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30.12.05
the proof is in the pudding

por micah lebrun
ducha derradeira de um ano cor-de-rosa-choque-verde-bebê-acinzentado. chama o recesso, que eu vou.
Posted by cacoishak at 1:09
polução sonora
ipiranga com são joão. mais uma
turista acabava de perder
suas digitais na
esquina
Posted by cacoishak at 0:26
29.12.05
parte ii: bad attitude
aquele do esquadrão classe a, lembra?, só que mais batidinho e mirrado. tipo se eu tivesse acabado de acordar com os cabelos presos ao travesseiro como que se a um velcro e os descolado ao levantar, sem tempo de deixar de molho – efeitos que começarei a sentir depois do mal curado (e-mail pra ela: o tratamento chega a sua metade na terça. dia dois, faço o exame pra ver se ainda tem caroço nesse angu. aí que vai ser a feijoada catastrófica existencial completa, porque clinicamente não terei mais nada de tumor, só que terei mais seis ou oito sessões pela frente, veneno mais que acumulado tocando o terror com os diabos no meu lombo. ou seja, o pior do tratamento quando não se tem mais nada a tratar. que dará uma puta vontade de abandonar tudo, ah, com certeza dará. mas tomara que eu tenha bons exemplos de como manter a cabeça no lugar, né mermo?, e continue tudo numa boa, até o fim).
não tenho noção das coisas. não há repercussão alguma de onde venho. ou ela não me chega aos ouvidos. falta perspicácia ou por questão feita. vide bula.
e tem? não tem. tô dizendo. cola em mim?
nem grude. um passatempo.
assim, à toa.
Posted by cacoishak at 0:38
28.12.05
reviver é acordar

bb queen, cretino, dama
boas lembranças que guardo desses dias. dois mil e cinco foi um ano bom, eu acho.
preparava-me para escrever qualquer coisa que se passasse por leitura, tentando me livrar das distrações e sonhos de valsa da tevê-a-cabo e de uma biribinha virtual, quando fui interrompido por caso fortuitamente promovido pelo quase-marido de minha irmã – a quem, no intuito de preservar sua imagem e reputação, de ora em diante referir-me-ei como o filho ufólogo desempregado de uma amiga de infância há muito esquecida por minha mãe que veio do interior do estado passar umas férias forçadas na capital com a família de seu meio-primo mas que foi logo barrado na porta que nem se abriu pois estavam todos caçando focas no jardim zoológico municipal. o moço, que havia entrado no banheiro do quarto que estamos dividindo alertando-me para a importância que conferia à satisfação de suas necessidades fisiológicas reto-intestinais e que por isso não deveria ser incomodado sob hipótese alguma por quem fosse, passados mais de trinta minutos e reação de vida inexistente não houvesse deixado escapar entre movimento e outro glórias e refugos, enfim soltou a descarga, das mais tapadas que já ouvira maduro.
morreu o homem do sapato branco.
memórias.
aos poucos voltam. vício, que nada.
Posted by cacoishak at 2:41
24.12.05
merry christmas, mister lawrence
tem conto meu lá no especial de natal que o cronópios preparou com um monte de gente que é da pontinha da orelha. filha de uma puta virgem sob a mira de uma crista-de-galo em eclosão. passa lá. fica cheio de dedos, não. com dúvidas, ainda? uma amostra grátis:
O que fazia, então, ali estirada se afrouxando em risos que lhe escorriam babugem boca abaixo para entre soluços ser sorvido o susto do abismo e, como que salvaguardando lapsos de uma memória em sua quase totalidade perdida, apalpar ora a palha seca da manjedoura ora a secura inerte de uma dor personificada no trato morno da homilia prosseguida aos trancos quando dele somente esperavam a postura condigna de um sacerdote perante dias a fio de novenas natalinas entoando cânticos de louvor às siriricas não batidas por uma multidão de fiéis em colapso consensual iminente?
e aí, deu pra convencer? não? tu não acredita em papai noel, mermo, hein, mané? vai, então, ler uns poemas, que é mais fácil.
