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2.02.06

pág. 31-32

Não importava que aquilo (nosso encontro?) fosse inviável. Em princípio, a liberdade do vôo era a única condição para voar. É brega? Claro que é. Mas apostamos nisso. Eu, ainda mais tolo e caipira, apostei no amor. E ela dobrou a oferta e incluiu a tesão no jogo perdido. Grande mulher. Uma biscate. Linda, enfeitiçada.

Ter uma mulher como Joana não é algo fácil, que se resolva numa boa trepada. Ela me deu os subsídios para que eu pudesse enfrentar o pior dos meus inimigos, que era – e continua sendo – a solidão. Tive sorte porque entendi que havia me transformado num escroto. Devo isso a Joana. Sem exageros. Um amor de verdade serve para isso mesmo: para velar a si mesmo e aos nossos mais escrotos momentos de solidão. O resto é aparência, sexo, pistão, bate-e-volta. Arena de chimpanzés.

À solidão, portanto.

Que monstro é esse? A primeira providência para responder ao monstro é saber quem pergunta por ele. Se for o sujeito que há três semanas ainda acreditava (ah, que insistência...) em amor com vista para o mar, a resposta evidentemente seria luto, morte, dor e agonia: e o fracasso absoluto sob todos os aspectos. Agora, se a pergunta for respondida pelo sujeito que escreve nesse instante, a resposta é: tudo isso e mais um pouco de morte, fracasso, dor e agonia com uma bela vista para o mar encapelado do Leme. De um jeito ou de outro, o mais importante é saber que, independentemente da ocasião e apesar de quem é esse monstro e por quem ele pede, a resposta é a mesma: Joana não me quis, e acabou.


marcelo mirisola, em “joana a contragosto”.

mais familiar, impossível. vários aspectos. tomar notas.

Posted by cacoishak at 2.02.06 13:04

Comments

inevitáveis, natalia. inevitável.

baby lapan, de haver nunca, sempre na comunicação. mas até quando? um problema, se também a curto pra caralho.

e luciana também tá valendo. batizo em nome de joana e bau. ;)

Posted by: ishak at 3.02.06 23:20

ih...
ainda bem q eu me chamo Luciana!
:) uhuhuhuhuhu

Posted by: Luciana Cunha at 3.02.06 14:49

tá anotado. adoro solidão.
é bom pra não falar.
e uma boa arena de chimpanzés de vez em quando. pra não restar dúvida de haver comunicação ;]

Posted by: lu lapan at 3.02.06 11:47

Joana Joana.

Chegou leve e saiu pesada. Pobre mulher. Há joanas por todos os cantos. Joanas grandes, joaninhas. Bicho inevitável.

Posted by: natalia at 2.02.06 23:10