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5.08.05

saiu

antes, porém, queria falar de casamentos. do casamento de uma nissei. ou sansei. poderia arrematar com um não sei, mas nem a lembrança da emoção de uma piada velha por nós compartilhada me provoca um esboço de riso, que seja. é uma lástima, pra dizer a verdade. e o mínimo. a última vez que nos vimos, nem chegamos a nos ver. desencontramos um do outro e ficou pelo telefone. daí, ela me telefonou de novo, dessa vez no meio da madrugada. bêbada e aos prantos – o que é de se esperar de uma mulher de fato, realmente bêbada. acho lindo. não entendi metade do que dizia, mas tenho a impressão de que, no meio da conversa, confessou que me amava. ou era isso que eu teria gostado de ouvir. não interessa. estava bêbada. disse que me amava. e que eu era o homem de sua vida e que queria se casar comigo. tu tá bêbada, devo ter dito, vai dormir. e foi. dois dias depois, fui eu quem ligou. também choroso. com dois litros e meio de caipirinha na fronte. não me lembro se falei que estava completamente apaixonado por ela e que daria cabo da vida caso ela não fosse minha. nem de todo o resto que fez com que ela nunca mais me ligasse desde então. nem eu pra ela. e eu continuasse vivo. isso, há uns três anos. e agora vai se casar com um paspalhão esfogueado, pelo menos cem quilos mais gordo que ela. praticamente um michael moore czarnobai. que a abraça como se estivesse defendendo seu pedaço de frango frito adocicado do almoço. e que ela não ama. minha japa. tenho certeza. me mandou um e-mail com uma foto do casal. três anos sem dar notícias. tô me roendo de ciúmes, sua vaca. era pra tu casar comigo, ora bosta. pediria o divórcio em duas semanas, se tu quer saber. e nem precisa me convidar pro casamento. não quero te ver chorando de novo, quando perceber (numa daquelas viradinhas sem porquê de novela) que não tive coragem de entrar, por isso te olhava da porta da igreja, meio escondido, enxugando as lágrimas, patético, na manga do paletó.

Posted by cacoishak at 5.08.05 18:07