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21.12.05

e jaz.

não quero ser tua mãe
não quero ser tua puta
tampouco tua mulher
não sou vaca nem sou santa
nem tua nem de ninguém
sou minha e de quem quiser

porco imundo trapaceiro
leva tua carcaça imunda pra longe do meu terreiro
gira a pomba de vermelho
dançando suja de sangue nos restos do meu suor

não sabes absolut nada
dos lapsos de minhas lembranças
quem te dera, miserável, que pudesses ter a sorte de dançar com minhas tranças!

já provei todas as frutas
o rei o vassalo e as putas

percorri muitos lençóis em busca de meus segredos

dei de cara com o algoz
arranquei os olhos do medo
perfurei a carne da dor
devorei os cadáveres secos da mais negra solidão

quem é tu besta quadrada
para achar que me agrada
besta fera vaidosa
alimento de pagão

quem te dera neste mundo ter meu amor minha fé
só te cabe meu perdão meu pesar e minha crina
mas jamais, arrependido, o amor da minha menina
sou diaba
rancorosa
não sou aquela que aprende
muito menos a que ensina.

(ingrid primo)

Posted by cacoishak at 21.12.05 1:21