo. essa tchurma toda, acreditem, conseguiu parar a flip por alguns minutos. foda.
Posted by cacoishak at 14:51
12.09.06
how to ser cafona, vol. um - pablo emanuelo
- porque a mentira, pablo emanuelo, a mentira é a pior das verdades.
- sim, maria amaranta. gozo antes da próxima vez. prometo.
- e nada de tentar as ultra-sensitive. são apertadinhas demais. escapolem fácil.
- é, é?
- ui! doeu... se bem que...
- bem que o quê, que nada!
- tira a filó da cama, tira.
- benzinho, fiu-fiu! vem cá com o papai, vem!
- u-ii... passou ventando.
- isso que é uma cadela boa das canelas!
- tem sebo na gaveta...
- isso foi uma proposta?
- caim, caim!
- te cura, gorbachov!
- venga con tu envergadura, che! fidel és muerto, pero sien perder la ternura del comandante jamais!
- calma, calma. espera aí.
- celular tocou?
- em novelas, isso não acontece, amore.
- a não ser que seja por um bom propósito, cabron.
- sim. mas não. não tocou. é que senti uma coisa estranha.
- isso?
- ai!
- o que foi?
- não faz isso!
- por que não?
- ah, sei lá. acho que porque eu não gosto.
- não gostas mais de mim, é isso?
- lá vem tu...
- então, deixa.
- mas não dá...
- ah, deixa, vai.
- não é assim... pára...
- quer que eu pare mesmo? tu não gosta de mim?
- claro que eu, ai!... calma, vai com calma...
- vem cá, mamãe, vem!
- olha...
- isso, lambe tudo, lambe tudinho. isso.
- ai, ai, papai...
- nem precisa mais do sebo, viu só?
- não precisa mais de na... da...
- que putaria é essa aqui na minha casa?!
- vovó?!
- cal-ma, cal-ma, não pá-ra!
- não pára é o cacete! pode ir parando já com esse bacanal, que daqui pra frente sou eu quem continuo! e tira essa merda de cachorro daí, que eu de-tes-to bicho! vem cá, meu filho, deixa eu te ensinar como é que se faz...
Posted by cacoishak at 16:56
"keep me"

"lovers", por mildred. acrílico e spray sobre shapes quebrados.
Posted by cacoishak at 2:33
11.09.06
submarino
o má reputação agora também está sendo encontrado por lá. e eu nem sabia. amanhã, tomo vergonha na cara e distribuo nas livrarias de belém.
Posted by cacoishak at 1:02
10.09.06
enquanto vocês lêem e dormem
eu vivo. pra depois escrever. não pensem que não ando fazendo nada entre uma cabeçada e outra na parede. uma pequena amostra do bagulho. mas que não se enganem. nem reparem no atropelo de idéias e palavras. cada muca dessas há de se tornar páginas num só capítulo. já temos três, então. e só por aqui. gravações serão vasculhadas. arquivos, resgatados. boa noite, william.
isso de vídeo-game. nunca soube jogar. nem andar de bicicleta, nem porra nenhuma disso. coordenação motora me falta pra quase tudo nessa vida. em compensação, vivo como se numa partida de qualquer coisa estivesse. em praticamente tudo o que faço. meu jogo é esse. viver a ilusão de um real coletivo. e só tenho um cartucho nas mãos. um pente cheio de balas. cheio. ainda assim limitado. vai de mim obter o máximo de ricochetes possível. a descoordenação também me vale na hora da trepanação. e ainda sei uns golpes de boxe.
não gosta que eu as use pelo meio da bunda, mas minha mãe insiste em fazer suas compras anuais de bermudas como se eu tivesse porra o suficiente pra encher as corcundas de uma camela. não. é visualmente óbvio que não chega a tanto. mas como se o pouco que tenho não preferisse gastar por aí mascateando ao invés de domar dromedárias no deserto. não tem jeito. as calças caem mesmo. batata-frita. com doce-de-leite.
daí juntar tudo num livro só. não tenho tanto tempo assim. melhor deixar garantido. apesar de que, senão, vou continuar vivendo como se me sobrassem um canto na cova e um gole no fundo da bacia. um naco de vermífugo, sejamos justos. que ninguém aqui tem carisma.
