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22.08.05
tnt
notícia que fará o dia dos mais crédulos e dos mais sádicos, estoy de volta à vida conjugal. por uns dias. até o mês acabar. despojando-me de maiores truques na manga, funciona assim: troquei minha mãe pela ex-mulher e filha. em miúdos e às claras. volto a dividir a cama que nunca – self-service a quilo e rodízio – fora só minha. a três, que se diga. e que tudo continua na mesma. principalmente no que tange ao desempenho sexual. que bastardo filhodamãe sortudo, rapá, diriam os mais filmamericanizados apressadinhos de merda. mas é claro que não. mas isso também não importa. e aí entra aquele jingle do banco. e eu dizendo ao fundo que o que importa mesmo é que a prática diária dos afazeres domésticos se restabelece por dez dias sem juros. leia-se mergulhar em câmera lenta no caos eletrônico de três por quatro pra agarrar a prole pelo ombro antes que se aboste de cabeça no chão por algumas polegadas apenas, entre outras aventuras menos prazerosas como ir ao banco na paz da certeza de que tudo se encaminhará às mil maravilhas até meu retorno de cara com mãe e rebento aos prantos (sim, que não haja mal-entendidos, as duas) na porta de saída do consultório médico trezentas pilas mais abastado sem mover uma palha pra tanto. por que eu, se uma já monta naturalmente na outra?, pergunto-me. nem presta. além do mais, é garantido o pau comendo solto se, depois do coito vetado, os pequenos mimos insistem em aniquilar o naco de autoridade que ora resta no fundo de uma lata de coca-cola. no meio desse turbilhão neo-country stylish, sou obrigado a ouvir ainda por cima (por baixo, de ladinho, vaso sanitário) bordões antigos da moda popular sertaneja, lamuriando-me que, oh, essa tua indiferença é que me mata. daí não entender cem por cento os sussurros, mas algo me diz que dessa vez promete. o quer que seja talvez uma nova mentira. ironia às favas, começo a ponderar seriamente no sentido de que entrar numa de que sou viado é que é o canal – não é de hoje que toda vez que saio pra fumar na sacada me aparece um sujeito muito dos estranhos numa das janelas do prédio em frente, prontamente escalando sua cigarrilha pra me acompanhar entre caretas e bocarras. não digo que o seja, mas se parece com o fernando bonassi, de quem apesar do interesse não li linha alguma até o momento – pelo menos por uns tempos, até que tudo se resolva. nem vou precisar dar a bunda de fato, nem sair por aí desmunhecando. nada contra os que apreciam a arte, mas dispenso tamanha credibilidade. palavras entre quatro paredes hão de remediar a coceira. não é que eu não te ame, nem que tenha outra mulher, nem nada disso, sabe. simplesmente sou gay, entende? não faz assim, beibe. olha pelo lado bom da coisa. tô pensando até em virar padre pra ver se cura. assim, como quem não quiser nada.
Posted by cacoishak at 22.08.05 11:16