errata: obviamente, não se trata da décima quarta armação natalina, mas, sim, vigésima quarta. deusmolivre.
ooOoOoo
aproveitando a deixa, dona claudia reitberger, editora da rock press, informa que o site da revista finalmente está no ar. e o sapo atesta: tá um luxo só. vê lá. só faltou uma coluna sobre a cena paraense ali do lado daquela sobre a cena gaúcha, mas fomos informados (fica quieto, ainda é segredo) que providências estão sendo tomadas para que isso seja logo resolvido. maiores informações, num futuro breve.
ooOoOoo
este blog acaba de entrar em recesso natalino - e sem levar um tostão extra por isso.

Posted by cacoishak at 1:07
23.12.05
amigo secreto
- oi.
- te conheço?
- ainda não, mas me empresta uma dessas tuas lentes.
- como assim?
- teus óculos.
- tu quer meus óculos?
- não, quero uma das lentes. é por isso que a gente fala óculos e não óculo, entende? porque são duas lentes. dois óculos, dois buracos. preciso só de um, por enquanto.
- e por que tu quer um dos meus óculos?
- é que amanhã é véspera de natal.
- e eu lá tenho cara de papai noel dos ceguetas pra ficar distribuindo lente de óculos por aí?
- é que li no teu blog...
- tu lê meu blog?
- tu tem um blog, não tem?
- eu tenho um blog.
- pois é, eu também tenho um blog.
- tu tem um blog?
- é, eu tenho um blog.
- ah, legal.
- ter um blog? uma merda.
- pois é.
- então. li no teu blog que tu tinha ido pra frança e...
- franca.
- hein?
- não fui pra frança. fui pra franca, sem cedilha. cidadezinha do interior de são paulo, nada a ver com europa.
- ah. li errado, eu acho.
- é, leu errado.
- mas acho que os sapatos de franca saem bem pra europa.
- como?
- deixa pra lá.
- é melhor mesmo.
- pois é...
- e então?
- então o quê?
- pra que tu quer uma lente dos meus óculos?
- ah, nem quero mais não, obrigado. é que pensei que tu tivesse ido pra frança. e amanhã é véspera de natal, sabe como é. mas tu não foi pra frança, tu foi pra franca, sem cedilha.
- e que porra tem a ver a frança com meus óculos e toda essa baboseira de natal?
- teus óculos, não. uma das lentes dos teus óculos, era só o que eu queria.
- que seja. me faz entender.
- ...
- não vai dizer nada?
- tava aqui pensando.
- e?
- acho que não tem mesmo porra nenhuma a ver. achei teus óculos bonitos, só isso. não te conhecia e, já que amanhã é véspera de natal e eu não tenho ninguém com quem passar a virada, pensei que talvez pudéssemos tomar um chocolate quente juntos. eu tenho um blog, tu tem um blog...
- acorda. a gente tá em pleno verão, natal tropical. e nem te conheço.
- pois é, por isso te pedi uma lente dos teus óculos emprestada.
- que papinho, hein.
- não vai tomar um chocolate quente comigo na noite de natal?
- não mesmo.
- então tá.
e assim foi que quebrei os óculos de olivia.
Posted by cacoishak at 0:00
22.12.05
fotonovela-de-fadas

"não é absinto, não!"

"não? então, prova!!!"

"não que não..."

sérgio quer provar também.

bruno já convencido.

é um absurdo, essa matilha!
Posted by cacoishak at 5:40
21.12.05
tá no wiki
Cacto é uma família de plantas espinhentas e com talos suculentos; algumas espécies tem talos lenhosos ou pouco suculentos, entao apressentam folhas simples, suculentas e alternas. Tem fotosíntese CAM. As flores são solitárias e hermafroditas ou, mais rara vez, unisexuais, acostumam ser actinomorfas, mas existem espécies com flores zigomorfas.
