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22.03.06

depressão pós-câncer

já ouviram falar? pesquisei nos arquivos e pouco encontrei de relevante sobre o assunto. pois então. mais uma anomalia quase inédita oferecida por nossos patrocinadores (ainda que eu o diga numa tentativa que já nasce frustrada de agradá-los com dois ou três joguetes de palavras e, cadafalso do qual me acabo, trazê-los de volta duma viagem que gostaria de estar pessoalmente fazendo, nem mais pra isso eu tenho. daí me pergunto onde estão os nobres aristocratas de outrora que bancavam a flora intestinal dos que se lambuzavam do direito de se fazerem arteiros. cedo ou tarde, também o computador dará pau. antes vendê-lo de uma vez e saldar as dívidas, diriam? mas como passar adiante a esperança única que tenho de tirar uns trocados dos trouxas, tornando-me um deles (um trouxa dos trouxas)? não deveria ser nada complicado pra quem tem trinta e seis reais numa conta bancária já despropositada e novecentos e vinte reais de dívida a ser teoricamente quitada no mês próximo prometer que, com um pouco de sal e azeite, engolirei a seco a petulância transviada, baixando a fronte carrancuda e emitindo grunhidos que venham a soar como um “sim, senhor” ou “não, senhor” toda vez que me for dirigido um comando por qualquer candidato à aristocracia pós-moderna de boa vontade o suficiente pra confiar em minhas habilidades neo-renascentistas de pau-pra-toda-obra a ponto de me oferecer um emprego ou coisa que o valha, assegurando-me, desta feita, casa e comida e um trago antes de dormir. e meu pacote da ritalina diária, obviamente, que é pra disfarçar a cara de bunda durante o expediente e fingir, pra todos os efeitos, que, bem, doutor, simplesmente sumi.

Posted by cacoishak at 22.03.06 16:25