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30.11.05

bis in idem

nada, nada fácil. pago pelo que não mais devo e devo voltar de vez pra terrinha antes do natal. necessito urgentemente de um emprego. melhor ainda, de dois. sou um cara legal. puta ano difícil, esse. acho que mereço.

Posted by cacoishak at 1:33

29.11.05

caught by the fuzz

parece até que merda aos quarenta e sete do segundo fede mais que nos noventa regulares. fede não. fede do mesmo jeito. a gente é que fica muito mais puto pra caralho por não ter aguentado um minutinho a mais de merda e se cagado todo nas calças e imagina como teria sido lindo, oh, tão lindo, poder continuar a ver a ceroula e a bermuda e o chão do banheiro e as bordas e a tampa do sanitário, a casa inteira, limpos e cheirosos e tranquilos como antigamente, como sempre foram.

e o medo que dá de soltar um pum que seja fora da cueca novamente.

Posted by cacoishak at 1:55

28.11.05

obrigado, doutor

recado de gustavo godinho, teo mesquita e vladimir cunha:

Tá com problema de saúde? Sinusite, AIDS, tuberculose, cabelo inflamado, água na pleura… Fale com o Dr. Salatiel Pacheco que ele resolve o seu problema. No programa de hoje: como comer açaí e beber cachaça sem passar mal, o mistério das células-tronco, punk rock, Jackson do Pandeiro, Salif Keita, o lado romântico do rock'n'roll e os clássicos da sanfona paraguaia. E mais: Dr. Pacheco dá a sua opinião sobre Nove Canções, o filme indie do ano!

Ouça em http://odeo.com/channel/41309/view

Ou baixe o arquivo para o seu computador ou ipod no endereço
http://badtrip.com.br/doutor

eu já escutei. e tá do caralho. imaginei o buraco deixado pela pequena no chão e, não tinha como não, também fiquei de quatro.

Posted by cacoishak at 23:05

27.11.05

acabo de acordar

que fim-de-semana, yawn, como havia muito não tinha. quase dois meses distante dessa cidade e, quando volto, é isso. maravilha. essa história, faço questão de contar (relatar e estilizar, pegou?). mas não agora. mais tarde. no meu cantinho, sossegado. on the rocks, baby. the whole damned bottle. if ya have to shoot, shoot. don´t talk. bang. fica combinado.

Posted by cacoishak at 15:26

25.11.05

poesia pra família

um palito separa
o prazer da dor
um ponto separa
o prazer da dor
é como se você
estivesse numa e
s
c
a
d
a
de três degraus
1
2
3
e do degrau
do meio,
um degrau pra cima
é o prazer
um degrau pra baixo
dor.
e aí eu te pergunto
onde dói mais
e onde dói menos
e porque me sinto feliz
e triste
ao mesmo tempo.

este se chama albm e também está em cutelaria & chapelaria de bruna beber. um poema novo todo dia. satisfação garantida ou sua vidinha sem graça de volta.

Posted by cacoishak at 15:49

24.11.05

cansei de ser cult

sem vocação alguma pra vida em sociedade. as pessoas me aborrecem, conseguem me tirar do tédio habitual onde faço as unhas diariamente e transformá-lo no asco que sou obrigado a degustar toda vez que, de teimoso, ainda tento uma aproximação. considerações não trabalhadas pra uma possível novela em nada imaginada. rodeios de lado, optemos pela simplificação dos paradigmas ishakianos. não consigo vislumbrar vantagem alguma numa relação que porventura viria a ter com um macho da espécie. foi-se o tempo em que me enfurnava em saletas do circuito alternativo de cinema da cidade ou nos malditos quatro por quatro onde se apertavam atores mambembes e o grande público e suas prevaricações ou relia as magazines culturais pra fermentar o conhecimento junto com o vinho derramado no tapete da sala da mãe do host da vez. a bem da verdade, as pecinhas teatrais me agradavam vez ou outra, sempre que uma atriz saia tropeçando pelada em nossas coxas. ah, paixão barata e madalenas. ai, ai, ai. nunca me esquecerei. mas volto a dizer: não tenho vocação nenhuma pra ser dossiê de bosta que seja. almanaque pop, então... deus me livre (a desgraça fechada – gimme a fa? – nesses últimos quinze anos dos quais insisti em fazer parte). primeiro, pela memória congenitamente fraca (aliada a uma desconcentração feladasputa por conta do tal distúrbio do déficit de atenção que apenas se agrava com os hábitos tabetílicos noturnos e os demais males que se mudaram de mala e cuia com a física quântica pro andar de cima já faz coisa de uns seis anos, o que também não recomendo a ninguém) o que me faz nutrir uma inveja saudável porém odiosa, mesquinha e mortal por aqueles que a possuem e fazem questão de punhetarem-na em mesa de bar – todos amigos do peito, caso amigos do peito eu tivesse. com isso, retorno a um ponto lá de cima: não vejo vantagem em me relacionar com espécimes do mesmo sexo. qualquer tipo de relacionamento, digo. não curto homem, ponto final. qual é a graça de uma relação onde o limite máximo que se pode atingir (entre machos roots, fique claro) é um abraço apertado e um aperto de mãos após boas risadas e mais uns drinques regando competições forçadas entre egos despedaçados por traumas colegiais? pois, se traumas todos carregamos, que culpa eu tenho? mulheres são outro esquema. a vida lhes interessa. e todos os seus veios. assunto a ser retomado em breve, infelizmente. o técnico acaba de chegar, quer mexer no computador. um homem, alguma dúvida? só vendo o quanto fala fino pra caralho.