Posted by cacoishak at 17:14
e jaz.
não quero ser tua mãe
não quero ser tua puta
tampouco tua mulher
não sou vaca nem sou santa
nem tua nem de ninguém
sou minha e de quem quiser
porco imundo trapaceiro
leva tua carcaça imunda pra longe do meu terreiro
gira a pomba de vermelho
dançando suja de sangue nos restos do meu suor
não sabes absolut nada
dos lapsos de minhas lembranças
quem te dera, miserável, que pudesses ter a sorte de dançar com minhas tranças!
já provei todas as frutas
o rei o vassalo e as putas
percorri muitos lençóis em busca de meus segredos
dei de cara com o algoz
arranquei os olhos do medo
perfurei a carne da dor
devorei os cadáveres secos da mais negra solidão
quem é tu besta quadrada
para achar que me agrada
besta fera vaidosa
alimento de pagão
quem te dera neste mundo ter meu amor minha fé
só te cabe meu perdão meu pesar e minha crina
mas jamais, arrependido, o amor da minha menina
sou diaba
rancorosa
não sou aquela que aprende
muito menos a que ensina.
(ingrid primo)
Posted by cacoishak at 1:21
20.12.05
jesus salvaguarde teu ipê acinzentado
eu próprio não leio o mesmo livro todos os dias. por que esperar que os outros leiam? um sete um, ramal onze, são paulo, sp, favor comparecer ao setor de desmame.
Posted by cacoishak at 3:22
heart beats
se durmo pensando em ti
e o mesmo me acontece ao tomar um banho quente
perdoa-me pelos pudores que ainda tenho de o fazer à mesa do jantar
“quero caber no teu abraço”
não cabendo eu adapto
e nem te levo pro lado negro da força por isso
“tô sem tubinho preto pra te abusar”
sai então logo correndo
que sou homem-bomba
relógio
“ia te pedir pra tirar umas fotos minhas quando lá”
não só as fotos, beibe
na paris de jim morrison
até que topo viver de amor
ainda tenho a casa dos meus pais pra morar
“uma coleira de veludo vermelho e um sapato de salto fino
já não é mais paixão
é fúria”
e repito:
que merda é essa de purple haze arranhando no toca-discos?
Posted by cacoishak at 2:55
19.12.05
number novo
queria sim ter-me cansado
entre tuas pernas agora
decerto teria forças o suficiente
pra sorver do teu suor
as forças suficientes
pra me recuperar
e me cansar
todo novamente
entre tuas pernas agora
sorvendo aos poucos
o cansaço
do teu querer
Posted by cacoishak at 3:25
17.12.05
ba ba black sheep



por lola
sujeito as vossas próprias conclusões.
Posted by cacoishak at 5:11
- sacas la peruana, mariachi?
- não é bem assim. quando eu tinha onze, tu tinha treze. ele, dezessete.
- e o quico, puerra?
- fudêncio.
christian f. riu-se - hahaha.
- precisava?
- fudêncio!?
desabrochou.
Posted by cacoishak at 3:43
16.12.05
malu maerlois
ah, senhora, minha bundudinha de outrora
a quem coloquei de castigo ao meu lado
entre as turbulências de uma ponte aérea
e outra
quem lambeu minhas feridas
pôs de molho as manchas do caminho
que encardiam corpo e alma
esfregados sem medo de perder o esmalte
foi o pai que me ensinou a ser
a mãe de minha cria
mulher que nem ela nos diminutos de ocasião
os três
que de quatro em cinco
formam seis
quem sabe oito e quantos mais vierem
desse ventre cujas portas cerraram conflitos
que por tantas vezes por tantos outros
somente por detrás das mesmas se faziam ouvir
e que eu egoísta
como todo bom menino mimado
quis ter só pra mim
Posted by cacoishak at 1:00
15.12.05
ainabacada
percebe que não tenho nojo
propriamente dito
de gente
pelo contrário
dela me alimento
chupo todo o caldo
pra depois jogar o bagaço fora
não sem antes dar aquela mordiscada
o que não me agrada é o preparo
embora a cada dia mais me apeteça
os sabores e os cheiros de tua receita
Posted by cacoishak at 2:04
14.12.05
minhas