Posted by cacoishak at 3:26
8.09.06
se rasgum na outracoisa
em breve, nas bancas. autoria de um cretino. por ora, só a cabecinha.

vanguart, numa de suas tradicionais partidas de futebol de botão, em frente ao chalé dos chalés do festival. clique de renato reis.
Brasil, 1500. Aportava no território hoje conhecido como Bahia de todos os santos as três naus portuguesas, abarrotadas de marujos sedentos por desfrutar dos prazeres oferecidos pela terra ainda desconhecida. Mata fechada era o que podiam apurar ao longe. De onde logo saíram os nativos para recebê-los um tanto quanto calorosamente, por assim dizer. Levados pelas mãos por beldades cor-de-jambo, cujos cheiros e sabores eram da receita o mais exótico dos prazeres, adentraram a floresta. Não demorou, depararam-se com o nunca dantes visto. Festa estranha, com gente esquisita. Mas nada de birita. “Passa um cachimbão da paz pro Cabral, que daqui ele não sai mais”, disse então Abopuru, a primeira groupie genuinamente brasileira. Gostou tanto do pincel do moço que dele ganhou de presente, que acabou com ele ensaiando seus primeiros garranchos. De lá pra cá, pouca coisa mudou. Pouquíssima coisa mesmo...
Brasil, setembro de 2006. Belém. Parque dos Igarapés. I Festival de Rock Independente do Pará. Se Rasgum no Rock. Roqueiros saídos dos confins da terra brasilis, sedentos por desfrutar dos prazeres oferecidos por este solo ainda desconhecido pela maioria dos nativos que neste país se escondem, desembarcam por estas plagas sem a mínima idéia do que por eles esperam. Na bagagem, além do bom e velho rock´n´roll, alguns artefatos que, a olhos desatentos e desprovidos de um mínimo de sensibilidade, não causariam assim tanto furor. Pode ter demorado além da cota, mas finalmente a Bahia caiu. Após mais de quatrocentos anos de rixa, o Pará teve sua chance em caráter oficial de desbancar os orixás no veredicto final. Com destaque no quesito sensualidade. E em tudo mais que a criatividade pôde transformar quando os recursos que se tinham ao alcance das mãos, embora distantes de serem rústicos, eram, no entanto, escassos.
“Estamos passando uma temporada em São Paulo, temos alguns compromissos com o Sesc e tal. Então, fora o frio de são Paulo, ainda há a tensão com o PCC nas ruas e o caralho, nego fica se cuidando na hora de voltar pra casa e tudo. Daí, chega num festival desses, com esse clima, a gente até se desintoxica um pouco. Passei horas ontem no igarapé. É difícil surgir uma oportunidade de curtir uma água dessas, mais natural. Eu estava comentando com o Marcelo (Damaso, um dos organizadores do festival) que o sujeito que projetou esse parque, essa estrutura toda, se inspirou no rock´n´roll, em Woodstock. Pensa num lugar perfeito. É aqui”, desabafa Fred 04, da Mundo Livre (PE), escondendo o jogo do que realmente aconteceu nos chalés onde as bandas forasteiras, com exceção de Cachorro Grande – urtiga? –, ficaram alojadas, dentro do parque.
(...)
Posted by cacoishak at 16:30
6.09.06
cansado, eu?
longe disso, hermanos. mui longe. acabado. em frangalhos. desde quarta-feira passada dormindo apenas três horas por noite. comendo praticamente nada. bebendo praticamente todas. e mais tudo o que me aparecia pelo caminho entre uma missão e outra durante o festival. minhas olheiras nunca estiveram tão pedro malan quanto agora. e tenho só mais quatro horas pra escrever a matéria com o wander. dormir por mais umas quatro horas. acordar e começar a escrever matéria pra outracoisa. cuidar da filha. supermercado. dormir outras seis horas. pegar a estrada. o feriadão que me aguente. vou postando o que for saindo entre os cochilos. cobertura completa, só mesmo na semana que vem. por ora, o release da baby loyds - cujo show, aliás, foi simplesmente fodaço pra caralho (e não digo isso apenas porque acho o fabrício bonitinho, nem pela língua presa da zena) - que escrevi faz pouco mais de uma semana:

Que ninguém se engane com a cara de bonzinho, jeito manso de falar e suas novas companhias-bibelôs-de-festa. O trajeto até a Abunai Records, sua loja de artigos de rock e também selo musical, é um perigo só. Não bastassem os emos pelo caminho, dos quais somos obrigados a desviar para evitar futuras complicações psicossomáticas, ainda nos restam os buracos no asfalto, all over the place. Porque já o disse e repito: onde Sandro-K cospe, sai fumaça. O garoto é mau, apesar da pinta de straight-edge (engana...).