Posted by cacoishak at 13:36

21.11.05

não rolou?

quem abduziu quem? bloody remada, mais tráfico de drogas. transferiram tudo. provavelmente pra amanhã.

Posted by cacoishak at 12:42

tree helix


por dave cooper

duh, mi pleura (sic@home). encaminharemos-nos todos, batata das fritas. buckle up, não hesitem, tenham pressa. que ouvi dizer que rosebud por essas plagas está em liquidação. e ainda vendem fiado.

Posted by cacoishak at 4:07

20.11.05

festa da conchita na torre de babel

a quem restaria a incumbência de um resgate
feito de uma sacada de um
décimo quinto andar
em cujas portas de vidro trancadas por
dentro com um tiro no pé –
arapuca pra passarinho tristonho – embaça-se um
rosto de um filme há um tanto rebobinado

senão a mim mesmo

não fosse um celular num bolso da frente de uma calça
desbotada (nem tão qualquer assim
posto que seria a que um eu estaria usando
num momento tapado)?

maldita máquina de escrever o mundo numa tevê portátil
acabou por tornar-nos donzelas das palavras
temerosas por sangrar os dedos

e todos os seus pares
descrentes

Posted by cacoishak at 23:56

blog é literatura?

por ocasião da tal vinda do cardoso, será veiculada uma matéria sobre o moço, amanhã ao meio-dia (horário de brasília, às 11 da matina em belém), no jornal liberal primeira edição. de carona na bagaça, este que vos fala. ainda não entendi direito o que se passa, mas a dobradinha parece ser certa. primeiro o ruivo, eu em seguida. pra quem não mora no estado, dá pra assistir ao jornal pelo site das orm. não há mistério. é só clicar no ícone TV que aparece lá em cima. recado dado.

adendo: não se tem mais notícia de nada. uma incógnita. aguarda-se o contato. abduziram-se todos. hoje, amanhã, depois? a remoçada agradece.

Posted by cacoishak at 16:34

sam, o cão feioso


pois é. morreu o sam. o que acaba dando mote a um outro assunto. do qual não me recordo mais, vinte e cinco segundos desde sua primeira (segunda, terceira?) ocorrência. mas isso não importa. importa é que o CARDOSO estará em belém do dia vinte e um ao dia vinte e cinco ministrando um curso de blog literário, suas manhas e desconfortos, conforme entendi, pelo instituto de artes do pará. dizendo o moço, vai tocar o terror. o que me faz recordar o tal assunto. nem tenho tanta certeza, mas acho que era isso ou por aí. reclamaram que deixei inconclusa a linha de pensamento do post anterior. não fosse assim, qual graça teria? menos do que a que propriamente se encaminhou por ter. e isso já é triste o bastante. mas, sim, fiz a tal da última quimio. sem a tal da bleo alguma coisa, que é a peso pesado que ataca o pulmão e pode me valer mais um câncer no prazo de dez anos ou quase isso. também deixei de fumar. com filtro e sem filtro. mais uma de minhas mentiras, mas pelo menos essa tem um fundo qualquer de boa vontade. posso até terminar que nem o sam, mas fiquem certos que passarei longe da dignidade mesma de um cão que seja. ainda que o mais feioso.