Eu não acredito em você. Vi o Bob Dylan gritando isso pra uma platéia de ingleses malas que o chamavam de “traidor”. Eu acredito em ressonância. Tenho acreditado muito nisso. E não acredito em gente que acha que sabe o que eu tô sentindo. E que se aproximam de mim com seus diagnósticos rasteiros, mas cheios de verdade. Me movo com certa agressividade, mas sem querer esbarrar em ninguém, sacou? Não quero dar minha opinião sobre nada. Ando cansado disso. Então porque é tão importante pra alguém saber se eu gostei ou não do seu espetáculo? Eu não acho a minha opinião realmente importante, então porque me sinto compelido a falar, se só consigo me admirar quando fico realmente quieto no meu canto, alheio ao engalfinhamento. Prefiro amparar meu amigo Mirisola completamente bêbado no meu ombro e ficar curtindo ele mandando todo mundo tomar no cu. Prefiro mostrar pro Nelson Brito que “Chato” não é só força de expressão, e assim evitar que o meu amigo Paulão encha ele de porrada. Prefiro noites sinceras de quase esperança num boteco de esquina, e manhãs amenas com quem me acolhe sem fazer muitas perguntas, tanto faz se um bêbado de esquina ou uma garota linda. A solidão se expressa das maneiras mais doces. Prefiro quando não tratam meus amigos como “junkies” e “bêbados”, da maneira pejorativa e cheia de condescendência que sempre tratam. Eles sempre foram muito mais do que isso, e não precisam de nenhuma condescendência. Então deixa eu dizer que também não acredito em você. Eu acredito em poucas coisas. Talvez em Gregory Corso (que era um grande mentiroso) ou no Gato Garfield. Um pouco em bárbaros nas portas de Roma. Eu acredito mesmo é em ressonância. Eu falo o tempo todo sobre isso. Então porque alguém ainda quer minha opinião sobre a situação política mundial? Enfiem uma bomba no rabo e me deixem em paz com meus livrinhos de poesia e meus blues rabiscados em cadernetas. Eu não acredito em nada dessa merda, e também não acredito em você. E não adianta me chamar de traidor. Sua indulgência cretina não me comove. Eu vi Bob Dylan vociferando com a turba de imbecis e vi o bêbado de manhã dançando uma rumba clown no meio da Dr. Arnaldo. E não me senti sozinho e nem triste, exatamente. Nunca senti inveja de ninguém e sei que pelo menos essa porta tá fechada pra mim no purgatório, então porque as pessoas acham que sabem o que eu tô sentindo? Me fale de ressonância que eu te pago um conhaque. Me fale de abismos e a madrugada vai ficar pequena. Mas não venha me diagnosticar. Nunca acreditei em psicólogos e acho que Freud tinha mais era que tomar no cu, junto com todas as cartomantes e pais de santo. Não quero ouvir previsões de “começo de ano” nem lendas nórdicas. Minha cabeça é um aríete nas portas de Roma. Não vou colocar fogo nessa festa. Vou sim achar um lugar sossegado pra fugir do espetáculo. Vocês não queriam um epitáfio? Então vou dizer: Nunca acreditei em você. Em vocês. Tenho poucos planos. Tomar umas com o Reinaldão logo mais na Daspu da Consolação. Aparecer no lançamento da Del Fuego. Tentar me manter mais próximo da calçada e longe do engalfinhamento. Não tenho plano nenhum. Acho que “quarta-feira” tá longe pra caralho e bons amigos ainda me ligam às 4h30 da madrugada. Não acredito em igrejas e cofres. Mas acredito que gentilezas podem matar. Acredito em Marcos Prado dizendo que “no fim quem vence sempre é o agente funerário”. Tenham um bom dia, se conseguem acreditar em meteorologia. Eles tinham mais é que ficar estudando os meteoros, não era não? Nunca tinha pensado nisso.
Posted by cacoishak at 3:18
13.12.05
o vinho te deixa engraçada
mas não combina com minha literatura.