Daí não estar nem aí pros dezessete anos atrás do contra-baixo da Baby Loyds. Pros vinte anos da banda em si, porém... é outra história. O que fazer com seus negócios no ramo varejista, então? Poderia Sandro-K abandonar os emos assim, deixando-os órfãos da noite pro dia? Sandro-K é punk. Embora tenha um coração. Um músculo mau, a bem da verdade. Sujo, sim. Mas vegetariano. Marcaram um X no coração do moço. E foi necessário pulso, muito pulso nessa hora. Um pulso firme.
Não bastando o desequilíbrio vocal de Gerson Costa a tratar da situação com a mesma pujança porra-louca com que assume o microfone da banda desde os tempos mais remotos (ainda brincavam de apostar quem fazia o buraco mais fundo na parede com seus cuspes, ele e Sandro-K, costume adquirido quando eram meros fãs do grupo), foi necessária a intervenção de Zena Gorayeb, tomando as rédeas da situação e tentando, na medida do possível, produzir os meninos. Sandro-K, por sua vez, que andava sorrindo demais, voltou a fechar a cara. Gerson gostou disso. E o trem ensaiava seu retorno aos trilhos.
Sempre fiel à ideologia inconseqüente e questionadora própria a todo adolescente, espírito explícito no nome Baby Loyds, e já irritado com o insistente tilintar dos piercings de Zena – e ainda o rodeavam os emos, bendito seja –, Sandro-K sentou com Gerson a uma mesa de bar (ficando o primeiro num talo de rabanete e um copo d´água) e lá decidiram, de uma vez por todas, reunir a moçada.
Ativados, então, por meio de seus relógios-localizadores-punks-de-boutique, especialmente desenhados pela produtora e designer Mil-Caras Gorayeb para os momentos de desencontro freqüentes entre os membros da banda, a musicalidade herdada do hard-core de Ricardo França (guitarra) e a batedeira humana Tadeu Kahwage (bateria) fizeram reluzir o pó. Fabrício Bastos, que suingava seu sorriso Dudu Nobre em famoso pub da cidade, ofuscou-se com tamanho brilho (a luz entrou pela porta de vidro e bateu num de seus dentes; daí para o espelho e de volta pra outro dente e assim ad infinitum, um autêntico clarão) e não resistiu ao convite há muito feito. Assumiu a tão esperada segunda guitarra da Baby Loyds.
A banda, finalmente, entrava em estúdio. Fontes seguras revelam que um álbum novo, só de inéditas, em comemoração aos vinte anos de sua existência, está no forno. Os urubus já sentiram o cheiro.
Na mesma linha punk desde o final de 1986, quando decidiram formar a banda durante as folgas entre um ensaio e outro na extinta “República dos Camarões”, a entrada de mais uma guitarra só fez roçarem as pedras uma na outra pra que as faíscas explodissem o gás nunca ausente e que os consagrou nacionalmente.
Não à toa, a banda já participou de inúmeros shows fora do estado, merecendo destaque os realizados em Natal (RN), Teresina (PI), Recife (PE) e Fortaleza (CE), dividindo palco com as bandas D.F.C., Alma, Switch Stance, Jumenta Parida, Deadly Fate, Ânsia De Vômito, Obskure, Food4life, Câmbio Negro Hc, Discarga Violenta, Capones, Jason, entre outras.
Os emos que me desculpem. E se preparem. Porque Sandro-K não está mais sozinho. A Baby Loyds está de volta (apesar de nunca ter se mandado). Portanto, é melhor deixarem suas maquiagens de lado e aprenderem algumas técnicas de defesa pessoal se estiverem dispostos a fazer parte de um verdadeiro show de punk rock, bem além das franjas e paetês das majors.
Pois, já o disse o imperador: independentes ou mortos.
Posted by cacoishak at 2:05