ps- tergiversei, tergiversei, pra também parar por aqui. em belém. de supetão. eram tantas as pendências em goiânia que nem me dei conta de que a necessidade real das realidades necessárias infligidas à simplicidade de uma vida en passant é a merda que, de tão trivial (favor notar o que quer que lhe soe mais plausível), sem pestanejar é suprimida de uma conversa supostamente formal. quase sem culpa nenhuma. sorte que nos resta algum tipo de desejo. e daí me perguntam o porquê de eu não estar lá. e daí eu respondo, com o mais cafajeste dos semblantes, que, beibe, é o papel dos bobos hiper-modernos que têm de se dividir em tantos quantos suficientes forem pras cortes do percurso. e ainda tem o desplante de ir embora. abusou. definitivamente. no pet cemitaries, for god sake.

Posted by cacoishak at 1:38

18.11.05

jesus te ama

- tu teve febre, foi?
- foi, mas já passou. podemos fazer a quimio agora, de boa.
- isso quem decide sou eu.
- nem faz uma coisa dessas, doutor. hoje é o último dia, tá lembrado? eu visito o senhor de tempos em tempos, pode deixar que a saudade não vai bater, eu garanto.
- não é o caso. melhor vermos isso direito. toma aqui essa guia. vai lá embaixo e faz uma tomo.
- outra?
- rapaz, rapaz...
- entendi.
(...)
- e então?
- e então que eu fiz, né. o senhor ainda não pegou o resultado? da minha parte, sei que, se não conseguia nem respirar direito, agora não consigo nem respirar direito e bateu uma puta caganeira de tanto contraste que me deram pra tomar. me deixaram esperando umas duas horas, até que a primeira garrafa de contraste já não tava fazendo mais efeito nenhum e me deram mais uns quatro copos pra eu entornar. no meio do exame tive de sair pulando lá do aparelho, todo errado, senão me arriava nas calças mesmo. um vexame, doutor. mas já tô acostumado com esse tipo de coisa.
- poupe-me dos detalhes. já me contaram o essencial. enfim. estou com o resultado, sim. meu filho, tu tá fudido. mas a gente vai dar um jeito nisso. negócio é o seguinte: teu pulmão direito tá com uma coisa que a gente chama de vidro embaçado. o esquerdo também. tudo tomado. simplificando, tu tá com uma infecção. resta saber se é por conta da medicação ou das merdas que tu andou fazendo por aí. eu já tô de saco cheio disso tudo, sabe. ou tu toma jeito ou eu te largo, abandono o caso, que eu não sou moleque. e aí, o que vai ser?
- eu vou morrer, doutor?
- jesus te ama, garoto. nem é pra tanto. mas é melhor não brincar com a sorte, né mez? de cara, tu podia parar de fumar, pelo menos por enquanto. tô falando sério, eu te abandono.
- isso não é ético, doutor.
- e quem ainda quer ser ético nesse mundo, meu rei? é o procedimento dos melhores centros ultimamente, isso pra mim basta. ou dá ou desce. e então, qual vai ser?

Posted by cacoishak at 3:05

17.11.05

do alto de um barranco

menos de doze horas para a última sessão de quimioterapia e me ver livre de toda essa farsa puritana de a papai do céu se paga com estrias e comichões, inventam de trabalhar dobrado os malditos anticorpos adquiridos à base de muita injeção no bucho e dá-lhe febre no coitado aqui que nem pra encarnar sapo pediu. se há febre, há uma causa que a desencadeou. no caso, uma garganta maxi-inflamada, praticamente um duto entupido por uma azeitona podre e purulenta transbordando secreções em nada simpáticas por todos os lados. ou seja. no momento, não escrevo tanto quanto tenho alucinações e espasmos os quais tento manter sob controle. nem respirar consigo. dói que parece que vai explodir na altura daquele buraquinho entre as saboneteiras, sacolé? e o médico diz que não é nada. que é frescura minha e dessa minha mucosa por veneno e poeira maltratada. talvez seja. ou talvez seja apenas carência por ficar sabendo que minha aprendiz de baterista finalmente se cansou de esperar pelo pai que nunca chega e resolveu, depois de um ano e oito meses, andar sozinha. deu-me um foda-se certeiro. e me deixou de cama.

ps- isso não é literatura. nada disso aqui o é, senão improviso. viva el rey. que nem no tranco.

Posted by cacoishak at 0:42

15.11.05

de bobeira no feriadão?

conto da senhora surpresa de fim de ano lu lapan publicado lá no cortiça. vai perder? de mané, eu basto. para todos. alguém compra? paga quanto?