Posted by cacoishak at 4:42
12.12.05
psica
Fique bem claro, pra todos os efeitos espaço-temporais, ser este um texto teoricamente fictício. Não há nada ou ninguém que possa em sã consciência bater no peito e confirmar que os causos aqui relatados de fato aconteceram, seja numa ou quantas tiverem sido as noites – se é que foram algo além de alucinações galopando nas bolhas que subiam do fundo do copo num canto qualquer do bar. E se os narro é pela única e simples razão de comprovarem o quanto a existência pode ser chata e desprovida de um propósito maior quando não se vive em função de um tal blefe crackeado, vagabundo e pagão nas madrugadas afora, percebe? Não percebe? Então, meu filho, senta que lá vem história. E presta bem atenção, criança.
Salvo engano, tudo teve inicio com uma garrafa furtada de uísque fajuto. Furto por furto, antes fosse o de um bacana, é claro. Mas quando se tem um gordo maricas no encalço dando uma bandeira desgraçada pro segurança do local, o lance é agarrar o que pintar pela frente e dar o pirula rapidinho, rezando pra não ser pego. Se for, o jeito é vazar sem nem olhar pros lados, deixando pra trás o gordo que, invariavelmente, levará a pior, pra deixar de ser otário. Não foi o caso e o vasilhame pôde ser entornado pelos dois entre um telefonema e outro de paixões baratas e demais madalenas e cuecas carentes à espera de cúmplices no pipocar da escuridão. Vem que tá rolando uma festa do caralho com muito psy onde era aquele lounge fudido, rapaz, vem logo. Antes disso: vamos tocar no café, baby, quero te ver. Passo primeiro na UDV pra levar uma amiga e depois a gente pira com o Pink Floyd Cover. Eu, cá comigo, que dúvida danada, dio santo. Celular toca de novo. Psy lounge corp. Faz o seguinte, pago tua entrada com direito à consumação. Noite dos desesperados. Uma birita àquela altura já valia mais que qualquer vagina. Tanto mais fácil a decisão se new age. E rumamos à dita festa.
Maldita praga, essa herança sessentista. Escapo de uma para cair em outra, pior ainda. E a caráter, que se diga. Ao menos me valeu o mulambo street wear de monge budista, alaranjado dos pés à cabeça, pra ser barrado logo na porta. Foi a desculpa que me veio à mente pra tirar o cara lá de dentro assim que percebi a risada marota do porteiro do recinto quando um dos convivas saiu reclamando que aquilo ali estava mais pra festa de fim de novela da globo. Sem chance, cumpadi. Aceitaria de bom grado o drinque pago em um pé sujo que fosse, mas honesto e limpinho. Seguindo a melodia de uma canção que se propagava em ecos debruçados uns nos outros pelas esquinas da Cidade Velha, como uma punheta sem fim num pau engelhado clamando trégua, acabamos num botequim qualquer, eu já torrado com a idéia de ter perdido um grelo mal passado pela promessa de algumas doses não cumpridas. Foi aí que veio a confissão, entre uma rabugice e outra. Tu não te importaria em saber que eu já comi tua mulher, te importaria? Não tô dizendo que comi, mas tu ia ficar puto comigo caso eu a comesse? Ela não é minha mulher, gordo, pode comer a rodízio. Filho-da-puta desgramado. Comeu ou não comeu? Pois fica sabendo que amanhã eu tô na cama com a indiazinha, seu viado. Tá, ô pica doce, melhor a gente ir embora, saca um real aí. Saca um real, uma pinóia! Não era por conta, a consumação e o caralho a quatro? Não pago nada, vão ter que aprender a me respeitar, que tá nascendo um escrotinho agora. Pagou contrariado e sumiu. Novamente sozinhos, eu e o gordo. Filho-da-puta. Não era viado? Será que comeu mesmo?
