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12.10.05
trililique-chilique
daí vem o sujeito com um daqueles tapinhas canalhas de palma invertida na tua barriga falando olha como tu tá gordo hein mas vê se te cuida hein rapaz. e é. some da mente. desaparece. simplesmente não há mais. acabou. quer dizer. nem tô. inchado. por conta dos remédios. mais ou menos isso por aí. pergunta pra minha mãe. é ela quem cuida dessa parte. tá cuidando de uns tempos pra cá. nem durei muito. confesso. repetitivo ao limite. cansei dos cacarecos. mas sejamos justos. tu acorda naquela tua manhã que já nem é mais boa tarde pros outros palitando o arroto do almoço enxovalhado toalha às bordas e começa o trililique-chilique na cabeça do tamanco plataforma da exposa de nãoseiquem rodeando o teu assoalho de madeira da casa da tua vó num sábado de domingo e putaquepariu já é tarde demais e as coisas não podem ser nem são nada boas quando já se é tarde demais numa dessas sentenças que a gente profere sentado em sarjeta na frente de mesa dos amigos em bar. acontece que tu não tá em sarjeta nenhuma. e faz pelo menos sete horas isso. quando muito, perto de cu de vaca desossada em frigorífico cooperativo. mas não. faz questão de se aproximar e tacar-lhe a lambida. claro que já até sabe que gosto tem, a doença. mas precisa. esfrega a cara na mardita que é pra empestar as narinas. pra completar. vamos lá. pode até nem parecer tanto pelo tanto que tu te esforça a contragosto que é só pra contrariar até tu mesmo mas tu ainda é o cara mais outsider da parada. fato. totalmente deslocado e por convicção. típico zé mané que discute o flamengo antropomorficamente. e porra. como eu disse. ou tu. ainda acha que tem seu lado bom. e nem se dá conta disso. mas é aí também que começa o oba-oba. e desembesta. tá pouco fudendo e faz que não sabe mesmo e daí outra vez. acaba não levando nada senão a fama. do oposto pretendido. e já acorda no automático pronto pra entrar na faca outra vez. melhor nem ir, então. ficar em casa mesmo. trocando fotos no emiessieni. cultivando uma má reputação que vai ser só minha. ou tua. mais de ninguém.
daí eu digo: tás brincando comigo, né não, balastrau? não se trata de caeaxé de biringuibá. absolutamente. mas voltar pra me assombrar assim, do nada. eu aqui quieto no meu canto. fazendo um puta esforço pra não usar diminutivo nem palavrão. e tu vem me perturbar o sono perdido? uma filhadaputice essa tua, hein, balastrau. onde já se viu?
questão de hábito. não tomo cálcio. integral, condensado, em pó ou fatias. nem ovo. osteoporose certa aos quarenta e nove e meio. fumo sim. e broxei. pelo telefone.
– porque, senão, presta atenção. o letraha é um bom músico hare-crishna que tem cara de doido e não é presença. já o potroalli é um bom músico desses aí que também tem cara de doido. mas é presença. afinal, nada a ver. mas quem disse que não pode ser presença? o fememaiú, por exemplo. é um bom ator presença. não é bonito. mas é presença. e não tem cara de doido. deu pra entender?
– nem deu. e é só por isso que eu ainda sou feliz contigo. some da mente. desaparece. simplesmente não há mais. acabou.
por convicção e auto-induzido. forço as goteiras da casa. que nem na vez em que um maluco no meio do caminho da esquina pro trabalho chegou um dia perguntando se eu já tinha chupado uma buceta. fui sistemático. cinco de uma só vez. e tu, já serrou algum grelo com os dentes?
daí, ainda me vem o sujeito com um daqueles tapinhas canalhas de palma invertida na minha barriga falando olha como tu tá gordo hein mas vê se te cuida hein rapaz.
pra putaqueopariu, balastrau. e toma muito cuidado comigo, sujeito.
não sabe com quem tá se metendo.
Posted by cacoishak at 12.10.05 2:28