Posted by cacoishak at 1:29

13.11.05

por uma vida mais saudável

cheguei. alguns imprevistos a serem relatados assim que a câimbra se for, redondo. amanhã, sem falta, viro crente e rememoro os dias de bartolomeu entre nós. não sem antes desembarcar em congonhas, o que também tá acabando, e dar um pulo nuns lugares e outros.

- também?
- porra, faz um tempão, muleque.

pelo menos, não faço cara de mau e coço o saco e arregalo os olhos e berro ensandecido, pra depois cantar o tema do casal da novela das seis com o cu lambuzado de mel. prefiro passar no pão e comer.

- mas ele era das sete...

Posted by cacoishak at 13:08

6.11.05

pé na estrada

clichê básico pra uma despedida sem lágrimas. amanhã, bem cedo, parto pro meio do mato. trezentos e cinquenta quilômetros de chão asfaltado, mais cinquenta de terra. isso, só a ida. repete-se a dose provavelmente na sexta. sonhei que ao sair do carro, já no destino, uma cobra que estava enrolada no telhado pulava em cima de mim e dentava a jugular. mas isso também é mentira. não sonhei porra nenhuma. embora esse seja um pensamento que me amola algumas horas do dia, já faz alguns dias. como eu disse, nada de lágrimas. porque todo mundo adora um clichê renegado. e whoopsi-loo até o tucupi sorvido.

