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30.08.06
matéria n´o liberal
rafael guedes escreveu sobre o má reputação no jornal o liberal desta quarta. o celular do meu pai não parou de tocar. todos parabenizando o velho pelo lançamento do livro dele. acontece. belém, belém. pequena demais pra dois ishak´s. abaixo, o texto na íntegra:
Lançamento - O volume traz peças ora angustiantes, ora com humor, e sempre desconcertantes
Escritos ao longo de sete anos 'dos mais penosos e enfadonhos' e entulhados em blogs, sites e arquivos pessoais, os 51 poemas de 'Dos versos fandangos ou a má reputação de um estulto em polvorosa', de Ricardo Ishak, vêm a público hoje, a partir das 20 horas, no Café Imaginário, em Belém. Editada pela carioca 7Letras, a publicação marca a estréia de Ishak no mercado editorial, com uma tiragem inicial modesta, 500 exemplares, e projeto gráfico ilustrado por Leonardo Menescal. Alguns dos textos já haviam sido publicados em seu blog, ¡c¡ao!¡cret¡n¡! (www.verbeat.org/blogs/cacoishak), e em vários outros meios virtuais e não-virtuais, como o portal Overmundo, as revistas Outracoisa - editada por Lobão - e Bala e no site Rock Press, mas, segundo o autor, foram em parte modificados para o livro.
O angustiante, o chulo e o humor algo refinado - e por vezes obscuro - são patentes sob uma rápida olhadela. Embora sem escrúpulos de consciência, o autor emerge limpo da escatologia e nos faz pensar, afinal, sobre a subjetividade dos critérios da qualidade literária (veja box). Tom Zé, afinal, mártir da transgressão oral, foi mais além. Segundo Ishak, os poemas, por terem sido escritos em um intervalo de tempo longo, divergem em estilo. 'A maioria é recente, foi escrita de dois anos para cá. O primeiro eu escrevi aos 18. Acaba que ficou uma coisa meio solta. Tentei distribuí-los no livro de forma que desse uma concisão, mas são vários estilos.' Os textos foram propostos apenas para a Editora 7Letras, que acabou por convidá-lo a publicar os textos sem necessidade de que fosse enviado material impresso.
A inquietude do trabalho é reforçada pelas ilustrações de Menescal, garatujos de cartuns a refletir a viagem do autor. 'Sempre gostei da angústia do Leonardo. Ele é um menino angustiado. Apesar de sua aura de bom moço, é um cara bem deslocado. Passou dois dias acordado, cheio de trabalho pra fazer. E eu acho que o Léo nunca fez nada melhor do que o que acabou indo para o livro. Na verdade, é a única coisa de qualidade nesse livro.'
O sarcasmo, embora constante, não é o único traço na poética perturbadora e pouco acessível de Ishak, que confessa, ele mesmo, não entender vez por outra o que escreve. Nas palavras de Paulo Scott, escritor gaúcho que assina a orelha de 'Dos versos fandangos...', este é um um livro 'que alicerça uma única história, sugerindo a desistência para, traiçoeiramente, afirmar a paixão pela vida, apesar de reconhecer como verdadeiro par da existência a fatalidade'. E emenda: 'Não se engane com a simplicidade ou o falso-juvenil de algumas passagens. Há uma concisão propositalmente dispensada, um mergulho sem ar, quase sem luz, em busca da beleza e de um sentido que diminua o desconforto da rotina, a resignação pessoal diante do cômodo e dos mitos'.
Ricardo Ishak tem 25 anos, nasceu em Goiânia e vive há 20 anos em Belém (Texto: Rafel Guedes)
SERVIÇO
Lançamento do livro 'Dos versos fandangos ou a má reputação de um estulto em polvorosa', de Ricardo Ishak (Editora 7Letras). Hoje, às 20 horas, no Café Imaginário (QUINTINO, 1086). Os exemplares serão vendidos a R$ 20.
aproveito pra agradecer ao amigo elielton amador, good ol´ nicolau, pela nota no diário sobre o lançamento do livro do caco.
Posted by cacoishak at 30.08.06 13:58