Sa-sa-sa-ri-can-do, todo mundo leva a vida no ara-me! A coisa já tava preta, bar none. Complicar mais pra quê? Desprega os olhos, condenado, e viva la vida loca. Cultivando um bago que fosse de esperança de encontrar raspadinhas à solta, persistimos na campanha, apesar dos males sub-entendidos da véspera, passada em muito a meia-noite. Confesso que não me era das tarefas a mais fácil encarar o maldito, mas bebida também tampouco já me importava. Queria era sair dali vivo. Fosse de onde fossas. Mentiras e subversões. Fazer o quê? Tilintavam por algum canto os espermatozóides envaidecidos. E bingo. Talvez o lugar certeiro, em nome del padre, del filho, del espírito santo. Arregalaram-se os olhos e amém, puta-que-os-pariste. Resumindo a novela, por falta de espaço: esbaldou-se num recanto de travecos, o gordo, admirando as pinturas, refrescos renascentistas, do teto enquanto se esfregava num sacode estabanado, admirado à distância por um exemplar dos mais raros de um Fred Mercury anão, bracinhos ao ar, todo empolgado e pressão alta. Pausa prum expresso, que ninguém é de ferro. Acabou dando. Deusulivre os excessos. Nem tomei conhecimento. Paguei a conta e caí fora.
Faltava el grand finale. Saí desiludido pra casa. Sem atropelamentos em paradas de ônibus, nem outras contravenções que eblefariam (neobleologismo é o caralho) o cotidiano de um nego simpático, assim, qualquer. O foda é que sei que ainda baterei na mesma tecla futuramente, mas como fugir do assunto? Se comeu ou não, problema de quem gozou ou deixou de no final. Fato é que, ao dirigir-me e o carro de volta pra cama, encontrei numa esquina mãe e filha catando táxi. Claro que, a princípio, não fazia idéia de que passariam algo além de ménage brejeiro. Com direito a assalto, estupro e uma bela tirada de couro, pra contento geral. Ainda assim, parei. E, repito, nem desconfiava. Mas acabou rolando. Sem necessariamente uma arma – certames, nada pessoal – contra o pinguelo de ninguém. Haviam acabado de sair do show do Pink Floyd Cover, vejam só. Loucura no caldeirão. Enquanto a ninfeta de quatorze, treze anos, tentava me estuprar, dando conta da poesia e tudo o mais e os quadriláteros da forty-five, a mãe apalpava as arestas em busca de uns trocados. Ou era o contrário? Mãe mais nova que filha, nem dava pra saber direito. Mas que a vagabunda foi insensível a ponto de sangrar a glande também não passou batido e, nem tanto pelo cartão de crédito que bloquearia quanto pelo boquete creditado, dali a vinte minutos mandei passearem. O bastante por uma noite. E o galo já pigarreava.
O telefone toca. Tinha deixado um recado pra fulaninha. A ressaca matava, mas tava mais era certo. Ou tarde demais. Gordo viado. Puro blefe.
(texto escrito pro zine psica, do povo da dançum se rasgum).
Posted by cacoishak at 13:29
11.12.05
ela tatuou palavra
- sabe como você faz para ver a direção do vento daqui de cima?
- olhando o movimento da água?
- também, mas o melhor é sacar as vacas.
- ãh?
- é, sacar as vacas. elas sempre pastam com a bunda virada pro vento.
- ...
biruta publicado pela marcella franco.
Posted by cacoishak at 2:18
andréa del fuego & fina flor convidam

solamente cento e sete exemplares. não preciso dizer mais nada.
Posted by cacoishak at 1:44
calendários
recado do biajoni:
O Centro Infantil Boldrini, instituição que atende crianças e adolescentes portadores de câncer e doenças sanguíneas, está vendendo calendários de mesa para o ano de 2006. Os calendários foram patrocinados pelas empresas Bioagri Laboratórios, de Piracicaba, Gráfica Santa Edwiges e Mídia 21 Marketing e Comunicação, ambas de Campinas.
A idéia partiu do fotógrafo da Midia21, Helton Winter, e foi muito bem recebida por Fabio Giangrande, do Departamento de Relações Institucionais do Boldrini. “As paredes do Hospital Boldrini são decoradas com obras de grandes artistas, de voluntários e de pacientes e parentes destes. Então achei que ficaria bonito pinçar detalhes desses murais e fazer um calendário”, diz Winter, que propôs a parceria com a Bioagri e a Gráfica Santa Edwiges.