Posted by cacoishak at 1:49

5.11.05

the maternal fertilizer


por blaine fontana

Posted by cacoishak at 7:37

4.11.05

desenferrujando

– não adianta, cara. se tu tá pensando que eu vou sair por aí tirando onda, ostentando no peito essa marca do capeta, todo prosa, pode esquecer. nem pelo caralho. n´sou do tipo que faz arruaça em venda de esquina, não.
– ah, baby, e tu lá é do tipo que faz alguma coisa? fica aí soprando bolinha pro alto o dia inteiro pra depois começar o show de horrores, depilando a merda das tuas vibrissas com essas tuas unhas de porco. é só uma camiseta, porra! só hoje! o que de tão demoníaco pode haver em se usar uma bosta duma camiseta só por causa dum jacarezinho que nem dá pra ver direito?
– pra começo de conversa, eu preciso de concentração pra fazer minhas coisas. tu sabe que meu trabalho não é algo que eu possa simplesmente estalar os dedos e decidir que, pronto, é agora. depende de vários fatores, uma sincronia de sentimentos divergentes, um estouro maior, bem mais que andorinhas. enquanto isso tudo não acontece, não dá pra dar uma de escroto e forçar a barra. não gosto de forçar a barra. nunca. apesar das melhores idéias saírem quando estão forçando a barra pra cima de mim. mas isso não tem nada a ver, não vem ao caso. eu mesmo tô me enrolando pra ti. resumindo, são as bolinhas que não me deixam usar essa camiseta. as vibrissas são só uma maneira de expor isso de um modo discreto e prático, já que também me deixa mais bonito. e fora que, presta bem atenção, olha lá, vai. de longe – realmente – quase não dá pra se notar, mas aproxima mais a vista que tu vai enxergar muito bem: a porra desse jacaré tá excitado. tá muito claro, só não percebe quem não quer. e eu não me sinto nada bem usando a porra duma camisa que tem um jacaré arfando de pau duro estampada nela e, pior ainda, com quem todo mundo também meio que fica excitado.
– tu não é macho, porra? não vive batendo no peito pra se gabar disso? tá com medo do quê, agora?
– até parece... como se tu não tivesse certeza de que não se trata de nada disso.
– não vai ser a bosta duma camiseta que vai fazer com que eu abra meu coração pra ti assim de repente, baby. e fora que isso é só uma falha besta de fabricação, à toa.
– tá bom... tá bom, caralho. vamos parar por aqui. tô duro e sem paciência de continuar com isso. melhor, então, ficar em casa e eu te provo do que se trata.
– do que não se trata, honey. não de mim. não vou ficar em casa, sinto muito. fiquei em casa durante toda a construção da merda desse relacionamento, aceitando cada cimentada que tu queria dar pra suspender mais uma parede.
– mas, cara...
– cala a boca, que tu já falou demais naquele teu parágrafo. minha vez agora e eu nem tenho tanta coisa pra dizer...
–... é por causa daquela minha tia, satisfeita? posso encomendar o bolo?
– lá vem... de novo, isso?
– e essas coisas lá têm estipulação limitada de uso?
– baby, o problema é que é sempre ela. é essa tua tia sempre, desde o nosso primeiro encontro, caramba! antes tu fosse viado, mesmo.
– não, não sou. essa conversa já tá me consumindo. espera aí. (...) toma aqui teu presente. feliz aniversário. vou me deitar. bom filme.
– tu não disse que tava duro, bonitinho?
– bem se vê que não existe mais amor nem nada.
– que porra nenhuma! corta essa draminha, que é! putaqueopariu... eu que ia pagar tua entrada, não era? não tava decidido isso? então, não vem com bosta de ambigüidade pro meu lado, não! sei muito bem o que o senhor quis dizer, ó, mestre da irrigação perpétua! e como é que me aparece com um livro, agora?
– te fuder, porra! não te dou mais nada, isso sim.
– eu que não quero mais te comer, seu merda.
– ah, o nelson rodrigues aqui...
– vixe, mãe...
– abre! tu não disse que gostava dele?
– abrir o quê, meu deus do céu? me poupa, tá? vai dormir. vou ver meu filme.
– me dá isso. tá vendo? é velho, foi baratinho, comprado em sebo. acredita em mim, agora?
– tchau, baby.
– olha aqui, porra!
– já não olhei? o que mais tu quer? que eu engula essa história? e eu não ouvi tu amassando esse jornal lá dentro? e eu não me lembro muito bem tu dizendo num desses teus surtos repentinos que não comprava mais nesse sebo nem pelo caralho? fala logo que esse livro tava mofando na tua estante e, pra tirar a bronca, tu foi pegando logo o primeiro que apareceu na tua frente...
– tu tá viajando na batatinha, cara. não é nada disso. não compro mais daquele puto, mesmo. que se foda, ele. mas não, esse livro era novo. novo comigo. não era meu. não embrulhei antes porque achei que não devia embrulhar. daí achei melhor embrulhar agora antes de te dar. não tinha papel do mickey, foram os classificados mesmo.
– tu não entende nada de mulher, que merda!
– tá bom, caralho! tá bom! quer saber mesmo? quer saber? eu roubei essa porra de livro!
– tu roubou meu presente de aniversário?
– eu roubei um livro do sebo de um filho-da-puta que se acha mais que todo mundo e vive cagando na cabeça dos outros pra te dar de aniversário porque sabia que tu ia gostar pra caralho dele e eu não tinha grana pra comprar e mesmo se tivesse não ia comprar da loja daquele sacana de merda.
– tu roubou meu presente de aniversário, tu não tá entendendo.
– eu roubei um livro do sebo de um filho-da-puta que se acha mais que todo...
– eu não sou retardada, porra!
–... e que é casado com uma perua de quinta categoria, assassina de bebezinhos recém-nascidos em hospital-fachada onde baratas supostamente têm mais moral pra subir nas paredes do que os pais dos rebentos que ela faz o favor de arrebentar, e que entende da literatura que ele vende pelo dobro do preço das livrarias de novos tanto quanto o nariz dele...
– tu roubou meu presente de aniversário, baby, acorda!
– o cara nem sabe o que tá fazendo ali, porra! come do bom e do melhor pra escrever duas linhas piegas pra caralho que ainda por cima ele tira de papel de bombom e site de cartão virtual toda semana. um sujeito desses merece ter seu estabelecimento assaltado. de um sujeito desses, a gente nem pode dizer que tá roubando...
– veste a bosta da camisa.
– mas nem fudendo.

Posted by cacoishak at 5:47

3.11.05

diana convida

Posted by cacoishak at 22:20

2.11.05

smoOker


poema meu no cortiça. já foi lá hoje?

Posted by cacoishak at 22:48

1.11.05

about a boy

caco ishak é um holograma banguela, o que tenta disfarçar usando dentaduras rabiscadas nas paredes. leva sempre consigo seu corega fix ultra dentro da sacola e acredita que o bem prevalecerá sobre o mal quando a cerveja acabar e os moinhos-de-vento não tiverem mais razão de ser. não gosta que lhe interrompam, apesar de verdadeiramente vidrado num suvaco nos trinques. dia desses, ainda aprende a tocar sanfona só pra abandonar a festa antes do final. é macho pra caralho. mas não bebe campari nem fudendo.

Posted by cacoishak at 3:09