“Assim que tomamos conhecimento do projeto decidimos participar. O Centro Boldrini é referência em tratamento e pesquisas na área de oncologia infantil, e como empresa consciente de sua missão na construção de um futuro melhor apoiamos a iniciativa desses voluntários que trabalham em prol da sociedade”, diz Rogério Andrade, diretor de negócios da Bioagri Laboratórios.
Mosaicos e motivos ecológicos
Os painéis fotografados são de autoria de Chico Fransé e Geraldo Porto (mosaicos) e de Vera Ferro, coordenadora do projeto Pintando as paredes do mundo que consiste em utilizar artistas, voluntários, estudantes, funcionários, pacientes e parentes para decorar as paredes de hospitais em todo o Brasil. Este trabalho foi iniciado pelo médico americano, Dr. John Feight da Foundation for Hospital Art, fundação americana que assumiu a missão de dar conforto e esperança a pacientes, familiares e equipes médicas do mundo inteiro através da exposição de trabalhos artísticos em hospitais e instituições de saúde.
O principal mosaico da dupla Fransé/Porto, tem temática ecológica – e foi tomado como base para o calendário.

O Centro Boldrini
Maior centro de tratamento de câncer e doenças do sangue em crianças e adolescentes da América Latina, o Centro Boldrini foi fundado há 27 anos em Campinas. Mais de 20 mil pacientes já foram tratados, sendo que 5 mil estão em tratamento – a maioria (80%) através do SUS – Sistema Único de Saúde. A taxa de cura gira em torno de 70% dos casos.
Em Setembro passado foi inaugurada novo prédio no Centro. O local irá abrigar o Centro de Serviços de Radioterapia, Medicina Nuclear e de Imagem; um dos primeiros do País a oferecer tecnologia de ponta para pacientes vinculados ao SUS. Os investimentos são da ordem de 15 mi.
Para adquirir os calendários, permitindo uma arrecadação adicional da instituição neste final de ano, ligue para o Centro Infantil Boldrini ou envie e-mail:
Fone: (19) 3787-5115
e-mail: comunica@boldrini.org.br
Maiores informações sobre o Centro: www.boldrini.org.br
Posted by cacoishak at 1:38
9.12.05
rabbit

por caia koopman
Posted by cacoishak at 10:29
bandido mármore
desarregimentado por neoplasias fanfarronas
que desacreditam bem ou mal
as intenções mesmo fajutas de um equilibrista do alto
dum fio de cobre pavimentado
na calçada em frente ao pronto-socorro municipal
vírgula
desarregimentei
me
despropositada
me
n
te
e veio a voz do padre
que disse
ainda esperançoso
estamos em obra
(estarias deveras, meu filho?)
desculpe o transtorno
ou indo
simplesmente
direto ao sap da concórdia
cosi-me de renda barata
pra desfiar-me aos poucos
e não me encabulo ao cobrar os olhos pelo espetáculo
Posted by cacoishak at 3:08
8.12.05
airports´overheards
aos dois anos de idade, afrânio percorreu vagão por vagão de um trem à procura de seu pai desaparecido, com desenvoltura ímpar, até achá-lo trancafiado no banheiro e anunciar à multidão seu feito, recebendo os aplausos de todos os presentes, o que então lhe proporcionou tremendo orgulho. aos seis, afrânio abria barrigas de gatinhos incautos que vagavam errabundos por sua rua, no intuito de desvendar os mistérios de tão involventes animais, como os miados que mais pareciam choro de criança e lhe pertubavam o sono no meio da noite, ofício que logo lhe desinteressou por completo. aos nove anos, vejam só, afrânio já havia lido de cabo a rabo a obra integral de shakespeare na língua materna do bardo, convencendo a todos de sua precoce genialidade, o que lhe valeu uma entrada para um dos mais respeitados institutos germânicos - idioma que afrânio dominava perfeitamente já aos sete anos, assim como o hebraico, o francês, o italiano, o espanhol e o udmurt - para crianças super-dotadas. hoje, aos vinte e quatro, afrânio é viciado em morfina e acredita piamente na possibilidade de um unicórnio estar vivendo enfiado em sua bunda, única explicação plausível para as constantes dores e náuseas que lhe atormentam as tardes mais quentes do verão europeu. afora o chifre prateado que se avoluma logo abaixo do cóccix, para quem quiser ver.
Posted by cacoishak at 15:08
7.12.05
falando nisso
obviamente, não fui ao show do pearl jam. e, obviamente, não se fala mais nisso.
Posted by cacoishak at 16:46
pura malícia
From: Fred Leal
To: caco ishak
Date: Dec 6, 2005 10:49 PM
Subject: Re: batata
o jatobá tá nesse oitavo é batata!, hehehehe
do que se trata? quer saber do que se trata? quer saber?
acredite ou não, é batata! número oito no ar, depois de longo hiato que envolveu aprimoramento técnico + preguiça.
o entrevistado desse podcast é carlos jazzmo, escritor, jornalista, e músico dos bons (ex-glamourama e los hermanos).
o artista escolhido pra embalar sua viagem é a belíssima thalma de freitas, justificando o 'pura malícia' do título do programa.
você ainda ouve toquinho e vinicius, chi-lites, lô borges, nirvana, dom um romão, e blackalicious. e um caê, porque a verdade é que somos meio hippies.
ainda: lorem ipsum dolor, brokeback mountain, david cronenberg, big lebowski, e uma larica de verão.
caminho das pedras:
http://www.badtrip.com.br/batata/
direto ao ponto:
http://badtrip.com.br/batata/2005/12/06/008-pura-malicia/
programa de fidelidade em RSS:
http://feeds.feedburner.com/Batata
ou
http://badtrip.com.br/batata/wp-rss2.php?category_name=podcast
viva o streaming em banda larga:
http://odeo.com/audio/482873/view
salvar destino como:
http://sharedobject.org/badtrip/batata/batata008.mp3
dai à serra o que é de césar.
abraço.
fred
adivinhem quem foi pro jantar?
Posted by cacoishak at 16:24
6.12.05
pinga ni mim
ainda debilitado. ai dos agourentos de plantão, não ousariam levantar a voz soubessem do confinamento forçado. frescuras de lado, anteciparam-me quarenta anos de experiências, trancafiando-me num quarto de hospital por cinco dias onde respirava por tubos enfiados em minhas narinas e era servido de uma dieta à base de uma bolsa de corticóide/dia direto na veia, pra fortalecer o pulmão. o pulmão, coitado. não resistiu às doze sessões de quimioterapia, aos vinte e cinco cigarros cotidianos mais dois, à poeirada do curral e seus resíduos de bosta de vaca e aos sete vírgula cinco gramas de deltametrina do butox inalado à moda antiga. não deu outra. trinta facadas na pleura e uma inflamação dos diabos, maldita pneumonite que me privará de meu sagrado hábito tagabista por pelo menos quatro meses, até tudo se cicatrizar de vez por aqui. hell well. imaginem o quanto não devo estar puto da vida. hei de me contentar com os bolinhos, decerto. não queremos maiores problemas, queremos? já me basta ter esquecido a chave do cadeado da mala dentro da porra da mala e não encontrar chaveiro hábil o suficiente pra arrombar a belezoca puro aço. sorte a minha ter uma segunda cueca na mochila mágica, eu acho. mais três ou quatro dias pela frente. melhor me benzer.
Posted by cacoishak at 16:08
1.12.05
e-mail pra uma amiga preocupada ou como ser um sacana fora-de-moda
pois então. estou sem fumar desde a madrugada de sexta pra sábado. e quer saber? não está adiantando de porra nenhuma. respirei que nem um cachorro asmático hoje o dia inteiro, fora as crises de tosse. uma durou cinco minutos, com direito a baba, regurjito e vasos rompidos. vi o rosto de deus. tava sorrindo pra mim. o filho-da-puta era banguela, não tinha os quatro dentes superiores da frente. mandei sifuder e fechei a torneira da pia.
não faço a mínima de como serão os próximos dias. talvez este seja mesmo o último post do cretino.
Posted by cacoishak at 1:08